Resposta De Milton Neves (parte 3)

(continuação do post anterior)

PS: Olha, mais uma vez, obrigado pelo e-mail, pelo carinho, conselho, observações lúcidas, votos de boa sorte e pela compreensão, viu? E respeito também quem não concorda com a mudança. Mas, ela foi imperiosa. Eu estava sendo escalado muito pouco e, como gosto (e sempre gostarei da Jovem Pan e de meu ex-patrão, o senhor Tuta) muito da empresa, não tive outra opção que não experimentar novos ares, lá no Morumbi, na Rádio Bandeirantes AM. Comecei no dia 26 de junho, conto com você e a Jovem Pan continuará como sempre foi: grande, forte, unida, muito feliz, um eterno time grande. Valeu? Ah, na home do meu site www.miltonneves.com.br você poderá clicar e ver dezenas de fotos de meus bons tempos na Jovem Pan. Desde 1972. Quanto à Bandeirantes, foi maravilhoso! Trata-se também de grande emissora, fui recebido com muito carinho pelos funcionários, da técnica e de microfone, e especialmente pelos ouvintes, da Band, e muitos dos que migraram da Jovem Pan. Assim, a vida continua e que todos nós sejamos felizes.PS2: Ouça a Band, por favor, na internet, pelo www.bandcampinas.com.br. Fone (19) 7819-9667. Valeu? Se o endereço estiver errado é só ligar para o Carlos Batista no fone acima. Obrigado.PS3: Ah, acesse o meu site www.miltonneves.com.br e participe da enquete que está no ar, aproveite para ver o “Que fim levou”, “Memória do futebol” e também saber tudo o que rolou nos programas Terceiro Tempo da TV Record (basta entrar na seção TV / Programa Terceiro Tempo). Valeu?Atenciosamente, Milton Neves, o jornalista esportivo que mais procura responder e-mails no Brasil. Afinal, sem você, não sou ninguém. E tomara que todos os meus colegas de rádio e TV também o façam porque vocês merecem. E, por favor, anote ai as “Tribunas do Milton Neves”: Site: miltonneves.uol.com.br ou www.terceirotempo.com.br <http://www.terceirotempo.com.br>. Clique no ícone “Milton responde” e mande seu e-mail. Terceiro Tempo com Milton Neves na Rede Record de Televisão. Todo domingo entre 22h30min e 01h00 da madrugada em rede nacional e para os EUA, Canadá, África, Japão, parte da Europa e Oriente Médio pela Record Internacional. Debate Bola na Rede Record de Televisão. De 2ª a 6ª feira entre 12h15min e 13 horas para São Paulo, Grande São Paulo, Grande Campinas e para os EUA, Canadá, África, Japão, parte da Europa e Oriente Médio pela Record Internacional. “Golaço”, na Rede Mulher. De 2ª a 6ª feira, das 18 às 19h15min, em rede nacional. Em São Paulo (Canal Aberto – UHF 42), Net Digital , TVA (Canal 20), Directv (Canal 231) , TV Alphaville (Canal 8) e por parabólicas em todo o Brasil. – Rádio Bandeirantes AM – 840Khz e FM – 90.9Khz: Domingão do Miltão, todo domingo, das 9 às 15 horas. Terceiro Tempo, após o encerramento de todos os jogos transmitidos pela Bandeirantes. Comentários no Esporte-Notícias, de 2ª a 6ª feira, das 11h30min e 13 horas; no “Pulo do Gato” às 6h50min e no “Jornalismo em Três Tempos”, das 16 horas às 18h30min. Jornal Agora São Paulo do grupo Folha – Página “Terceiro Tempo” publicada aos domingos. Jornal “A Mantiqueira” de Poços de Caldas – “Coluna do Milton Neves” semanal. Revista Placar – publicada mensalmente pela Editora Abril – “Coluna Milton Neves”. Revista Viva São Paulo – publicada mensalmente pela Alphapress Editora.

Teletrim: O número é (11) 4003-8200 – cód. 5964.

Valeu? Saúde… sempre!!!

Milton Neves.

