O Imediatismo Como Inimigo Da Sociedade

Já é sabido de todos que o brasileiro tem o costume de deixar tudo para a última hora. Também sabemos que o brasileiro somente troca a fechadura quando arrombam a casa. O que estas frases comuns tem em comum? O imediatismo. Seja nas pequenas instituições como em grandes grupos, assim como em organizações públicas ou privadas, observa-se uma cultura de reação em vez de uma cultura de ação. Já viu brasileiro fazendo check-up? Somente se notou algum sintoma de alguma doença, quando em muitos casos já é crônica. O fato é que falta visão de futuro a nossa sociedade, não há o pensamento de ações de longo prazo, somente a curto prazo. Vamos observar a princípio nossas aposentadorias e nossas economias. Já pensou em juntar dinheiro para se aposentar? Ou ainda, pensou em juntar dinheiro para a faculdade de seu filho, recém-nascido? Certamente não. Não é necessária pesquisa para saber que o perfil financeiro da grande maioria dos brasileiros não é de poupador, e sim de gastador, pois não imagina se vendo daqui a 10 ou 20 anos, somente enxergam o ano ou a semana seguinte. O mesmo se vê nas empresas. Poucas delas possuem projetos de investimento a longo prazo, o que é extremamente preocupante, pois contam com o modus operandi da conjuntura atual, por considerar que é um estado permanente, o que é um erro.

Até mesmo nossa educação sofre com este revés. De fato há um avanço quantitativo na educação nacional, sobretudo na educação básica, mas não houve um avanço qualitativo. Resultado: nosso ensino médio está atravessado a pior crise de sua história.

Nas organizações vemos um quadro assustador. Por resultados, estimula-se e até assedia-se funcionários e gestores a realizar tarefas em um tempo cada vez mais curto, às vezes sem mesmo planejamento e preparo. O resultado disso são crescimentos fracos e pouco sustentáveis em desempenho e uma constante troca de comandos, por considerados insucessos, por conta de uma estúpida impaciência em ver vantagens, lucros e resultados. Este é um terreno fértil para a concorrência desleal, a falta de ética, os improvisos e atitudes espúrias que tanto emperram nossa sociedade para um avanço sustentável e duradouro.

E assim tem-se uma reação em cadeia, que está levando o Brasil rumo ao caos. E os problemas são tão graves que é preciso tempo, paciência e atitude, para transformar um patamar destrutivo, para outro, construtivo. Mas para isso ocorrer é necessária uma mudança de mentalidade e postura, que valorize as ações de longo prazo do que as reações de curto prazo. Pois apressado, come cru.

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Mix de Julho 2010

Setlist:
1. Johnny Cash – Walk The Line (Remix Laurent Wolf Feat. DJ Auri ps version)
2. Starkillers, Disco Dollies – Get Up (Everybody Austin Leeds Remix)
3. Tiko’s Groove Vs Laura Finocchiaro – Avoar (Original Mix)
4. Nicola Fasano – 75 Brazil Street
5. Shakira – Waka Waka (Time For Africa David Guetta Mix)
6. Chuckie vs. LMFAO – Let the bass kick in Miami bitch (DJ Inphinity mashup)
7. Manyus and Dario Guida – Fever (Extended Club Mix)
8. Yolanda Be Cool + Dcup – We No Speak Americano
9. Gramophonedzie – Why Don’t you 2009
10. Veerus & Maxie Devine – Clockism (Combed Mix)

Hdtv Ainda Engatinha No Brasil

Realizei uma pesquisa sobre o conteudo de televisão em alta definição no Brasil e o resultado foi desanimador. O mais interessante é que nem precisei apurar de emissora em emissora o conteúdo, pois já havia um estudo pronto na rede. O autor do levantamento foi Gregori Pavan que publicou os resultados em seu blog. Mas não apenas houve uma apuração, como também uma análise dos resultados. É claro que é possível também por nós, telespectadores e também entusiastas de tecnologia, analisar também estes números. O quadro abaixo, extraído dos resultados desta pesquisa também indica uma análise das perspectivas para o HDTV no país:

Emissora Horas de HDTV em Dez/2009 Horas de HDTV em Jun/2010
Total Produção Própria Prod. Terceiros Total Produção Própria Prod. Terceiros
TV Cultura N/A N/A N/A 15h 55m 15h 55m
SBT 29h 45m 20h 9h 45m 28h 35m 21h 20m 7h 15m
Globo 20 h 9h 11h 44h 41m 14h 10m 30h 31m
Record 1h 15m 1h 15m 11h 20m 3h 35m 7h 45m
Rede TV! 161h 40m 153h 55m 7h 45m 155h 20m 145h 20m 1h
Band 74h 50m 65h 20m 9h 30m 98h 10m 85h 40m 12h 30m
MTV N/A N/A N/A 37h 31h 6h
Rede Vida 23h 10 m 23h 10 m 30h 30h

De fato há um grande desafio para as emissoras de televisão no Brasil para tornar sua programação HDTV. A Rede TV, foi a pioneira e inclusive é a primeira emissora do mundo a transmitir em 3D. Mas grandes e tradicionais emissoras como Globo, SBT, Band e Record estão decepcionando pelo conteúdo muito escasso em HDTV.

