Sozinhos não estamos

Eu hoje em minhas andanças, no vagão do metrô, uma senhora que estava à minha frente elogiou a minha camiseta. Estava estampada uma charge da personagem Mafalda de Quino. Nela estava escrito “Sim às democracia! Sim à justiça! Sim à liberdade! Sim à vida!” Ela elogiou minha coragem por conta do momento tão nebuloso que atravessamos. E se emocionou. Também fiquei comovido, não apenas com a nossa conversa, mas porque por tudo o que passamos e tememos, vemos que não estamos sozinhos.

Ela me falou sobre um movimento de meditação em busca da paz. Precisamos de paz e também de coragem para continuarmos resistindo ao mal que sufoca a razão e a solidariedade que deveríamos ter.

Nesses oásis de humanidade em um deserto de ódio. Só o fato de não estarmos sozinhos nos fortalece. E nos traz um pouco de alento.

Sozinhos não estamos.

Fitas verde-amarelas

Ao voltar pra casa, me deparei com as ruas ainda enfeitadas de fitinhas verde-amarelas, mesmo após a triste despedida de nossa seleção brasileira desta copa do mundo.Os céticos ficariam perguntando qual a razão de tamanha perda de tempo e de recursos, sabendo que a chance de uma glória brasileira na copa do mundo é de cerca de 1/32 ou cerca de 3%, e que, psicologicamente tende a se esvair a cada fase, dada a dificuldade, ao contrário do que o avanço a cada fase se traduz, em termos matemáticos.Talvez estes céticos não entendem o poder que a esperança e a ilusão nos oferecem, em termos presentes e também futuros. Mesmo jogando com o aleatório e o incerto, ao nos iludir, vemos uma realidade mais próxima do que somos e do que desejamos para nós. Vemos o mundo sob outro prisma, mais colorido e entusiasmado, com mais vigor, com mais luz. E isso é contagiante. Parece estranho, mas aplicamos essa mesma visão esperançosa a nossos atos, acordamos mais dispostos, impomos a nossas ações a mesma energia a qual acreditamos e depositamos nossa torcida.Ao fantasiarmos nossa realidade, a testamos, e assim testamos nossos limites, testamos nossas possibilidades e, assim, evoluímos. O que seria do espetacular, se não imaginarmos o impossível?E até mesmo no desatino da derrota, a ilusão, sob a forma de desilusão, se faz presente, como forma de entendermos que vivemos em um universo com limites, e que estes nos balizam. A decepção do imponderável, pode se tornar a pedra angular da mudança, quando visto com olhos sábios.Sei que amanhã ou depois, as fitinhas não mais estarão nas ruas. Que as bandeiras do Brasil não mais irão enfeitar as janelas e varandas. Mas deste dia, eu vou continuar lembrando.Pois mesmo depois da noite triste, sempre haverá um amanhecer.

Marielle e Madalena

Uma notícia me pungiu de dor. Marielle foi morta. Uma mulher de fibra, de favela, do povo do Rio, uma lutadora guerreira. Isso me lembrou de Madalena.

Madalena, foi acusada de adultério. Estava prestes a ser condenada, mas um profeta de Nazaré, mostrou a aqueles que a perseguiam que todos somos iguais em virtudes em defeitos. E que o ódio os condenavam. Isso me relembrou Marielle.

Marielle ousou defender o povo humilde, criticou a intervenção de segurança do estado do Rio, denunciou a violência policial, foi a antítese do senso comum do povo da periferia e da favela: formada na universidade, não se dobrou ao crime organizado, nem se contentou em ser lacaia de uma sociedade brasileira patriarcal, elitista e excludente. Isso me fez lembrar novamente de Madalena.

Madalena teve sua história amputada pelo cristianismo. Sua história não se resumiu a apenas um episódio. Há evangelhos apócrifos que descrevem Madalena como apóstola. Uma liderança feminina e lutadora que não seria admitida em um universo em que o homem sempre foi líder. Isso me lembrou Marielle.

Pois querem covardemente amputar sua história, com omissões e mentiras. Omitem que ela tem uma companheira, e que é militante feminista e LGBT. E mentem quando dizem que ela tinha relação com o tráfico, que foi eleita pelo comando vermelho, que foi mãe adolescente.

As pedras de ódio que não atingiram Madalena foram os tiros que atingiram e mataram Marielle.

O ódio e a insanidade são as regras invisíveis que regem nossa sociedade. Atos covardes praticados de humanos contra humanos por egoísmo, vaidade e insensatez.

Madalena representava tudo que naquela época, era a mudança necessária que rejeitavam.

Marielle representa tudo o que hoje precisamos mudar para que possamos nos ver como iguais.

Poderíamos ser todos Madalenas e não fomos. A história nos deu outra oportunidade. Sejamos todas as pessoas Marielles.

Marielle vive!

Marielle, presente!

A lógica do árbitro ladrão

O ser humano sempre é capaz de criar lógicas a seu bel prazer. Não precisam que elas sejam verdadeiras, bastam que sejam verossímeis. Inclusive criam-se lógicas irreais, mas verossímeis para acobertar outras, reais, porém prejudiciais a dados interesses. O domínio da verdade angaria poder e isso faz com que mesmo que tal lógica exposta como verdadeira, não o seja de fato, quem a profere ganha poder se for aceita por outras pessoas. Poder, verdade e crença possuem laços íntimos que influenciam as ações humanas.

Falarei sobre a lógica do juiz de futebol ladrão. Se a arbitragem comete um erro que prejudica seu time, logo, esse árbitro favoreceu intencionalmente o adversário. Partindo dessa lógica, o juiz é ladrão. Houve um roubo, um acerto, uma corrupção, uma mala preta para que tal resultado se confirmasse à revelia de nossa vontade apaixonada e cega de torcedor de futebol. E pela cegueira histérica que a que cometemos diante da desilusão, a caixa de Pandora do ódio e da mentira se abre para tecer teorias que confirmem a incredulidade de que recusamos a aceitar. A cultura do Juiz Ladrão faz parte do mundo do futebol, mas acoberta algo mais sério. Centraliza a interpretação da regra em torno de uma, ou três pessoas (com os árbitros de linha de fundo, seriam 5, mas os resultados não tem sido tão efetivos), além de, no Brasil, a arbitragem esportiva não ser profissional. O árbitro profissional de futebol é uma das soluções que podem reduzir o erro, pois o árbitro é preparado e pago para isso. Mas está muito além da questão técnica ou simplista a solução para acabar com o “favorecimento da arbitragem”, pois sabemos que há quem se beneficie do erro.

Imagine quantos jornais deixarão de ser vendidos, quantos pontos de audiência deixarão de ser alcançados, quantos cliques não serão feitos e quanta repercussão deixará de existir sem a polêmica arbitragem das noites de quarta ou das tardes de domingo.

O mundo é movido por conflitos, e no futebol, como qualquer ação humana, não é diferente. O ponto de vista se aguça quando a dúvida, intencional ou não, se apresenta. A ausência de dúvidas elimina a subjetividade e com isso, o conflito se desfaz. Liderar uma posição de conflito é cômodo, pois é possível “inventar poder” influenciando pessoas a agirem de maneira. O homem é impelido pela ação e pela competição, e criar um ambiente de competição ou de conflito é garantir a quem criou esse ambiente poder e influência. Fica evidente que quem implanta polêmicas angaria poder, ou busca também o concentrar em um determinado ponto.

Clubes, federações e CBF, em troca de contratos de transmissão com a mídia, mantém um status quo no futebol brasileiro para que mantenha um nível de atratividade e influência, como parte de uma contemporânea política de pão e circo, porém sem o pão.

Enquanto isso, se inventa uma visão estereotipada do futebol brasileiro com heróis e vilãos. E na categoria de vilãos, está o Juiz Ladrão.

Conheci pessoalmente o árbitro tido como um dos árbitros mais envolvidos em polêmicas no futebol brasileiro. Thiago Peixoto era um jovem professor de academia, que, por acaso, descobri que também era árbitro de futebol. Um professor atencioso, muito focado no trabalho e muito boa pessoa. A última vez que ouvi falar dele, foi no último final de semana, quando, no clássico entre Náutico e Santa Cruz no Recife, se envolveu em outra polêmica e chegou a ser agredido por um jogador do Santa Cruz, que deu uma cabeçada(Fonte: https://m.futebolinterior.com.br/futebol/Brasileiro/Serie-B/2017/noticias/2017-11/arbitro-que-pegou-gancho-em-sp-leva-cabecada-no-classico-de-recife).

Aos olhos da imprensa que gosta de polemizar, Thiago é um Juiz Ladrão. Aos olhos éticos, pode ser tido como um árbitro instável e que comete erros. Erros como muitos árbitros cometem, como muitos jogadores cometem e como todos nós, seres humanos, cometemos.

O erro é algo inerente ao comportamento humano. Não tolerá-lo é uma atitude que pode fazer exatamente o oposto do que se propõe: eliminar ou anular os efeitos do erro. Thiago é uma vítima da estigma que o persegue: de que todo árbitro de futebol é ladrão.

O primeiro passo para começar a atacar a cultura do Juiz Ladrão é tratar o assunto como erro, e não como favorecimento, apesar de que o futebol faz parte de um torpe universo de casas de apostas (manipulação de resultados), lavagem de dinheiro (crime organizado investindo em futebol), fraude fiscal, evasão de divisas, sonegação fiscal (venda de atletas com ocultação de valores), corrupção (propinas e superfaturamento em obras esportivas, programas e eventos), uso político (alienação da população, favorecimento de clubes, renúncia fiscal e lobby), e muito mais em um verdadeiro jogo sujo.

Declarações como a do diretor do Palmeiras frente aos erros da arbitragem cometidos no clássico contra o Corinthians deveriam ser alvo de punição, pois inflamam a sua torcida a tensionar a rivalidade e desviar o foco dela contra as críticas contra os jogadores que falharam na partida e também foram responsáveis pela derrota do time do Palmeiras.

São os manipuladores e mafiosos do mundo da bola os verdadeiros ladrões e que fazem o futebol se tornar uma amostra de quão injusto é esse mundo. Mas para não ficar evidente, precisavam de um bode expiatório, um culpado.

Sobrou para o juiz.

Extraído de: https://kazzttor.blogspot.com.br/2017/11/a-logica-do-arbitro-ladrao.html

17 de abril de 2016, 23:07: um atentado contra a democracia brasileira

A verdade é que o jogo sujo da política brasileira tem muitos nomes, CPF’s, CNPJ’s e Offshores fora do Brasil, cujo líder é Eduardo Cunha.

Hoje presenciamos uma página da história política do Brasil. Uma página triste, com mazelas e enganações que fez uma parte do povo brasileiro a crer que o jogo sujo do poder tinha nome e sobrenome: Dilma Rouseff.

A verdade é que o jogo sujo da política brasileira tem muitos nomes, CPF’s, CNPJ’s e Offshores fora do Brasil, cujo líder é Eduardo Cunha. Ele capitaneou o impeachment, colocando todo o PMDB e arregimentando outras agremiações pela sua votação, jogando ao mar a capitã do navio, antes que todos os tripulantes piratas fossem descobertos.

O que se viu hoje foi um motim e uma revelação dantesca, que apenas pessoas politizadas e inteligentes podem compreender. A de que os fins justificam os meios, mesmo que estes fins sejam ilegítimos.A de que no jogo do poder, vale tudo, pois o PMDB, há muito tempo almeja a presidência do país, mas curiosamente, todas as vezes que assumiu, não foi pelo voto direto (Sarney em 1985, Itamar Franco em 1992 e agora, Michel Temer).Viu-se revelar a magistratura mais conservadora, reacionária e defensora de interesses da elite dos últimos anos. Seria evidente que uma presidência com filosofia progressista fosse vista pelos congressistas conservadores como um empecilho a seus interesses.

A partir daí a situação piorou. Começou com um racha na eleição para a presidência da Câmara, com a vitória de Cunha. Depois diversas imposições de derrotas ao governo, juntamente com a aprovação de um arremedo de reforma política, que, na prática, não mudava em nada, principalmente no tocante ao financiamento de campanhas e partidos. Em seguida, as pautas-bomba, ataques a direitos, como a liberação total da terceirização, a mudança na demarcação de terras indígenas, a flexibilização (!) do trabalho escravo, o estatuto da família e do nascituro, pautas que agridem os trabalhadores, os direitos humanos e as minorias. Por fim o impeachment, por conta das pedaladas fiscais praticadas no mandato anterior, inclusive com assinatura de ordens de manejo pelo Temer, sem contar que é prática usual em estados e municípios, o que poderia impor um risco jurídico enorme a diversas cidades e estados, se a coerência fosse a tônica na política brasileira, mas como não é…

A maioria dos deputados que disseram sim ao impedimento de Dilma tem nomes e partidos envolvidos na operação Lava Jato.

O alvo dos deputados é outro para forçar a queda da Dilma. É ela quem deu carta branca para a PF e a justiça federal para investigar livremente, e a bomba caiu no colo dos políticos. A maioria dos deputados que disseram sim ao impedimento de Dilma tem nomes e partidos envolvidos na operação Lava Jato. O juiz Sérgio Moro, não sabemos qual a dele, mas o que vejo agora é que ele se enveredou pela vaidade de ser um juiz que liderou a maior operação de investigação contra a corrupção da história do país. Imaginando ser igual a operação Mãos Limpas na Itália, optou por divulgar para a imprensa os resultados das investigações, para que a o Brasil fosse tomado de comoção popular e pressionasse as autoridades a punir e apurar com rigor a roubalheira. Mas a mídia brasileira é enviesada. A própria mídia fez filtragens para destacar os pontos que comprometessem o executivo e faria uma “cobertura soft*” de pontos que poderiam comprometer parlamentares e partidos de oposição. A explicação para isso é que a maioria das emissoras de rádio e televisão possuem controle direto ou indireto de políticos, muitos deles envolvidos nos escândalos.

A mídia mostrou uma cara deturpada do escândalo. Martelavam-se diuturnamente notícias da Lava Jato, relacionando ministros, estatais e deputados com pagamento de propina. A comoção para clamar a queda de Dilma logrou êxito por três fatores:

  • O trato da mídia em tratar a questão da corrupção como problema de governo, e não como um problema de Estado, visto que depois, revelou-se que os esquemas de propina já existiam desde 1986.
  • O preconceito que há sobre a corrupção, por entender que a revelação dos atos ilícitos recai a culpa sobre o governo que está aí, ou seja, que a população pensa que só existe a corrupção quando um escândalo aparece, o que não é verdade, pois falcatruas ocorrem em diversos cantos do país e são poucos os que acabam tornando-se públicos.
  • O anti-esquerdismo, manifestado pelo anti-petismo e o anti-lulismo, onde uma parte da população de classe média alta, passou a hostilizar os partidos de esquerda por conta de sua pauta social de busca de corrigir as desigualdades sociais e políticas do país. Por ser sempre tidos como privilegiados, ao perder o foco governamental, e assim o privilégio de outrora, passou a hostilizar os favoráveis à pauta de esquerda.

Basta observar o perfil dos manifestantes dos protestos pró-impeachment. Eu tive que olhar as pesquisas e fazer algumas especulações a respeito. Pra começar, a faixa etária, muitas pessoas de meia idade e com idade mais avançada. Passa pela classe social, muitos ganham acima de 4000 reais mensais, e passa pela escolaridade, muitos possuem ensino superior completo. Nas áreas de atuação, temos empresários, profissionais liberais e funcionários públicos.

Do outro lado temos os manifestantes contrários ao impeachment. Muitos de classe mais baixa, camponeses, com escolaridade variada entre analfabetos e também graduados. Temos muitos jovens, pessoas de raças negra ou parda, trabalhadores da indústria comércio e serviços, assalariados, com renda bastante variável também.

Isto levou a uma polarização política que pode resultar em um jogo perigoso, em que o congresso nacional com o impeachment, decidiu pagar pra ver.

Os primeiros, chamados de coxinhas, os segundos, de mortadelas (por achar que estão nas manifestações em troca de dinheiro e comida). Isto levou a uma polarização política que pode resultar em um jogo perigoso, em que o congresso nacional com o impeachment, decidiu pagar pra ver.

O futuro

Após a aprovação na câmara, o julgamento do impeachment vai para o senado. Aprovado, a presidente Dilma é afastada por 180 dias e assume o Vice, Michel Temer. Eduardo Cunha assumiria o posto de Temer na linha sucessória. O problema é que Temer, Cunha, seus asseclas do PMDB, PP e outros partidos, estão envolvidos em escândalos de corrupção. E um alerta de um magistrado do Conselho Nacional de Justiça revela a verdade: nos últimos 14 anos, não sofremos nenhuma interferência governamental nas investigações que realizamos. Pode não ser crível, mas uma das consequências de um governo Temer é a interferência nas investigações para abreviar e inocentar os políticos corruptos. Seria igual a anistia de 1979, mas só os militares seriam liberados de todas as culpas. Já se cogita anistiar Cunha de sua cassação por fazer com que o Impeachment fosse aprovado. O que seria de fato, a desmoralização política do Brasil.

(…) empresa não doa, investe, para depois ver seus interesses políticos defendidos pelos políticos que ajudou a eleger.

O aparelhamento político de estatais e ministérios não é apenas moeda de troca para apoio político, mas sim importantes tentáculos de partidos e políticos sem escrúpulos para obtenção de dinheiro ilícito oriundo de propinas, para abastecer candidatos e campanhas eleitorais. A não mudança da forma de financiamento de partidos e campanhas não foi a toa, é pra permitir que empresas continuem investindo em seus candidatos, pois empresa não doa, investe, para depois ver seus interesses políticos defendidos pelos políticos que ajudou a eleger.

Por ter encontrado o bode expiatório, no caso a presidente Dilma, todo noticiário sobre corrupção magicamente cessaria, pois o objetivo dos políticos que controlam a mídia foi alcançado, de manter a corrupção praticada por eles longe dos holofotes da opinião pública.

E para o povo brasileiro, lamentavelmente, nada mudaria, a carga tributária elevada com retorno cada vez mais pífio na qualidade de serviços públicos e acesso a estes. A situação crítica, no entanto, é proposital. Nossa cultura cristã, fatalisticamente, vai querer rogar por heróis, e estes, os políticos, na maior cara de pau, vão se apresentar a nós como exemplos de moralidade e bem comum, prometendo como sempre, mas nunca cumprindo e enriquecendo às nossas custas.

É este o futuro que queremos?

Em tempo: há uma ação nos bastidores para que Dilma reduza seu próprio mandato e convoque eleições para presidente ainda este ano. Seria uma saída honrosa para uma presidente que foi queimada na fogueira política pela corrupta inquisição cristã de Cunha. Mas só considero de valia se deputados e senadores também pudessem ser novamente escolhidos.

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*Cobertura Soft: termo cunhado pelo então diretor de jornalismo da Rede Globo de Televisão, Armando Nogueira, para explicar como foi feita a cobertura jornalística das greves do ABC no final da década de 1970, onde se havia apenas a captura de imagens, sem som ambiente, e com a declaração de vozes patronais e não sindicais. Esta declaração está no documentário “Muito Além do Cidadão Kane (Beyond The Citizen Kane)”produzido pelo Channel 4 da Inglaterra, em 1993.

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A auditoria das dívidas soberanas

Uma das bandeiras que se levantam em diversos países é o da auditoria da dívida soberana. Ou seja, a realização de um balanço amplo para detectar e mensurar o tamanho da dívida pública de um país.

Depois das crises nacionais da Argentina, Grécia, Itália, Espanha e outros países, a necessidade de se auditar a dívida para que se limpe a dívida de agiotagem e capital especulativo se faz urgente.

Os países, assim como pessoas e empresas, captam recursos para financiar seus custos e prover melhorias. E também, de acordo com seu histórico de dívidas e pagamentos, apresentam uma reputação perante o mercado. Porém o capital especulativo pode corromper e manipular os mercados visando maiores lucros. Foi assim com o escândalo de manipulação cambial ocorrido em 2009 e no qual o Real foi envolvido, e a batalha nos tribunais que o governo argentino trava contra os credores que não aceitaram o acordo de parcelamento da dívida em 2001.

As dívidas soberanas precisam de regras claras para não serem alvo do capital especulativo. A especulação da dívida pode ser proporcionada pela manipulação de mercados onde os países atuam, ou ainda, pela especulação de papeis, forçando países a aceitar condições de crédito abusivas.

Mas antes de definir as regras, é preciso saber exatamente o tamanho da dívida. E é aí que a auditoria entra. A auditoria vai definir quais os papéis estão válidos, quais estão com credores sérios e quais estão no jugo da especulação financeira. Pois ainda há a possibilidade de países ter cobrança de dívidas já caducas, ou inválidas. A auditoria da dívida visa separar o joio do trigo e leva aos países uma maior segurança e responsabilidade sobre o déficit público, assim como busca dar maior credibilidade aos papéis públicos, protegendo-os do capital especulativo. 

Após a auditoria da dívida, a gestão da dívida fica mais simples e mais segura, podendo inclusive, criar mecanismos para que boa parte da dívida fique a salvo do capital especulativo. Por exemplo, tornar boa parte dos títulos nominais, de modo que apenas o credor que tem posse sobre o título, tenha direitos sobre ele. Assim, a dívida pública, manteria-se sob controle, e possibilitaria que países possam se proteger de juros agiotas, manipulação de papéis e evasão de divisas, sem contar no incentivo ao investimento direto, que é um portante gerador de riquezas.

A auditoria da dívida pode ser o primeiro passo para que países possam estar a salvo de crises, onde para honrar seus compromissos, acabam aumentando os ônus financeiros sobre o cidadão. Este é o que mais sofre com as crises financeiras, pois o dinheiro que paga em tributos, acaba no bolso do desonesto especulador. 

10 minutos

A história é escrita pelos vencedores, não pelos vencidos, costuma-se dizer. Não seria possível então relatar o que foi a acachapante vitória alemã sobre o Brasil nesta Copa do Mundo.

Foram 10 minutos, que se estivessem sido excluídos do jogo trariam uma sensação de dor menos pungida do que representou aquele 7 a 1 para nós.

Mas ao contrário das arrebatadoras vitórias de Anderson Silva no UFC, o futebol não tem nocaute, e os golpes desferidos pelo time alemão entre os 20 e 30 minutos do fatídico primeiro tempo em que um placar de 1 a 0 virou 5 a 0, certamente teria abreviado e muito o sofrimento do torcedor brasileiro, se o tivesse.

O escrete canarinho nunca havia passado em 100 anos de história por tal queda, sequer em amistosos. Mas os vitoriosos frutos são colhidos em terras onde na derrota se plantaram as sementes do ensinamento.

Quase impossível aprender sem dor. E o legado que teremos é que não há mérito sem esforço. Não há merecimento sem sofrimento. Não há resultado sem humildade, esforço, trabalho duro, persistência e paciência.

E o time alemão tem tudo isso, tem mérito. E aprendeu com as derrotas: 2002, 2006, 2010, para enfim, ter a chance de colher o fruto que somente Brasil e Espanha alcançaram, o de ser campeão de uma copa do mundo fora de se seu continente.

10 minutos: tempo suficiente para mudar uma história de copa do mundo, de emudecer vozes, despertar olhares incrédulos, rolar lágrimas. Mas este é o ponto de vista dos vencidos, não dos vencedores. Isto não vira história, ou não?

Querido papai do céu

Querido Papai do Céu,

Minha mãe me ensinou desde pequeno a rezar antes de dormir para pedir em prece boa noite e dias mais felizes.

Sei que há muito tempo não faço isso, mas aprendi que a bondade que se oferece ao próximo sempre retorna de forma dobrada, sob a forma de bênçãos. E eu sei que toda vez que pratico o bem, a gentileza, o otimismo e a esperança estou rogando seu nome, não em palavras rezadas, mas em ações praticadas.

Amanhã é o dia de abençoar um grupo ao qual torcemos muito por eles. Sob eles, paira o descrédito, paira a torcida contra, inclusive com gritos de já ganhou, além do fato de que muito se conspira contra, quando se está em casa.

Lanço minhas esperanças aos futebolistas brasileiros, que com fé, suor, sacrifício e lágrimas chegaram até aqui nesta Copa. Não seria muito justo, um povo tão festivo chorar amanhã. Peço a ti, Papai do Céu, que os proteja, os abençoe e que os motive para vencer este grande desafio.

Pois sei que desejando o bem a eles, eles trarão a mim, e também sei que nesta prece, não estarei sozinho. Muitos de nós também rogam teu nome pedindo bênçãos a eles.

O senhor é justo e misericordioso. Fazei-os triunfar, e terás um povo feliz.

Amém.

O momento propício

Este é o momento propício para o gigante acordar de novo.

Todos os governantes de estados e da união estão apreensivos, afinal, este é um ano eleitoral. Também é um ano curto, com carnaval em março e um mês de Copa do Mundo em junho, o que irá parar o Brasil inteiro.

Saiba que os impostos aumentaram. Em diversas cidades o reajuste do IPTU foi muito acima da inflação. Também os juros aumentaram por conta do aumento da taxa Selic. Também houve reajuste de tarifas de ônibus, além do aumento da gasolina em Dezembro.

Bolsonaro, o maior fascista do país, quer ser, pasmem, presidente da comissão de Direitos Humanos. Seria como dar a chave do galinheiro à uma raposa muito astuta.

A molecada da periferia quer fazer o rolezinho, mas os olhos tortos de uma sociedade elitista de shopping não deixa. Acha que é um bando de baderneiros que querem fazer arrastão, vê se pode?

Pois é, amigos, o exemplo vem de baixo, ou melhor, do Sul. O Uruguai aprovou o Casamento Gay, legalizou a Maconha e vive em paz, e enquanto isso, pastor deputado e ex-gay (vê se pode) quer processar a Rede Globo, pois mostrou dois homens se beijando, na novela. Mas mulher pelada no carnaval, MMA, Rachel Sherazade, Cidade Alerta e Brasil Urgente pode passar na TV numa boa, né?

Pode propaganda subliminar? No mundo inteiro não pode, mas no Brasil pode, acredita? O CONAR é uma propaganda enganosa. O SBT tem o comercial mais rápido do mundo, em uma inserção de frações de segundo para anunciar os frasquinhos de perfume Jequiti. Ninguém faz nada.

E o nosso metrô paulista? Lotado, enguiçado, e o nosso governador Adolfo Alckmin fala que está tudo bem e que a última pane foi vandalismo. Duvido que esse calhorda se atreva a pegar o metrô as seis e meia da manhã para ver como o metrô está bem LOTADO! São Paulo é um estado que tem o Lucas Silva e Silva governando, um cara no mundo da lua!

E por falar em copa, padrão FIFA só nos estádios, né? Um pouco de bom-senso falta não apenas ao futebol (Paulo André que o diga), mas ao país inteiro. Arrumaram a sala de visitas, mas o resto da casa continua igual: imunda e bagunçada.

E aí torcida brasileira? Vai continuar deixando ser representados pelos bandidos de Oruro, pela Homofobia verde, pela batalha campal nas arquibancadas, pelas brigas de torcidas combinadas, pela invasão do CT? Chega de permitir que idiotas acabem com a diversão que todas as tardes de domingo nos levou a sermos os melhores do mundo. Os “Hoologans Falsificados” precisam ser confiscados pela justiça e ser impedidos de entrar em um local que não se destina a ser uma praça de guerra, e sim, um local a contemplar o futebol-arte.

Olhou o seu salário, e o preço da comida? Já foi humilhado pelo seu chefe, pelo seu professor? Já foi assaltado? Já teve noite em que não conseguiu dormir por causa de barulho na rua? Está de saco cheio das idiotices que passam na TV? Cansado das injustiças e aborrecimentos que o rodeiam?

Não faça justiça com as próprias mãos, como a Rachel Sherazade. Faça como a Staroup: Proteste!!!

E não se esqueça de votar direito. Não faça na urna o que você faz no banheiro.

O pranto

Eu havia chegado ao meu trabalho aos prantos em abril. No dia anterior teve greve e eu parei, meus amigos e colegas de trabalho não me entenderam, muitos entraram com medo de ser assediados, mesmo eu pedindo para ficar do lado de fora. Teve confusão, polícia, e me senti um fraco, um inútil que queria lutar por todos os que queriam um trabalho melhor, uma empresa melhor que tratava as pessoas com mais respeito e consideração.

Hoje eu volto para minha estalagem aos prantos. Mas era prantos diferentes. Eu vi que haviam pessoas que pensavam como eu, que lutavam por um país melhor, que foram às ruas por lutar por seus interesses, que não tiveram medo de polícia, que gritaram palavras de ordem, que disseram não à tudo que renegavam.

Em abril eu fui um dos poucos grevistas da Verbo Divino.
Hoje sou um dos 100 mil manifestantes do Rio de Janeiro.

A BONDADE VALE A PENA, SIM. Lutar pelos outros vale a pena! E sou feliz por ser um guerreiro pelas causas de meus semelhantes.

Cada lágrima valeu muito a pena, é a emoção de ser brasileiro e ser ativista.

#OBrasilAcordou

A Primavera vem vindo!

Vocês são os culpados!

Polícia para quem precisa!? Polícia para quem precisa de polícia!?

Se você é fascista, burguês, aplauda o escárnio dos policiais agredindo gratuitamente os manifestantes que agiam de forma pacífica, quinta em São Paulo, Sábado em Brasília e ontem no Rio.

São vocês que querem a redução da maioridade penal!
São vocês que são contra o casamento igualitário!
São vocês que são a favor do absurdo da “cura gay”!
São vocês que querem a ditadura militar de volta!
São vocês que acham que manifestantes são vândalos, que mendigos são lixo humano e que bandido bom é bandido morto (mesmo que apenas pareçam bandidos)!
São vocês que odeiam o pobre, o negro, o índio e não querem que vençam na vida!
São vocês que são contra as cotas raciais e sociais nas faculdades públicas!
São vocês que são contra os 10% do PIB para a educação!
São vocês que fecham os olhos para a realidade, que querem apenas a solução dos efeitos e não das causas.
São vocês que botam a culpa no governo, numa hipocrisia absurda de fugir da responsabilidade!
São vocês que reclamam com os amigos que o Brasil está uma merda, que seu trabalho é uma merda, que seu patrão é um filho da puta, mas chamam de vagabundos aqueles que lutam por você, que vão às greves, que vão às ruas, que se manifestam, enquanto preguiçosamente preferem não fazer nada!
São vocês que falam mal dos sindicatos, mas que não foram em nenhuma assembleia, não fizeram piquete, não pararam um dia sequer com medo de descontar o salário!
São vocês que esperam por um messias, quando tem de fato a força!
São vocês que pensam em vocês mesmos, segundo à risca a Lei de Gerson, e esquecem que estamos todos no mesmo barco, e se cada um remar para o seu lado, o barco nunca sairá do lugar!

