Pelo fato de a CABB aderir massivamente às greves dos bancários, a pressão e o assédio levaram à CABB de São Paulo um clima de tensão. O volume de ligações cresceu consideravelmente, com média de 80 ligações recebidas por atendente, chegando alguns a ter 130 ligações recebidas. A causa do volume excessivo ocorre ora por ligações desviadas de outras centrais, ora pelo atendimento do programa “BOMPRATODOS”. O tempo de espera para o módulo de transações bancárias está chegando a 10 minutos e em um dia, mais de 12.000 ligações foram perdidas. Ou seja, a qualidade do atendimento sofreu uma degradação muito forte no período.
Denunciei o fato ao sindicato e publiquei no Facebook e no Twitter o ocorrido, na minha página na rede social (http://facebook.com/andrearrudads) e no Twitter (@andrearrudads) com uma imagem simbólica. Quando a CABB bateu o recorde de valores contratados em empréstimos, cada atendente ganhou um bombom. Fotografei esse bombom e publiquei na rede social, denunciando o disparate ocorrido na CABB, em que produzimos muito e não temos esse reconhecimento na forma de remuneração e condições de trabalho dignas.
Eu também acabei sendo vítima da pressão praticada na CABB, primeiro pelo ritmo de trabalho imposto, depois pelo meu trabalho de mobilização que está incomodando pessoas no banco.
Fui chamado para uma reunião. Gerentes de área vieram conversar comigo por conta de minhas publicações. Fui alertado de que minha atitude feria as normas de conduta do banco, por segundo eles, revelar dados sigilosos. Estas pessoas também explicaram que não era bem assim, que o bombom era apenas um singelo reconhecimento do esforço (uma forma de manter os atendentes motivados), pois eles certamente não tinham outra forma de extrair lucros do banco, senão à base de pressão, competição e ‘mimos’. No dia seguinte, novo pito de minha gerente de grupo que veio com aquela conversa de que eu poderia me prejudicar e comprometer meu futuro, pois a minha imagem seria abalada por situações desse tipo (estaria insinuando que eu seria um mentiroso?), além de cobrar por aderência e conformidade. Nesta época de iminência de greve, os delegados sindicais são muito requisitados pelos colegas, seja para saber o andamento das negociações, seja para tratar de problemas pontuais, e isso acaba por comprometer a aderência e conformidade. Evidente que temos aqui um claro cerceamento à atividade sindical por pressão aos delegados sindicais. Para o delegado sindical sério, a jornada de trabalho é dupla: trabalhamos para o banco e para os trabalhadores.

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