A realidade

Há certos momentos em que a realidade se mostra implacável.

Às vezes tenho o privilégio de poder pensar com meus botões, fechar os olhos e deixar certos aspectos da realidade de lado, pois são às vezes tristes e desanimadores. Mas os olhos precisam se abrir em um certo momento e a realidade está lá, tal qual o horizonte que vislumbra sua janela todas as manhãs.

Se o vermos essa realidade com olhos tristonhos, vamos ver uma paisagem triste. Mas, se ao menos um detalhe dessa paisagem for motivador, aí o dia já estará ganho. E ainda a gente pode limpar nossa vidraça, ou ajudar o vizinho a arrumar o jardim descuidado, embelezando assim, o nosso horizonte.

Isso pois vemos o nosso universo como algo imponderável, que não podemos mexer, e que fatalmente nos tornamos reféns do destino que nos reserva.

Quando na verdade é o contrário.

Somos todos agentes de mudança. Entendo a realidade sob um foco sistêmico, em que somos parte dele. Tudo o que fizermos, de bom, ruim, e até mesmo na inação, trará reflexos sobre o universo que nos rodeia. Isto implica no seguinte: se não estamos satisfeitos com a realidade, teremos que fazer por onde para mudá-la, sempre entendendo nos reflexos das ações praticadas por nós, para que as consequências de nossos atos não apenas propiciem benefícios para nós, como para o universo da qual fazemos parte.

Tendo essa consciência, passamos a ser agentes de mudança em vez de vítimas das mudanças ocorridas. E qualquer ação, como a minha de escrever ou a sua, de ler esse texto até o final, são parte desse processo.

Vamos mudar a realidade, generosamente, para melhor?

Fitas verde-amarelas

Ao voltar pra casa, me deparei com as ruas ainda enfeitadas de fitinhas verde-amarelas, mesmo após a triste despedida de nossa seleção brasileira desta copa do mundo.Os céticos ficariam perguntando qual a razão de tamanha perda de tempo e de recursos, sabendo que a chance de uma glória brasileira na copa do mundo é de cerca de 1/32 ou cerca de 3%, e que, psicologicamente tende a se esvair a cada fase, dada a dificuldade, ao contrário do que o avanço a cada fase se traduz, em termos matemáticos.Talvez estes céticos não entendem o poder que a esperança e a ilusão nos oferecem, em termos presentes e também futuros. Mesmo jogando com o aleatório e o incerto, ao nos iludir, vemos uma realidade mais próxima do que somos e do que desejamos para nós. Vemos o mundo sob outro prisma, mais colorido e entusiasmado, com mais vigor, com mais luz. E isso é contagiante. Parece estranho, mas aplicamos essa mesma visão esperançosa a nossos atos, acordamos mais dispostos, impomos a nossas ações a mesma energia a qual acreditamos e depositamos nossa torcida.Ao fantasiarmos nossa realidade, a testamos, e assim testamos nossos limites, testamos nossas possibilidades e, assim, evoluímos. O que seria do espetacular, se não imaginarmos o impossível?E até mesmo no desatino da derrota, a ilusão, sob a forma de desilusão, se faz presente, como forma de entendermos que vivemos em um universo com limites, e que estes nos balizam. A decepção do imponderável, pode se tornar a pedra angular da mudança, quando visto com olhos sábios.Sei que amanhã ou depois, as fitinhas não mais estarão nas ruas. Que as bandeiras do Brasil não mais irão enfeitar as janelas e varandas. Mas deste dia, eu vou continuar lembrando.Pois mesmo depois da noite triste, sempre haverá um amanhecer.