Vocês são os culpados!

Polícia para quem precisa!? Polícia para quem precisa de polícia!?

Se você é fascista, burguês, aplauda o escárnio dos policiais agredindo gratuitamente os manifestantes que agiam de forma pacífica, quinta em São Paulo, Sábado em Brasília e ontem no Rio.

São vocês que querem a redução da maioridade penal!
São vocês que são contra o casamento igualitário!
São vocês que são a favor do absurdo da “cura gay”!
São vocês que querem a ditadura militar de volta!
São vocês que acham que manifestantes são vândalos, que mendigos são lixo humano e que bandido bom é bandido morto (mesmo que apenas pareçam bandidos)!
São vocês que odeiam o pobre, o negro, o índio e não querem que vençam na vida!
São vocês que são contra as cotas raciais e sociais nas faculdades públicas!
São vocês que são contra os 10% do PIB para a educação!
São vocês que fecham os olhos para a realidade, que querem apenas a solução dos efeitos e não das causas.
São vocês que botam a culpa no governo, numa hipocrisia absurda de fugir da responsabilidade!
São vocês que reclamam com os amigos que o Brasil está uma merda, que seu trabalho é uma merda, que seu patrão é um filho da puta, mas chamam de vagabundos aqueles que lutam por você, que vão às greves, que vão às ruas, que se manifestam, enquanto preguiçosamente preferem não fazer nada!
São vocês que falam mal dos sindicatos, mas que não foram em nenhuma assembleia, não fizeram piquete, não pararam um dia sequer com medo de descontar o salário!
São vocês que esperam por um messias, quando tem de fato a força!
São vocês que pensam em vocês mesmos, segundo à risca a Lei de Gerson, e esquecem que estamos todos no mesmo barco, e se cada um remar para o seu lado, o barco nunca sairá do lugar!

Façam o favor, olhem o redor, e vejam que o mundo que vocês viviam mudou, e ficaram estagnados no tempo. Olhem o sorriso amarelo, o pão e o circo, a rotina desgastante de notícias ruins e tentem acordar dessa letargia. Não me inquieta os gritos dos ímpios, mas o silêncio dos justos.

De que lado você está? Cada neutro é um oportunista! E cada oportunista é um Canalha! Vamos, levanta! Desperta! Esta é a hora de sair da zona de conforto, do medo da tragédia, para buscar uma glória maior! Pois a realidade já é trágica e nos envenenou aos poucos, entorpecendo lentamente.

ACORDA!!!!!!!!!

A revolução chega às ruas: autoridades reagem

Os recentes protestos contra o aumento da tarifa de ônibus nas principais cidades do país repercutiu fortemente na mídia, redes sociais, imprensa internacional e é o principal assunto dos últimos dias. Porém é de se notar, que nestas manifestações, vemos que a repressão policial mostra uma face obscura do estado, frente a insatisfação social.

Ontem, o governo do estado de São Paulo mostrou sua face, autoritária e repressora. Segundo a maioria dos relatos, foram os policiais, e não os manifestantes, quem deram início aos confrontos. Era perfeitamente visível que os policiais da tropa de choque tinham como alvos os jornalistas e quem pudesse registrar os seus atos de atrocidade contra os manifestantes. A ação truculenta da PM paulista reflete a política equivocada do governo Alckmin em resolver os efeitos, em vez das causas, assim como toda a classe política retrógrada, que ainda governa neste país.

Impressionante mesmo é a força que as manifestações estão trazendo, levando-nos a uma preocupação que parecia solucionada, o crescente custo de vida. A política econômica do governo não está impedindo o avanço do encarecimento dos preços. E como os custos com transportes são itens que pesam no orçamento doméstico, fica evidente que o aumento da passagem traz reflexos negativos a todas as instâncias da sociedade. Tanto que as manifestações contra o aumento das passagens é um ato popular, democrático, e tem apoio da sociedade. Segundo o Datafolha, 55% dos entrevistados são a favor dos protestos.

