Não estamos prontos (e nem estaremos)

Falta pouco para a Copa. Mas falta muito para ficarmos prontos. Aeroportos, estradas, ferrovias, trens-bala, metrô, estádios, tudo prometido. Nada ficará pronto como se espera, nada ficará para o futuro além de elefantes brancos, puxadinhos, gambiarras e projetos que jamais sairão do papel.
O Brasil não tem capacidade de gerir, pois os que gerem não tem competência em agir, exceto se for em causa própria. Estamos eternamente deitados em berço esplêndido, aguardando dos céus um Messias que faça as coisas.
Não obstante vemos muitos malandros se dizendo os salvadores da pátria, prometendo em troca de votos, dízimo e silêncio um Paraíso, quando se tem somente promessas e discórdia, incitações de ódio e mentiras, em um jogo hipócrita em que muitos acreditam em salvadores sem caráter.
Hora de despertar! Hora de deixar de abdicar do poder para de fato, exercê-lo. Toda nossa lamúria deve se converter em ação. Estamos sendo privados de nosso conforto, de nosso senso, de nossa voz, de nosso pensamento. E pode ser pior: podemos perder nossa liberdade. Despertem antes que seja tarde!
O Brasil deve deixar de ser o país do futuro de alguns para ser o pais do presente de todos. A Copa, creio eu, já não é mais tão importante.

Homenagem ao amigo Nei

Cedo demais…

Como disseram outro dia, por que os bons morrem jovens? Há lógicas que não entendemos, nem queremos aceitar, pois a vida é ilógica, o mundo é ilógico, e nada nos faz sentido. É difícil crer na fragilidade da vida, mesmo com tanta coisa que o Homem fez para fortalecê-la. É difícil crer na força da morte, mesmo com tantos recursos que usamos para derrotá-la. E este fim precoce nos punge de tal forma que somos surpreendidos, agimos com descrença, revolta, dor e, por fim, tristeza.

A melhor forma de homenagear alguém que se foi é vivendo intensamente, pois ao lembrar aquela canção do Milton Nascimento, a Canção da America, que sempre choramos ao lembrar da dor da despedida, lembramos que qualquer dia a gente vai se encontrar, e quando se encontrar, certamente nosso amigo vai querer ouvir de nós muita coisa.

Quanto a você, amigo Nei, me dói saber só agora que você não está mais aqui. Mas que palavras devo dizer, se a tristeza dessa notícia não é possível descrever em palavras? Ficaria horas a fio tentando em vão dizer o que é isso que tira o nosso chão, nossa alegria, um pouco de nossa fé.

Que esteja em paz, onde quer que esteja. É o que é possível dizer.