Competir é Saudável

“Temos de destruir a concorrência!” – diria um gestor tradicional. Mas mal sabe este, que ele e suas doutrinas, até então tratadas como lei, são língua morta para os novos tempos. Tempos estes em que a concorrência, antes rivalizada, passou a ser solidária.

Um dos reflexos desses tempos são as cada vez mais frequentes fusões e aquisições de empresas, muitas delas, concorrentes em um mesmo setor. Tudo isso teve início no Japão do pós guerra, quando a cultura produtiva implantada pelo governo japonês, propiciou uma mudança na postura das empresas que acabaram se unindo e trocando experiências, criando uma cultura de inteligência competitiva e aperfeiçoamento de seus produtos. O modelo foi bem-sucedido e propiciou um crescimento rápido e vigoroso da indústria japonesa e serviu de modelo para o empresariado mundial. Apenas citei este fato como exemplo positivo. Por outro lado, uma concorrência desleal pode levar a ruína de toda uma categoria. A crise americana do setor de subprime, é um exemplo negativo da concorrência, pois para angariar clientes e vencer a concorrência, valeu-se de tudo, e como os negócios não vingaram, o resultado foi desastroso para o mercado e trouxe reflexos para a economia americana.

Quando uma empresa se destaca mais do que as demais, corremos o risco de o mercado se estagnar, pois não há nenhum parâmetro comparativo. Foi o que aconteceu com a indústria soviética com os planos trienais. A indústria de lá não tinha parâmetro competitivo, o que fez com que esta não aperfeiçoasse seus processos produtivos, nem seus produtos, que se tornaram obsoletos, o que evidenciou o fracasso do sistema comunista de economia planejada.

Em todas as áreas onde existe a competição, a deslealdade competitiva provoca o enfraquecimento desta área. Tanto pela polarização de domínio como pelo impedimento a inovação, uma concorrência desleal, conduz um conjunto de organismos que disputam um mesmo segmento a desumanizar e reduzir sua capacidade de sucesso. Ver alguma organização em crise sem a solidariedade da concorrência é um mal que precisa ser eliminado da cultura empresarial. Assim, como uma célula doente pode contaminar outras, uma organização doente pode levar a ruína suas concorrentes. Até mesmo no futebol, quando um ou mais clubes atravessam uma crise, o futebol daquela região apresenta uma queda de qualidade.

Conclui-se que a competição, de forma saudável permite um desenvolvimento das atividades de um setor como um todo, levando progresso a todos.

Essa Gente

De minha janela, eu olho para uma gente. Uma gente sem rumo, sem propósito, sem razão. Quando olho para essa gente, vejo o passado. Um passado inoportuno, formado pela soma de males que castigam essa gente, e esta não percebe, pois de tamanho castigo, esta já não sente os golpes nela desferidos. Não percebe que foi conduzida e manipulada a viver sem rumo, sem razão, sem futuro. Um futuro que mira coisas e não estados, que mira posses e não poderes, que mira uma vida medíocre a viver plenamente com a consciência de mudar para melhor o universo que o rodeia. Agem de forma inconsequente, e até mesmo criminosa, por não acreditar que podem fazer a diferença. Vive para ser igual, vive para ser malandro, vive numa estranha utopia, de que agindo de forma predadora e perversa pode alcançar a redenção entre seus iguais. Gente pobre e tola. Não sabe que esta cultura de destruição o levará à ruina. Ruina esta que corrompe famílias, destroi vidas, constroi discordia e semeia a morte. Morte que mata a cada dia nossa juventude, morte que faz com que pais tenham que chorar a morte de seus filhos, e não o contrário. Morte que apaga sorrisos, que elimina possibilidades, que propicia derrotas antes que se iniciem as pelejas.

Quando olho para essa gente, me dá vontade de chorar. Chorar a amargura de não ver neles exemplos de humanidade, exemplos de vidas que geram vidas, de almas que iluminam o que está ao seu redor. Choro com raiva e revolta, pois seus filhos os terão como exemplo e compartilharão dos mesmos erros.