Resposta De Milton Neves (parte 2 De 3)

(continuação do post anterior)

“A vergonha do Pacaembu”Por Adriano Silva22/11/2005 15:09

Domingo, 20 de novembro. Um dia épico, com contornos de grande decisão. Pacaembu lotado, torcida em festa, um sol de primavera achou espaço entre as nuvens de chumbo da capital paulista para cobrir com luz e calor o evento e tudo que ele prometia. Um dia que, em menos de 90 minutos, foi apequenado, atropelado, aleijado. O épico virou tragédia. Ou comédia. Para mim, que sou colorado, foi um dia amarguíssimo. E de um fel com matiz novo para mim. Tem sido comum para um torcedor do Inter ficar chateado com o time nos últimos anos. Por duas vezes não seguramos as calças na Bombonera, perdemos um Brasileiro para o Bahia em casa, perdemos duas Libertadores que estavam na mão – uma para o Nacional, outra para o Olympia, na semi, de virada em pleno Beira-Rio. Além disso, insistimos várias vezes com jogadores varzeanos que já indicavam ao torcedor mais atento, logo no começo da temporada, mais um ano de agruras – Claiton, Perdigão, Celso Vieira, Edu Silva, Leandro Guerreiro etc.Mas não me lembro de ter sentido antes essa sensação que tenho agora, de furto, de erro, de falta, de desmaterialização, de ausência forçada, de comida roubada, de injustiça, de latrocínio, de merecimento negado, de equívoco, de agressão moral e emocional, de torção do que é direito e legal e lógico.O Inter ontem, a meu ver, foi muito bem. Veio para ganhar do Corinthians, diante de um Pacaembu em festa, e ia ganhar. Jogando o seu jogo, que é o de colocar pedra sobre pedra, de construir o resultado aos poucos, sem estocadas lancinantes. Então sofremos um pênalti glamoroso, óbvio, paradigmático, exemplar, claríssimo, transparente, cristalino, irrefutável, quase ridículo aos 20 do segundo.OK, talvez o Corinthians viesse para cima e empatasse. Ou talvez viesse para cima e levasse mais um… OK, talvez Fernandão, que nunca errou uma cobrança na carreira, chutasse para fora ou nas mãos do goleiro. Muita coisa podia de fato ter acontecido naquela cobrança e nos 25 minutos de jogo que sobrariam depois dela. Muito jogo bom.Muitos minutos de suor, sangue no olho, marcação, quem sabe gols, que poderiam se inscrever nas melhores páginas do nosso futebol. Tudo isso foi negado, apagado, proibido. As melhores e as piores possibilidades de consecução daquele pênalti inequívoco – dependendo se você torce para o Inter ou para o Corinthians – foram impedidas de acontecer. A realidade foi roubada aos milhares de torcedores de ambos os times, aos milhões de telespectadores de todo o país, à própria história do Campeonato Brasileiro.Eis o que aconteceu: um assalto à realidade, aos fatos que foram deletados antes de acontecer.Assumo para mim que a grande probabilidade era a de que o Inter saísse do Pacaembu com os três pontos, em condições de brigar de igual para igual com o Corinthians nas duas últimas rodadas. E que final de Campeonato teríamos, com a disputa renhida por esses últimos seis pontos. O Corinthians continuaria levemente favorito. E talvez terminasse mesmo sendo o campeão. Mas o Inter teria tido o direito de lutar até o fim, direito que estava conquistando com hombridade no gramado do Pacaembu.Chegar a esse ponto, para o Inter, já era um missão hercúlea. E isso é o que incomoda mais, o que dói mais fundo. O Inter se superou nesta campanha – e foi o que se viu ontem, dentro do campo. Estava realizando uma possível trajetória de campeão, operando acima das suas condições naturais, na base da raça, da superação, do esquema tático, dos gritos do Muricy, da união de todos. E, quando está para cumprir a meta impossível, o Inter é surrado, currado, macerado por um erro (?) grotesco, grosseiro, patético, difícil de compreender e de aceitar de um juiz reincidente na arte de liquidar espetáculos. Ou seja – o Inter não foi derrotado por Tevez ou Carlos Alberto ou pelo colorado Nilmar, o que seria justo. Foi à lona com um golpe que não veio do adversário, como um boxer que fosse nocauteado pelas costas, pelo refere, com um murro na nuca.Perdi o paladar. Estou sem saber o que dizer – prova disso é que estou escrevendo tanto. Nem o que sentir.E peço desculpas pelo tom todo lúgubre, que não consigo evitar. Corinthians, é claro, não tem culpa de nada. Ao menos é o que imagino. Não tem culpa pelo Edilson, nem pelo Zveiter, nem pelo erro crasso que lhe garantiu três pontos contra o Paysandu, nem pela estupefação que Márcio Rezende causou ao país todo ontem, ao surrupiar o pênalti e, ainda, expulsar a vítima (Tinga) e trocar beijinhos ao final da partida com o agressor (Fabio Costa, um cidadão exemplar). Assim como não teve culpa quando Castrilli liquidou com a Lusa no Paulistão de 98, dando ao Corinthians a chance de ir à final para ser goleado pelo São Paulo.Mas convido você, torcedor corinthiano que me lê agora, a sentir um pouco, nesta sua conquista iminente do tetra, a senssaboria que eu estou sentindo aqui nesta minha iminência de perdê-lo.Porque eu acho que essa bile da derrota colorada tem que respingar um tanto no sabor da conquista corinthiana. Ao menos às papilas daqueles corintianos que só aceitam ganhar na bola, no campo, na justa disputa.Quanto a mim, salvo milagre (mas sou ateu e acredito mais no poder da MSI do que no poder da divina providência; ainda que, contradioriamente, ainda rogue e ore à justiça divina, porque a justiça dos homens não existe), peço inscrição no clube dos santistas que torceram em 95, dos atleticanos mineiros que torceram em 80, dos torcedores do Azulão que estavam em São Januário em 2000 etc.Essas são as lágrimas – de revolta e frustração – que eu tinha a derramar.

