Caros amigos,
Hoje ocorreu a greve de 24 horas e estive na paralisação ocorrida na Verbo Divino. Pude observar uma boa adesão por parte de diversos setores do complexo, assim como a CABB. Porém alguns colegas não compreenderam a importância desta manifestação e não aderiram ao movimento, inclusive agindo de forma hostil com colegas que estavam mobilizados, chegando até a solicitar a polícia para que pudessem entrar no prédio.
O que mais me entristeceu é que muitos destes conversavam comigo e outros delegados sindicais na operação sobre os problemas que ocorrem todos os dias no ambiente de trabalho e perderam a oportunidade de demonstrar sua indignação na data de hoje. Claro que é compreensível a atitudes destes, pois o banco age de forma implacável e terrorista sobre aqueles que criticam sua postura administrativa.
Se ao menos os administradores do Banco do Brasil pudessem ouvir de forma séria e empática as vozes dos trabalhadores, não haveria a necessidade de imprimir qualquer movimento grevista, mas é visível sua intransigência.
A paralisação de hoje foi decidida na assembleia de 25 de fevereiro, por proposta apresentada pela Oposição Bancária e aprovada pela maioria dos presentes, cerca de 500 pessoas. Sei que muitos de vocês, que não aderiram, não concordaram que houvesse tal ato, e que também muitos de vocês não puderam comparecer nas assembleias. Porém a decisão da assembleia é soberana e foi cumprida pelo sindicato na data de hoje.
Por isso a participação de todos no movimento é fundamental para que haja a união e o fortalecimento do funcionalismo do Banco do Brasil, e para que não deixem que outras pessoas decidam por nós.
Duas questões devemos observar: o assédio moral e o plano de cargos.
Muitos colegas estão sendo pontuados na GDC por aderência, conformidade e não-oferta de produtos e serviços. Segundo a NR-17 anexo II, o controle excessivo do tempo de trabalho deve ser proibido em ambientes de teleatendimento. E a obrigação em ofertar produtos, sem considerar as circunstâncias das ligações recebidas, é na prática uma cobrança por metas de forma discreta. Tudo isso aliado ao controle total do atendimento (os gerentes tem acesso total aos dados de vendas, aderência e conformidade dos atendentes pelo SISCABB), fazendo com que os atendentes tenham seu trabalho monitorado e com ferramentas que possibilitam a cobrança de resultados, muitas vezes por meio de assédio moral.
A justificativa do comitê administrativo para cobrar aderência e conformidade é a perda de ligações e que o atendente que não está aderente e conforme sobrecarrega o atendente que trabalha corretamente (aos olhos da administração). Mas estimo que a quantidade de atendentes com problemas de aderência e conformidade, em um contingente de cerca de 500 atendentes, seja em torno de 50, ou seja, 1 em cada 10 atendentes tem problemas de aderência e conformidade. Se a escala de trabalho exige 90% de conformidade, um atendente pode ficar sem atender, além das pausas em sua escala, exatos 34 minutos.
Além disso, pelo novo índice de pontuação do Destaca+BB, que é a quantidade de ligações por mês, o comitê administrativo deseja que cada atendente receba 75 ligações por dia. Pelos perfis de atendimento que costumamos atender, como cartão, SAC e atendimento BomPraTodos, que possuem ligações longas, com mais de 10 minutos, dificilmente um atendente que faça todos os procedimentos corretamente (inclusive ofertas), cumprirá essa meta. Para se ter uma ideia, para que um atendente consiga chegar a uma quantidade de 75 ligações/dia, seu tempo médio de atendimento (TMA) precisa ser de no máximo 4 minutos e 32 segundos. E sabemos que com as divergências que existem em nossos sistemas, dificilmente teremos uma ligação ideal ao modo de ver do banco, com oferta e venda de produtos/serviços.
Sei que há atendentes, sobretudo do horário de atendimento das agências, estão com uma média de ligações acima de 100 ligações/dia. O mal-uso do canal, excesso de perfis de atendimento por atendente, ferramentas tecnológicas pouco ágeis e confiáveis para o atendente, acesso complexo ao atendimento (URA com erros e de difícil utilização), são agravantes que mostram claramente o descaso do Banco do Brasil à sua central de atendimento.
Essa explicação toda permite entender que o problema da CABB não é aderência e conformidade de alguns atendentes e sim uma carga de trabalho excessiva a TODOS OS ATENDENTES. E a caça às bruxas na CABB é uma justificativa bastante pertinente do comitê administrativo para colocar os atendentes uns contra os outros. O clima de competição e hostilidade prejudica, adoece e coloca em pânico nossos colegas, e favorece a implantação de uma política administrativa opressora, sem enfrentar resistência. O bom entendimento de nossa situação vai nos ajudar a descobrir o verdadeiro inimigo da CABB.
Mudando de assunto, uma questão que afeta a todo o funcionalismo é o plano de funções. E nós atendentes da CABB fomos usados como laboratório (cobaias mesmo) de um plano de cargos nefasto. Antigamente, nossa remuneração, como cargo remunerado, era composto por:
- Vencimento Padrão – VP (nosso salário de escriturário)
- Gratificação Semestral
- Adicional Básico de Função – ABF (nossa comissão)
- Um outro adicional para comissões de 8 horas.
Quando temos campanha salarial, os aumentos são aplicados sobre o VP e as comissões. Pelo PCR, o adicional de Antiguidade é aplicado sobre o VP e o adicional por mérito é aplicado sobre a gratificação semestral e comissões. A soma das verbas forma o Valor de Referência, que é o piso da função, sem considerar PCR.
Ao aplicar o novo plano de cargos, os novos cargos tiveram o adicional básico de função reduzidos a um valor irrisório e a gratificação semestral foi incorporada às verbas. Como a soma dessas verbas não chegaria ao valor de referência, foi implantada uma complementação. Essa complementação reduz a cada aumento das verbas, seja por PCR, seja por acordo após campanha salarial. Na prática teremos um congelamento dos salários por um longo período, pois o salário somente teria um reajuste, caso a soma das verbas seja maior que o valor de referência. Ou seja o VR deixou de ser um piso para um valor de teto.
Estas questões são sérias, e concordo que não foram devidamente discutidas pois o banco as adotou unilateralmente, e sem muitas explicações claras, com surpresas no contracheque. Nós atendentes, fomos os primeiros a sofrer com essa manobra do banco, e em seguida, o plano de funções estendido a todo o funcionalismo.
O momento de reagir a toda essa intransigência é bastante oportuno, mas concordo que é necessário discutir mais. Por isso escrevo a vocês (desculpe se estendi muito a conversa), pois esta seria a minha explicação para que você pudesse aderir ao movimento hoje, e esta é a minha justificativa de ter participado do movimento.
Eu não ouso temer represálias do banco, inclusive em decorrência dessa mensagem, mas agir coletivamente é dever de todo trabalhador que defende seus interesses, pois um problema no trabalho é um problema do trabalho e portanto, afeta a todos os envolvidos. O intuito do banco é mesmo assustar o funcionalismo com atos de terrorismo corporativo, e não devemos nos esmorecer a estes ataques.
Estou à disposição no local de trabalho e, além disso, estou disponibilizando o endereço eletrônico delegadosindical@kazzttor.com.br para que vocês possam fazer críticas, sugestões, sanar dúvidas e por que não, elogiar o meu trabalho como delegado sindical. Sou apenas um representante de vocês e portanto, estou a inteira disposição.
Um abraço!
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