17 de abril de 2016, 23:07: um atentado contra a democracia brasileira

A verdade é que o jogo sujo da política brasileira tem muitos nomes, CPF’s, CNPJ’s e Offshores fora do Brasil, cujo líder é Eduardo Cunha.

Hoje presenciamos uma página da história política do Brasil. Uma página triste, com mazelas e enganações que fez uma parte do povo brasileiro a crer que o jogo sujo do poder tinha nome e sobrenome: Dilma Rouseff.

A verdade é que o jogo sujo da política brasileira tem muitos nomes, CPF’s, CNPJ’s e Offshores fora do Brasil, cujo líder é Eduardo Cunha. Ele capitaneou o impeachment, colocando todo o PMDB e arregimentando outras agremiações pela sua votação, jogando ao mar a capitã do navio, antes que todos os tripulantes piratas fossem descobertos.

O que se viu hoje foi um motim e uma revelação dantesca, que apenas pessoas politizadas e inteligentes podem compreender. A de que os fins justificam os meios, mesmo que estes fins sejam ilegítimos.A de que no jogo do poder, vale tudo, pois o PMDB, há muito tempo almeja a presidência do país, mas curiosamente, todas as vezes que assumiu, não foi pelo voto direto (Sarney em 1985, Itamar Franco em 1992 e agora, Michel Temer).Viu-se revelar a magistratura mais conservadora, reacionária e defensora de interesses da elite dos últimos anos. Seria evidente que uma presidência com filosofia progressista fosse vista pelos congressistas conservadores como um empecilho a seus interesses.

A partir daí a situação piorou. Começou com um racha na eleição para a presidência da Câmara, com a vitória de Cunha. Depois diversas imposições de derrotas ao governo, juntamente com a aprovação de um arremedo de reforma política, que, na prática, não mudava em nada, principalmente no tocante ao financiamento de campanhas e partidos. Em seguida, as pautas-bomba, ataques a direitos, como a liberação total da terceirização, a mudança na demarcação de terras indígenas, a flexibilização (!) do trabalho escravo, o estatuto da família e do nascituro, pautas que agridem os trabalhadores, os direitos humanos e as minorias. Por fim o impeachment, por conta das pedaladas fiscais praticadas no mandato anterior, inclusive com assinatura de ordens de manejo pelo Temer, sem contar que é prática usual em estados e municípios, o que poderia impor um risco jurídico enorme a diversas cidades e estados, se a coerência fosse a tônica na política brasileira, mas como não é…

A maioria dos deputados que disseram sim ao impedimento de Dilma tem nomes e partidos envolvidos na operação Lava Jato.

O alvo dos deputados é outro para forçar a queda da Dilma. É ela quem deu carta branca para a PF e a justiça federal para investigar livremente, e a bomba caiu no colo dos políticos. A maioria dos deputados que disseram sim ao impedimento de Dilma tem nomes e partidos envolvidos na operação Lava Jato. O juiz Sérgio Moro, não sabemos qual a dele, mas o que vejo agora é que ele se enveredou pela vaidade de ser um juiz que liderou a maior operação de investigação contra a corrupção da história do país. Imaginando ser igual a operação Mãos Limpas na Itália, optou por divulgar para a imprensa os resultados das investigações, para que a o Brasil fosse tomado de comoção popular e pressionasse as autoridades a punir e apurar com rigor a roubalheira. Mas a mídia brasileira é enviesada. A própria mídia fez filtragens para destacar os pontos que comprometessem o executivo e faria uma “cobertura soft*” de pontos que poderiam comprometer parlamentares e partidos de oposição. A explicação para isso é que a maioria das emissoras de rádio e televisão possuem controle direto ou indireto de políticos, muitos deles envolvidos nos escândalos.

A mídia mostrou uma cara deturpada do escândalo. Martelavam-se diuturnamente notícias da Lava Jato, relacionando ministros, estatais e deputados com pagamento de propina. A comoção para clamar a queda de Dilma logrou êxito por três fatores:

  • O trato da mídia em tratar a questão da corrupção como problema de governo, e não como um problema de Estado, visto que depois, revelou-se que os esquemas de propina já existiam desde 1986.
  • O preconceito que há sobre a corrupção, por entender que a revelação dos atos ilícitos recai a culpa sobre o governo que está aí, ou seja, que a população pensa que só existe a corrupção quando um escândalo aparece, o que não é verdade, pois falcatruas ocorrem em diversos cantos do país e são poucos os que acabam tornando-se públicos.
  • O anti-esquerdismo, manifestado pelo anti-petismo e o anti-lulismo, onde uma parte da população de classe média alta, passou a hostilizar os partidos de esquerda por conta de sua pauta social de busca de corrigir as desigualdades sociais e políticas do país. Por ser sempre tidos como privilegiados, ao perder o foco governamental, e assim o privilégio de outrora, passou a hostilizar os favoráveis à pauta de esquerda.