Um abraço e fique com Deus.Milton Neves, amigo.

A Resposta De Milton Neves (parte 1 De 3)

Essa é a primeira parte da resposta que recebi na sexta-feira, 26 de novembro, ao e-mail que enviei ao programa do Milton Neves na segunda-feira, 21 de novembro, cujo conteúdo está no post abaixo. Como a mensagem é muito longa, teve de ser publicada em partes. Mas a resposta na íntegra, semquebras,estará no blog do Bollotaz em http://members.lycos.co.uk/bollotaz/blog.php (http://bollotaz.1l.com/blog.php)

Prezado André, tudo bem? Peço ler os dois “Secos pra Você” que foi publicado nos dias 13 e 20 de novembro de 2005, na minha coluna no Jornal Agora São Paulo e que também está no meu site www.miltonneves.com.br. Valeu?

Encanto quebrado

Vi o Mike Tyson de perto lá no Barbacoa. Meu amigo Delcir Sonda até lhe deu conselhos “pra se prevenir” quanto às mulheres fáceis. Vendo o Tyson, lembrei-me de um urso, dos grandões, comendo salmão no rio raso. Mas fiquei pensando no Paulo Pingaiada também. Paulo Pingaiada – Paulo Rogério Scottini -, já morto, foi goleiro e boiadeiro lá em Muzambinho, nos anos 50 e 60. Foi levar uma boiada para Flórida Paulista – jamais vou me esquecer desse nome – e lá resolveu ver um treino do time da cidade. Era da 3ª ou 4ª divisão paulista. Calibrado, pediu para jogar e fechou o gol. Foi contratado para experiência e depois de 10 dias Muzambinho “entrou em polvorosa” com uma grande “bomba”. “Saiu o nome do Paulo Pingaiada na Gazeta Esportiva”, gritavam as ruas. Só se falava naquilo. É que a Gazeta Esportiva era uma espécie de Rede Globo de hoje pra nós lá da terrinha. E saiu pequenininho, no espaço das escalações. O Flórida tinha empatado fora e na formação do time estava lá: Fulano (depois Paulo). Paulo, essas cinco letras representaram para nós uma medalha de ouro olímpica! Antigamente, era assim, na época só do rádio e da Gazeta Esportiva, que chegava só… à noite! Jogador não era visto, era “imaginado”. Dias, Carabina, Bianchini, Geraldo Scotto, Julinho, Pepe, Pelé, eram monstros, gigantes, inacessíveis, deuses, heróis em nossa imaginação. No cartaz – a mídia possível – do jogo de domingo no Bar Majestic, quando o Muzambinho EC recebia o Radium de Mococa, Alfenense, Cruz Preta ou Passense, a gente arregalava o olho porque o adversário vinha “enxertado” de um ex-juvenil do Olaria, um antigo jogador do Juventus ou Bonsucesso, ou de um ex-aspirante da Ponte Preta! Isso era a glória, eram “profissionais” que iam jogar em Muzambinho! E o velho Professor Antonio Milhão ficava “lotado”com oitocentos torcedores, todos olhando quem era o “profissional” do Rio ou São Paulo, como ele andava, a “panca”, o cadarço amarrado na canela ou na barriga da chuteira. “Nooooossaaa, ele tem chuteira Gaeeeeeeta”, dizia o sapateiro Zé Octaviano Salles, expert na matéria. É que, Gaeta, à época, era chuteira só para os ricos. Mas, o tempo passou e veio a TV. Os jogadores passaram a ser vistos, não mais imaginados. Foi broxante. Pô, eles são iguais a nós mesmos, “descobrimos”. Em jogos de férias na região, feras de Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, jogando pela “seleção de fora”, não eram mais admirados, mas vaiados e até xingados. É que devido à TV, viraram “carne de vaca”. Foi o caso do Mike Tyson, não gostei de vê-lo. Ele me assustava, até perdia o sono, pelo susto que me passava ao destroçar tanto pugilista em madrugadas passadas. Imaginava-o distante tanto quanto a Lua, inacessível, uma lenda. Vendo-o tão perto, à mesa, fiquei com dó, ele é meio pancada e foi quebrado um encanto. Ele não é igual a nós, é menos, é menor. Coitado. Fiquei triste.

