A FATEC precisa de nós

Nesta última segunda, 09/04, nós, alunos da FATEC, juntamente com funcionários, alunos da ETEC São Paulo e professores, organizamos o abraço simbólico no edifício Paula Sousa. Este prédio seria doado à FIA, uma instituição privada, para a instalação de um museu, quando o próprio Campus da FATEC está com défice de instalações para os alunos estudarem. Esta medida é mais um duro golpe do governo do estado de São Paulo contra a educação pública de qualidade.
Já vimos o sucateamento e o aparelhamento político das FATEC’s em todo o estado. São 52 unidades da FATEC, que apresentam variações bruscas de qualidade de ensino. A canetada que permitiu isso foi o desvínculo da FATEC com a UNESP. A “maior autonomia” que o Centro Paula Souza tanto comemorou, é na prática o fim da imposição de normas acadêmicas, que garantiriam um ensino técnico e tecnológico de qualidade, da escolha dos professores, à instalação das unidades. O uso político da implantação de FATEC’s fica ainda mais evidente quando vemos a nomeação de apadrinhados políticos de partidos leais ao governo paulista, e quando vemos a instalação de unidades sem nenhum tipo de estrutura física, acadêmica e pedagógica mínimas para operar.
E para piorar, querem reduzir a distância de qualidade dos cursos da FATEC de São Paulo com as demais, cortando disciplinas, quando a ação deveria ser oposta: reduzindo essa distância, com melhorias nos cursos, para que os alunos de todas as unidades tenham um padrão de qualidade superior.
Dia 23/04 será mais um dia de protestos na FATEC de São Paulo (metrô Tiradentes) e a participação de toda a comunidade fatecana em todo estado é fundamental para lutarmos pela qualidade de ensino nos cursos técnicos e tecnológicos. Ainda serão deliberados os atos que ocorrerão e em breve saberão quais são estes. Mas a manutenção do edifício Paula Souza é um primeiro recado ao governo do estado de que com educação não se brinca, nem se mexe.

As “cracolândias” de nosso cotidiano

Desde o final do ano passado, a polícia militar paulista vem empreendendo uma operação permanente na região central da capital paulista, em um local conhecido como Cracolândia, onde o consumo de crack se dava livremente. Centenas de pessoas foram abordadas, traficantes presos, prédios abandonados desocupados, num processo tido como higienista por muitos especialistas. A forte presença policial no local visa reprimir e erradicar o tráfico e consumo de drogas e conduzir os dependentes químicos para tratamento, porém o trabalho ostensivo e até agressivo por parte das incursões policiais está mostrando resultados pouco desejados ao que a sociedade almeja.

O primeiro efeito observado foi a dispersão das pessoas dependentes e traficantes para outras regiões do centro de São Paulo. Antes, essas pessoas ficavam concentradas na região da Praça Júlio Prestes, e com a operação policial se dirigiram a outras regiões. Outro efeito observado foi o aumento da busca por tratamento aos dependentes químicos, porém a estrutura para acolher essas pessoas na região da Cracolândia é insipiente para atendê-los. A operação foi alvo de críticas às autoridades policiais. Ficou evidente que o Governo do Estado de São Paulo ainda considera a questão da droga como caso de polícia, em vez de ser considerado um caso grave de saúde pública. A narcodependência é uma epidemia mundial que não pode ser resolvida apenas com a repressão ao tráfico e ao consumo. É preciso tratar o dependente e também conscientizar as pessoas do risco que os narcóticos trazem às suas vidas.

É importante realizar ações para conter o tráfico de drogas, porém é preciso saber e entender como as pessoas são conduzidas ao vício. O tráfico de drogas só existe pois existem pessoas que tem necessidade de consumir drogas, o que parece óbvio, porém não perfeitamente compreendido pelas autoridades políticas que preferem trabalhar com a repressão do que com prevenção.

A questão da droga não está apenas na Cracolândia. É apenas a ponta do iceberg de um abismo social formado por lacunas que a droga preenche pela ausência do Estado na formação do cidadão. A educação é o primeiro e importante passo para que o cidadão tenha consciência de seus valores e também dos males que todo e qualquer vício podem ocasionar. A formação do cidadão, não apenas cultural, mas social e pessoal, garantem às pessoas estímulos à sua auto-estima e os protegem de ser susceptíveis a qualquer tipo de ato danoso a si ou a sociedade.

O trabalho de comunicação e conscientização permitem a todos o conhecimento pleno do universo da dependência química tratando o dependente como um doente e não como bandido. O trabalho deve ter foco na família tanto dos que estariam expostos ao tráfico como os que já fazem uso de drogas.

Devemos também desmistificar a questão da droga, sem eufemismos. Todos nós, em maior ou menor grau, sofremos a consequência do mal da droga e não podemos nos isentar de responsabilidade em lutar contra esse mal.

Aos dependentes devemos mostrar-lhes alternativas. O universo da droga é paranoico. A pessoa, aos poucos, passa a viver em função do vício, chegando-o a estar totalmente alheio à realidade. O processo de recuperação deve ser inverso, porém é tortuoso pois muitos dependentes acabam vendo qualquer alternativa à droga como um retorno à vida sofrida. O processo de recuperação começa pela análise da vida do dependente químico.

A contribuição da sociedade deve ser coordenada e sinérgica. Todos devem contribuir para acabar com a epidemia da narcodependência.

Estação Paulista: “bunitinha”, mas ordinária

A estação Paulista é um exemplo de desorganização e desrespeito ao cidadão, com mal uso do dinheiro público.

Ontem, 9 da manhã, ao ir para a faculdade pela linha 4 amarela do metrô de São Paulo, pude notar uma grande desorganização a ponto de haver um congestionamento de pessoas, na única conexão entre as estações Consolação e Paulista.

Nota-se que por haver uma única conexão, é invevitável, nos horários de pico não haver esse tipo de inconveniente, mas isso poderia ser previsto na construção da obra. Poderia haver mais de uma conexão entre as estações melhorando assim o fluxo de passageiros entre os acessos à estações.

Mesmo a linha 4 ter sido cosntruída como uma parceria público-privada, os subsídios e o uso dos recursos públicos para viabilizar a obra custaram dinheiro público. E o mal uso desses recursos prejudiuca duplamente o cidadão, pois esse recurso poderia ser usado em algo mais importante, ou mesmo de melhor qualidade.

O grande problema do metrô paulista é a grande demanda que não é capaz de comportar. São Paulo é uma cidade muito grande e a malha metroviária não serve a todos os cantos da cidade. Isso torna a linha saturada, com poucas alternativas de viagem e muito sufoco nos horários de pico. E estações que não estão preparadas para esse fluxo, com poucas conexões, ou ligações longas demais. Leva-se, por exemplo, cerca de 5 minutos em passo apressado, para sair da plataforma da estação Pinheiros na linha 4 amarela, para chegar à plataforma da mesma estação, na linha 9 da CPTM. Em nenhuma obra, observou-se medidas que simplifiquem ou facilitem a utilização do usuário, mais para padrões estéticos ou de menor custo.

Por essas e outras, que muita gente vai preferir ir e vir de carro por São Paulo.