A repressão policial exagerada se contrapõe a um protesto pacífico, em sua maioria. Há pessoas que vandalizam dentro do atos, mas não devemos encarar isso como regra e sim como exceção. Este movimento é legítimo e deve ser encarado como exemplo e inspiração a toda a população brasileira que deseja dias melhores. Esta é a hora de tomar partido, ir às ruas e transformar o país, para transformar nossa insatisfação em ação.

As “cracolândias” de nosso cotidiano

Desde o final do ano passado, a polícia militar paulista vem empreendendo uma operação permanente na região central da capital paulista, em um local conhecido como Cracolândia, onde o consumo de crack se dava livremente. Centenas de pessoas foram abordadas, traficantes presos, prédios abandonados desocupados, num processo tido como higienista por muitos especialistas. A forte presença policial no local visa reprimir e erradicar o tráfico e consumo de drogas e conduzir os dependentes químicos para tratamento, porém o trabalho ostensivo e até agressivo por parte das incursões policiais está mostrando resultados pouco desejados ao que a sociedade almeja.

O primeiro efeito observado foi a dispersão das pessoas dependentes e traficantes para outras regiões do centro de São Paulo. Antes, essas pessoas ficavam concentradas na região da Praça Júlio Prestes, e com a operação policial se dirigiram a outras regiões. Outro efeito observado foi o aumento da busca por tratamento aos dependentes químicos, porém a estrutura para acolher essas pessoas na região da Cracolândia é insipiente para atendê-los. A operação foi alvo de críticas às autoridades policiais. Ficou evidente que o Governo do Estado de São Paulo ainda considera a questão da droga como caso de polícia, em vez de ser considerado um caso grave de saúde pública. A narcodependência é uma epidemia mundial que não pode ser resolvida apenas com a repressão ao tráfico e ao consumo. É preciso tratar o dependente e também conscientizar as pessoas do risco que os narcóticos trazem às suas vidas.

É importante realizar ações para conter o tráfico de drogas, porém é preciso saber e entender como as pessoas são conduzidas ao vício. O tráfico de drogas só existe pois existem pessoas que tem necessidade de consumir drogas, o que parece óbvio, porém não perfeitamente compreendido pelas autoridades políticas que preferem trabalhar com a repressão do que com prevenção.

A questão da droga não está apenas na Cracolândia. É apenas a ponta do iceberg de um abismo social formado por lacunas que a droga preenche pela ausência do Estado na formação do cidadão. A educação é o primeiro e importante passo para que o cidadão tenha consciência de seus valores e também dos males que todo e qualquer vício podem ocasionar. A formação do cidadão, não apenas cultural, mas social e pessoal, garantem às pessoas estímulos à sua auto-estima e os protegem de ser susceptíveis a qualquer tipo de ato danoso a si ou a sociedade.

O trabalho de comunicação e conscientização permitem a todos o conhecimento pleno do universo da dependência química tratando o dependente como um doente e não como bandido. O trabalho deve ter foco na família tanto dos que estariam expostos ao tráfico como os que já fazem uso de drogas.

Devemos também desmistificar a questão da droga, sem eufemismos. Todos nós, em maior ou menor grau, sofremos a consequência do mal da droga e não podemos nos isentar de responsabilidade em lutar contra esse mal.

Aos dependentes devemos mostrar-lhes alternativas. O universo da droga é paranoico. A pessoa, aos poucos, passa a viver em função do vício, chegando-o a estar totalmente alheio à realidade. O processo de recuperação deve ser inverso, porém é tortuoso pois muitos dependentes acabam vendo qualquer alternativa à droga como um retorno à vida sofrida. O processo de recuperação começa pela análise da vida do dependente químico.

A contribuição da sociedade deve ser coordenada e sinérgica. Todos devem contribuir para acabar com a epidemia da narcodependência.