A interferência da entre o 4G e a TV Digital

Segundo o site Telesintese, no próximo dia 9 de dezembro começarão a ser realizados testes de campo na cidade de Pirenópolis, para mensurar os efeitos da interferência de sinal entre o sinal móvel LTE (4G) e a TV Digital aberta (ISDB-Tb). Os testes são de iniciativa da Anatel e serão realizados por universidades parceiras.
Há uma divergência entre a Anatel e os radiodifusores. A primeira considera que a interferência é baixa e localizada, sendo necessária apenas a instalação de filtros de sinal nas estações rádio-base (as torres de antenas de celular). Já a SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), considera que o grau de interferência é muito maior. Em testes realizados pelos radiodifusores, foi observada interferência no sinal da TV Digital provocada tanto pelas antenas de celular, quanto pelos próprios aparelhos em determinados canais.
A questão da interferência se tornou conhecida após alguns testes ocorridos no Japão, ha cerca de um ano. Mesmo atuando em faixas de espectro de frequências distintos, foi detectada uma interferência que fazia com que canais saíssem do ar, ou ainda que ligações ou conexões de celular próxima a televisores apresentassem interrupção. Recomendou-se a instalação de filtros de sinal tanto nas estações rádio-base quanto nos novos modelos de televisores que forem fabricados, o que poderia trazer um grande ônus para o consumidor, forçando-o a adquirir aparelhos novos ou substituir os existentes.
Além da questão técnica, também a questão política recai sobre o debate, reacendendo a rixa ocorrida entre difusores e teles, que ocorreu no momento da escolha do padrão de TV Digital, em 2007, já que após o ‘switchoff’ (o fim do sinal analógico), haveria uma faixa de sinal que não será utilizada e seria repassada às teles para o sinal 4G, que será a faixa de frequência dos 700 MHz. Um possível problema de interferência de sinal, provocaria um atraso no repasse da faixa de sinal, o que não seria benéfico às teles. Por outro lado, os difusores entendem que haveria uma oferta de sinal ainda mais restritiva, com as interferências, já que os canais que forem mais afetados, não poderão ser alocados para transmissão, um problema e tanto em regiões populosas, pois lá a concorrência é grande. Sem contar que se a faixa de frequência que for afetada se situar entre os canais 61 e 69, será necessário um rearanjo dos canais, pois estes canais são reservadas para TV’s públicas.