Em nossas vidas temos de conviver com dilemas. Se queremos ver a banda da vida passar, ou se queremos, ao menos, caminhar com ela. Ter uma atitude proativa ou defensiva é uma questão de conveniência. Depende de qual atitude for mais cômoda ou não, numa determinada situação de nossas vidas, é uma questão de estratégia.
Estratégia é uma leitura da situação em que vivemos, e frente a ela agimos, ora atacando, ora defendendo, como num jogo de xadrez. Mas a vitória será determinada pela leitura correta das ações executadas, ou seja, da situação, que configura-se em estratégia. É uma interpretação cíclica: a vitória é fruto de uma boa leitura da situação (estratégia), que por sua vez, permite-se chegar de forma eficaz e definitiva a seus objetivos (vitória).
Assim sendo, se por um lado uma atitude ativa faz com que se conspire um conjunto de possibilidades positivas, ao passo que os atores da ação as criam e as controlam de forma intencional ou não, por outro lado, os de atitude passiva, não os tem, e por isso, essas possibilidades são escassas, pois não são agentes de mudança, e sim, são impactados por elas. Com efeito, temos uma cultura de ação, com o proativismo, frente a uma cultura de passividade, quando temos o conformismo, o derrotismo, e a falsa sensação de impotência, diante de uma situação o qual não se dispôs a agir.
Ser agente ou espectador de uma situação depende da estratégia tomada, mas este comportamento não deve ser permanente, sobretudo se for um comportamento passivo à situação.

Era uma vez um coelho astuto e uma tartaruga corajosa. Ambos tramaram um desafio: quem completasse o percurso entre Morumbi e Diadema, no final da tarde, seria o vencedor.
E os dois competidores se foram: o coelho de carro e a tartaruga de ônibus. Apesar do trânsito, ambos seguiram com seus meios de transporte, e até que o coelho levava uma ceta vantagem, já que as paradas do coletivo eram constantes, e o ônibus rapidamente ficou lotado, a ponto de não haver espaço para ninguém, tornando a viagem da pobre tartaruga um transtorno, com lentidão e desconforto, ou seja, um martírio. Até que na Av. Cupecê, a pobre tartaruga perdeu a paciência e desceu da condução, decidida a completar o percurso a pé. Enquanto isso, o coelho estava preso no trânsito, mas poderia contar com o rádio e ar condicionado, o que faria com que sua viagem, apesar de extenuante, fosse mais tranquila.
Seguindo esta entoada, o coelho no carro, parado e a tartaruga,andando a pé e cansada, caminhava para passar o coelho, e por fim, a tartaruga, cansada, venceu o desafio, mas se sentiu tambem tão derrotada quanto o coelho, pois nesta história foram as autoridades que há 20 anos não concluíram o corredor que liga Diadema ao Morumbi e continuam dormindo.

Por Que Se Orgulhar De Nossos Defeitos?

Vivemos em uma sociedade em que muitas pessoas bradam com orgulho que são mal-educadas, ou que não gostam de ler, estudar ou trabalhar, ou ainda que são preconceituosos ou racistas. Qual a razão dessa inversão de papéis? Por qual motivo se valorizam os defeitos, em vez das virtudes?
Sob meu ver, a razão é cultural. Nossas ideologias são abstratas e se comparam equivocadamente com modelos históricos vividos por outros povos buscando uma identidade a qual nunca possuiu, sob estes moldes. E nestes, havia a figura do heroi, o personagem responsável por uma quebra de conjuntura, provendo a mudança de uma situação desfavorável para outra, oposta e bem-sucedida. Em nossa história, toda tentativa de ruptura foi violentamente reprimida, como nos casos de Tiradentes, Zumbi, Antônio Conselheiro, entre outros. Alia-se ao fato de outros personagens ter suas histórias distorcidas, valorizando seus feitos, sem mencionar seus danos, tais como Anhanguera, Dom Pedro I, Marechal Deodoro, Getúlio Vargas, Jucelino Kubitsheck, entre outros.
Há uma leitura errônea da história do Brasil e esta interpretação dúbia a torna inverossímil, quase ficcional. Isto posto, a faz incrédula, complexa, incompleta, fazendo com que o cidadão brasileiro não se apaixone pelo seu passado e não exprima seu sentimento de orgulho patriótico, sendo isto terreno fértil para a xenofilia, ou o sentimento de amor exagerado às culturas e comportamentos extrangeiros, dada à equivocada percepção de nulidade cultural, o que o escritor Nelson Rodrigues o batizou de “complexo de vira-latas”.
Este complexo se radicalizou nas décadas de 1970 e 1980, com a proposta educacional ambígua do regime militar e a crise econômica que seguiu, em um processo de redemocratização mal-formulado sendo agente de um caos social que somente começou a ser dissolvido na década seguinte, de forma lenta e desorganizada, sendo hoje a causa de muitos dos males sociais.