A Rede Globo é um caso particular pois possui potencial para isso, porém, nota-se que somente os estúdios do Rio de Janeiro possuem todos os requisitos para a gravação de programas de auditório em alta definição. Os estúdios de São Paulo, responsáveis por quase a metade da programação de auditório da rede não transmitem em HD. Somente uma das novelas da rede carioca é transmitida em HDTV e hoje o horário das 19:00 estreia mais uma novela com esta tecnologia, o que deve impulsionar a programação. Além disso, algumas séries e programas como o Zorra Total, que poderiam ser transmitidos em HD, não o são.

As redes de televisão terão o maior desafio com o jornalismo. De fato, temos um grande problema, pois o jornalismo é extremamente heterogêneo, quanto ao conteúdo e as formas de registro. É muito difícil fazer um investimento muito pesado em equipamentos para o jornalismo, para que este se adeque ao padrão HDTV. Alguns telejornais como os da Band e os da Rede TV já são transmitidos neste formato, mas somente a parte dos apresentadores é transmitida dessa forma, pois as reportagens ainda são gravadas em baixa definição.

De resto, é possível reverter esse quadro. As emissoras brasileiras tem capacidade de adequar a essa norma, mas é necessário um esforço gradual e contínuo para que as pessoas que adquiriram tevês de alta definição possam, de fato usufruir deste advento tecnológico.

Obrigado, Espanha!

A decisão da copa do mundo me deixou satisfeito. Isto pois uma copa do mundo costuma seguir as sombras da copa anterior. A sombra do futebol feio, porém eficiente, do título italiano em 2006 assombrava o Soccer City naquela noite de 11 de julho de 2010. E assim foi o tom desta copa até então com partidas violentas e futebol pragmático de muitas das consideradas favoritas, e assim, uma a uma, foram sendo eliminadas: primeiro a França, depois a Itália, Costa do Marfim, e seguindo esse triste cortejo se foram Inglaterra, Portugal, Brasil (infelizmente, mas com justiça), Argentina, e restou o último dos pragmáticos: a Holanda.

O time holandês é de um pragmatismo irritante. Não ataca, contra-ataca com uma jogada bem manjada. Mas joga nos nervos adversários. Joga sujo, de forma desleal, com muitas faltas, algumas de violência desnecessária, de modo a desestabilizar o adversário e se aproveitando do pior nível de arbitragem das últimas copas do mundo, que não pune, sendo conivente com um jogo sujo de um time que joga como vilão. Infelizmente a seleção brasileira caiu no seu jugo, da mesma forma que tentaria contra a Fúria, felizmente em vão.

O futebol do time espanhol é ofensivo, bem tocado e bem jogado, sem destacar um ou outro e sem jogar todas as fichas nas costas de um jogador. Um time que dá gosto de ver e torcer. Mesmo assim, era uma tarefa herculínea. Vencer um time que não joga e não deixa jogar é um exercício de paciência, quase como um jogo de xadrez que em alguns momentos quase se fez em xeque, não o sendo graças a Casillas.

E assim o jogo foi à prorrogação, sem mudar o panorama do jogo: ataque de guerreiros contra defesa de brucutus. Até que faltando poucos minutos para o final da prorrogação, o momento derradeiro: o gol espanhol selou a derrota do pragmatismo, dos pseudo-tecnicos, da arrogância, da violência, do futebol defensivo e sem emoção. Uma resposta ao futebol de resultado. Uma resposta ao time que não joga para ganhar. Um basta ao futebol que não empolga, que não emociona.

A emoção do título espanhol foi a legítima emoção do futebol. Uma emoção que esperamos ver de novo pelo time brasileiro em 2014.

