A TV presente em nossas vidas

Muito legal ver como a vida da gente mudou tanto de uns anos pra cá. Lembro que há uns 15, 20 anos, não tínhamos quase nada em casa: um rádio com toca-fitas cassete, um rádio-relógio, um rádio de pilha MotoRádio, e uma única televisão marca Mitsubishi, com contrôle-remoto que se encaixava no aparelho e que minha mãe não queria que tirássemos do aparelho nem a pau. Não tínhamos telefone, videocassete, carro, lavadora, freezer (só uma geladeira) ou forno de micro-ondas. Internet e telefone celular nem existiam, e TV por assinatura (era assim chamada a TV a cabo naquela época) só existia em bairros nobres e estava começando. Parabólica só em algumas escolas públicas. Ou comprávamos jornais e revistas ou a comida do mês, eram tempos difíceis. O peão só comprava jornal para procurar trabalho ou quando seu time ganhava um campeonato para pegar o pôster. Teatro só na escola e nas igrejas e cinema era como feijoada: uma vez na vida, outra na morte. Isso ajuda a explicar o fascínio que o brasileiro tem pela televisão. Pois minha situação era igual a da maioria dos brasileiros no início da década de 1990. E naqueles tempos não era difícil comprar uma televisão. E em época de Copa do Mundo, era mais fácil ainda. Foi assim em 1986, quando meus pais compraram a TV Mitsubishi. Sempre é assim.
Muitos fatos vi pela TV. Mas dois deles considero marcantes pelo envolvimento nacional e também por tê-los testemunhado pela televisão. São eles o tetracampeonato mundial de futebol e o impeachment de Collor e que contarei em detalhes em outras oportunidades.
Em apenas 20 anos, o salto tecnológico e a estabilidade econômica nos proporcionaram uma invasão eletrônica em nossos lares. Vou me exemplificar para você ter uma ideia. Em 1995, houve um salto: o telefone, a TV com UHF (pode estranhar, pois a TV dos anos 80 só ia do canal 2 ao 13), o videocassete, aparelho de som com CD. Depois vieram os micro-systems, computador, TV de 29 polegadas, aparelho de DVD, carro e por aí vai… Tudo em casa. Você deve estranhar não ter videogame na história. Há uma espécie de relação conflituosa entre minha família e o videogame. A primeira vez que meu pai trouxe um Atari em 1986, foi obrigado a devolver para a loja pois minha mãe não deixou. O videogame só chegou em casa uns 8 anos depois quando minha tia deu o CCE Supergame pra gente. Mas naquela época as máquinas de fliperama eram muito mais divertidas, e desencanamos. E pela dificuldade de comandos também desencanei de fliperama. 😦
A TV Digital chegou para mim em 2008. Comprei um receptor one-seg USB para ver a final da Copa do Brasil entre Corinthians e Sport e foi um duplo desastre: além de ver o Corinthians perder a final, o aparelhinho foi usado como argumento para ser demitido da empresa. De qualquer forma corri atrás de aparelhos melhores: um receptor full-seg em 2009 e finalmente a TV LCD em 2010. Neste meio-tempo aprendi alguns macetes, que vou passar pra vocês em breve.
Sinto-me hoje ao assistir TV, igual a um menino vendo um episódio de Vila Sésamo em sua pequena TV Telefunken, nos ídos de 73, redescobrindo cada novo tom com surpresa e encantamento.

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