A bobagem da classificação

Até parecia final de Copa do Mundo. Quem viu a festa e o entusiasmo da torcida do Boca antes, durante e depois dos 4 a 1 contra o assustado Inter, entendeu perfeitamente porque os argentinos goleiam os brasileiros em número de conquistas de Copa Libertadores. Ninguém vibra mais no mundo do que torcedor argentino num jogo de futebol. E foi pela Sulamericana, “o torneio que não vale nada”. Se não vale nada, por que os brasileiros dela participam? E por que ficam falando, como neste final de Brasileiro que “queremos o título, ou a Libertadores ou então a classificação para a Sul-americana do ano que vem?” Aí, quando chega a dita cuja, dá-lhe time reserva, que perde!!! Pronto, lá vem critica. Poupar jogador pode, perder não pode. Dá para entender? O Flu perdeu no Chile e ganhou a contusão de Petkovic. O Inter perdeu de goleada do Boca e voltou complexado com o massacre do campo e da arquibancada. O Corinthians, o legítimo, o Corinthians próprio sem a vitamina MSI, foi patético diante do anêmico Pumas e “Kia ficou ravo e exige vitória hoje contra o Coritiba”. Ué, se não podia perder no Chile e o título era importante para internacionalizar o nome Corinthians, por que tanto titular ficou coçando em São Paulo? E o “argumento” de que a Sulamericana não classifica para nada? Ora, ela é mais uma competição que tem começo, meio e fim e que “classifica” todos aqueles que vivem do e em torno do futebol a dela participar. É óbvio. Participando dela você ganha uma “classificação” para exercer sua função nesse meio chamado futebol. Seja jogador, técnico, árbitro ou jornalista. Ao jantar no seu restaurante, você se “classifica” a ter momentos de prazer e bem estar. Como ao sair do teatro, do cinema, do museu, do estádio, do hotel, do motel… Você foi lá e pronto. Não foi lá para se “classificar”, mas para curtir, relaxar, viver. Os momentos acabam, eterno é só Deus, e até a Copa do Mundo tem um fim. Ao terminar, os campeões terão se “classificado” à graduação da eternidade, mas agora sem a garantia de “classificação” para a próx a Copa. E isso vale para a seleção campeã e para os jogadores que lhe deram o título. Alô, torcida do Boca, parabéns! O negócio é mesmo ter satisfação na vida curtindo-se cada momento presente. Por que cada situação precisa ter a perspectiva da “classificação” para um próximo degrau? Ei, cuidado, não vá tropeçar, hein? Ah, sobre a vergonha no Pacaembu, peço ler o que o diretor do Núcleo Javem da editora Abril, Adriano Silva, escreveu: