Tatcher: a controversia da dama de ferro

Caros amigos,

Com a morte de Margareth Tatcher ontem, pude ver pelos comentários nas redes sociais uma grande polêmica. Os formadores de opinião de direita a chamam de grande estadista, onde conseguiu em 11 anos à frente do governo britânico vencer a inflação e com medidas de austeridade colocar a economia de lá nos eixos. Para os de esquerda, porém, Tatcher foi autoritária, usou de medidas impopulares, cerceou a manifestação sindical, foi privatista, usou de artifícios, como a Guerra das Malvinas para reverter sua impopularidade.

De fato, é polêmico falar sobre a então única mulher primeira-ministra da Inglaterra. Mas ao deixar o poder, em 1990, manifestou claramente sua oposição à criação da União Europeia. E hoje, com a crise econômica que assusta o velho continente, irão surgir pessoas que questionariam se ela não estaria com a razão ao se opor ao bloco.

Talvez nem ela nem os defensores da UE estariam certos realmente. Talvez fosse importante criar um bloco, mas com bases sólidas, tanto no aspecto político quanto econômico, o que não pudemos ver realmente ao vermos as disparidades políticas e econômicas de seus países-membros e o trato que o bloco tem dado à crise. O caso do confisco do Chipre é um notável exemplo de desigualdades políticas nas medidas econômicas adotadas pelo bloco, onde Grécia, Espanha, Portugal e Itália vem sendo tratadas em suas crises de forma branda e complacente, e mesmo assim, tem uma grande oposição as medidas por parte da população que tendo brandas ou amargas ações, é quem está pagando um preço caro por uma política regional mal formulada.

Ainda há espaço para muitas discussões e a oposição que Margareth fez lembrar vai ressussitar as discussões a favor da dissolução do bloco europeu, um problema e tanto.

O anti-clímax

A economia mundial está à beira de um ataque de nervos. A crise grega abre precedente para uma nova grande depressão mundial. O primeiro-ministro grego chegou a anunciar um referendo para que os gregos escolham se querem ou não continuar na zona do euro, mas… refugou. O medo de sair da eurozona com uma mão na frente, outra atrás, pesou. E esse anti-clímax se dá hoje pois a Europa criou um mercado, criou uma moeda, mas não criou padrões de ajustes fiscais mais claros, detalhados e rígidos a seus países-membros. Isso permitiu o descontrole do gasto público, elevado endividamento e risco de quebradeira e calote, exemplo que vemos na Grécia.

O mal maior dessa crise, em que vemos os mercados em franca turbulência, existe devido a questões estatutárias e culturais de cada país. Enquanto o alemão se aposenta aos 75 anos, o grego se aposenta aos sessenta, fazendo que o alemão também pague a aposentadoria do grego. Há também um funcionalismo público muito grande na Grécia, tornando o estado muito caro. Essa gastança exige dinheiro, que os gregos pediram emprestado e agora não podem mais pagar. A crise grega é fruto da tentativa frustrada de unificar economias nacionais, mas sem observar as particularidades econômicas de cada nação europeia. Para que uma economia seja plenamente conduzida é preciso padrões de conformidade comuns entre todos os locais influenciados por essa condução. E esse padrão gera uma relação paradoxal, pois é fundamental a sua existência, mas prejudica a todos que defendem privilégios, pois coloca todos em um mesmo patamar de direitos e deveres.O desafio agora é corrigir as falhas e estabelecer esses padrões mesmo a contra-gosto de muitos países.

Privilégio é um termo próprio do capitalismo. Quando é necessário um movimento de unificar entidades, podem ocorrer três possibilidades: mescla, imposição ou ruptura/ conflito. Ao criar a União europeia, certamente o intuito foi de mescla, mas a falta de imposição de uma unidade, está provocando esses conflitos. O mercado comum é uma forma de salvar o capitalismo com a conjunção de forças, mas vemos que este movimento evidencia a falência deste sistema, pois o acúmulo de capital fortalece um pequeno grupo de privilegiados sob o preço de prejudicar um grande grupo de pessoas.

Assim conclui-se: é preciso mudar os rumos da humanidade.