Basta observar o perfil dos manifestantes dos protestos pró-impeachment. Eu tive que olhar as pesquisas e fazer algumas especulações a respeito. Pra começar, a faixa etária, muitas pessoas de meia idade e com idade mais avançada. Passa pela classe social, muitos ganham acima de 4000 reais mensais, e passa pela escolaridade, muitos possuem ensino superior completo. Nas áreas de atuação, temos empresários, profissionais liberais e funcionários públicos.

Do outro lado temos os manifestantes contrários ao impeachment. Muitos de classe mais baixa, camponeses, com escolaridade variada entre analfabetos e também graduados. Temos muitos jovens, pessoas de raças negra ou parda, trabalhadores da indústria comércio e serviços, assalariados, com renda bastante variável também.

Isto levou a uma polarização política que pode resultar em um jogo perigoso, em que o congresso nacional com o impeachment, decidiu pagar pra ver.

Os primeiros, chamados de coxinhas, os segundos, de mortadelas (por achar que estão nas manifestações em troca de dinheiro e comida). Isto levou a uma polarização política que pode resultar em um jogo perigoso, em que o congresso nacional com o impeachment, decidiu pagar pra ver.

O futuro

Após a aprovação na câmara, o julgamento do impeachment vai para o senado. Aprovado, a presidente Dilma é afastada por 180 dias e assume o Vice, Michel Temer. Eduardo Cunha assumiria o posto de Temer na linha sucessória. O problema é que Temer, Cunha, seus asseclas do PMDB, PP e outros partidos, estão envolvidos em escândalos de corrupção. E um alerta de um magistrado do Conselho Nacional de Justiça revela a verdade: nos últimos 14 anos, não sofremos nenhuma interferência governamental nas investigações que realizamos. Pode não ser crível, mas uma das consequências de um governo Temer é a interferência nas investigações para abreviar e inocentar os políticos corruptos. Seria igual a anistia de 1979, mas só os militares seriam liberados de todas as culpas. Já se cogita anistiar Cunha de sua cassação por fazer com que o Impeachment fosse aprovado. O que seria de fato, a desmoralização política do Brasil.

(…) empresa não doa, investe, para depois ver seus interesses políticos defendidos pelos políticos que ajudou a eleger.

O aparelhamento político de estatais e ministérios não é apenas moeda de troca para apoio político, mas sim importantes tentáculos de partidos e políticos sem escrúpulos para obtenção de dinheiro ilícito oriundo de propinas, para abastecer candidatos e campanhas eleitorais. A não mudança da forma de financiamento de partidos e campanhas não foi a toa, é pra permitir que empresas continuem investindo em seus candidatos, pois empresa não doa, investe, para depois ver seus interesses políticos defendidos pelos políticos que ajudou a eleger.

Por ter encontrado o bode expiatório, no caso a presidente Dilma, todo noticiário sobre corrupção magicamente cessaria, pois o objetivo dos políticos que controlam a mídia foi alcançado, de manter a corrupção praticada por eles longe dos holofotes da opinião pública.

E para o povo brasileiro, lamentavelmente, nada mudaria, a carga tributária elevada com retorno cada vez mais pífio na qualidade de serviços públicos e acesso a estes. A situação crítica, no entanto, é proposital. Nossa cultura cristã, fatalisticamente, vai querer rogar por heróis, e estes, os políticos, na maior cara de pau, vão se apresentar a nós como exemplos de moralidade e bem comum, prometendo como sempre, mas nunca cumprindo e enriquecendo às nossas custas.

É este o futuro que queremos?

Em tempo: há uma ação nos bastidores para que Dilma reduza seu próprio mandato e convoque eleições para presidente ainda este ano. Seria uma saída honrosa para uma presidente que foi queimada na fogueira política pela corrupta inquisição cristã de Cunha. Mas só considero de valia se deputados e senadores também pudessem ser novamente escolhidos.

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*Cobertura Soft: termo cunhado pelo então diretor de jornalismo da Rede Globo de Televisão, Armando Nogueira, para explicar como foi feita a cobertura jornalística das greves do ABC no final da década de 1970, onde se havia apenas a captura de imagens, sem som ambiente, e com a declaração de vozes patronais e não sindicais. Esta declaração está no documentário “Muito Além do Cidadão Kane (Beyond The Citizen Kane)”produzido pelo Channel 4 da Inglaterra, em 1993.