Sem Titulo 11/7/2010-1:37

O Topo

O topo. Lugar dos vencedores. Lugar daqueles que almejam a felicidade. No topo o mundo se faz visto, e é nele que temos uma visão da Terra, logo abaixo e do universo, logo acima. Será que estando no topo, estaríamos mais próximos de Deus? Estaríamos mais próximos da origem de tudo? Mas nós, seres humanos, tão frágeis e voláteis, não podemos nos contentar ao solo sobre nossos pés? Queremos sempre estar acima, acima de todas as coisas, do bem e do mal. Assim o topo se torna um lugar infinitamente pequeno. Pequeno a ponto de se reduzir a um mirante, onde avistamos novos horizontes. Mas o topo também pode ser uma pequena glória. A glória de viver, de fazer viver e ser importante, pelo menos a nós mesmos. Pule! Cante! Faça acontecer! Saia de casa! Há um mundo imenso lá fora a ser descoberto e a ser visto! Planeje uma viagem, mesmo que seja a um lugar próximo. Contemple cada paisagem, pois muitas vezes não notamos a beleza que há nas coisas mais simples os quais o cotidiano nos impede de contemplar. Alimente sua memória de momentos felizes. Crie, mesmo que parecer bobagem! Pois o acerto sempre surge após muitas tentativas! Tome coragem, erga a cabeça e vá a luta! Tente fazer um mundo diferente, pois a diferença é que faz a diferença. Discuta! Critique! Seja a voz dissonante quando não concordar com algo, mesmo que seja voto vencido, pois não significa que você é um inimigo do senso comum, e sim amigo do senso crítico e, ao mesmo tempo, teve a personalidade de dizer o que pensa. Não se pode vencer sem lutar. Não se pode chegar ao topo, sem mover seus braços, pernas, voz e coração para chegar até lá. E quando chegar, sorria! O sorriso é a forma de exibir sua satisfação diante de um momento vitorioso. Faça do seu dia um dia de glória, e a cada passo adiante uma vitória a ser comemorada com um grande, mas sincero, sorriso.

The Day After – Fim Do Sonho Do Hexa Em 2010

Cabeças frias, hora de escrever. Nunca é bom fazer uma reflexão sobre alguma coisa sob nervos exaltados. Ontem foi o fim de um sonho. A seleção brasileira de futebol foi eliminada da copa do mundo ao ser derrotada pela equipe holandesa pelo placar de 2 a 1. De fato, tenho a conclusão de que se tratava de uma tragédia anunciada a qual custávamos a acreditar, iludidos pela sensação, agora inexistente, de que o nosso futebol é o melhor do mundo. Houve erros, os quais a imprensa cansou de evidenciar, mas o principal deles foi o fato de a equipe que disputou este mundial não possuir as características que consagraram o nosso futebol. Mas derrotas acontecem, vida que segue, bastando apenas “sacudir, levantar a cabeça e dar a volta por cima”.

O que de fato me preocupa não é a copa em si, mas a hipocrisia que existe no Brasil em torno do futebol. Se tivermos nosso orgulho ferido por causa de uma eliminação de copa do mundo, então temos muito pouco orgulho de nós mesmos. O Brasil tem muitos atributos positivos, assim como muitas ações a serem feitas para corrigir nossas deficiências. Portanto dirigir todos os nossos esforços a uma partida de futebol se assemelha a um ópio viciante e venenoso, nos entorpecendo e matando nossa brasilidade aos poucos. Apesar de termos uma situação econômica favorável, temos problemas sociais crônicos, falta de conteúdo de nossa geração, além de um consumismo desenfreado com ausência de valores éticos, os quais são parte de problemáticas que envolvem e corrompem nossa sociedade como um todo.

Por toda essa hipocrisia e valores ruins, é inadmissível considerar a derrota brasileira na copa como uma tragédia. Enquanto o chorávamos a copa, milhares de pessoas em Alagoas e em Pernambuco estão sem ter onde morar, o que vestir e nem o que comer, devido à enchente que castigou a região. Enquanto chorávamos a copa, alguns políticos tentavam passar por cima, na justiça, da lei Ficha Limpa. Enquanto chorávamos a copa, famílias se despedaçam pelo drama da droga e da violência, que destrói vidas de muitos jovens. Prefiro chorar a dor da intolerância e da ignorância do que chorar um gol holandês. Prefiro chorar por aquilo que não queremos ser, por aquilo que deixamos de ser. Não devemos ser hipócritas. Temos uma realidade que 200 milhões podem mudar e não apenas 23. Vamos sair da TV e ir à luta, pois 2014 está logo ali e precisamos pelo menos deixar a casa limpa para o mundo entrar.

E Agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José ?

e agora, você ?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José ?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?

E agora, José ?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio – e agora ?

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora ?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José !

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José !

José, pra onde ?

Carlos Drummond de Andrade

Sem Titulo 2/7/2010-14:35