Segredos que não contamos aos nossos pais

Quando a gente é criança, nosso universo sempre é restrito por nossos pais. Sempre curiosos, temos nossos anseios de curiosidade do universo adulto frustrados pelas negativas de nossos pais, que sempre alegam que era cedo demais para sabermos ou conhecermos aquilo que despertava nossa curiosidade e eles consideravam imprório.
Quando crescemos, a lógica pode se inverter. Os pais, preocupados com o futuro de seus filhos, muitas vezes querem saber um pouco do universo que eles vivem e o qual não tem o pleno acesso. É pouco ou nenhum diálogo, quando segredos são escondidos.
Quando criança, eu tinha muita curiosidade sobre as coisas. O universo que víamos na televisão era quase sempre adulto e isto nos impunha uma exposição precoce a temas adultos como sexo, violência, e política, e por sermos pobres, livros e brinquedos não tínhamos, fazendo com que a televisão e às vezes, o rádio, monopolizassem nossas fontes de entretenimento.
Isto, evidentemente, nos colocou em uma precocidade, coisas de adulto presenciamos e até mesmo fizemos, como, por exemplo, beber cerveja. Crescemos e aprendemos a tornar adultos mais pela prática dos erros do que pelas teorias transmitidas por testemunhos alheios ou pela educação formal.
E diante dessas experiências, nosso universo social vai além da estrutura familiar, até mesmo formando uma espécie de universo paralelo, onde a família não faz parte.
E é neste universo, onde se guardam segredos que dificilmente revelamos aos nossos pais.
E é aí, que começa as histórias de dois de muitos segredos, os quais irei revelar nessa publicação. O primeiro segredo é que quase morri afogado em 2008, em uma confraternização em um hotel-fazenda.
Era a comemoração do dia do professor e o primeiro salto meu na piscina foi no lugar errado, onde era mais fundo. Desesperado, debati na água e em seguida apaguei embaixo d’água. Acordei minutos depois à beira da piscina, grogue. Falaram para mim que por muito pouco não tinha morrido. Menti para meus pais, ao dizer que tinha passado mal. Fiquei internado no hospital, tendo alta no dia seguinte.
O segundo segredo aconteceu ontem. Uma pessoa com quem tive relação revelou para mim que estava com sífilis. Ao fazer o teste rápido o resultado para sífilis foi positivo. Fiquei por cerca de um mês no aguardo da contraprova que pode confirmar a doença, ou até mesmo identificar que meus anticorpos eliminaram a bactéria da sífilis no organismo. Ao conversar com outras pessoas que me relacionei após essa pessoa infectada, me disseram que fizeram exames recentemente e que estão sem a doença. Pode ser um sinal de que apenas tive e meu corpo se encarregou de resolver a questão. Mas tenho que aguardar a confirmação. A confirmação veio e confirmou-se que apenas era uma cicatriz imunológica. Fiquei aliviado. Foi apenas um erro. Um vacilo que não revelei a meus pais.

Isso já fez um ano.

Mas quando não aprendemos com os erros as circunstâncias da vida nos fazem aprender. É como se fosse a fase de um jogo: você não passa se não superar, e se insistir no erro, perde o jogo. No jogo da vida, perder o jogo é morrer. E diferentemente do videogame, se perder, não tem volta.

Pois a história se repetiu. Um ano depois, uma outra pessoa com quem tive relação disse que estaria com sífilis e HIV. O desespero me abateu quando notei manchas no corpo. Fui no médico e ele suspeitou de sífilis, no mínimo. O medo do pior era real. Consegui uma consulta com uma infectologista. Fui sincero, ela compreensiva e tranquilizadora. Fiz novamente os exames de sangue. Não era HIV, mas era sífilis. E antes mesmo do resultado dos exames já comecei a ser medicado. As picadas das doses de Benzetacil só não eram mais dolorosas do meu arrependimento por não ter aprendido com meus próprios erros. E hoje, ainda em tratamento, tenho uma dívida com aqueles a quem agi irresponsavelmente, mas com aqueles quem me tem por exemplo. Muito aconselhei e pouco agi a contento.

É o momento de agir com mais responsabilidade. É tempo de crescer e amadurecer. E isso todos precisam saber, não se deve guardar mais segredo.

Homem não faz milagre

Eu já vi propaganda a beça. Há muita oferta de soluções milagrosas para males possíveis e impossíveis de solução. Sempre vem um e se ilude. Acredita no milagre que é oferecido, mas mesmo que se obtém um resultado prometido, ele vem com um preço, uma conseqüência, ou uma perda.

Se prometem o corpo sonhado, a beleza plena, mas ou você tem que prejudicar sua saúde, ou colocá-la em risco, ou gastar rios de dinheiro, ou se tornar escravo de seu próprio desejo.

Prometem-se potência sexual, mas ao custo de se envergonhar por ela, ou arruiná-la de vez.

Vende-se diplomas, ao custo da estupidez e do erro.

Vende-se riqueza ao custo da honradez, da honestidade e da própria liberdade.

Vende-se a verdade, que não passa de mentira.

Vende-se a palavra, para se obter a injustiça.

Vende-se antidepressivos que podem levar ao suicídio.

Vende-se a sensação perene de felicidade, em troca do vício.

Vende-se o erro, para forjar o certo.

Vende-se a informação, para produzir desinformação.

Vende-se o conhecimento para produzir ignorância.

Vende-se a fé, para gerar a descrença.

Vende-se um padrão, para produzir discórdia e desigualdade.

Vende-se honestidade para travestir o desonesto.

O fato é que tudo o que se vende como solução definitiva e imediata não passa de farsa.

Aprendi com as idas e vindas da vida que tudo se resolve com tempo e esforço. Não é de uma hora para outra que se encontra o final feliz de nossos dramas. Vi muitas mudanças radicais, advindas do tempo, senhor da razão, ou da ação, do sacrifício e da intensa luta. E quando há luta intensa, sempre traz consigo perdas significativas, que só se curam com o tempo. O tempo é o principal ator, mas não pode ficar sozinho.

Aquele que manipula o tempo, sofre, cedo ou tarde com as consequências de sua manipulação. O tempo cobra o preço do atraso ou do indevido adiantar.

Quando vejo pessoas dizendo que tudo vai mudar com Bolsonaro, eu não sei se rio, se tento convencer, se tento dissuadir ou se simplesmente ignoro.

Mas entendo que se iludir com a solução imediata pode parecer incrível, mas é muito comum. Somos bombardeados por propaganda todos os dias, prometendo tudo. Até mesmo o que não parece propaganda, é de fato, e um dos elementos da velha propaganda é a manipulação das informações, a mudança do viés, e até mesmo a mentira, e a omissão da verdade.

Ele promete uma solução imediata para todos os problemas, com palavras voluntariosas e palatáveis aos ouvidos leigos.

Mas os problemas que afligem os milhões de brasileiros, não surgiram ontem, como se fosse um surto endêmico. Foram anos e anos de desigualdade, séculos e séculos de questões mal-resolvidas, que impedem de nós enxergarmos o Brasil como uma nação fraterna de irmãos e iguais. Questões que ele ignora, que trata com descaso, e somente aborda termos vendidos nos jornais, revistas, rádios e televisões, cujos donos são aqueles que querem, coincidentemente, monopolizar a opinião pública com as questões que ele defende resolver.

Ele fala o que as pessoas ouviram na mídia e propaganda como verdades absolutas, mas não são tão verdadeiras e ocultam as verdadeiras lacunas que precisamos resolver.

A verdade é que entendo a verdade que me cerca e também a concretização da barbárie quando ele se eleger.

14 anos de governos petistas criaram uma nova percepção de Brasil. Tanto que durante o curto governo Temer, foi evidente o contraste e o quão necessária a consciência e participação política das pessoas, não apenas no período eleitoral.

A eleição de amanhã será, na prática, um plebiscito: se abdica da democracia, ou entra nela de vez.

A publicidade clássica de Bolsonaro, amplificada pelas mídias sociais e WhatsApp, pode coagir o povo brasileiro a abdicar de seu direito democrático. É o apelo e o alerta daqueles que não foram hipnotizados por sua propaganda. É o apelo de muitos que ignoraram o risco que Bolsonaro representa, mas que acordaram a tempo. Mas também é o apelo daqueles que sempre estiveram atentos e lutaram contra a artimanha opressora do midiático.

Esta eleição configura o maior movimento pela democracia desde 1984. E esperamos que o desfecho seja diferente, daquela ocasião, onde o desejo se viu frustrado por uma manipulação política. Da mesma forma que o povo ansiou naquela época, hoje possa, ao exercê-la, manter seu anseio democrático.