Hoje não é dia de parabéns

8 de março. Dia internacional da mulher. Parabéns???

Não. Dar parabéns a mulher por seu dia de luta contra a desigualdade de gênero é no mínimo, deboche. Afinal, ainda estamos muito longe de essa data marcante em nosso calendário deixar de fazer sentido.

Apesar de a maioria da população brasileira ser feminina, ganham menos, mesmo com média de escolaridade maior, sofrem mais com a crise, pois são as preferidas a ser dispensadas, possuem maior dificuldade em ascender na carreira profissional, e são preteridas para seleções em cargos de chefia.

Fora a jornada dupla que tem que enfrentar, já que em um país patriarcal, machista e misógino como o nosso, todos os afazeres domésticos são de sua incumbência. De fato é uma desigualdade injusta.

Hoje não é dia de parabéns, é dia de luta, é dia de desculpas, é dia de empatia. Não podemos achar que no dia 8 de março sejamos benevolentes com as mulheres, quando o resto do ano tratamos com desprezo e desrespeito.

Sobretudo às mulheres trans que são todos os dias assassinadas neste país e não tem espaço nenhum no mercado de trabalho, caindo muitas delas na prostituição para sobreviver.

Não podemos esquecer que este dia é um dia de lembrar que houve muitos avanços a começar pelos direitos do trabalho e o direito ao voto no início do século passado. A mulher vem ocupando seus espaços e a luta é para que não haja barreiras para que elas continuem exercendo sua liberdade e dignidade. Pois lugar de mulher é onde ela quiser.

Não diga parabéns para a mulher pelo seu dia. Diga obrigado, diga desculpe, diga estou contigo.

Brasil: futebol e carnaval, experiência pessoal

Sou Corinthians desde criança, pra ser mais exato desde 1988. Sofri em 1993 com a perda do título para o Palmeiras, mas pude ir a forra dois anos depois. Foi em 1999 meu primeiro jogo no estádio, jogo de libertadores, o único que eu fui. Foi contra um time argentino, passamos nos pênaltis. Vi marmanjo chorar que nem criança no tobogã do Pacaembu.

Os anos se seguiram e sempre que podia, ia aos jogos do Corinthians. Vi vitórias, derrotas e até comemorei um paulista no Morumbi. Tinha alguma coisa de mágico ao ver um jogo no estádio.
Fui voluntário na Copa das confederações em 2013, já conheceu os bastidores de um estádio? Ainda mais sendo este o Maracanã. Vi um jogo de seleção pela primeira vez e tive a oportunidade de ver o último treino da seleção brasileira antes daquela histórica final contra a Espanha. No ano seguinte fui voluntário na copa do mundo. Desta vez foi na arena do Corinthians. Tinha torcedores de tudo quanto era time entre voluntários, tinha estrangeiros, tinha palmeirenses, são-paulinos, santistas e pessoas de diversas partes ajudando na copa. Depois eu fui assistir muitos jogos na arena.
Também foi incrível minha segunda passagem pelo Rio de Janeiro como voluntário nos jogos olímpicos. Foi uma festa. Ainda mais quando o futebol masculino ganhou o ouro contra a Alemanha. Mas queria que as mulheres tivessem ganhado. Uma pena.

Quanto ao carnaval eu desde criança gostava. Claro que os moralismos de minha família me fizeram desanuviar um pouco meu amor por essa época. Mas a primeira escola de samba a qual torci foi a Rosas de Ouro. A Gaviões, por razões óbvias foi a segunda, mas me cativou mesmo da Gaviões foram os dois sambas-enredo memoráveis da década de 90. Depois eu pude ver de perto os carnavais de balada e depois os bloquinhos, já muitos anos depois. Mas eu tinha um desejo de desfilar por uma agremiação. Já tinha feito isso em Diadema, pela Raposa do Campanário. Hoje eu vejo com nostalgia e com bom humor as piadas sobre a Raposa, mas foi a primeira escola de samba que desfilei, inclusive sendo campeão do carnaval da cidade por esta escola. Foi uma experiência singela, mas trouxe pras experiências que tive o ano passado e este ano.

Aliás, o ano passado foi meu batismo de fogo no carnaval paulistano. Desfilei em três escolas entre elas, a Nenê de Vila Matilde e pela Barroca Zona Sul. Íamos todo o domingo na quadra da Barroca para cantar o samba. O samba na ponta da língua foi o que fez a Barroca sair do grupo 1 e chegar ao grupo de acesso. Já a Nenê, foi menos feliz e mais sacrificante. A fantasia era muito pesada para uma ala coreografada, além de ter um costeiro pesadíssimo, com suporte indo no pescoço. Chegamos exaustos e tristes, já temendo o pior, que se concretizou nas notas e com o rebaixamento da única escola de samba paulista que foi convidada a desfilar no carnaval do Rio de Janeiro.

Hoje estou aqui de novo em uma nova maratona carnavalesca. Exausto, pois estranhamente meu corpo custa a obedecer o que minha mente ordena às vezes, mas contente por estar no carnaval paulistano outra vez.

A lógica do árbitro ladrão

O ser humano sempre é capaz de criar lógicas a seu bel prazer. Não precisam que elas sejam verdadeiras, bastam que sejam verossímeis. Inclusive criam-se lógicas irreais, mas verossímeis para acobertar outras, reais, porém prejudiciais a dados interesses. O domínio da verdade angaria poder e isso faz com que mesmo que tal lógica exposta como verdadeira, não o seja de fato, quem a profere ganha poder se for aceita por outras pessoas. Poder, verdade e crença possuem laços íntimos que influenciam as ações humanas.

