Caros amigos,
O assunto de hoje é a meta. Uma palavra que nunca soa bem quando temos a obrigação de cumpri-la. A instituição de metas de desempenho foi um recurso utilizado pelos administradores para “motivar e ampliar a capacidade produtiva” de seu quadro funcional. Porém o que se vê na prática é a instalação de um clima hostil, com competição, deslealdade, trapaças, desumanização do trabalho, individualismo e estresse. Esse clima pesado traz consequências ainda mais abomináveis, com danos, em alguns casos irreparáveis, à saúde física, mental e social.
Temos que observar que objetivos são necessários para que uma organização seja bem-sucedida. Porém esses objetivos devem ser mensurados corerentemente e com transparência, e não devem ser individualizados, ou seja, todos devem saber quais são os seus objetivos e como estes foram obtidos, e estes devem ser conquistados juntamente com seus pares.
O que vemos no empresariado brasileiro do setor de serviços, sobretudo os bancários, é o mensuramento inadequado de metas, observando somente as espectativas ideais de crescimento dos administradores, sem observar o mercado ou a capacidade funcional dos trabalhadores.
Isto faz com que uma carga excessiva ao trabalhador lhe seja imposta. Vincula-se a remuneração ao atingimento de metas, punindo assim o trabalhador, por seu não atingimento. Assim temos um ciclo vicioso de metas, cumprimento e aumento de carga, com o aumento das metas a se atingir, chegando assim às metas intangíveis e abusivas. A imposição de metas faz com que se maximize o lucro, mas às custas do sacrifício do trabalhador que tem de realizar a carga de trabalho de duas ou mais pessoas, realizando a mesma função.
O mercado também não é observado para se levar em conta as metas. Vamos exemplificar: suponha-se que a meta seja de 300 vendas por mês. Para uma loja de roupas no Brás, é uma meta perfeitamente possível e subdimensionada, já que seria possível cumprir essa meta em menos de 10 minutos de abertura da loja. Agora imaginemos essa mesma meta para uma loja de iates, ou de carros de luxo. Seria uma meta difícil de se atingir pois o fluxo de produção e o custo dos produtos vendidos não são condizentes à meta em questão.
Com os produtos bancários ocorre algo análogo. O que se impõe ao bancário é a venda de produtos que oferecem poucas vantagens ou que não são importantes para o cliente, como títulos de capitalização e seguros. Esses produtos podem ser rentáveis para a instituição financeira, mas não são úteis para o cliente. Tudo isso, aliado ao desconhecimento, ou conhecimento destorcido dos produtos e serviços, acabam por envenenar os negócios com transações falhas para o atingimento de metas, onde todos saem perdendo.
Toda a organização deseja ser rentável e bem sucedida, mas esse sucesso é conquistado coletivamente. A meta individual é a oposição ao trabalho coletivo que leva a organização ao sucesso pleno. Assim, para se acabar com as metas abusivas é preciso proibir que sejam individualizadas e de caráter punitivo, e que sua métrica seja embasada em todos os seus aspectos inerentes, como o mercado e a capacidade produtiva, sendo estas metragens transparentemente conhecidas pelo trabalhador, podendo este participar do processo de formulação.

Deixe um comentário