Essa gente não é culpada da sina que tem. Não merece ser castigada por tal destino. Os culpados foram outros, que impiedosamente foram egoistas e não ofereceram uma alternativa para que esta gente possa prosperar. Essa gente me traz pena, pois a sua revolta pode matar os justos e tornar esta terra um lugar sem lei, sem ordem, nem progresso, onde quem manda corrompe, e quem obedece, não obedece.

E assim, todas as noites rezo em silêncio, não para que esta gente me ataque, mas que se defenda de todo esse mal. Amem.

Políticos, Por Felipe Neto

Há cerca de uma semana, eu havia falado sobre a juventude e hoje pude conferir o vídeo enviado de Felipe Neto sobre políticos ao Youtube. A minha reação não poderia ter sido outra senão encantamento. Desde 1992, quando Lindberg Farias, então presidente da UNE, falava sobre o impeachment de Collor, uma declaração de um jovem trouxe tanta repercussão. Tudo o que foi dito pelo jovem ator condiz com meu ponto de vista e cutucou a ferida mais aberta em nossa sociedade desde o fim da ditadura militar, em 1985: o conformismo. De lá pra cá, apenas um movimento popular teve tal repercussão: o impeachment de Collor, em 1992. De resto, vimos à passividade de um povo e de várias gerações que assistiam perplexas a sucessões de escândalos de corrupção, sem reagir a isto.

Somos vítimas de um sistema político, o qual poder executivo e legislativo possui poderes iguais. Assim, mesmo que tenhamos um presidente popular, se não houver apoio no congresso, não terá condições de governar a não ser por mazelas baseadas no fisiologismo e no casamento de interesses. De fato o governo Lula trouxe muitos avanços, mas teve que jogar o jogo político das heranças da velha e canalha política nacional, da mesma forma que FHC teve de fazer, há oito anos. E são os deputados que legislam, muitas vezes em causa própria. Sabemos quem são os partidos inimigos do Brasil: o DEM e o PMDB, heranças políticas do regime militar. Hora ou outra, estampam suas caras em escândalos, muitas vezes ocultadas pela mídia, já que muitos deles são donos de jornais e emissoras de rádio e televisão. Vivemos num panorama sombrio, de manipulação por parte da mídia, e educação deficitária. Sinto-me impotente na faculdade diante de uma aula de cálculo, pois no ensino médio, quando estudava na Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas, não tive aulas decentes de matemática, graças a uma LDB elitista implantada pelo governo FHC. Este é apenas um exemplo, pois mergulhamos, infelizmente, em uma geração perdida.

O basta de Felipe Neto é um alento, pois não ouvia vozes de protesto há muito tempo neste país. Ouvir um basta a esta cruel e destrutiva realidade será um primeiro passo de um movimento silencioso que ensaia seu início. Um movimento de repúdio ao status quo, e o início de uma nova realidade, realidade que o povo precisa deixar de assistir o jogo ser jogado e começar a dar as cartas.

Sem Titulo 23/8/2010-1:40

Palavras A Dizer E Não Dizer

(artigo publicado no meu blog de causos como professor: http://professorandrearruda.wordpress.com/2010/08/14/palavras-a-dizer-e-nao-dizer/)

Bem, amigos, mais um causo para vocês. Aconteceu hoje na escola que durante uma conversa informal no intervalo das aulas, um colega emitiu uma infeliz afirmação sobre os alunos que faltaram hoje: disse que iria f*der com eles, pois iria aplicar prova. Uma das alunas, indignada, foi reclamar com a direção da escola. E com razão, pois isto não é coisa que se diga sobre seus alunos, que não podiam se defender dessas palavras, por estarem ausentes, fato semelhante ao artigo anterior, só que, desta vez, com papeis trocados.

A palavra é muito mais feroz que a ação. Pois é fácil de ser dita e torna pública a intenção, a opinião, o pensamento e a conduta de quem o diz. Mesmo em tom jocoso, a palavra revela, nas entrelinhas e no contexto, a personalidade de uma pessoa. Medir as palavras de acordo com o ambiente em que se encontra é um sinal de maturidade e de bom senso, pois muitos foram sumariamente punidos por palavras impróprias em lugares impróprios. É claro que um erro desta natureza, se cometido por ingenuidade, como foi o caso de nosso colega, não precisa mais do que uma séria reprimenda para que tenha a consciência do erro que cometeu.

