Sozinhos não estamos

Eu hoje em minhas andanças, no vagão do metrô, uma senhora que estava à minha frente elogiou a minha camiseta. Estava estampada uma charge da personagem Mafalda de Quino. Nela estava escrito “Sim às democracia! Sim à justiça! Sim à liberdade! Sim à vida!” Ela elogiou minha coragem por conta do momento tão nebuloso que atravessamos. E se emocionou. Também fiquei comovido, não apenas com a nossa conversa, mas porque por tudo o que passamos e tememos, vemos que não estamos sozinhos.

Ela me falou sobre um movimento de meditação em busca da paz. Precisamos de paz e também de coragem para continuarmos resistindo ao mal que sufoca a razão e a solidariedade que deveríamos ter.

Nesses oásis de humanidade em um deserto de ódio. Só o fato de não estarmos sozinhos nos fortalece. E nos traz um pouco de alento.

Sozinhos não estamos.

Temor e medo

Agora há pouco escrevi em meu outro blog sobre a eleição de 2018 (clique aqui para ler). E aproveito o ensejo aqui, que tenho um pouco mais de liberdade, para bancar o futurólogo. Tive um dia desses uma espécie de premonição e vou compartilhar com vocês a impressão que tive.

Caso Haddad vença a eleição, o seu mandato será muito similar ao segundo mandato de Dilma, com o agravante de que o congresso que irá enfrentar é muito mais reacionário que a atual magistratura. Será preciso uma grande articulação política e um poder de negociação bastante elevado para levar o mandato até o fim, inclusive tendo que permitir que uma parte da agenda imposta pelo atual congresso. Do contrário, a tensão se elevaria e um escândalo novo iria levar Haddad para um impeachment, ou mesmo uma cassação da chapa, já que sua vice é Manuela Dávila, e teria os mesmos problemas de Haddad para governar o país. Uma possibilidade de golpe militar não estaria descartada.

Já com a vitória de Bolsonaro a situação seria de sintonia boa entre ele e o congresso, mas não dele com o povo. Paulo Guedes é neo-liberal, e o neo-liberalismo para um país extremamente desigual como o Brasil é fatal. Empresas estatais seriam privatizadas, como a Petrobrás, os Correios, e o Banco do Brasil.

Desestatizar é reduzir as receitas do Estado e concentrá-las no recolhimento de impostos. Mesmo com uma receita extraordinária, as contas públicas tem crescimento, tanto pelo fator inflacionário, como pelas necessidades do Estado em se manter, o que consumiria esses ganhos. Isso fora o déficit público. Rio de Janeiro e Minas Gerais estão em uma situação de bancarrota, fora outros estados que não conseguem investir ou mesmo manter suas contas em dia. O governo federal precisa socorrer esses estados, e recursos vão ser utilizados. O Estado menor se endivida mais rapidamente e se torna dependente do mercado. O grande filão dos mercados são as dívidas soberanas nacionais. Quanto menor e menos transparente for o país, mais títulos precisa emitir para manter suas contas e quanto menos confiáveis, maior a taxa de juros. Estatais estratégicas são importantes fontes de receita. Com os royalities do pré-sal, por exemplo, o governo poderia ter receita suficiente para bancar um aparato social que reduziria basicamente a desigualdade social. Não a toa que o foco da operação lava-jato foi a Petrobras. O intuito não foi limpar a estatal, mas destruí-la para que o pré-sal fosse entregue quase de graça às empresas petrolíferas internacionais.

Com o recolhimento de impostos e a necessidade de manter o país atrativo ao investimento, a política tributária continuaria inalterada, com benefício aos ricos e prejuízo aos pobres. Na agenda do trabalho, a “solução” de Bolsonaro para o desemprego é a desregulação das relações trabalhistas, o que precarizaria o trabalho e diminuiria ainda mais a renda média do brasileiro. Com salários menores, o brasileiro irá consumir menos e o impacto que deveria ser positivo, se torna negativo, com recessão e volta do desemprego, pois com relações de trabalho mais fracas, fica fácil o desligamento. A economia informal cresceria, e a marginalidade também, aumentando a violência.

A política armamentista de Bolsonaro também torna-se um agravante, pois com a flexibilização do estatuto do desarmamanto, haveriam mais armas em circulação. Porém como há uma burocracia para o porte de armas, somente pessoas com maior poder aquisitivo teriam acesso a armas, tanto em ambiente urbano quanto rural. Isso aumentaria os conflitos no campo, voltando a ter risco de assassinatos de líderes rurais, e massacres. A atuação da polícia seria valorizada, mas a ausência de uma política de preparação de policiais aumentaria a violência policial. Pessoas pobres e negras da periferia tombariam com tiros disparados por armas de policiais. O clima de medo voltaria a reinar nas ruas, tanto pela violência da marginalização da população excluída pelo plano neoliberalista, como pela violência policial. O toque de recolher nas ruas voltaria.

O controle da mídia será com a priorização da Band e Record, grandes aliados dos evangélicos por ceder horários em sua programação para igrejas, e a Globo teria menos espaço na TV aberta, mas não seria incomodada, pois na TV Fechada ainda teria posição hegemônica.

Os direitos humanos seriam constantemente desrespeitados. Há uma grande quantidade de pessoas conservadoras na nova magistratura, o que seria um risco para a pauta progressista. Pode ocorrer a votação dos famigerados projetos de Estatuto da Família, que tornaria ilegal o casamento homoafetivo, e o Escola Sem Partido, que implantaria uma mordaça aos docentes das escolas do país, tanto na questão política, quanto no combate a homofobia, além de tornar o aborto proibido sem excessões. Aumentariam os casos de homofobia, feminicídio e racismo, pois além da legislação, o discurso das lideranças traria legitimidade aos atos de ódio. O Brasil também vai desrespeitar o meio-ambiente, com o afrouxamento de regras para uso das reservas naturais e enfraquecimento da fiscalização de crimes ambientais, por pressão da bancada ruralista.

A insatisfação se elevará, e muitos dos que votaram em Bolsonaro, deixariam de apoiá-lo. Mas com o apoio do congresso, não seria incomodado. Também poderão surgir casos de repressão a sindicatos e movimentos sociais. Poderão até ter vítimas.

Com a insatisfação, Bolsonaro irá tentar uma nova cartada: o conflito armado. Se estabeleceria um inimigo, interno ou externo. Se for interno, seria decretada uma guerra civil, e se externo, seria escolhido um país, como a Bolívia ou, o mais provável que seja a Venezuela. Um conflito armado é uma jogada de altíssimo risco, tanto na imagem externa, interna, perdas civis, perdas financeiras e instabilidade social e política. Haverá agitação popular e a popularidade pode se deteriorar rapidamente, pois o efeito é de bomba de fumaça, ao tentar criar um problema para resolver outros. E a miséria iria assolar o país de vez.

Um golpe para manter Bolsonaro no poder não seria descartado. A instabilidade social e política poderia gerar deserções na sua base, afinal, é preciso ter apoio popular para continuar deputado.

Se houver eleição em 2022, poderá ser a virada da esquerda, ou sua aniquilação total. Haverá campanha mais agressiva da extrema esquerda, pois se houver uma primavera esquerdista, tudo o que for feito seria desfeito, além de garantir um longo período de governos progressistas.

Eu, sinceramente, gostaria de estar errado. O terror e o medo estão cada vez mais presentes. Serão anos difíceis, e espero que sejam curtos, apenas 4 anos mais.

Pensamentos de minhas andanças

Uma das lembranças mais remotas de minha infância era quando minha mãe me incentivava a andar dizendo “Dandá pra ganhá tentém” que significa andar pra que nasçam os dentes. Talvez seja por essa razão que tenha o costume de realizar longas caminhadas ou de fazer boa parte de meus deslocamentos a pé.

Tanto que estabeleci um compromisso de caminhar diariamente no mínimo 12.000 passos, ou aproximadamente 8,5 km de andanças. Segundo a OMS, 10.000 passos diários são suficientes para dizer que essa pessoa é fisicamente ativa.

Eu desde adolescente costumo caminhar bastante. Eu fazia duas, três e até quatro voltas pelo bairro, que quando eu as refaço com o pedômetro do meu relógio, dão um percurso aproximado de 4 km. Entre minhas andanças, eu via a paisagem, os locais, e mesmo o abandono de locais públicos de esportes, que poderiam servir para manter pessoas de todas as idades em plena atividade física.

Nem vou citar os benefícios de um hábito de não ficar parado, pois são tantos estudos que comprovam isso, que uma rápida pesquisa no Google lhe dará a motivação necessária pra pular da cadeira.

Mas quero voltar a falar das minhas andanças. Eu quando pequeno, era chamado de Bubu. Mas não era um apelido tão carinhoso. Era uma redução da palavra “butijão“, pois quando era pequeno, era gordinho e parecia um botijão de gás. Naquele tempo, era comum esse tipo de ‘piada’, que hoje podemos ver como bullying, ou como algo ofensivo. Naquele tempo, você não poderia ser gordo pelos riscos a saúde, mas sim porque era feio e ridículo.

Hoje sabemos dos riscos da obesidade, mas da excessiva. Uma pessoa com obesidade leve pode viver uma vida normal, sem neuras. Pode praticar esportes, pode namorar, pode ser querido e amado por todos, e principalmente ser respeitado.

Podemos viver em plenitude, curtindo as andanças e gozando uma qualidade de vida melhor. Enquanto escrevia isso eu fiz mais uma caminhada, e hoje já fiz mais de 6.000 passos, percorrendo mais de 4 km. E ainda é meio-dia.

A realidade

Há certos momentos em que a realidade se mostra implacável.

Às vezes tenho o privilégio de poder pensar com meus botões, fechar os olhos e deixar certos aspectos da realidade de lado, pois são às vezes tristes e desanimadores. Mas os olhos precisam se abrir em um certo momento e a realidade está lá, tal qual o horizonte que vislumbra sua janela todas as manhãs.

Se o vermos essa realidade com olhos tristonhos, vamos ver uma paisagem triste. Mas, se ao menos um detalhe dessa paisagem for motivador, aí o dia já estará ganho. E ainda a gente pode limpar nossa vidraça, ou ajudar o vizinho a arrumar o jardim descuidado, embelezando assim, o nosso horizonte.

Isso pois vemos o nosso universo como algo imponderável, que não podemos mexer, e que fatalmente nos tornamos reféns do destino que nos reserva.

Quando na verdade é o contrário.

Somos todos agentes de mudança. Entendo a realidade sob um foco sistêmico, em que somos parte dele. Tudo o que fizermos, de bom, ruim, e até mesmo na inação, trará reflexos sobre o universo que nos rodeia. Isto implica no seguinte: se não estamos satisfeitos com a realidade, teremos que fazer por onde para mudá-la, sempre entendendo nos reflexos das ações praticadas por nós, para que as consequências de nossos atos não apenas propiciem benefícios para nós, como para o universo da qual fazemos parte.

Tendo essa consciência, passamos a ser agentes de mudança em vez de vítimas das mudanças ocorridas. E qualquer ação, como a minha de escrever ou a sua, de ler esse texto até o final, são parte desse processo.

Vamos mudar a realidade, generosamente, para melhor?

Fitas verde-amarelas

Ao voltar pra casa, me deparei com as ruas ainda enfeitadas de fitinhas verde-amarelas, mesmo após a triste despedida de nossa seleção brasileira desta copa do mundo.Os céticos ficariam perguntando qual a razão de tamanha perda de tempo e de recursos, sabendo que a chance de uma glória brasileira na copa do mundo é de cerca de 1/32 ou cerca de 3%, e que, psicologicamente tende a se esvair a cada fase, dada a dificuldade, ao contrário do que o avanço a cada fase se traduz, em termos matemáticos.Talvez estes céticos não entendem o poder que a esperança e a ilusão nos oferecem, em termos presentes e também futuros. Mesmo jogando com o aleatório e o incerto, ao nos iludir, vemos uma realidade mais próxima do que somos e do que desejamos para nós. Vemos o mundo sob outro prisma, mais colorido e entusiasmado, com mais vigor, com mais luz. E isso é contagiante. Parece estranho, mas aplicamos essa mesma visão esperançosa a nossos atos, acordamos mais dispostos, impomos a nossas ações a mesma energia a qual acreditamos e depositamos nossa torcida.Ao fantasiarmos nossa realidade, a testamos, e assim testamos nossos limites, testamos nossas possibilidades e, assim, evoluímos. O que seria do espetacular, se não imaginarmos o impossível?E até mesmo no desatino da derrota, a ilusão, sob a forma de desilusão, se faz presente, como forma de entendermos que vivemos em um universo com limites, e que estes nos balizam. A decepção do imponderável, pode se tornar a pedra angular da mudança, quando visto com olhos sábios.Sei que amanhã ou depois, as fitinhas não mais estarão nas ruas. Que as bandeiras do Brasil não mais irão enfeitar as janelas e varandas. Mas deste dia, eu vou continuar lembrando.Pois mesmo depois da noite triste, sempre haverá um amanhecer.

Não somatizarás teu sofrimento

Em minha franca vida já chorei muitas vezes. Incontáveis vezes. Já chorei sem motivo é também por motivos bobos. Já chorei escondido, já chorei na frente dos outros, mas nunca consegui me ver chorando, apesar de ter tentado algumas vezes.

Hoje não choro com tanta frequência. Pelo menos fisicamente. Um misto de resignação e tristeza costumam preencher o vão existente deixado pela impossibilidade de chorar. Ao não conseguir externalizar o que se sente, temos um sintoma de que esteja se habituando a somatizar seu sofrimento, a ponto de essa ação se tornar involuntária.

Ao meu ver, somatizar significa tentar absorver rapidamente uma situação traumática ou desfavorável. Porém isso implica em engolir o choro, e mesmo sofrendo, tentar seguir adiante. Uma das necessidades que construímos em um mundo de sociedade moderna é o da reputação social, e chorar, sofrer, acusar o golpe sofrido, é sinal de fraqueza. Mas em um mundo cada vez mais competitivo, é exigido de nós cada vez mais coisas a ponto de ser quase impossível darmos conta de tudo.

Nos deram os trabalhos de Hércules, mas não nos deram o dom de sermos semideuses.

E diante dessa impossibilidade, aparentar ser forte é uma saída para, pelo menos, se ver aceito por uma sociedade cada vez mais exigente. Se as mulheres de Atenas não precisam honestas, elas devem parecer honestas. E muitos de nós conseguimos ser amélias atenienses, porém somatizando, absorvendo toda a carga pesada e dolorosa que nos põem em nossas costas.

Somatizar é danoso. É um veneno que sufoca nosso corpo, nossa mente e nosso espírito. Torna o corpo tenso, faz com que apliquemos uma força descomunal contra nós mesmos, para que o desatino que recebemos simplesmente suma dentro de nós mesmos. E isso traz reflexos, estressa nosso corpo e mente, tira nossa sensibilidade, pois a mente transforma a somatização em um hábito. E por consequência, fragiliza o corpo, reduzindo nossas defesas naturais, nossa força, fazendo-nos cada vez mais sedentários e assim sujeitos a mais doenças, como ansiedade, depressão, problemas de hipertensão, coronários, AVC, diabetes, obesidade e por fim, a morte.

Não devemos somatizar nosso sofrimento!

É preciso fazer como os chineses, que quando notam algo de ruim no corpo, tem que expulsá-lo. Rancor não se guarda, ranço também, nem trauma, nem ódio, nem farpas, nada que te cause dor precisa ficar no seu corpo e na sua mente.

Grite! Chore! Meta o louco! Dê perdido! Respire fundo, deixe esse sangue ruim sair do corpo, para que o sangue novo preencha seu lugar. Não precisa fugir para um lugar distante, basta sintonizar-se consigo mesmo no seu quarto.

Só você e Deus, ou a divindade que põe sua fé.

Não devemos esquecer de nossas prioridades, que muitas vezes esquecemos. Muitas vezes damos valor a coisas sem importância e esquecemos de coisas realmente importantes como nós mesmos.

Nessas horas que nos sintonizamos, e que buscamos nos desintoxicar dos males que o mundo nos causam, é que devemos nos recordar das nossas prioridades, devemos resgatar nossa humildade, de que não somos heróis ou semideuses, de que somos seres humanos, que riem, choram, agem gozam e sofrem os momentos de nossas vidas.

Se eu quiser falar com Deus.

Toda vez que começa essa música de Gilberto Gil, mas com a interpretação emocionante de Elis Regina, sou tomado por uma emoção enorme. É sugestiva a letra, pois para entrarmos em sintonia com Deus (ou com nós mesmos) precisamos ser autocríticos e para isso, exige-se franqueza e humildade extremas.

E assim, poderemos chegar ao nada, como diria a letra da canção. Nada daquilo que esperávamos encontrar.

Palavras ao vento

Havia muito tempo que não passo por aqui para escrever alguma coisa. Parece que neste momento estou pagando uma dívida comigo.

Diferente de outros costumeiros escritores, a velocidade de meus dedos não é tão veloz quanto a de meu pensamento. Muitas palavras acabam passando desapercebidas por entre meus dedos e acabam ficando de fora da tela.

Mas hoje é um pouco diferente. A mente também está lenta, vazia de ideias. Minha inquietação e impaciência se dá pela inspiração que não vem, ou quando vem, não consigo captá-la para os meus textos. Isso me atormenta e me aturde.

Vivemos sobre tempos sombrios. Todo o cálice de dor temos a impressão de ter bebido. E tal sofrimento nos castiga, mas a cada golpe a nós imposto, acaba calejando nossos corpos mentes e almas. Nos tornamos cada vez mais insensíveis, menos empáticos e menos receptivos aos outros. Nos isolamos a ponto de nos ilharnos num oceano de incerteza, medo e ignorância.

Tento a todo custo resistir a todo o mal que me cerca, mas a esperança vai desvanecendo a cada revés. Com olhar resignado, sigo meu caminho, mesmo não sabendo qual o seu destino e a quantos estamos indo.

São palavras que o vento leva. Palavras que expressam a esperança de ter esperança. Tentar pintar uma cor onde houver uma paisagem cinzenta.

Hoje não é dia de parabéns

8 de março. Dia internacional da mulher. Parabéns???

Não. Dar parabéns a mulher por seu dia de luta contra a desigualdade de gênero é no mínimo, deboche. Afinal, ainda estamos muito longe de essa data marcante em nosso calendário deixar de fazer sentido.

Apesar de a maioria da população brasileira ser feminina, ganham menos, mesmo com média de escolaridade maior, sofrem mais com a crise, pois são as preferidas a ser dispensadas, possuem maior dificuldade em ascender na carreira profissional, e são preteridas para seleções em cargos de chefia.

Fora a jornada dupla que tem que enfrentar, já que em um país patriarcal, machista e misógino como o nosso, todos os afazeres domésticos são de sua incumbência. De fato é uma desigualdade injusta.

Hoje não é dia de parabéns, é dia de luta, é dia de desculpas, é dia de empatia. Não podemos achar que no dia 8 de março sejamos benevolentes com as mulheres, quando o resto do ano tratamos com desprezo e desrespeito.

Sobretudo às mulheres trans que são todos os dias assassinadas neste país e não tem espaço nenhum no mercado de trabalho, caindo muitas delas na prostituição para sobreviver.

Não podemos esquecer que este dia é um dia de lembrar que houve muitos avanços a começar pelos direitos do trabalho e o direito ao voto no início do século passado. A mulher vem ocupando seus espaços e a luta é para que não haja barreiras para que elas continuem exercendo sua liberdade e dignidade. Pois lugar de mulher é onde ela quiser.

Não diga parabéns para a mulher pelo seu dia. Diga obrigado, diga desculpe, diga estou contigo.

Brasil: futebol e carnaval, experiência pessoal

Sou Corinthians desde criança, pra ser mais exato desde 1988. Sofri em 1993 com a perda do título para o Palmeiras, mas pude ir a forra dois anos depois. Foi em 1999 meu primeiro jogo no estádio, jogo de libertadores, o único que eu fui. Foi contra um time argentino, passamos nos pênaltis. Vi marmanjo chorar que nem criança no tobogã do Pacaembu.

Os anos se seguiram e sempre que podia, ia aos jogos do Corinthians. Vi vitórias, derrotas e até comemorei um paulista no Morumbi. Tinha alguma coisa de mágico ao ver um jogo no estádio.
Fui voluntário na Copa das confederações em 2013, já conheceu os bastidores de um estádio? Ainda mais sendo este o Maracanã. Vi um jogo de seleção pela primeira vez e tive a oportunidade de ver o último treino da seleção brasileira antes daquela histórica final contra a Espanha. No ano seguinte fui voluntário na copa do mundo. Desta vez foi na arena do Corinthians. Tinha torcedores de tudo quanto era time entre voluntários, tinha estrangeiros, tinha palmeirenses, são-paulinos, santistas e pessoas de diversas partes ajudando na copa. Depois eu fui assistir muitos jogos na arena.
Também foi incrível minha segunda passagem pelo Rio de Janeiro como voluntário nos jogos olímpicos. Foi uma festa. Ainda mais quando o futebol masculino ganhou o ouro contra a Alemanha. Mas queria que as mulheres tivessem ganhado. Uma pena.

Quanto ao carnaval eu desde criança gostava. Claro que os moralismos de minha família me fizeram desanuviar um pouco meu amor por essa época. Mas a primeira escola de samba a qual torci foi a Rosas de Ouro. A Gaviões, por razões óbvias foi a segunda, mas me cativou mesmo da Gaviões foram os dois sambas-enredo memoráveis da década de 90. Depois eu pude ver de perto os carnavais de balada e depois os bloquinhos, já muitos anos depois. Mas eu tinha um desejo de desfilar por uma agremiação. Já tinha feito isso em Diadema, pela Raposa do Campanário. Hoje eu vejo com nostalgia e com bom humor as piadas sobre a Raposa, mas foi a primeira escola de samba que desfilei, inclusive sendo campeão do carnaval da cidade por esta escola. Foi uma experiência singela, mas trouxe pras experiências que tive o ano passado e este ano.

Aliás, o ano passado foi meu batismo de fogo no carnaval paulistano. Desfilei em três escolas entre elas, a Nenê de Vila Matilde e pela Barroca Zona Sul. Íamos todo o domingo na quadra da Barroca para cantar o samba. O samba na ponta da língua foi o que fez a Barroca sair do grupo 1 e chegar ao grupo de acesso. Já a Nenê, foi menos feliz e mais sacrificante. A fantasia era muito pesada para uma ala coreografada, além de ter um costeiro pesadíssimo, com suporte indo no pescoço. Chegamos exaustos e tristes, já temendo o pior, que se concretizou nas notas e com o rebaixamento da única escola de samba paulista que foi convidada a desfilar no carnaval do Rio de Janeiro.

Hoje estou aqui de novo em uma nova maratona carnavalesca. Exausto, pois estranhamente meu corpo custa a obedecer o que minha mente ordena às vezes, mas contente por estar no carnaval paulistano outra vez.

A lógica do árbitro ladrão

O ser humano sempre é capaz de criar lógicas a seu bel prazer. Não precisam que elas sejam verdadeiras, bastam que sejam verossímeis. Inclusive criam-se lógicas irreais, mas verossímeis para acobertar outras, reais, porém prejudiciais a dados interesses. O domínio da verdade angaria poder e isso faz com que mesmo que tal lógica exposta como verdadeira, não o seja de fato, quem a profere ganha poder se for aceita por outras pessoas. Poder, verdade e crença possuem laços íntimos que influenciam as ações humanas.

Falarei sobre a lógica do juiz de futebol ladrão. Se a arbitragem comete um erro que prejudica seu time, logo, esse árbitro favoreceu intencionalmente o adversário. Partindo dessa lógica, o juiz é ladrão. Houve um roubo, um acerto, uma corrupção, uma mala preta para que tal resultado se confirmasse à revelia de nossa vontade apaixonada e cega de torcedor de futebol. E pela cegueira histérica que a que cometemos diante da desilusão, a caixa de Pandora do ódio e da mentira se abre para tecer teorias que confirmem a incredulidade de que recusamos a aceitar. A cultura do Juiz Ladrão faz parte do mundo do futebol, mas acoberta algo mais sério. Centraliza a interpretação da regra em torno de uma, ou três pessoas (com os árbitros de linha de fundo, seriam 5, mas os resultados não tem sido tão efetivos), além de, no Brasil, a arbitragem esportiva não ser profissional. O árbitro profissional de futebol é uma das soluções que podem reduzir o erro, pois o árbitro é preparado e pago para isso. Mas está muito além da questão técnica ou simplista a solução para acabar com o “favorecimento da arbitragem”, pois sabemos que há quem se beneficie do erro.

Imagine quantos jornais deixarão de ser vendidos, quantos pontos de audiência deixarão de ser alcançados, quantos cliques não serão feitos e quanta repercussão deixará de existir sem a polêmica arbitragem das noites de quarta ou das tardes de domingo.

O mundo é movido por conflitos, e no futebol, como qualquer ação humana, não é diferente. O ponto de vista se aguça quando a dúvida, intencional ou não, se apresenta. A ausência de dúvidas elimina a subjetividade e com isso, o conflito se desfaz. Liderar uma posição de conflito é cômodo, pois é possível “inventar poder” influenciando pessoas a agirem de maneira. O homem é impelido pela ação e pela competição, e criar um ambiente de competição ou de conflito é garantir a quem criou esse ambiente poder e influência. Fica evidente que quem implanta polêmicas angaria poder, ou busca também o concentrar em um determinado ponto.

Clubes, federações e CBF, em troca de contratos de transmissão com a mídia, mantém um status quo no futebol brasileiro para que mantenha um nível de atratividade e influência, como parte de uma contemporânea política de pão e circo, porém sem o pão.

Enquanto isso, se inventa uma visão estereotipada do futebol brasileiro com heróis e vilãos. E na categoria de vilãos, está o Juiz Ladrão.

Conheci pessoalmente o árbitro tido como um dos árbitros mais envolvidos em polêmicas no futebol brasileiro. Thiago Peixoto era um jovem professor de academia, que, por acaso, descobri que também era árbitro de futebol. Um professor atencioso, muito focado no trabalho e muito boa pessoa. A última vez que ouvi falar dele, foi no último final de semana, quando, no clássico entre Náutico e Santa Cruz no Recife, se envolveu em outra polêmica e chegou a ser agredido por um jogador do Santa Cruz, que deu uma cabeçada(Fonte: https://m.futebolinterior.com.br/futebol/Brasileiro/Serie-B/2017/noticias/2017-11/arbitro-que-pegou-gancho-em-sp-leva-cabecada-no-classico-de-recife).

Aos olhos da imprensa que gosta de polemizar, Thiago é um Juiz Ladrão. Aos olhos éticos, pode ser tido como um árbitro instável e que comete erros. Erros como muitos árbitros cometem, como muitos jogadores cometem e como todos nós, seres humanos, cometemos.

O erro é algo inerente ao comportamento humano. Não tolerá-lo é uma atitude que pode fazer exatamente o oposto do que se propõe: eliminar ou anular os efeitos do erro. Thiago é uma vítima da estigma que o persegue: de que todo árbitro de futebol é ladrão.

O primeiro passo para começar a atacar a cultura do Juiz Ladrão é tratar o assunto como erro, e não como favorecimento, apesar de que o futebol faz parte de um torpe universo de casas de apostas (manipulação de resultados), lavagem de dinheiro (crime organizado investindo em futebol), fraude fiscal, evasão de divisas, sonegação fiscal (venda de atletas com ocultação de valores), corrupção (propinas e superfaturamento em obras esportivas, programas e eventos), uso político (alienação da população, favorecimento de clubes, renúncia fiscal e lobby), e muito mais em um verdadeiro jogo sujo.

Declarações como a do diretor do Palmeiras frente aos erros da arbitragem cometidos no clássico contra o Corinthians deveriam ser alvo de punição, pois inflamam a sua torcida a tensionar a rivalidade e desviar o foco dela contra as críticas contra os jogadores que falharam na partida e também foram responsáveis pela derrota do time do Palmeiras.

São os manipuladores e mafiosos do mundo da bola os verdadeiros ladrões e que fazem o futebol se tornar uma amostra de quão injusto é esse mundo. Mas para não ficar evidente, precisavam de um bode expiatório, um culpado.

Sobrou para o juiz.

Extraído de: https://kazzttor.blogspot.com.br/2017/11/a-logica-do-arbitro-ladrao.html

Hannah encarnado

Sabe aqueles dias em que é preciso um desabafo e se vê obrigado a calar-se pois sua revelação é demasiadamente perturbadora e comprometedora? Era o dilema de Hannah, personagem do badalado seriado da Netflix, Os treze porquês. Ela presenciou um estupro e foi vítima do mesmo agressor do estupro que testemunhou. Ser testemunha e vítima de uma violência é duplamente atormentador, principalmente quando o agressor está em nosso meio, e não pode denunciar por medo de represálias ou danos à sua reputação.

Senti essa experiência na carne. Encarnei Hannah​ por uma noite, testemunhando e sofrendo uma agressão em uma mesma noite. Algo que posso confessar apenas aqui. Pois não consigo contar a ninguém. 

Após uma reunião, um “amigo” me convidou para ir em sua casa. Nos embebedamos, e ainda bebi uma cachaça batizada com maconha. Por duas vezes, ele mandou que eu o masturbasse. Nas duas vezes eu rejeitei sua oferta, sendo que nesta segunda vez, eu fui embora. Mas antes ocorreu a parte mais assustadora para mim. Esse “amigo” teve um surto psicótico. Gritava, xingava, e pensei que fosse me agredir. Ele teve uma alucinação: pensou que tinha mais um homem alí e disse que iria mata-lo.

Contou que fez sexo com uma travesti. Disse que a agrediu enquanto fazia sexo com ela, pois não sabia que ela era na verdade travesti.

Eu sei porque aconteceu aquilo, de ele pedir que o masturbasse. Todos sabem que sou gay, e o preconceito que se põe sobre a homossexualidade destrói aquele que é gay. A ideia do sexo fácil, da promiscuidade, do ser afeminado, faz com que as pessoas olhem para você intimamente da pior forma possível, e inclusive, passe a querer agir com você com as intenções mais escusas. Te vêem como um lixo, um pedaço de carne de quinta categoria que pode ser comido, cuspido e destruído a bel prazer de pessoas que praticam o mal hipocritamente ou mesmo descaradamente. 

Senti a Hannah​ na banheira cortando os pulsos. Senti a alma morrer lentamente. Pois a morte suicida e lenta é a agonia mais sofrida que um homem pode sofrer, pois é um rito esquizofrênico de contemplação do próprio sofrimento que viveu por tanto tempo, até cruzar as veias dos pulsos com uma gilete.

Hoje acordei atordoado com a lembrança do desastre ao qual fui acometido. Neste momento estou com sintomas que podem ser qualificados como estresse pós traumático. Seria como se tivesse sofrido um acidente ou um assalto. Trabalhei à pulso. Depois do trabalho, resolvi fazer caminhada. Enquanto andava, escrevi isso.

Quando acontece algo com você, tem-se duas alternativas: enfrentar ou fugir. Pode parecer simples demais, mas qualquer coisa que faça ou é uma forma de enfrentamento ou de fuga. Na maioria das vezes, mesmo que sutilmente, eu fugi. Mas há momentos em que a melhor alternativa é enfrentar. E minha arma é a verdade e a palavra. Minha verdade é meu âmago, e quando se torna base de meu caráter, torna meu espírito indestrutível. Vi muitos amigos gays se inspirarem na música indestrutível, da Pablo Vittar. Ainda não ouvi, e vou ouvir para entender. Boa parte dos suicídios estão entre jovens gays. Mas o suicídio é precedido pelo sentimento de solidão, fracasso e indefesa e isto ocorre não importa o quão popular e amado pareça ser, pois vivemos de avatares, às vezes não parecemos o que realmente somos. E essa é a pior parte, pois vivemos aprisionados a nós mesmos. É a mais angustiante das clausuras. 

Mas, ao contrário da Hannah, pretendo continuar vivendo. Precisamos romper o silêncio e este rompirá com nossas clausuras, precisamos fazer com que o mundo nos ouça e nos fortaleça em vez de nos enfraquecer. É enfrentando o mundo, que ficamos fortes para nele viver.

Os imperativos

Pensando aqui com meus botões, vejo que estamos em um momento em que vivemos um embate entre imprerativos. Não que haja exclusividade de imperativos de um lado ou outro do embate político, mas me peguei enumerando diferenças entre duas formas de imperativos que vemos nos debates, sejam políticos ou de qualquer outra questão polêmica: o imperativo do fazer e o imperativo do pensar.

O imperativos do fazer é uma ordem de execução. Não questione, apenas faça. Não admite nada além do que a obediência e a confiança a quem impõe ou comunica a ordem, mesmo não tendo ciência das suas razões ou consequências. Já o imperativo do pensar tenta mover o homem por meio da argumentação, mostrando as opções, oportunidades  e ameaças de uma determinada ação, de forma que aquele que recebe os fatos tire suas próprias conclusões e assim, aja.

Tanto um quanto outro imperativo tem seus vícios e virtudes. E coloca um líder sobre um dilema estratégico: qual imperativo é mais qualificado para a ocasião. 

O imperativo do fazer é objetivo, já o do pensar é subjetivo. O do fazer é regra, o do pensar, argumento. O do fazer é explícito, já o outro, implícito. Um informa, outro, forma. Um impõe um caminho, outro mostra os caminhos e pode orientá-los. Um é detalhe, o outro, horizonte. Um exige submissão, outro entendimento. Um é comício, outro é debate. Um é superficial, outro profundo. 

Claro que essas divagações podem não traduzir a realidade do imperativo do fazer, como o do pensar, pois a ação e o entendimento não são operações padronizadas. Pois o imperativo é uma forma de comunicação para impor uma ação, e depende dos elementos da comunicação para ser efetivos. 

Assim, pode haver momentos em que o imperativo do fazer usa recursos do imperativo do pensar, e vice-versa. Mas sempre o objetivo principal (fazer ou pensar) se torna evidente, por mais que se tente disfarçar. 

Um imperativo do pensar utiliza elementos do imperativo do fazer, quando se deseja uma reação de pensamento daquele ao qual se ordena, a princípio, chamar a atenção deste para refletir. O imperativo do fazer, por sua vez, usa de elementos do imperativo do pensar para reforçar uma ordem, ou torná-la crível para o incauto que não foi introduzido àquela ordem.

Seja pelo pensar ou pelo agir, somente a ordem se torna efetiva, quando acatada. Para combater o imperativo do pensar, a estratégia é discordar, principalmente se houver argumentos que embasem a discordância. Já para combater o imperativo do fazer, a estratégia é questionar a ordem principalmente com argumentos de relação causa e consequência, que enfraquecem o vínculo de confiança entre o ordenante e o ordenado. 

Entender que vivemos em um universo de influência, onde os imperativos são suas ferramentas, agrega em nós a expressão do senso crítico. O poder de influenciar pessoas passa pela correta dosagem em usar o imperativo do pensar e do agir de forma adequada, para que haja um vínculo de confiança com as pessoas a serem influenciadas. 

Vai com medo, mesmo!

Hoje tenho o primeiro passo para o início de uma jornada. Estou a caminho do Rio do Janeiro pois em breve estarei atuando como voluntário nos Jogos Olímpicos.

Já é o terceiro grande evento no país que atuo voluntariando. Já participei da Copa das Confederações em 2013 e da Copa do Mundo, no ano seguinte. E ao rememorar essas experiências fui tomado de súbita emoção. Isto pois lembrei de alguns momentos em que lágrimas caíram de meus olhos.

Era dia 20 de junho de 2013. Uma onda de protestos varria o país no meio da Copa das Confederações. Naquele dia estava de folga, e mesmo sendo voluntário em um evento FIFA, eu fui a um dos protestos. Fui pois eu entendi que mais do que a insatisfação com a copa, havia uma enorme insatisfação com o poder público do Brasil, que exige muito (impostos, leis, burocracia) e oferecia pouco (serviços públicos de qualidade e garantias individuais). Ao chegar no centro do Rio, vendo aquela multidão de jovens que pacificamente protestavam, entoavam palavras de ordem e cantavam, eu me emocionei. Ao cantar o hino nacional junto com aquela multidão, lágrimas caíram de meu rosto. Me sentia parte daquilo. Me sentia protagonista da história do Brasil naquele momento.

Naquele dia 12 de junho de 2014 foi diferente. A emoção era outra. Era a de um amante do esporte bretão. Eu até então não estava escalado para atuar na abertura da Copa. Na última hora fui escalado para atuar. Foi um dia inteiro de trabalho e no final, consegui uma permissão para ir à tribuna de imprensa, onde tive experiência de ver pela primeira vez (mesmo que seja por alguns minutos) uma partida da seleção brasileira no estádio. E pude ver o gol do Oscar, do mesmo ponto de vista de jornalistas e torcedores presentes. Ao terminar o jogo, a sensação do dever cumprido. A abertura da Copa foi um espetáculo, e ajudei a fazer isso possível, juntamente com todos os outros voluntários e profissionais. Saí da tribuna com os olhos marejados. Também me senti parte daquilo.

Identidade e pertencimento é algo que nos dignifica, quando os percebemos. Talvez seja por isso que tanto se coloca nas pessoas uma cultura individualista. Pois uma cultura coletivista é perigosa para quem oprime e quem almeja privilégios. Por isso a enganação da força do herói solitário. Mas como diria a música de Baiano e Os Novos Caetanos (Parceria de Chico Anysio e Arnaud Rodrigues), o herói é o caba que não teve tempo de correr.

Talvez seja essa a lição que tiro dessas experiências. E isso se traduz na reação das pessoas ao dizer que vou aos jogos olímpicos, voluntariar. Elas me perguntam se eu não tenho medo de ir. Eu respondo com uma frase que li em algum lugar que diz:

Se tiver que ir, vá! Mas se estiver com medo, vá com medo mesmo!

Já vivi algumas experiências que me assustaram, que me deixaram com medo, mas entendo que o medo, não deve te travar, você tem que enfrentar. É um desafio. Apesar de outros medos que tenho, eu levo adiante a vida com eles, enganando-os ou buscando alternativas. Mas é preciso encarar o medo de frente, em alguns momentos. É o seu karma, faz parte do seu desafio vital.

Mas, pensando bem, ao rememorar minhas lembranças, minha resposta seria outra. Ao me perguntarem se eu não estaria com medo eu responderia:

Eu não estarei sozinho.

Nada tão abrangente, tão singular e tão controverso.

Sem Titulo 22/7/2007-13:19

Acidente da TAM (Voo 3054)

Um avião tenta pousar às 18:45 de Terça-feira, 17 de julho de 2007, no aeroporto de Congonhas, São Paulo. Era um dia chuvoso. Derrapa na pista, atravessa a Av. Washington Luiz e bate contra um posto de gasolina e contra o prédio da TAM Express e explode.O saldo é trágico: além dos ocupantes do avião, entre funcionários, tripulação e passageiros (onde famílias interas sucumbem), outras pessoas em terra foram atingidas num catastrófico número oficial de 192 vítimas fatais. Um triste recorde foi batido. Esse trágico acidente superou o vôo da Gol e tornou-se o mais grave da aviação comercial brasileira. A princípio, a liberação precoce da pista principal do aeroporto, o qual faltava uma última reforma: a colocação de ranhuras na pista para aumentar o escoamento da água em dias de chuva, foi apontado como a causa. Isto responsabilizaria as autoridades como a ANAC e o governo federal pelo acidente.Acompanhei a escalada dessa tragédia pelo rádio, que está de parabéns pela excelente cobertura. Jovem Pan (que abriu espaço na FM para as transmissões AM), Radio BandNews (em conjunto com a Rádio Bandeirantes) e CBN, acompanaram de perto todos os eventos desse triste episódio. E naquele dia, a declaração de uma autoridade, que me deixou mais consternado com a dimensão do acidente foi do Governador de São Paulo, José Serra, que afirmou às 21:00, que a possibilidade de haver sobreviventes no avião era praticamente nula. Mas foi pela televisão, que as investigações sobre as causas do acidente sofreram uma reviravolta. Na noite seguinte, o Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão revelou que desde a sexta-feira anterior ao acidente, um dos reversos do avião estava com defeito e poderia ter causado a tragédia. Vídeos do pouso do avião, gravados pelas câmeras do aeroporto foram divulgados e denotaram queo procedimento do pouso foi normal, porém a aeronave não conseguiu parar, fazendo com que o impacto com o edifício fosse a aproximadamente 230 Km/h. A repercussão da reportagem do Jornal Nacional foi enorme. Jornais e sites de notícias veicularam as revelações, com destaque. Mas uma das reações de autoridades, acabou gerando perplexidade: Um ministro e um acessor da presidência comemoraram as revelações, pois antes dessas revelações, o jogo político já tomava conta do cenário, e o governo até então era tido como culpado.Ao meu modo de ver, por ter lido a respeito de outros acidentes aéreos, esse acidente não foi provocado por um fator isolado, mas por uma série de fatores. A começar pela pista curta do aeroporto, pela falta de escoamento da pista, por falhas mecânicas do avião, e até por alguma manobra errada do comandante. Tudo isso em conjunto pode ter sido a causa dessa terrível e infame tragédia. A análise das caixas-pretas do avião vão ajudar a esclarecer o acidente, e evidentemente, as causas e as responsabilidades levarão meses para serem reveladas.Nota (em 23/07/2007) pós-escrito: apenas três dias depois do acidente recebi fotos tiradas pelos próprios bombeiros da tragédia. Essa foto que agora ilustra esse post é a mais leve de todas. As demais são cenas muito impressionantes, que por sinal, por respeito às vítimas e seus parentes e amigos não é conveniente publicá-las.Mas acredito que é possível encontra-las na internet.

Sem Titulo 21/7/2007-17:43

A derrocada brasileira no sub-20 e no pan denotam o colapso do futebol brasileiro

Olá amigos e amigas! Hoje começa a categoria “Minhas impressões”, o qual eu vou escrever aqui o meu ponto de vista sobre os assuntos que estão em discussão hoje em dia.E Hoje começo com a seleção Brasileira de futebol, nas categorias inferiores. O Brasil acaba de perder para o Equador por 4 a 2 no pan e está eliminado. Com a participação pífia no mundial sub-20, o cenário para o futebol brasileiro passa a ser obscuro. Isto porque a maioria destes jovens jogadores que disputaram as duas competições “ainda estão verdes”, ou seja, não ganharam a maturidade suficiente para encararem grandes competições. A causa, segundo os especialistas em futebol, é sem dúvida, o fato de esses atletas se profissionalizarem muito cedo. Lulinha (no Sub-17, prossissional no Corinthians) e William (no Sub-20, colega de Lulinha no Parque São Jorge) e Alexandre Pato (colega de William na Seleção Sub-20 e profissional no Internacional), entre outros, são exemplos disso. O fato de colocar esses atletas muito cedo nas categorias profissionais dos clubes, mesmo que sejam muito habilidosos, está virando marca registrada do início do colapso do futebol brasiliero, o qual não consegue manter seus atletas no país. Além disso, some o calendário brasileiro que não está em sincronia com o calendário futebolístico da maioria dos países, o que faz com que durante competições importantes, como o Campeonato Brasileiro, haja um êxodo de atletas para o estrangeiro, a situação de desordem o qual os clubes brasileiros atravessam, com a falta de profissionalismo nas administrações, corrupção e até lavagem de dinheiro, como foi evidenciado no caso Corinthians-MSI, a violência nos estádios, que ainda não foi contida, a falta de participação da torcida nas decisões dos clubes, a falta de infra-estrutura adequada aos estádios, entre outros problemas graves. Em 2014, o Brasil certamente sediará a Copa do Mundo, e pode acontecer que o país não teria um escrete a altura para o evento. De longe, é possível mudar essa situação, mas as medidas devem ser tomadas de imediato, pois senão, o quadro será dos mais sombrios. Já havia dito há muito tempo que estão matando a galinha dos ovos de ouro no futebol, e pelo visto, essa galinha começa a agonizar.