Falarei sobre a lógica do juiz de futebol ladrão. Se a arbitragem comete um erro que prejudica seu time, logo, esse árbitro favoreceu intencionalmente o adversário. Partindo dessa lógica, o juiz é ladrão. Houve um roubo, um acerto, uma corrupção, uma mala preta para que tal resultado se confirmasse à revelia de nossa vontade apaixonada e cega de torcedor de futebol. E pela cegueira histérica que a que cometemos diante da desilusão, a caixa de Pandora do ódio e da mentira se abre para tecer teorias que confirmem a incredulidade de que recusamos a aceitar. A cultura do Juiz Ladrão faz parte do mundo do futebol, mas acoberta algo mais sério. Centraliza a interpretação da regra em torno de uma, ou três pessoas (com os árbitros de linha de fundo, seriam 5, mas os resultados não tem sido tão efetivos), além de, no Brasil, a arbitragem esportiva não ser profissional. O árbitro profissional de futebol é uma das soluções que podem reduzir o erro, pois o árbitro é preparado e pago para isso. Mas está muito além da questão técnica ou simplista a solução para acabar com o “favorecimento da arbitragem”, pois sabemos que há quem se beneficie do erro.

Imagine quantos jornais deixarão de ser vendidos, quantos pontos de audiência deixarão de ser alcançados, quantos cliques não serão feitos e quanta repercussão deixará de existir sem a polêmica arbitragem das noites de quarta ou das tardes de domingo.

O mundo é movido por conflitos, e no futebol, como qualquer ação humana, não é diferente. O ponto de vista se aguça quando a dúvida, intencional ou não, se apresenta. A ausência de dúvidas elimina a subjetividade e com isso, o conflito se desfaz. Liderar uma posição de conflito é cômodo, pois é possível “inventar poder” influenciando pessoas a agirem de maneira. O homem é impelido pela ação e pela competição, e criar um ambiente de competição ou de conflito é garantir a quem criou esse ambiente poder e influência. Fica evidente que quem implanta polêmicas angaria poder, ou busca também o concentrar em um determinado ponto.

Clubes, federações e CBF, em troca de contratos de transmissão com a mídia, mantém um status quo no futebol brasileiro para que mantenha um nível de atratividade e influência, como parte de uma contemporânea política de pão e circo, porém sem o pão.

Enquanto isso, se inventa uma visão estereotipada do futebol brasileiro com heróis e vilãos. E na categoria de vilãos, está o Juiz Ladrão.

Conheci pessoalmente o árbitro tido como um dos árbitros mais envolvidos em polêmicas no futebol brasileiro. Thiago Peixoto era um jovem professor de academia, que, por acaso, descobri que também era árbitro de futebol. Um professor atencioso, muito focado no trabalho e muito boa pessoa. A última vez que ouvi falar dele, foi no último final de semana, quando, no clássico entre Náutico e Santa Cruz no Recife, se envolveu em outra polêmica e chegou a ser agredido por um jogador do Santa Cruz, que deu uma cabeçada(Fonte: https://m.futebolinterior.com.br/futebol/Brasileiro/Serie-B/2017/noticias/2017-11/arbitro-que-pegou-gancho-em-sp-leva-cabecada-no-classico-de-recife).

Aos olhos da imprensa que gosta de polemizar, Thiago é um Juiz Ladrão. Aos olhos éticos, pode ser tido como um árbitro instável e que comete erros. Erros como muitos árbitros cometem, como muitos jogadores cometem e como todos nós, seres humanos, cometemos.

O erro é algo inerente ao comportamento humano. Não tolerá-lo é uma atitude que pode fazer exatamente o oposto do que se propõe: eliminar ou anular os efeitos do erro. Thiago é uma vítima da estigma que o persegue: de que todo árbitro de futebol é ladrão.

O primeiro passo para começar a atacar a cultura do Juiz Ladrão é tratar o assunto como erro, e não como favorecimento, apesar de que o futebol faz parte de um torpe universo de casas de apostas (manipulação de resultados), lavagem de dinheiro (crime organizado investindo em futebol), fraude fiscal, evasão de divisas, sonegação fiscal (venda de atletas com ocultação de valores), corrupção (propinas e superfaturamento em obras esportivas, programas e eventos), uso político (alienação da população, favorecimento de clubes, renúncia fiscal e lobby), e muito mais em um verdadeiro jogo sujo.

Declarações como a do diretor do Palmeiras frente aos erros da arbitragem cometidos no clássico contra o Corinthians deveriam ser alvo de punição, pois inflamam a sua torcida a tensionar a rivalidade e desviar o foco dela contra as críticas contra os jogadores que falharam na partida e também foram responsáveis pela derrota do time do Palmeiras.

São os manipuladores e mafiosos do mundo da bola os verdadeiros ladrões e que fazem o futebol se tornar uma amostra de quão injusto é esse mundo. Mas para não ficar evidente, precisavam de um bode expiatório, um culpado.

Sobrou para o juiz.

Extraído de: https://kazzttor.blogspot.com.br/2017/11/a-logica-do-arbitro-ladrao.html

O branco do olho

Canso de ouvir dizer que o Brasil é um país dividido, com multifacetadas multidivisões que nos colocam a um paradoxal lema de cada um por si e Deus por todos.

Ainda temos a tola concepção de buscar diferenças nas pessoas e qualificá-las como defeitos, a ponto de ao discriminar a diferença como defeito, estaríamos nos colocando em vantagem por ser igual aos demais.

A cor, o credo, a orientação sexual, o posicionamento político, a ausência ou presença de alguma particularidade física, nos coloca em posições opostas, quando na verdade nos deveria por em um mesmo lado diverso e multifacetado que é a raça humana.

O ser humano é um ser diverso e plural, mas muitas pessoas almejam o oposto, ser algo padronizado e igual.

A diferença é uma posição cultural. É uma forma de estimular a competição em uma sociedade industrial e que perdeu na história, seu senso de humanidade. Vivemos sob o imperativo do fazer, vivemos sob uma comunicação mais publicitária que informativa. Vivemos sob um pensamento cada vez mais forte do descarte humano, quando não alinhado a seus padrões morais.

Quando deixaremos de viver nossa visão daltônica e míope de sociedade? Quando deixaremos de idealizar uma realidade e começarmos a construir uma realidade melhor, mas baseada na realidade? Quando deixaremos de enxergar o outro como estranho e sim, como simplesmente o outro?

Precisamos parar de reparar nos detalhes do outro que nos dividem e sim, nos detalhes que nos unem.

Que comecemos, então, pelo branco do olho.