É importante ter a idéia do que se diz. Palavras são palavras, mas ferem mais ferozmente do que qualquer arma. A caneta é mais forte do que a espada, disse Voltaire, e isto é uma grande verdade. Pois a verdade deve sempre ser dita, mas certas “verdades” não.

Neste episódio também vemos uma falta de compromisso e cumplicidade entre os corpos docente e discente. São freqüentes os atritos entre alunos e professores e, nas minhas aulas, convivo com isso freqüentemente. O fato de o curso ser pago não implica em que o aluno possa fazer o que quiser na aula e ainda assim, ser adulado pelo professor. O respeito deve existir e deve ser uma estrada de mão-dupla: deve ser mútuo e recíproco. Muitos jovens e alguns adultos consideram que o fator financeiro é motivo para uma relação de subserviência por parte do professor aos alunos, pois o confundem com respeito, o que é errado. Respeito não é submissão e sim compromisso.

Por fim, um conselho: guarde as palavras para si, reflite-as, e somente fale se estiver no local certo e no momento certo de dizer. Assim evita-se transtornos e constrangimentos com declarações infelizes.

O Blog Está Mudando…

Ainda há alguns bugs, que serão corrigidos. Enfim… Um novo modelo próprio para este blog. Aguarde!

Eu Acredito Na Juventude

“Vejo na TV o que eles falam sobre o jovem, não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério”
(trecho de música do Charlie Brown Jr.)

Estamos em um país que envelhece. A cada ano, nossa taxa de fecundidade diminui e nossa expectativa de vida aumenta. Isto faz com que faz com que deixamos de ser um país de crianças e passamos a ser um país de jovens e adultos. A população jovem de nosso país representa uma parcela significativa da sociedade e é uma importante fonte de trabalho, consumo e opinião que não pode ser ignorada. O jovem brasileiro tem mais anos de estudo, porém menos conteúdo devido a uma educação deficitária, é mais atento às tendências de consumo, mais interligado e diverso do que antigamente.

Mas antigamente havia algo em nossa juventude que não vejo hoje, principalmente entre os adolescentes, a atitude ideológica. Nossos jovens eram muito mais engajados politicamente do que hoje. Mas isto é um reflexo dos novos tempos, em que houve um desenvolvimento econômico e social, no qual facilidades e conforto estão mais acessíveis.
A questão é que há muito a ser feito ainda. Temos ainda muitos jovens que não tem acesso à internet, por exemplo, e não podem sequer ler estas palavras. E como a qualidade da educação em nosso país decaiu muito, um quadro sombrio e temeroso ao nosso futuro se revela.

A cultura inútil que se espalhou em nossos jovens degradou os anseios de parte de nossa juventude, acrescentando o fato de que o desencanto junto à cena política nacional causou desencanto e desinteresse maior entre os jovens, o que provocou um maior individualismo e conformismo. Um reflexo disso foi a queda do número de jovens entre 16 e 18 anos que tiraram o título de eleitor para estas eleições.

Resgatar a juventude para o engajamento político é de suma importância para resgatarmos a nossa cidadania, pois estimula a participação popular e promove um ganho de qualidade na escolha de nossos representantes.

Apesar de todo o quadro negativo, nunca deixo de acreditar nesta juventude. Muitos indícios me levam a crer que haverá uma nova onda de engajamento jovem neste país: o motivo? A própria natureza do jovem de ser independente e multifacetado, o induz a uma situação de vontade de quebrar paradigmas e de agir, não sendo apenas um mero espectador, mas protagonista de nossa sociedade. O que falta é impulso e voz. O jovem precisa ter espaço para falar e impulso para agir e isto pode ser feito com uma mudança de postura tanto da sociedade em relação ao jovem, estímulo a formas de expressão positivas além de políticas públicas e privadas para o jovem. Se houver a união de todos, podemos dar voz e vez a nossos jovens, pois acredito neles.