Façam o favor, olhem o redor, e vejam que o mundo que vocês viviam mudou, e ficaram estagnados no tempo. Olhem o sorriso amarelo, o pão e o circo, a rotina desgastante de notícias ruins e tentem acordar dessa letargia. Não me inquieta os gritos dos ímpios, mas o silêncio dos justos.

De que lado você está? Cada neutro é um oportunista! E cada oportunista é um Canalha! Vamos, levanta! Desperta! Esta é a hora de sair da zona de conforto, do medo da tragédia, para buscar uma glória maior! Pois a realidade já é trágica e nos envenenou aos poucos, entorpecendo lentamente.

ACORDA!!!!!!!!!

Eleições Municipais: ânimos acirrados, mudanças de rumos

Hoje, 50 cidades de todo o Brasil voltaram às urnas para escolher seus prefeitos. Neste pleito, houve alguns fatos que poderão influenciar as próximas eleições gerais (estaduais e nacional), em 2014.

A primeira impressão que se tem é um acirramento dos ânimos, com a polarização da disputa entre PSDB e PT na disputa pelo eleitorado. E esta disputa chegou a um patamar de golpes na linha da cintura para baixo, com ataques de ambos os lados, baseados nos defeitos que ambos tem.

A grande questão será após a definição das penas do mensalão, pois as condenações já foram dadas. Porém não impediram que Fernando Haddad fosse eleito prefeito de São Paulo, derrotando José Serra, do PSDB. Houve um erro de escolha por parte dos tucanos, pois Serra, mesmo sendo seu importante expoente, perdeu a confiança diante de seu eleitorado, com uma alta taxa de rejeição. A estratégia de Lula de apresentar um nome novo para São Paulo, em vez de nomes já conhecidos, como o de Marta Suplicy, logrou êxito. Lula fortalece sua influência no partido e será um dos principais personagens a reerguer a reputação do PT, que ficou abalada após o mensalão, em 2005.

Ambos os partidos, tucanos e petistas, precisam alterar sua postura e suas direções se quiserem almejar projetos de governo e poder a longo prazo.

Lula cresce com a derrocada de lideranças como Zé Dirceu e Genuíno, por conta do mensalão. Do outro lado, o PSDB, que aparenta ter um comando desorganizado, pode emplacar a candidatura de Aécio Neves para o Planalto, pois com a derrota de Serra, ele sai fortalecido. FHC e Alckmin já articulam o nome de Serra para a presidência do partido.

Claro que o PT deve explorar o mensalão tucano e o do DEM nas próximas eleições, caso o STF, ao avaliar estes casos, aplique o mesmo rigor que foi aplicado aos mensaleiros do PT. Ambos os partidos estão sob o mesmo patamar, mas se os ataques se acirrarem ainda mais, o eleitor irá buscar outras alternativas.

À direita uma opção que irá surgir é a do PSD. O partido chegou forte com diversas prefeituras e elegeu prefeito em Florianópolis, já em sua primeira eleição, e tornou-se uma opção a direita, contra um decadente DEM, um PMDB sem aspirações maiores de poder, e outros partidos nanicos e sem expressão. É bem capaz de alguns pequenos partidos de direita serem engolidos pelo PSD, antes de 2014.

Já à esquerda, a única opção independente de opção ao eleitor, com ambições governistas é o PSOL. Pois ficou evidente em Belém que o intuito de alguns partidos de esquerda brasileiros é ser eternamente oposição, apenas criticando sem propor soluções para os problemas brasileiros, alinhados à sua realidade. Já entre os partidos de esquerda com aliança ao PT, o PSB se destaca e pode ser uma opção forte de esquerda nas próximas eleições.

Com efeito já temos após este pleito, um possível cenário polarizado entre PT e PSDB, mas com outros partidos que podem atuar como surpresas ou fiéis da balança nestes embates.

De bolsa a pochete

Os últimos dias de tensão no mercado financeiro nos mostram que a economia mundial está cada vez mais integrada, porém frágil, pois a cada abalo na economia de um país, os demais mercados sofrem seus reflexos, gerando um clima de pânico e nervosismo.

Uma série de fatores fez com que a crise econômica se tornasse uma pandemia nos mercados nos últimos meses, a saber:

  • A batalha política no congresso americano, com a possibilidade não confirmada de calote e consequente rebaixamento dos títulos americanos.
  • O agravamento da crise das dívidas soberanas de países europeus: Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Itália.
  • O aumento da inflação na China, com a adoção de medidas por parte do governo chinês para conter o consumo.
  • A inflação de alimentos em todo o mundo, por conta dos desastres ambientais e climáiticos que reduziram a capacidade produtiva.
  • A tensão no oriente médio com revoltas populares.
  • O terremoto e tsunamis no Japão, em março, que paralisaram a indústria.