Tome que essa carniça é sua

Extraído de https://kazzttor.blogspot.com.br/2017/08/tome-que-essa-carnica-e-sua.html

As manifestações neonazistas e supremacistas ocorridas na cidade de Charlottesville nos Estados Unidos trouxeram ao Brasil, além das reações de condenação a estes atos, um insano debate.

Tudo porque um procurador da república, em seu Twitter, declarou que o nazismo era um movimento de esquerda, e as reações de militantes de esquerda foram raivosas. Inclusive nas publicações de militantes, havia menções argumentos do contrário, ou seja, que o nazismo era um movimento de direita. Acabei também participando de algumas discussões, mas um post que caiu no Facebook ajudou a buscar um esclarecimento sobre o que é realmente o nazismo (ou nazi-fascismo) em relação ao posicionamento político.

Mas para isso, é necessário revisitar a história. A primeira guerra mundial terminou em um Armistício (na verdade não é um acordo de paz, e sim um acordo formal onde as partes envolvidas concordam em parar de lutar, ou seja não é o fim de uma guerra), em que a Alemanha foi uma das principais derrotadas dessa guerra. Além de perder territórios, a Alemanha teve de arcar com uma pesada dívida de guerra, comprometendo sua economia. Por ser um país industrial, boa parte da receita do país era usada para o pagamento da dívida, o país enfrentou uma crise econômica e em 1923 teve uma hiperinflação em que os preços chegaram a subir entre 40 e 50 vezes, com excessiva emissão de papel-moeda e desvalorização vertiginosa do marco alemão.

Cédula de 50 bilhões de marcos alemães de 1923

A desvalorização era tamanha que as cédulas eram usadas como brinquedo para as crianças e após um plano de reavaliação monetária, as notas chegaram a ser usadas como papel de parede em estabelecimentos comerciais e bancários alemães.

Cédulas de marco alemão coladas como papel de parede

A crise econômica e a miséria ao qual a maioria dos trabalhadores alemães foi subjugado acabou se tornando o terreno fértil para o crescimento do nazismo. Como a classe média, militares e a classe trabalhadora alemães é quem sentiam os reflexos do Tratado de Versalhes (esse é o nome do documento após o armistício, que terminou a primeira guerra mundial), foi para eles o direcionamento do discurso do movimento nazista que emergia. O Nazismo, enquanto movimento político, surgiu com o partido nacional socialista dos trabalhadores alemães, que sucedeu o partido dos trabalhadores alemães. A figura de Adolf Hitler, foi a personificação do movimento, dotado de carisma, boa escrita e oratória.

Com o discurso voltado aos trabalhadores, o movimento nazista ganhou uma forte adesão, até o auge, quando Hitler se tornou Chanceler da Alemanha em 1933. O poder executivo alemão é dotado de um chefe de estado (o presidente) e um chefe de governo (o chanceler).

Colar sua imagem aos trabalhadores tinha duas finalidades: a primeira era atrair os trabalhadores para a causa nazista e a segunda é afastar o comunismo dos trabalhadores alemães. Tanto que comunistas também eram levados aos campos de concentração nazistas, além de serem alvos de perseguição.

Sabemos muito bem, que denominações partidárias, sobretudo no Brasil, não passam de mero formalismo. Mas no caso no partido nazista, tinham o propósito publicitário, ou seja, de se tornar atraentes a um público-alvo potencial, no caso, os trabalhadores alemães. Se analisarmos denominações partidárias brasileiras, como PSDB, PMDB, DEM, PTB, PP e outros, vemos que suas práticas não tem relação nenhuma com as denominações partidárias que ostentam em suas siglas. Um dos casos recentes mais emblemáticos é o do PMB, o partido da mulher brasileira, em que a todos os primeiros deputados filiados ao partido eram homens.

Há também um outro detalhe que diferencia nazismo de socialismo. O socialismo tem um caráter internacionalista enquanto o nazismo teve um caráter nacionalista, e até mesmo xenófobo. Se compararmos bem o socialismo atual, com o nazismo e o neonazismo atual, vemos também um outro caráter que põem estes dois movimentos em lados opostos. O socialismo atual é inclusivo e defensor de minorias, enquanto o neonazismo é favorável a segregação e até mesmo da eliminação de minorias, ou seja, uma postura excludente.

Segundo a maioria dos especialistas e até do próprio Adolf Hitler à época, o nazi-fascismo surgiu como uma terceira via do ponto de vista sócio-político-econômico, o qual Hitler definiu o nazismo como resultado de de um sincretismo político. Ou seja, nazismo não é, originalmente nem de direita ou de esquerda, mas podemos dizer que é um subproduto político de uma conjuntura política bastante conturbada, com a primeira guerra mundial, a revolução russa de 1917 e agravado pela crise de 1929. Isto gerou governos totalitários, como o de Mussolini na Itália, Salazar em Portugal, Franco na Espanha e outros. No Brasil, o Estado novo de Getúlio Vargas também recebeu influência do nazi-fascismo, com um estado totalitário, controle da imprensa e propaganda, nacionalismo e repressão política.

Hoje, muitos dos conceitos nazi-fascistas são disseminados em grupos de extrema direita, como o antissemitismo, homofobia, racismo, militarismo, xenofobia e disseminação de ódio.

As manifestações supremacistas em Charlottesville geraram protestos contrários por grupos antirracistas e houve confrontos. Mas o fato mais emblemático, foi o de um supremacista que atropelou um grupo de manifestantes antirracistas matando uma militante. A opinião pública mundial condenou os atos neonazistas e isto trouxe comoção internacional e reflexos na opinião pública no Brasil e no mundo. Foi um profundo revés à extrema-direita, representada pela vitória de Trump nos Estados Unidos, além outros movimentos de extrema-direita que emergem na Europa, como na França, Holanda, Itália, Hungria e Bélgica.

