Há um ano atrás, eu me candidatei ao cargo de delegado sindical. Na bagagem havia apenas uma participação no movimento estudantil e a minha atuação política no Partido dos Trabalhadores. Sabia da enorme responsabilidade que iria assumir e do enorme desafio que é representar a base junto ao sindicato e ao Banco do Brasil. Está sendo um desafio e tanto, mas bastante recompensador, pois vejo o reconhecimento de meu trabalho pelos colegas e pelo sindicato. Trabalhei em locais onde as condições de trabalho eram muito injustas. Inescrupulosos empresários exploram violentamente a força de trabalho e pude sentir na pele situações degradantes como jornada de trabalho de 16 horas ou trabalhar diariamente sem ter dia de descanso por mais de um mês. Um homem deve fazer usufruto de seu trabalho, não o contrário. O trabalho não pode tomar a vida de uma pessoa a ponto de esta viver em função deste. Este é um mal contemporâneo e humanizar o trabalho e suas relações é uma forma de torná-lo mais produtivo e com melhor bem-estar a todos os envolvidos.
O diálogo e a conscientização são ações importantes neste processo e estas não devem ser pontuais. O contato com a base e com os organismos aos quais temos vínculo deve ser constante. O processo de conscientização é contínuo para que ali exista uma relação de confiança e que também se estabeleça uma proteção contra qualquer força que tente nos corromper.
A atitude do delegado sindical, neste processo, deve ser de liderança. Mas esta liderança não deve ser feita de imposição de ordens ou comportamento militar. Meu exemplo de comportamento não é exemplar, mas coerente com meus propósitos e minhas atitudes. Minha atitude nunca foi de afastamento, foi de proximidade; não foi de confronto, e sim de diálogo; não foi de imposição, e sim de reflexão. Sempre acreditei que as pessoas são mais engajadas quando são conscientes do universo o qual rodeiam, e conscientizar as pessoas sobre a problemática de seu trabalho é a melhor forma de torná-las mais engajadas, e com isso, nosso movimento se torna mais forte, mais combativo e menos susceptível a qualquer tipo de manobra que nos prejudique.
Fui criticado por causa disso. Minha postura de conscientizar em vez de impor minhas opiniões às pessoas causou irritação em alguns grupos que tinham como intuito concentrar o poder pela imposição de ideias em vez de incentivar as pessoas tirando suas próprias conclusões. Não quero fazer jogo de poder paralelo. Pois as mudanças não podem ser impostas, devem ser conduzidas respeitando todas as forças envolvidas.
Vem aí mais uma eleição de delegados sindicais. Aprendi com os erros e estou satisfeito com o resultado do meu trabalho. Mas ainda há muito a fazer, e quero mais uma vez estar representando meus colegas na luta por melhores condições de trabalho na CABB.
E é você, caro colega, que pode decidir se devo continuar representando você. No final de fevereiro, faça valer seu poder de decisão. Vote. Juntos poderemos fazer a diferença.

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