A Crise No Corinthians

Ontem, estava preparando uma resenha sobre a crise no time do parque São Jorge, mas não tive tempo. Mas não podia imaginar que essa espera seria tão oportuna para escrever um raio X completo da gravidade do problema do timão.Diante do desenrolar dos acontecimentos, podemos tirar algumas conclusões este episódio: primeiro, que existe sim, uma crise interna no Corinthians, que abrange desde a diretoria até os jogadores; segundo, que a atitude da torcida do Corinthians e interferir nas decisões do clube é louvável, mas precipitada; terceiro, que Rincón fracassou ao tentar ser o líder e da equipe e que Oswaldo de oliveira errou ao insistir que este fosse o líder da equipe; quarto, existe um racha no grupo de jogadores: de um lado os jogadores mais experientes querendo mandar na equipe, e de outro, os novatos que não querem obedecer e que querem apenas ter vez do grupo, tendo ao centro um técnico que de fato, não conseguiu autoridade para combater a situação; e por fim, todo isto é o produto de uma crise administrativa e financeira que vem se arrastando por anos no Corinthians.Mas tudo isso tem solução? Claro que sim! Se o Corinthians desenvolver, desde já, um projeto administrativo mais profissional, voltará com certeza a triunfar entre os grandes do futebol brasileiro. Mas como isso seria possível? Muito simples, já que a torcida do Corinthians quer participar da administração do clube, porque não torná-los sócios? Imaginem que, se um milhão de torcedores venham a se tornar sócios do Corinthians, pagando uma mensalidade de R$10 por mês, tendo acesso ao clube, descontos em ingressos, direito a voto, além de outras facilidades. A receita do clube, fora os patrocínios, chegarem a mais de 10 milhões de reais mensais, quantia suficiente e para, além de manter o clube sozinho, ser possível contratar reforços de peso, construir um centro de treinamento decente, e o tão sonhado estádio do Corinthians. É este, o modelo administrativo da maioria dos clubes da Europa. Não é à toa que eles podem contratar jogadores de peso como a maioria dos craques brasileiros. Se este modelo fosse seguido pelos clubes do Brasil, certamente não haveria crise no futebol. O amadorismo das administrações dos clubes estão por querer matar a galinha dos ovos de ouro, e as leis Piva e Pelé foram criadas justamente para tentar evitar tudo isso. Mas os cartolas estão impurrando com a barriga essas leis, porque não vêem vantagem para eles este modelo de administração, pois partindo do pressuposto de que o clube passaria a funcionar como uma empresa, e eles não poderiam mais realizar as falcatruas que costumavam fazer, enriquecendo seus cofres, e não os do clube. Se essa “Revolução” corintiana, realmente acontecer da maneira que imagino, e der certo, será criado um divisor de águas do futebol brasileiro, pois temos que ter consciência de que somente o torcedor poderá o salvar da situação de falência em que se encontra.

Desde o início do ano, quando vieram à tona as denúncias envolvendo o assessor do ministro-chefe da casa civil José Dirceu, Valdomiro Diniz, o governo lula vive uma fase de turbulência. Mas parece que a tempestade vai demorar a passar. Novas denúncias envolvendo o ministério da saúde, tornam ainda mais longo o calvário do governo federal.O ano de 2004 já era marcado para ser turbulento com as eleições municipais. Mas as ações do governo tornaram-no ainda pior. A tentar, a todo custo, abafar o escândalo Valdomiro Diniz, o governo em vez de resolver a questão tornou a ainda mais obscura e acabou por denegrir a sua imagem perante o congresso e a opinião pública e resolveu fechar os bingos piorando ainda mais a situação. As reformas do ministério, de fato, comprovam um certo amadorismo por parte do presidente, pois este demorou demais para tomar as decisões necessárias para resolver as questões ministeriais. A decisão do aumento do salário mínimo provocou mal-estar generalizado: sindicalistas, congresso, aposentados, opinião pública se voltaram contra o governo por conta de um aumento muito pequeno do salário mínimo. Mas levamos em consideração que a previdência social do país continua quebrada, com o agravante da revisão das aposentadorias.A reportagem do The New York Times sobre o suposto problema do presidente com a bebida não poderia ter um desfecho mais lamentável. Tendo uma atitude ditatorial, o presidente decidiu expulsar o correspondente responsável pela reportagem do país. Esta atitude foi no mínimo irresponsável, pois simplesmente fez com que a opinião pública internacional se voltasse contra ele, passando de vítima a vilão.E ainda antes da metade do ano, mais um escândalo: a fraude nas concorrências do ministério da saúde. De fato, nota-se uma mudança de postura do governo em relação ao caso. Em vez de tentar abafar o caso como da última vez, resolveu procurar apurar e apontar os culpados para tentar limpar o nome do governo. Talvez aprendendo com seus erros, é que o governo possa voltar aos trilhos.