A direita brasileira reascendida após o impeachment de Dilma Rousseff, sobretudo a extrema-direita, via uma oportunidade de angariar mais poder, com o forte descontentamento da população brasileira com a política devido aos escândalos de corrupção, publicitariamente divulgados pela grande mídia com avidez e parcialidade. O que aconteceu em Charlottesville pode trazer consequências negativas às campanhas de direita e extrema direita, sobretudo os conservadores do PSC e a figura de Jair Bolsonaro, agora no nanico PEN. Os reflexos desse episódio podem acender um alerta, que não havia sido acionado na década de 1920, tidos como os anos loucos. O extremismo, xenofobia, racismo e homofobia, nacionalismo e fundamentalismo religioso são sintomas de uma sociedade doente e desigual. Ainda que haja alternativas para solução de uma sociedade global doente, todas essas alternativas passam pela política, pois foi a política que fez emergir ao poder lideranças que carregavam consigo lemas de rancor e ódio.

Também nos mostra um nível de polarização política ao pior estilo Fla-Flu, onde não são debatidos os assuntos de forma leal, e sim, como uma disputa infantil por território político. E para essa disputa, são usadas como armas boatos, manipulações dos fatos, meias-verdades, omissões de personagens ou destaque exagerado a outros, além de fatos propositalmente colocados ao mesmo tempo, para que um acoberte ou anule o outro. É o que podemos dizer, que vivemos na era da pós-verdade, onde a verdade é pouco importante, mas os fatos verídicos ou não, são armas para enfraquecer opositores.

Assim, vemos o neonazismo que perdeu a modéstia exalando o cheiro de carniça, a qual direita e esquerda se acusam mutuamente de ser o dono dela.


Referências

WIKIPEDIA. Hyperinflation in the Weimar Republic. (em inglês) Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Hyperinflation_in_the_Weimar_Republic Acesso em 19/08/2017

WIKIPÉDIA. Hiperinflação. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hiperinfla%C3%A7%C3%A3o Acesso em 19/08/2017.

WIKIPÉDIA. Partido da Mulher Brasileira. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_da_Mulher_Brasileira Acesso em 19/08/2017

COSTA, Camila. O nazismo era um movimento de esquerda ou de direita? Disponível no site BBC Brasil: http://www.bbc.com/portuguese/salasocial-39809236 Acesso em 19/08/2017

WIKIPÉDIA. Estado Novo (Brasil). Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Brasil) Acesso em 19/08/2017

WIKIPÉDIA. Segunda Guerra Mundial. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Mundial Acesso em 19/08/2017

WIKIPÉDIA. Primeira Guerra Mundial. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_Mundial Acesso em 19/08/2017

WIKIPÉDIA. Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Nacional_Socialista_dos_Trabalhadores_Alem%C3%A3es Acesso em 19/08/2017

WIKIPÉDIA. Armistício. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Armist%C3%ADcio Acesso em 19/08/2017

Hannah encarnado

Sabe aqueles dias em que é preciso um desabafo e se vê obrigado a calar-se pois sua revelação é demasiadamente perturbadora e comprometedora? Era o dilema de Hannah, personagem do badalado seriado da Netflix, Os treze porquês. Ela presenciou um estupro e foi vítima do mesmo agressor do estupro que testemunhou. Ser testemunha e vítima de uma violência é duplamente atormentador, principalmente quando o agressor está em nosso meio, e não pode denunciar por medo de represálias ou danos à sua reputação.

Senti essa experiência na carne. Encarnei Hannah​ por uma noite, testemunhando e sofrendo uma agressão em uma mesma noite. Algo que posso confessar apenas aqui. Pois não consigo contar a ninguém. 

Após uma reunião, um “amigo” me convidou para ir em sua casa. Nos embebedamos, e ainda bebi uma cachaça batizada com maconha. Por duas vezes, ele mandou que eu o masturbasse. Nas duas vezes eu rejeitei sua oferta, sendo que nesta segunda vez, eu fui embora. Mas antes ocorreu a parte mais assustadora para mim. Esse “amigo” teve um surto psicótico. Gritava, xingava, e pensei que fosse me agredir. Ele teve uma alucinação: pensou que tinha mais um homem alí e disse que iria mata-lo.

Contou que fez sexo com uma travesti. Disse que a agrediu enquanto fazia sexo com ela, pois não sabia que ela era na verdade travesti.

Eu sei porque aconteceu aquilo, de ele pedir que o masturbasse. Todos sabem que sou gay, e o preconceito que se põe sobre a homossexualidade destrói aquele que é gay. A ideia do sexo fácil, da promiscuidade, do ser afeminado, faz com que as pessoas olhem para você intimamente da pior forma possível, e inclusive, passe a querer agir com você com as intenções mais escusas. Te vêem como um lixo, um pedaço de carne de quinta categoria que pode ser comido, cuspido e destruído a bel prazer de pessoas que praticam o mal hipocritamente ou mesmo descaradamente. 

Senti a Hannah​ na banheira cortando os pulsos. Senti a alma morrer lentamente. Pois a morte suicida e lenta é a agonia mais sofrida que um homem pode sofrer, pois é um rito esquizofrênico de contemplação do próprio sofrimento que viveu por tanto tempo, até cruzar as veias dos pulsos com uma gilete.

Hoje acordei atordoado com a lembrança do desastre ao qual fui acometido. Neste momento estou com sintomas que podem ser qualificados como estresse pós traumático. Seria como se tivesse sofrido um acidente ou um assalto. Trabalhei à pulso. Depois do trabalho, resolvi fazer caminhada. Enquanto andava, escrevi isso.

Quando acontece algo com você, tem-se duas alternativas: enfrentar ou fugir. Pode parecer simples demais, mas qualquer coisa que faça ou é uma forma de enfrentamento ou de fuga. Na maioria das vezes, mesmo que sutilmente, eu fugi. Mas há momentos em que a melhor alternativa é enfrentar. E minha arma é a verdade e a palavra. Minha verdade é meu âmago, e quando se torna base de meu caráter, torna meu espírito indestrutível. Vi muitos amigos gays se inspirarem na música indestrutível, da Pablo Vittar. Ainda não ouvi, e vou ouvir para entender. Boa parte dos suicídios estão entre jovens gays. Mas o suicídio é precedido pelo sentimento de solidão, fracasso e indefesa e isto ocorre não importa o quão popular e amado pareça ser, pois vivemos de avatares, às vezes não parecemos o que realmente somos. E essa é a pior parte, pois vivemos aprisionados a nós mesmos. É a mais angustiante das clausuras. 

