Haja bombril

Quando formos instalar a TV Digital em casa, a primeira coisa que temos que olhar é para cima. Não para o céu e sim para a antena. A correta instalação da antena é determinante para o sucesso ou não da recepção digital em casa.

Isto porque a recepção digital é como um sistema de informação. Quem trabalha com informática sabe do que estou falando. E sabemos de que em sistemas desse tipo, o resultado depende muito do que entra, no nosso caso, da qualidade e potência do sinal recebido. Assim, como se diz entre os programadores, onde “entra lixo, sai lixo”. Na TV analógica é assim: quando o sinal é deficiente, aparecem ruídos, chiados e sombras, interferências que comprometem sua qualidade. Já na TV digital, vemos que pequenas deficiências não atrapalham, mas quando o sinal é muito fraco, simplesmente o sistema do receptor não consegue ler e assim, a imagem simplesmente não aparece. O meio-termo seria a imagem cortada, com interrupções na transmissão, às vezes frequentes. É oito ou oitenta. Imagine no momento capital da novela ou do jogo de futebol, a imagem simplesmente sumir: seria uma tremenda frustração. Para evitar um inconveniente, é muito melhor prevenir, instalando decentemente a antena, do que remediar com quilos de bombril ou ficar girando a antena e gritando “já pegou?
Taí algumas dicas para instalar bem a antena:

  • Use antenas UHF: todos os canais digitais são UHF. Para os leigos em TV, UHF é uma das faixas de frequência onde as emissoras transmitem TV, cuja outra é a VHF. Os canais de 2 ao 13 estão na faixa de frequência de VHF, e do 14 ao 69 no UHF. O que acontece para a Globo estar ainda no canal 5 na TV digital é um recurso chamado de canal virtual. Pois a alocação do número do canal na TV analógica é física e relativa a frequência do sinal da portadora. Direrente do rádio, onde a sintonia é feita por frequência única, na TV o sinal de vídeo e de áudio são transmitidos em frequências diferentes, e utiliza uma largura de banda maior, ou seja uma frequência mais alta, de centenas de megahertz, e com intervalos entre um canal e outro de 6 MHz e quebradinhos, tipo 479,143 MHz. Voltando ao canal virtual, o número do canal passou a ser uma identificação do canal e não da frequência em que a emissora estiver transmitindo. O canal real da Rede Globo em São Paulo no digital é o 19 UHF, mesmo tendo o canal 5.1 mantido no contrôle-remoto. Note bem que surgiu o .1 no número do canal e é importante, pois permite o espectador assistir qual programa/ versão do canal de sua escolha. Daí a escolha por antenas UHF, que aliás, possuem uma vantagem sobre as VHF: o tamanho das antenas é muito menor. Quanta diferença para os tempos em que só dava para ver Roque Santeiro com as enormes antenas espinha de peixe, torcendo para não chover nem bater ventania.
  • Antena externa ou interna, amplificada ou não? (Baita questão): a qualidade da recepção onde você mora é fator determinante para definir que tipo de antena usar. Para locais altos ou em prédios com andares mais elevados, onde a recepção é boa, uma antena interna sem amplificação já resolve, desde que posicionada em local alto e próximo a uma saída de luz e ar como uma janela. Para locais com recepção razoável ou onde não é possível instalar antena externa, uma antena interna amplificada resolve. Em casas térreas, com paredes grossas, ou prédios antigos que permitem a instalação de antenas externas, uma destas pode ser usada. Mas em condomínios, o ideal seria a instalação de uma única antena, cujo uso seria compartilhado pelos condôminos. Agora, se você tem o azar de morar em uma região acidentada e em baixo nível, onde nem mesmo a Rede Globo e a Band pegam direito (são as emissoras de TV com melhor sinal que conheço na grande SP) , o negócio é instalar uma antena de boa qualidade e amplificada, para o sinal da TV não engasgar.
  • Para o alto e avante: a posição da antena deve ser a melhor possível. Sempre em local alto, livre de obstáculos, e o mais próximo possível de uma janela. Não tem problema colocar a antena na varanda, até existem modelos de antena que podem ser usadas tanto em ambiente interno quanto externo. A mesma regra vale para instalação externa, mas procure fixar a antena muito bem e em um local mais centralizado no telhado, para amortecer possíveis rajadas de vento que podem derrubá-lo.
  • Tudo por um fio: tão importante quanto a escolha da antena, a fiação correta ajuda a garantir a qualidade de cinema e a recepção de o máximo de canais possíveis. Nada de emendas ou gambiarras ao cabear uma antena externa. É direto da fonte ao consumidor. Também nada de disperdícios: para mais de uma TV, uma única antena externa, sendo esta tendo o sinal compartilhado com divisores de sinal, e sem ser em cascata. Há divisores de dois, três e até quatro saídas, mas nestes casos recomenda-se amplificar o sinal. Já para antenas internas, não dá para dividir: uma antena para cada aparelho. Na prática, é mais fácil e barato uma antena externa para todo mundo do que uma interna para cada aparelho. Quanto aos conectores, é importantíssimo usar conectores de boa qualidade e montá-los corretamente. O conector deve do tipo rosqueado para ter um contato melhor e mais preciso. Pois conectores de encaixe usados em antenas internas tendem a dilatar e deixar mal-contato.
  • Cuidados com a antena externa e segurança: evite instalar a antena externa próxima a fios de eletricidade ou sem aterramento, pois o risco de descargas elétricas é grande e pode danificar a TV. Em edifícios, não devemos instalar sem supervisão técnica para não comprometer a segurança do prédio contra raios. Também evite instalar antenas externas sem conhecimento, faça uma busca na internet antes e use equipamento de proteção. Não mexa na antena com o aparelho ligado. Em caso de tempestade de raios, desligue a TV e desconecte o fio da antena externa.
  • Cuidados com a antena interna: evite ficar mexendo no conector para não dilatá-lo. Limpe a antena com sabão neutro e pano úmido nas partes plásticas para não acumular poeira. Posicione a antena onde as pessoas não precisam tocar ou não podem derrubar. Hoje há antenas que podem ser penduradas na parede. Evite modelos com muitas arestas para facilitar a limpeza. Se a antena for VHF/ UHF e for usar somente o sinal digital, recolha as varetas da antena telescópica, pois não serão necessárias.