Não vim aqui para falar da figura de Cid Gomes, mas do ato de ontem que culminou em sua demissão do cargo de ministro da Educação. Talvez tenha sido o fato mais emblemático de uma turbulenta semana que se iniciou com as passeatas e protestos contra o governo no domingo. Cid foi chamado ao congresso e não se conteve às acusações que recebeu do presidente da casa, Frank Underwood, ops, Eduardo Cunha, partindo para o ataque, ao dizer que prefere ser tido como mal-educado a ser acusado de achaque, além de dizer que além de Cunha, há cerca de 400 achacadores no congresso.

Palavras duras a ponto de Cunha pedir a cabeça do ministro em uma bandeja para Dilma, o que foi prontamente atendido, a ponto de o mesmo fazer o primeiro anúncio da queda do ministro.

Palavras duras, mas ilustram bem o desprestígio que a casa tem em sua atual magistratura. Atolado em escândalos, corrupção, desmandos em viagens, chantagens ao executivo, o congresso nacional brasileiro se encaminha para uma espiral paralisante.

O ato de coragem de Cid, embora fatal para sua carreira de ministro da educação, representou um desejo, que embora resignado, de muitos brasileiros, indignados, de fazê-lo contra um congresso, que arrogantemente dá de ombros quanto a situação do país, fingindo que o problema da corrupção não é com ele.

O ato de Cid lembrou um trecho de uma música de Arnaud Rodrigues e Chico Anysio, quando interpretavam Baiano e os Novos Caetanos, chamada Cidadão da Mata em que dizia: “Quem morre por último é o heroi, e o heroi é o caba que não teve tempo de correr”.

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