Mas, ao contrário da Hannah, pretendo continuar vivendo. Precisamos romper o silêncio e este rompirá com nossas clausuras, precisamos fazer com que o mundo nos ouça e nos fortaleça em vez de nos enfraquecer. É enfrentando o mundo, que ficamos fortes para nele viver.

Os imperativos

Pensando aqui com meus botões, vejo que estamos em um momento em que vivemos um embate entre imprerativos. Não que haja exclusividade de imperativos de um lado ou outro do embate político, mas me peguei enumerando diferenças entre duas formas de imperativos que vemos nos debates, sejam políticos ou de qualquer outra questão polêmica: o imperativo do fazer e o imperativo do pensar.

O imperativos do fazer é uma ordem de execução. Não questione, apenas faça. Não admite nada além do que a obediência e a confiança a quem impõe ou comunica a ordem, mesmo não tendo ciência das suas razões ou consequências. Já o imperativo do pensar tenta mover o homem por meio da argumentação, mostrando as opções, oportunidades  e ameaças de uma determinada ação, de forma que aquele que recebe os fatos tire suas próprias conclusões e assim, aja.

Tanto um quanto outro imperativo tem seus vícios e virtudes. E coloca um líder sobre um dilema estratégico: qual imperativo é mais qualificado para a ocasião. 

O imperativo do fazer é objetivo, já o do pensar é subjetivo. O do fazer é regra, o do pensar, argumento. O do fazer é explícito, já o outro, implícito. Um informa, outro, forma. Um impõe um caminho, outro mostra os caminhos e pode orientá-los. Um é detalhe, o outro, horizonte. Um exige submissão, outro entendimento. Um é comício, outro é debate. Um é superficial, outro profundo. 

Claro que essas divagações podem não traduzir a realidade do imperativo do fazer, como o do pensar, pois a ação e o entendimento não são operações padronizadas. Pois o imperativo é uma forma de comunicação para impor uma ação, e depende dos elementos da comunicação para ser efetivos. 

Assim, pode haver momentos em que o imperativo do fazer usa recursos do imperativo do pensar, e vice-versa. Mas sempre o objetivo principal (fazer ou pensar) se torna evidente, por mais que se tente disfarçar. 

Um imperativo do pensar utiliza elementos do imperativo do fazer, quando se deseja uma reação de pensamento daquele ao qual se ordena, a princípio, chamar a atenção deste para refletir. O imperativo do fazer, por sua vez, usa de elementos do imperativo do pensar para reforçar uma ordem, ou torná-la crível para o incauto que não foi introduzido àquela ordem.

Seja pelo pensar ou pelo agir, somente a ordem se torna efetiva, quando acatada. Para combater o imperativo do pensar, a estratégia é discordar, principalmente se houver argumentos que embasem a discordância. Já para combater o imperativo do fazer, a estratégia é questionar a ordem principalmente com argumentos de relação causa e consequência, que enfraquecem o vínculo de confiança entre o ordenante e o ordenado. 

Entender que vivemos em um universo de influência, onde os imperativos são suas ferramentas, agrega em nós a expressão do senso crítico. O poder de influenciar pessoas passa pela correta dosagem em usar o imperativo do pensar e do agir de forma adequada, para que haja um vínculo de confiança com as pessoas a serem influenciadas. 

Brasil: o país da trapaça

O Brasil é o país da trapaça! Está provado isso! A cada novo escândalo, vemos como a trapaça que presenciamos exposta aniquila a todos nós em um clima permanente de desconfiança, nos deixando sitiados.

O Brasil tem uma carta Magna, mas a lei que todos obedecem não está escrita nela: é a Lei de Gerson, onde é norma suprema levar vantagem em tudo. O desejo do sucesso a qualquer custo pode nos inspirar a viver de improviso, mas a tentação maior recai sobre a trapaça, que é o uso da inteligência para burlar regras, enganar pessoas e organizações, obter vantagem por meios escusos. O jeitinho brasileiro é uma faca de dois gumes, onde o lado em que o manipulador segura é embebido em entorpecente, para que o manipulador não perceba que está se prejudicando ao trazer dano a outrem. Essa onda de desrespeito generalizada que nosso país se inoculou tornou-se uma pandemia moral que pode levar nosso país ao abismo. 

O escândalo das carnes nos mostra a ganância levada às últimas consequências. Fraudar o alimento a ser vendido é quase como uma tentativa de homicídio em nome do lucro. Maximizar o escândalo com todo o enredo generalizado por uma instituição que deveria ser responsável pelo cumprimento das leis, como a polícia federal, é uma tentativa de suicídio da soberania nacional, com graves consequências a milhões de inocentes em meio a um clube de culpados. A generalização é um álibi. A cada vez que surge um escândalo, coloca-se a marca da organização como escudo: o torcedor da torcida organizada X, o político do partido Y (desde que esse partido não seja aliado de seus interesses), o funcionário da empresa Z, o servidor público, o grevista, o manifestante, o policial, o gay, o travesti, o macumbeiro… O Brasil tem o hábito de personificar os heróis e coletivizar os vilões, mesmo sabendo que o grupo ao qual pertence não tem relação nenhuma com sua má índole.

A forma como agem os malfeitores desse país vai de encontro com a maneira com com julgam as malvadezas. Assim passam incólumes e anônimos, e isso os protege. Somente se personifica um vilão quando conveniente que seja destruído, mesmo que não seja de fato vilão. O vilão personificado é o herói potencial que pode abalar um poder estabelecido, é quem pode arregimentar forças para derrubar o status quo. Só ver os exemplos de Zumbi, Tiradentes, Lamarca, Lula e outros: são líderes populares, e no momento histórico em que estiveram, foram os vilões personificados.

A visão coletivizada do vilão, exceto quando personificar o vilão é conveniente, além de proteger o autor do mal, o banaliza. A banalização do mal é o prelúdio da barbárie, pois provoca nas pessoas a inação, o conformismo, ou a hipócrita indignação sem uma ação corretiva, ou reação provida de má-fé, vaidade ou prepotência.

É demagogia exigir o fim da corrupção, quando corrompemos, ou nos deixamos corromper em situações cotidianas. Mesmo sem querer, usurpamos regras e somos corrompidos pela mídia e pela pós-verdade. Cremos naquilo que nos convém, debatemos com o diferente para derrota-lo, não para compreendê-lo. 

Vemos a honestidade como exceção, não como regra. O caso do jogador de futebol que corrigiu o árbitro, após aplicar cartão amarelo, foi cultuado pela mídia, mas no meio futebolístico gerou controvérsia, onde o próprio colega de time, sutilmente o criticou ao dizer que preferia ver as mães do adversário tristes do que ver tristes as suas próprias. Em um ambiente exageradamente competitivo, a vantagem deve ser obtida, mesmo que indevidamente. Isso também justifica empresas serem alvo de reclamações dos consumidores, por contratações indevidas, sem no entanto mudar de atitude, para coibir tais atos. O objetivo é bater as metas, e eventuais reclamações são resolvidas de uma forma ou de outra. 

A cultura da trapaça só pode ser derrotada no Brasil, com educação e exemplo. O fim da impunidade é um note a ser alcançado para que o Brasil possa se acostumar a aprender a ser honesto. 

Enquanto não entendermos que somos iguais, teremos que mostrar por que não somos diferentes

Ontem foi o dia internacional da mulher. Foi um dia marcado fortemente por manifestações em todo mundo pela igualdade de gênero, luta mais que centenária, mas que ainda não atingiu plenamente seus objetivos. Eu não escrevi nada para a ocasião, até mesmo para não parecer oportunista. Pois a luta aqui é para que possamos levar a crer a todos que defendem o senso comum de normas de superioridade, de que não existe nenhum ser humano mais superior que outro, por condição de gênero e identidade de gênero, cor, orientação sexual, crença, nacionalidade, ausência ou presença de alguma particularidade, ou qualquer outra característica que diferencie uma pessoa de outra. Diferenças são propostas como vantagens ou desvantagens competitivas por mera convenção leviana. Leviandade esta, convencionada por grupos que se entitulam dominantes, e que tecem essas convenções com o único intuito de servir a seus interesses dominantes. Não obstante que aqueles que ousam subverter a essas convenções, de uma forma ou de outra, acabam perseguidos.

Os dias que celebramos todos os anos a luta pela igualdade, como o dia da mulher, do orgulho LGBT, da consciência negra, e outros, não servem apenas como uma homenagem, e sim como um símbolo de luta contra a segregação ditada por essas convenções. Mas por muitas vezes, vemos de forma velada e até mesmo escancarada, o escárnio e a hipocrisia que algumas pessoas e grupos levam a questão da igualdade no grupo social. As infelizes declarações do presidente Michel Temer, mostram uma visão patriarcal e machista da mulher pelo homem, na qual, sua função é apenas acessória, de ajudante de marido, de coadjuvante da sociedade. Também vemos empresas que falam abertamente em apoiar a mulher em cargos de gestão, mas se não definir metas de participação feminina em cargos de alta gestão e promover a abertura para a mulher na gestão empresarial, esse apoio não passa de um discurso demagogo.

Certa vez, vi na televisão uma apresentação de uma médica cadeirante, sobre a questão da acessibilidade. Ela disse que grupos de pessoas com deficiência decidiram que, para que a assesibilidade fosse de fato efetiva, era necessário a participação das próprias pessoas com deficiência na elaboração das soluções e decisões. Assim surgiu um termo que pode ser aplicado a qualquer grupo que almeja a igualdade: “nada se decide sobre nós, sem nós”. E isso é perfeitamente coeso, pois o ponto de vista do espectador, nem sempre é o mais adequado para se tomar uma decisão. Não se pode estabelecer uma política de combate ao racismo sem os afrodescendentes, ou uma política de combate a homofobia sem a presença de LGBT’s.

E é aí que se encontra o cerne da desigualdade. Está no ego humano a defesa de seus próprios interesses. E aqueles que estão no comando de governos e corporações são aqueles que, em sua maioria, defendem as convenções que não são igualitárias. Tanto é que vemos claramente as distorções no mercado de trabalho, no tocante ao que essas convenções chamam de “minorias”, pois dentro de um grupo fechado e definido por estas convenções, estes grupos são de fato minoria. Porém, ao ampliarmos o foco para a população inteira, vemos que não se trata de uma minoria e sim de um grande contingente de pessoas marginalizadas por uma convenção social atrasada e injusta.

Esse padrão social convencional só irá se colapsar se as forças que as combatem entenderem que unidos e solidários, poderão vencê-los, e com isto instituir uma nova forma de relação social e humana, baseado não nas diferenças e sim nas capacidades de cada um. A luta do trabalhador, da mulher, do negro, do LGBT, das pessoas de crença de matriz africana e de tantas outras que são marginalizadas de alguma forma pela sociedade da convenção social, é uma luta que pode vista como conciliadora, inclusiva e poderosa, se articulada.

Enquanto não entendermos que somos iguais, teremos que mostrar por que não somos diferentes.

Sobrevivemos a 2016

Hoje é primeiro de janeiro de 2017. A sensação que se tem é mais de alívio do que de alegria, afinal, 2016 foi um ano marcante, mas com muitas questões que causam mais pesar do que regozijo, mais tristeza que alegria. Foi um ano acinzentado, onde triunfou a emoção cega e a razão míope, onde perdemos grandes ídolos na música, no esporte e atentados e tragédias nos tiraram, pelo menos por um breve momento, nossa fé em nós mesmos.

2016 foi cinzento. Foi as cinzas de uma democracia jovem, foi as cinzas de jovens atletas, foi as cinzas nos rostos de crianças refugiadas manchadas pelo terror e pela guerra. Foi o ano da intolerância, do fla-flu político, dos escândalos e das negociatas. Foi um ano cinzento para muitos brasileiros que perderam o emprego, a garantia de futuro e correm o risco de ter seu presente ainda mais sofrido. Foi o ano em que o extremismo deu as caras, que perdeu a modéstia e agrediu em plena noite de natal até a morte um ambulante que defendeu homossexuais, e que em plena escola, que deveria ser o templo do saber, se viu a morte de um jovem, filho adotivo de um casal homoafetivo. Viu-se um povo manipulado a dizer não a uma presidente, sim a uma ditadura, não a um bloco e sim a um aventureiro para governar a maior potência do mundo. Viu-se cidades brasileiras falidas e estados a beira de um colapso econômico. Viu-se cidade luz e cidades chinesas sob poeira de poluição. Viu-se desmatamento e queimadas, viu-se animais cada vez mais próximos da extinção.

2016 não foi de todo triste, até nos momentos de tristes de viu algo sublime e humano, como o que o povo colombiano fez pelas vítimas do voo da Chapecoense. Viu-se uma olimpíada e paraolimpíada na América do Sul pela primeira vez, viu-se pessoas ajudando mutuamente, lutando conta aumentos abusivos de salários de deputados e vereadores, por mudanças na ética e na política, viu-se escolas ocupadas por uma rapaziada que não corre da raia a troco de nada, que segue em frente e segura o rojão, a bomba e toda a truculência dos governos insanos do Brasil.

Este ano de 2016 foi uma prova de fogo, um teste de apocalipse. Diante de todo esse caos e desordem, o desânimo, a loucura e até a morte nos faríamos sucumbir. Mas a grande maioria de nós resistiu. E está aqui pra contar a história.

Sobrevivemos a 2016, mas o tempo não para. Ele urge. 2017 surge como o ponto chave para a mudança ou a escalada do retrocesso que se iniciou com mais vigor no ano que se findou agora. Será um desafio e tanto para aqueles que almejam dias mais prósperos, de união e de paz.

O próspero 2017 só existirá de fato, quando os sobreviventes de 2016 reconstruírem a forma de pensar humana e que esta forma de pensar não seja voltada à ganância, e sim ao próximo.

Votos renovados para um ano vindouro não se resume apenas ao desejo, pois este desejo não pode sucumbir, frustrado pela inação em realiza-lo.

Sobrevivemos a 2016. Vamos fazer com que 2017 não morra em nossos braços.

A pior ditadura é a falsa justiça

​Vejam essa foto publicada pela Mídia Ninja em sua conta no Instagram: https://www.instagram.com/p/BN0ReMxBF8p/

Era necessário compartilhar isso. O único protesto em uma palestra proferida pelo juiz Sérgio Moro na Alemanha é uma verdade que precisa ser dita como um murro na cara de quem ainda o defende. 

A pior ditadura é a falsa justiça.

A Alemanha conheceu muito bem como a falsa justiça funcionava no estado de exceção nazista, em que uma pessoa era condenada a morte por ser judia, comunista ou homossexual, ou pertencer a qualquer outra minoria que não era alinhada com a “raça ariana”. 

O mais curioso são os repetitivos e ignóbeis comentários desta foto publicada pelo Instagram pela Mídia Ninja, daqueles que ainda o defendem. O primeiro argumento é comparar o termo ditadura com as ditaduras comunistas. Ora, parece que essas pessoas nasceram ontem: faz 31 anos que nosso país viveu uma ditadura militar que também atuou como um estado de exceção com perseguições, mortes, torturas e desaparecimentos de pessoas que se opunham a seus propósitos. Depois que, culpa-se apenas ao “comunismo” a razão de haver ditaduras comunistas, o que mostra o nível raso de argumento destes, pois existem também repúblicas democráticas com princípios socialistas. E quanto as ditaduras, de fato foram estados de exceção, mas não por culpa da filosofia político-econômica, mas por uma questão de circunstâncias, oriundas de um profundo antagonismo. 

Façamos uma reflexão, trace as ligações de Moro com políticos e verá diversas conexões com um certo partido político. Também vemos o tratamento que ele deu ao caso Banestado, que foi, em termos de desvio de dinheiro público e enriquecimento ilícito ainda mais escandaloso e de maiores valores que a Lava Jato.

Concluo com os versos de Cazuza:

Meus heróis morreram de overdose

Meus inimigos estão no poder

Ideologia, eu quero uma pra viver

Abre-alas

Hoje é primeiro de setembro e me dei por conta que falta apenas um quadrimestre para o término de 2016. Mas ao puxar as reminiscências conexões improváveis surgiram.

Hoje, o Corinthians comemora 106 anos. E ao lembrar do Corinthians, lembrei de Doutor Sócrates, que comemorava os gols com o braço direito erguido para o céu. Sócrates era um dos líderes da Democracia Corinthiana, e foi uma das personalidades que apoiaram a campanha pelas diretas em 1984.

Ao lembrar disso, também lembrei do impeachment que foi confirmado ontem. Lembrei que, assim como em 1984, a vontade dos parlamentares prevaleceu contra a vontade de milhões de eleitores. E que, assim como em 1989, a mídia manipulou escancaradamente a opinião pública para que o impeachment fosse aceito.

Ao lembrar de Sócrates também lembrei dos Panteras Negras, com o gesto dos punhos cerrados e braços erguidos nas olimpíadas. O que me fez rememorar os jogos olímpicos do Rio de Janeiro, onde muitas barreiras foram rompidas, sendo uma olimpíada de muita diversidade. 

Muitas lutas a travar, pela democracia, pela justiça, pela diversidade, pelo respeito. Falta pouco tempo para terminar o ano, e fica a questão de que legado devemos começar a deixar para o futuro. 

Vai com medo, mesmo!

Hoje tenho o primeiro passo para o início de uma jornada. Estou a caminho do Rio do Janeiro pois em breve estarei atuando como voluntário nos Jogos Olímpicos.

Já é o terceiro grande evento no país que atuo voluntariando. Já participei da Copa das Confederações em 2013 e da Copa do Mundo, no ano seguinte. E ao rememorar essas experiências fui tomado de súbita emoção. Isto pois lembrei de alguns momentos em que lágrimas caíram de meus olhos.

