"Sô di menó, dotô!"

Segunda-feira, 11/07, em Guarulhos, ocorreu um acidente de trânsito que vitimou fatalmente duas mulheres e feriu um bebê, que sobreviveu. O carro que provocou a tragédia estava sendo guiado por três adolescentes que o roubaram e estavam fugindo da polícia. Cada vez mais vemos memores envolvidos em crimes neste país e este artigo vem discutir o assunto, mostrando uma realidade cada vez mais torpe da criminalidade, tendo adolescentes como instrumentos na prática dos crimes.

Qual a diferença entre um adulto armado e um adolescente armado? Está na estrutura psicológica que no jovem é menos desenvolvida, a ponto de não ter o menor discernimento dos fatos aos quais rodeiam. Isto faz com que o adolescente aja de forma mais incisiva e  inconsequente, fazendo com que este consiga, de uma forma mais violenta e agressiva obter resultados em seus delitos. Um adolescente por não ter conhecimento e discernimento pleno dos fatos, é facilmente influenciável, manipulável e tem uma grande busca por desafios e é emocional e de uma entrega grande por seus objetivos.

O mal maior que existe nesta utilização de menores no crime é que o êxito nas ações delituosas deles tem o mesmo efeito viciante de entorpecentes. E a gravidade é maior pois a formação precoce no crime faz com que o jovem infrator se torne um adulto criminoso de alta periculosidade com traços psicopatas. E a utilização de jovens no crime ocorre pela incapacidade do estado em tratar do problema do menor infrator em todos os seus aspectos. Pelo aspecto jurídico, a ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) estabelece normas que de certa forma acabam protegendo o menor infrator, mas essa proteção é mal interpretada e mal executada pelas autoridades. Há diversas causas para que um adolescente siga o caminho da criminalidade e entre elas está a falta de amparo do Estado em garantir condições dignas de saúde, educação, moradia e lazer a estes jovens. Além disso, os criminosos adultos os utilizam como álibis na prática de seus crimes, pois a função de mandante do crime somente ocorre quando há casos de homicídios. Porém vemos como autores intelectuais de crimes cometidos por menores, pessoas adultas e com passagens na polícia.

A primeira medida a ser adotada é endurecer a lei contra os aliciadores de jovens. Quem recebe um bem roubado por um adolescente está sendo mais culpado do que o jovem, pois este último estaria sendo apenas um instrumento da execução do delito. Também temos que buscar alternativas de inclusão do menor infrator, separando-o em grupos menores e oferecendo a ele alternativas de saída do mundo criminoso. Paralelamente, oferecer suporte total a jovens em situação de risco, para que tenham uma alternativa viável à criminalidade. Por fim, estabelecer uma nova política criminal em que seja possível uma punição rápida e justa a todos os pegos em delitos, e que esta punição tenha o intuito de ressocializar o indivíduo, em vez de marginalizá-lo.

A mãe, a amiga e a p*ta

Em uma sociedade machista e conservadora como a nossa, espera-se de uma esposa três comportamentos distintos: a mãe, a amiga e a prostituta. É triste ver que a mulher valha para o homem tão pouco. A mulher não deve ser a sombra do homem atendendo somente a suas necessidades afetivas, domésticas e sexuais. A mulher precisa também ter suas necessidades plenamente satisfeitas de modo que possam buscar sua satisfação de maneira livre e independente.

A cultura machista, sexista e patriarcal a qual estamos submetidos, coloca a mulher em um estágio bem abaixo do digno. Os salários são menores, sofrem com o desrespeito, subestimam sua capacidade intelectual e de habilidades e são constantemente vistas mais pelo aspecto sexual. Nunca vi de tamanha insensatez homens jovens referindo às mulheres pela genitália feminina, como se estas somente servissem para isso.

Ainda busca-se a famosa “Amélia”. Aquela que era mulher de verdade, que não tinha a menor vaidade… Esse conceito de mulher Amélia é o da mulher submissa e doméstica que somente cuidava dos afazeres domésticos e conjugais. A mulher Amélia não existe mais, mas insistem em achar que a mulher deve ficar em casa, rebaixando sua dignidade quando realiza atividades tipicamente masculinas como trabalhar ou dirigir. Todo homem tem necessidade de afeto materno. Este afeto é censurado pela cultura machista pois tornaria o filho efeminado. Quando o homem se casa, essa necessidade de afeto pode ser enfim, preenchida, mas não de forma idêntica à forma que havia na infância, pois quem estaria no comando agora seria o “filho”. E assim, este “filho” crescido buscaria na esposa os cuidados que recebia quando era criança pela mãe, mas sem as obrigações que a mãe impunha ao filho para educá-lo. Este saudosismo maternal pode ser observado em alguns relacionamentos através do comportamento infantil dos homens, e pelo desleixo que eles fazem em suas ações cotidianas como o uso de ambientes, utensílios e pela recusa e sensação de incapacidade frente a atividades domésticas.

É curioso que a amizade da esposa, ao modo machista de ver, nada mais é do que uma concordância cega e aceitação de opinião de forma incontestável. O homem é quem manda e a mulher deve apenas aceitar a opinião do marido, mesmo que não concorde. Duas mentes trabalham melhor e é da divergência é que surge o consenso e com isso, melhores alternativas para questões pontuais ou para planos futuros.

Em suma, homens e mulheres podem conviver em um mesmo espaço de forças em um relacionamento. Não é por questões culturais que um deve se sobressair ao outro. É necessário um diálogo e um entendimento entre as partes para que um relacionamento se torne algo benéfico para ambos em um par. E para isso deve deixar de existir que uma mulher somente serve para ser a mãe, a amiga e a prostituta.