No Brasil, esses fatores influenciaram bastante o mercado nacional, já que o Brasil é um importante exportador de commodities agrícolas e minérios. Aliado a isso, alguns fatores internos causaram vulnerabilidades na economia brasiliera, tais como:

  • A letargia governamental por conta do esfacelamento do aparelho público para abrigar os partidos da base aliada.
  • Recentes escândalos de corrupção em ministérios importantes do governo Dilma: Casa Civil, Transportes, Agricultura e Turismo.
  • Postura pouco firme e agressiva frente a inflação crescente.
  • Intervenção estatal em importantes empresas como Vale, Petrobras e Pão de Açúcar.
  • Congresso pouco interessado em tocar grandes reformas como as tributária, política e trabalhista.
  • Fisiologispo político.
  • Descrédito da opinião pública e falta de mobilização popular frente a causas que atravancam o desenvolvimento nacional como a infra-estrutura e o aparelho público da saúde, educação e segurança.
  • Altas taxas de juros.
  • Mercado aquecido, provocando pressões inflacionárias.
  • Possível bolha de crédito.
  • Vinculação de salários à inflação, causando indexação econômica.

Diante de tudo isso, o mercado financeiro no Brasil se viu em um cenário pessimista. Ontem houve uma queda brusca de mais de 8% no iBovespa, quase prococando um circuit breaker, que é uma interrupção das operações da bolsa, caso a mesma atinja uma baixa superior a 10%.

O período é de incerteza, mas não de desespero. Quem tem projetos de curto prazo, o conveniente é retirar os papeis da bolsa. Quem tem intenção de manter o dinheiro aplicado por um longo período e não precisa de resgatar agora, pode deixar como está, pois a queda brusca se deu por pânico, e não por uma crise aguda. Agora quem quer especular o momento de comprar pode ser agora, visto que os papeis estão baratos.

A bolsa de São Paulo tinha 73.000 pontos antes da crise de 2008 e chegou a 29.000 no auge da crise da quebradeira mundial iniciada com a falência do Lemon Brothers. Ano passado, o índice da bolsa havia voltado ao patamar pré-crise, mas desde o início do ano, veio caindo o preço dos papeis. A queda é preocupante e requer atenção, pois não há consenso dos analistas de mercado sobre as perspectivas futuras da bolsa de valores de São Paulo. Há analistas que projetam uma retomada das ações da bolsa, e outros que indicam que continuaria a tender queda. Estes últimos neste momento, parecem ter a razão.

A bolsa de São Paulo, assim, se reduziu a uma pochete.

Em tempo: a bolsa recuperou parte das perdas hoje, com uma alta de mais de 5%, ainda assim, a bolsa brasileira foi uma das que mais tiveram perdas no mundo.

Já que o Brasil perdeu…

Mais uma derrota da seleção canarinho, desta vez nos pênaltis, de forma bizarra, sem converter nenhum tento. A Copa América vem expor as feridas do futebol sul-americano que se vê em um declínio franco e melancólico, às vésperas de sediar a copa do mundo no continente em 2014 após 32 anos do último mundial, justamente na mesma Argentina, onde ocorre esta edição da Copa América.

A primeira constatação é que a organização deste certame foi horrorosa. Como é possível organizar um torneio com gramados cheios de terra e em estado deplorável? Equipes mais técnicas, como Brasil e Argentina sofreram para exibir um futebol vistoso e foram precocemente eliminadas do torneio.

Outra constatação é que houve uma desnacionalização do futebol sul-americano. Nossos melhores jogadores estavam cansados de uma extenuante temporada europeia. No Brasil, havia Neymar, Ganso, Elano e Fred que estão atuando aqui, mas em um campeonato pegando fogo como o brasileiro este ano, certamente eles poderiam estar jogando com o “freio de mão puxado”, e passaram a contar somente com seus talentos, tendo assim uma atuação discreta e aquém do esperado. E este não é um caso particular da seleção canarinho. A atuação de Leonel Messi na Argentina além de outros jogadores de lá, também deixou a desejar, pois estavam cansados. Os clubes europeus estão sufocando a FIFA e as seleções nacionais. Já não tem mais graça ou prazer ver jogadores ostentando uniformes de seleções defendendo e representando o futebol de um país. Tudo isso porque um uniforme de clube não defende o orgulho nacional ou patriotismo e sim os interesses publicitários dos patrocinadores. Há clubes em que o manto sagrado parece uma página de classificados de tanto espaço para anunciantes. Assim, o futebol se torna capitalista e selvagem em que as cifras valem muito mais que o prazer e o bem-estar que o desporto vem trazer ao ser humano.

Não temos uma equipe pronta para a copa. O futebol brasileiro ainda não tem um grupo formado e ainda está longe disso. Claro que ainda é cedo para especular, pois ainda temos safras de bons jogadores chegando. Mas é preciso calma e paciência para que o grupo surja e se torne um selecionado de respeito. Temos bons jogadores, mas um time ainda não.

Não é preciso ser futurólogo para ver que as tendências do futebol são cada vez mais sombrias. Daqui a três anos, quando nos gramados brasileiros, a copa do mundo passar por aqui, esperamos que aconteça o ideal, mas é longe do possível. Mas sabemos que é preciso instituir mudanças sérias no desporto, não apenas no futebol, pois o atual modelo de gestão do desporto é falho, gasto, corrupto, intransigente e não serve mais para hoje, nem para o futuro.