Panelas

Ontem ouvi panelas batendo. Era o pronunciamento do partido dos trabalhadores na televisão. Estava saindo do trabalho. Era uma região onde podiam se avistar condomínios de alto padrão. Comecei a pensar.

É na panela onde a comida que comemos é preparada.

Se batemos panelas, essas panelas estão vazias.

Panela vazia é um símbolo muito forte, pois representa a vontade de comer, frustrada pela ausência de alimento, que deveria ser preparada na panela.

Mas quem bateu panela ontem, na sua maioria, não eram pessoas em boas condições sociais, que de seus condomínios, produziam um barulhento protesto?

Então, qual a fome que eles sentiam?

Fome de quê?

Lembrei agora da música Comida, cantada pelos Titãs.

Pois fome, representa também uma necessidade profunda que demanda saciedade imediata.

Mas estes que batucavam panelas protestavam contra a Dilma e contra o PT. Não defendo o governo, mas também não dou o menor apoio a esse tipo de manifestação, que, por ser balizada em condenar um acusado pela identidade e não pelo crime, faz com que o Trensalão seja apenas um equivoco e o Petrolão um crime de lesa-pátria, mesmo que ambos sejam falhas gravíssimas.

A ausência de critério deslegitima e torna o panelaço um espetáculo dantesco de desinteligência, ignorância política e hipocrisia.

Seria menos hipócrita, se estes que batem panelas também protestassem contra as ações trogloditas no congresso, contra a ocultação por parte do congresso e da mídia do SwissLeaks, contra o massacre contra os professores do Paraná, e o descaso do governo de São Paulo em relação aos seus professores, contra a falta de água, os escândalos dos trens, operação Zelotes, e por aí vai…

Mas infelizmente, essas pessoas preferem acreditar somente nos fatos que são convenientes, então… Continuem batendo enlouquecidamente suas panelas até que alguém os ouça, ou os cale…

Eleições Municipais: ânimos acirrados, mudanças de rumos

Hoje, 50 cidades de todo o Brasil voltaram às urnas para escolher seus prefeitos. Neste pleito, houve alguns fatos que poderão influenciar as próximas eleições gerais (estaduais e nacional), em 2014.

A primeira impressão que se tem é um acirramento dos ânimos, com a polarização da disputa entre PSDB e PT na disputa pelo eleitorado. E esta disputa chegou a um patamar de golpes na linha da cintura para baixo, com ataques de ambos os lados, baseados nos defeitos que ambos tem.

A grande questão será após a definição das penas do mensalão, pois as condenações já foram dadas. Porém não impediram que Fernando Haddad fosse eleito prefeito de São Paulo, derrotando José Serra, do PSDB. Houve um erro de escolha por parte dos tucanos, pois Serra, mesmo sendo seu importante expoente, perdeu a confiança diante de seu eleitorado, com uma alta taxa de rejeição. A estratégia de Lula de apresentar um nome novo para São Paulo, em vez de nomes já conhecidos, como o de Marta Suplicy, logrou êxito. Lula fortalece sua influência no partido e será um dos principais personagens a reerguer a reputação do PT, que ficou abalada após o mensalão, em 2005.

Ambos os partidos, tucanos e petistas, precisam alterar sua postura e suas direções se quiserem almejar projetos de governo e poder a longo prazo.

Lula cresce com a derrocada de lideranças como Zé Dirceu e Genuíno, por conta do mensalão. Do outro lado, o PSDB, que aparenta ter um comando desorganizado, pode emplacar a candidatura de Aécio Neves para o Planalto, pois com a derrota de Serra, ele sai fortalecido. FHC e Alckmin já articulam o nome de Serra para a presidência do partido.

Claro que o PT deve explorar o mensalão tucano e o do DEM nas próximas eleições, caso o STF, ao avaliar estes casos, aplique o mesmo rigor que foi aplicado aos mensaleiros do PT. Ambos os partidos estão sob o mesmo patamar, mas se os ataques se acirrarem ainda mais, o eleitor irá buscar outras alternativas.

À direita uma opção que irá surgir é a do PSD. O partido chegou forte com diversas prefeituras e elegeu prefeito em Florianópolis, já em sua primeira eleição, e tornou-se uma opção a direita, contra um decadente DEM, um PMDB sem aspirações maiores de poder, e outros partidos nanicos e sem expressão. É bem capaz de alguns pequenos partidos de direita serem engolidos pelo PSD, antes de 2014.

Já à esquerda, a única opção independente de opção ao eleitor, com ambições governistas é o PSOL. Pois ficou evidente em Belém que o intuito de alguns partidos de esquerda brasileiros é ser eternamente oposição, apenas criticando sem propor soluções para os problemas brasileiros, alinhados à sua realidade. Já entre os partidos de esquerda com aliança ao PT, o PSB se destaca e pode ser uma opção forte de esquerda nas próximas eleições.

Com efeito já temos após este pleito, um possível cenário polarizado entre PT e PSDB, mas com outros partidos que podem atuar como surpresas ou fiéis da balança nestes embates.