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Pra você entender o pato plagiado da FIE$P!

Gente burra é foda. Pergunto ao tiozinho do começo do debate como foram as aulas de OSPB que tiveram no segundo grau, porque ô burrice!

Crianças coxinhas, de inteligência limitada pela veja, globo, jovem pan e assemelhados: quando vão usar o cérebro de vocês e estudar política?

Vamos aos fatos:
Como é a composição da câmara e do Senado? Não do ponto de vista partidário, pois é ilusório, mas do sócio-econômico? A maioria são empresários, líderes do agronegócio, não são gente como a gente, são quase tudo elite!
Mesmo sendo membros da base aliada eles iriam votar a favor de uma lei que “prejudicaria seus parceiros”? Ou até eles mesmos, pois estes parlamentares recebem mais de 28 mil reais por mês, ou
seja, pagariam 30% de imposto! Se eles votam o aumento do próprio salário, eles vão votar pra diminuir o salário deles, e ainda por cima com impostos? 

Deixem de ser toupeiras! Todo mundo quer uma aplicação de impostos mais justa! Pois quem ganha pouco paga muito imposto, e quem ganha muito paga quase nada! A Europa descobriu essa lógica, por isso tem muito francês rico fazendo uso de offshore para fugir do fisco!

Esse foi um comentário que fiz no Facebook contra opiniões contrárias neste post que vou  colocar aqui abaixo, para leitura e entendimento. 

  
Não seja feito de pato pela FIESP. Ela só se interessa pelos interesses dos ricos

(Carlos Milhomem) Vou explicar o que é aquele Pato-com-cara-de-morto da Av. Paulista, pra ninguém passar vergonha:

Existe uma proposta para abaixar E aumentar os impostos, ao mesmo tempo, no Congresso.

Isso mesmo, abaixa o IRPF de quem ganha menos e aumenta o IRPF de quem ganha mais.

A FIESP, dona do Pato, chama isso de “aumento de imposto”, mesmo que o imposto abaixe (ou isente) para mais de 80% da população.

“Oras, chega de aumentar os impostos, povo!”

Mas o que eles não dizem é que só aumenta o imposto pra quem ganha ACIMA de R$27mil por mês.

Para quem ganha ABAIXO de 27mil, o “aumento” iria ABAIXAR o imposto.

Pra você visualizar:

HOJE, quem ganha

Até 1.903,98 – é isento

1.903,99 até 2.826,65 – paga 7,5% de IRPF

2.826,66 até 3751,05 – paga 15%

3.751,06 até 4.66,68 – 22,5%

A partir de 4.664,68 – 27,5%

Como ficaria com a proposta aceita:

Quem ganha até

Até 3.390,00 – é isento

3.390,01 até 6.780 – paga 5% de IRPF

6.780.01 até 10.170 – paga 10%

10.170,01 até 13.560 – 15%

13.560,01 até 27.120 -20%

27.120,01 até 108.480 – 30%

A partir de 108.480,01 – 40%

E é por isso que tem gente CONTRA o Pato morto. Não é questão de pagar mais imposto, é questão de não ser enganado, de novo, pelos milionários.

Porque eu quero é que os ricos paguem o Pato, como em toda nação desenvolvida.

Agora, se for entrar na discussão de que a gente já paga muito imposto em produtos e serviços (como na maioria dos países pobres ou em desenvolvimento) em vez de taxar a renda, isso é mais um motivo para defender essa proposta. Porque assim podemos desonerar os produtos e, quem sabe, abaixar os preços finais de tudo, deixando tudo mais justo.

“Ahhh, mas nos EUA a taxa de IRPF é por volta de 8%.”

É, mas lá a gente não tem o déficit social que temos aqui. Se a gente estivesse taxando de forma justa os ricos há 50 anos, provavelmente poderíamos ter taxas mais baixas aqui.

Se a reclamação é de que a CPMF é um aumento de imposto, se lembre que ele foi criado no governo FHC e praticamente só pesa em quem tem muita transferência bancária. Nem pra mim e nem pra você.

E a CPMF permite aos bancos repassarem informações ao fisco e aumenta assim a transparência, evitando remessas ilegais.

Ou seja, imposto que abaixa pra pobre e aumenta pra rico é bom, Pato morto é ruim.

http://www.revistaforum.com.br/2016/01/05/bancada-do-pt-na-camara-defende-isencao-de-ir-para-salarios-ate-r-3-390/