Há exatamente uma semana, o torcedor corintiano Marcos Gabriel Cardoso, 16, covardemente agredido por um grupo de torcedores palmeirenses, caminhava com sua agonia que culminaria com sua morte. A estupidez e a covardia do ato não se justificam. Não há motivo nenhum para uma pessoa agredir outra pessoa simplesmente por ela não torcer para o mesmo clube que a outra torce. Este ato de selvageria absurda é intolerável e inadmissível, do ponto de vista que, cenas como estas só costumam ser vistas em guerras, e por incrível que possa parecer o nosso país não está em guerra. Mas parece.Os níveis de violência registrados no Brasil são tão altos, que chegam a ser maiores do que diversos países em conflito ou guerra civil, tais como alguns países da África e até o Iraque. Sinceramente eu não compreendo o porquê de tamanha violência. Nosso povo, de fato, não teria nenhuma razão para ser tão violento. E o que torna isso mais alarmante é que grande parte dos crimes de morte são praticados por motivos fúteis, como o do caso do torcedor corintiano.Nosso povo chegou a uma irracionalidade tamanha, que matar num indivíduo tornou-se algo banal. E acreditem, tudo isso é mais que um problema social: é um problema cultural e acima de tudo, educacional. Ao mesmo tempo que a violência urbana crescia, a educação, a cultura, lazer e o esporte tornavam-se cada vez menos prioridades para os nossos governantes. Um povo bem educado e informado, tem a consciência do seu papel de cidadão, e por isso vive melhor em sociedade.E investir no povo tornou-se questão de sobrevivência para país, para a sociedade, e principalmente para o próprio povo que é a maior vítima de toda a violência. As pessoas saem de casa sem ter a certeza do retorno. As casas possuem mais grades do que presídios. Esta sensação de medo permanente atrapalha, e muito, o nosso desenvolvimento como sociedade e como pessoas. E exigir de nossos governantes ações rápidas e imediatas para o controle da violência é quase impossível. Isto porque para resolver o problema da violência é preciso projetos a longo prazo de desenvolvimento social (isto significa investimentos em saúde, saneamento, e principalmente em educação) para que a questão da violência seja de fato solucionada de uma vez por todas.

É impressionante o preparo do exército no que será a guerra contra o tráfico de drogas. Os métodos de invasão e inteligência aplicados pelos soldados servem de exemplo para a frágil e despreparada polícia do Rio de Janeiro, que por sua vez, é protagonista das cenas mais sórdidas do combate ao crime organizado naquela região. Seria necessário a criação de grupos bem preparados tais como o exército para combater a violência que assola nosso país.A situação de violência no Rio de Janeiro chegou a um estado tão crítico que a intervenção do exército se faz necessária. É imprescindível que o governo federal autorize tal intervenção para que a cidade do Rio de Janeiro, cartão-postal do país, tenham de volta a paz tranquilidade para que volte a ser atraente para o turismo, e ser agradável para seus moradores. Mas apenas a intervenção do exército não basta. A sociedade civil deve reagir a essa violência exigindo que o governo estadual e municipal realizem programas nas favelas. Isto porque a situação chegou a este ponto por falta de ação governamental naquelas áreas.É impressionante também o despreparo da polícia. Não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil. Ter a péssima abordagem ao público, a falta de controle em situações extremas, a carência de técnicas de investigação, a corrupção e o desrespeito às regras, o abuso de autoridade e a violência ocasionada por eles são apenas alguns dos problemas da polícia no Brasil. Algumas medidas, porém, poderiam amenizar a situação e resolver alguns deles. Um exemplo disso é a violência policial, mas o pior disso é a impunidade provocada pelo corporativismo existente nas corporações policiais. Para resolver isto os tribunais militares teriam suas funções reduzidas: serviriam apenas para julgar faltas contra o estatuto da corporação e faltas cujos autores e vítimas pertençam a corporação. Caso a vítima seja civil, o caso seria julgado pela justiça comum. Seria o fim da imunidade policial. Para complementar esta medida, seriam estipuladas regras para as ações policiais: por exemplo, em caso de haver feridos em uma perseguição policial, o mesmo fica proibido de levar a vítima ao hospital, sendo ele obrigado a contactar socorro médico. Neste caso, automaticamente a perícia técnica acompanhará a equipe de resgate para realizar as primeiras análises no local do ocorrido. Esta medida preservaria o local para investigação, traria transparência às ações policiais, e de quebra, eliminaria todas as possibilidades de um policial violento encobrir seu crime, já que muitos deles, a pretexto de socorrer as vítimas, violam o local do crime para desfigurar as provas que os incriminam.Para isso, repito, a atuação da sociedade é fundamental. Fundamental no sentido de agir, se manifestando contra a violência que nos sufoca a cada dia no interior de nossas casas. Temos que repudiar toda a matança que é feita diariamente. E que as maiores vítimas são os nossos jovens, que por falta de oportunidade, acabam se integrando à criminalidade.Que as mães nunca mais tenham que chorar sobre os túmulos de seus filhos.

Ateno!

Devido a problemas de força maior, o programa de rádio do blog do kazzttor está temporariamente suspenso até segunda ordem. Inclusive os problemas que seriam veiculados ontem, dia 8 de maio, e semana passada, dia 1 de maio, foram cancelados. Em breve teremos novidades, aguardem!Durante essas duas semanas, aconteceram alguns problemas em reação ao blog, mas está sendo elaborado uma nova sessão além da sessão de multimídia: a galeria de imagens. As galerias já estão prontas, restando apenas a construção do layout. Além disso, estão sendo elaboradas reportagens especiais sobre os últimos eventos da música eletrônica. É ver para crer!Também está previsto a criação de pequenos quadros multimídia que serão publicados diversos dias da semana entre os posts do blog. Neles estarão comentários gerais, novos quadros de humor, indicações de músicas e muito mais. Não perdem por esperar!