Acorrentado

Pensei que fosse mentira a história do adolescente preso a um poste por uma corrente no Rio de Janeiro. Realmente é inverossímil após conhecer a história inteira e saber que sim, um menor de idade foi agredido, despido e acorrentado a um poste de luz no Flamengo.
Mais incrível é imaginar o que passa na cabeça de cerca de trinta jovens fortes, em motos, para agredir gratuitamente menores de rua.
Difícil mesmo é crer que haja gente que dê razão para esses jovens agredirem menores e acorrentá-los, mesmo que indiretamente por meio das fascistas falas dos apresentadores de telejornais de porta de cadeia.
Me deixa incrédulo saber que os autores dessa atrocidade são brasileiros, que são tidos como pessoas alegres, hospitaleiras e pacíficas.

Olho ao redor, penso, e caio na real. É incrível, absurdo, mas é verdade, o vazio que nos rodeia, a ponto de achar banal.

Agora sinto o pouco da dor que esse menino sentiu. Agora percebo que a cada golpe por ele sofrido, aumenta o desencanto e com ele a necessidade de mudarmos de postura. Temos que acabar com esse mal chamado indiferença. Temos que deixar de achar o mal normal.

E para isso, o medo não deve prevalecer.

"Sô di menó, dotô!"

Segunda-feira, 11/07, em Guarulhos, ocorreu um acidente de trânsito que vitimou fatalmente duas mulheres e feriu um bebê, que sobreviveu. O carro que provocou a tragédia estava sendo guiado por três adolescentes que o roubaram e estavam fugindo da polícia. Cada vez mais vemos memores envolvidos em crimes neste país e este artigo vem discutir o assunto, mostrando uma realidade cada vez mais torpe da criminalidade, tendo adolescentes como instrumentos na prática dos crimes.

Qual a diferença entre um adulto armado e um adolescente armado? Está na estrutura psicológica que no jovem é menos desenvolvida, a ponto de não ter o menor discernimento dos fatos aos quais rodeiam. Isto faz com que o adolescente aja de forma mais incisiva e  inconsequente, fazendo com que este consiga, de uma forma mais violenta e agressiva obter resultados em seus delitos. Um adolescente por não ter conhecimento e discernimento pleno dos fatos, é facilmente influenciável, manipulável e tem uma grande busca por desafios e é emocional e de uma entrega grande por seus objetivos.

O mal maior que existe nesta utilização de menores no crime é que o êxito nas ações delituosas deles tem o mesmo efeito viciante de entorpecentes. E a gravidade é maior pois a formação precoce no crime faz com que o jovem infrator se torne um adulto criminoso de alta periculosidade com traços psicopatas. E a utilização de jovens no crime ocorre pela incapacidade do estado em tratar do problema do menor infrator em todos os seus aspectos. Pelo aspecto jurídico, a ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) estabelece normas que de certa forma acabam protegendo o menor infrator, mas essa proteção é mal interpretada e mal executada pelas autoridades. Há diversas causas para que um adolescente siga o caminho da criminalidade e entre elas está a falta de amparo do Estado em garantir condições dignas de saúde, educação, moradia e lazer a estes jovens. Além disso, os criminosos adultos os utilizam como álibis na prática de seus crimes, pois a função de mandante do crime somente ocorre quando há casos de homicídios. Porém vemos como autores intelectuais de crimes cometidos por menores, pessoas adultas e com passagens na polícia.

A primeira medida a ser adotada é endurecer a lei contra os aliciadores de jovens. Quem recebe um bem roubado por um adolescente está sendo mais culpado do que o jovem, pois este último estaria sendo apenas um instrumento da execução do delito. Também temos que buscar alternativas de inclusão do menor infrator, separando-o em grupos menores e oferecendo a ele alternativas de saída do mundo criminoso. Paralelamente, oferecer suporte total a jovens em situação de risco, para que tenham uma alternativa viável à criminalidade. Por fim, estabelecer uma nova política criminal em que seja possível uma punição rápida e justa a todos os pegos em delitos, e que esta punição tenha o intuito de ressocializar o indivíduo, em vez de marginalizá-lo.