Era dia 20 de junho de 2013. Uma onda de protestos varria o país no meio da Copa das Confederações. Naquele dia estava de folga, e mesmo sendo voluntário em um evento FIFA, eu fui a um dos protestos. Fui pois eu entendi que mais do que a insatisfação com a copa, havia uma enorme insatisfação com o poder público do Brasil, que exige muito (impostos, leis, burocracia) e oferecia pouco (serviços públicos de qualidade e garantias individuais). Ao chegar no centro do Rio, vendo aquela multidão de jovens que pacificamente protestavam, entoavam palavras de ordem e cantavam, eu me emocionei. Ao cantar o hino nacional junto com aquela multidão, lágrimas caíram de meu rosto. Me sentia parte daquilo. Me sentia protagonista da história do Brasil naquele momento.

Naquele dia 12 de junho de 2014 foi diferente. A emoção era outra. Era a de um amante do esporte bretão. Eu até então não estava escalado para atuar na abertura da Copa. Na última hora fui escalado para atuar. Foi um dia inteiro de trabalho e no final, consegui uma permissão para ir à tribuna de imprensa, onde tive experiência de ver pela primeira vez (mesmo que seja por alguns minutos) uma partida da seleção brasileira no estádio. E pude ver o gol do Oscar, do mesmo ponto de vista de jornalistas e torcedores presentes. Ao terminar o jogo, a sensação do dever cumprido. A abertura da Copa foi um espetáculo, e ajudei a fazer isso possível, juntamente com todos os outros voluntários e profissionais. Saí da tribuna com os olhos marejados. Também me senti parte daquilo.

Identidade e pertencimento é algo que nos dignifica, quando os percebemos. Talvez seja por isso que tanto se coloca nas pessoas uma cultura individualista. Pois uma cultura coletivista é perigosa para quem oprime e quem almeja privilégios. Por isso a enganação da força do herói solitário. Mas como diria a música de Baiano e Os Novos Caetanos (Parceria de Chico Anysio e Arnaud Rodrigues), o herói é o caba que não teve tempo de correr.

Talvez seja essa a lição que tiro dessas experiências. E isso se traduz na reação das pessoas ao dizer que vou aos jogos olímpicos, voluntariar. Elas me perguntam se eu não tenho medo de ir. Eu respondo com uma frase que li em algum lugar que diz:

Se tiver que ir, vá! Mas se estiver com medo, vá com medo mesmo!

Já vivi algumas experiências que me assustaram, que me deixaram com medo, mas entendo que o medo, não deve te travar, você tem que enfrentar. É um desafio. Apesar de outros medos que tenho, eu levo adiante a vida com eles, enganando-os ou buscando alternativas. Mas é preciso encarar o medo de frente, em alguns momentos. É o seu karma, faz parte do seu desafio vital.

Mas, pensando bem, ao rememorar minhas lembranças, minha resposta seria outra. Ao me perguntarem se eu não estaria com medo eu responderia:

Eu não estarei sozinho.

Nada tão abrangente, tão singular e tão controverso.

É preciso

É preciso resistir ao egoismo
Resistir ao escárnio, ao fascismo
É preciso resistir a oferta
À propaganda, a porta aberta
É preciso resistir a ganância
A carteirada, a arrogância
É preciso resistir ao preconceito
A intolerância, a negação de direito
É preciso resistir a corrupção
Ao descalabro, ao dano à nação
É preciso resistir à violência
Ao ódio, à vida sem essência
É preciso resistir ao desrespeito
À intimidação, ao golpe aceito
É preciso resistir ao fisiologismo
Aos interesses próprios, ao machismo
É preciso resistir à tradição,
Ao conservadorismo, à inação
É preciso resistir ao tédio
À apatia, ao fim do colégio
É preciso resistir
Ocupar espaços, insistir
Ao acusar o golpe, reagir
Sair de cima do muro
Tomar partido
Fincar as bandeiras de seus ideais e agir

Mas antes de tudo
Resistir é preciso

Poema em homenagem aos estudantes que ocuparam a ALESP e o Centro Paula Souza pela abertura da CPI da Merenda.

17 de abril de 2016, 23:07: um atentado contra a democracia brasileira

A verdade é que o jogo sujo da política brasileira tem muitos nomes, CPF’s, CNPJ’s e Offshores fora do Brasil, cujo líder é Eduardo Cunha.

Hoje presenciamos uma página da história política do Brasil. Uma página triste, com mazelas e enganações que fez uma parte do povo brasileiro a crer que o jogo sujo do poder tinha nome e sobrenome: Dilma Rouseff.

A verdade é que o jogo sujo da política brasileira tem muitos nomes, CPF’s, CNPJ’s e Offshores fora do Brasil, cujo líder é Eduardo Cunha. Ele capitaneou o impeachment, colocando todo o PMDB e arregimentando outras agremiações pela sua votação, jogando ao mar a capitã do navio, antes que todos os tripulantes piratas fossem descobertos.

O que se viu hoje foi um motim e uma revelação dantesca, que apenas pessoas politizadas e inteligentes podem compreender. A de que os fins justificam os meios, mesmo que estes fins sejam ilegítimos.A de que no jogo do poder, vale tudo, pois o PMDB, há muito tempo almeja a presidência do país, mas curiosamente, todas as vezes que assumiu, não foi pelo voto direto (Sarney em 1985, Itamar Franco em 1992 e agora, Michel Temer).Viu-se revelar a magistratura mais conservadora, reacionária e defensora de interesses da elite dos últimos anos. Seria evidente que uma presidência com filosofia progressista fosse vista pelos congressistas conservadores como um empecilho a seus interesses.

A partir daí a situação piorou. Começou com um racha na eleição para a presidência da Câmara, com a vitória de Cunha. Depois diversas imposições de derrotas ao governo, juntamente com a aprovação de um arremedo de reforma política, que, na prática, não mudava em nada, principalmente no tocante ao financiamento de campanhas e partidos. Em seguida, as pautas-bomba, ataques a direitos, como a liberação total da terceirização, a mudança na demarcação de terras indígenas, a flexibilização (!) do trabalho escravo, o estatuto da família e do nascituro, pautas que agridem os trabalhadores, os direitos humanos e as minorias. Por fim o impeachment, por conta das pedaladas fiscais praticadas no mandato anterior, inclusive com assinatura de ordens de manejo pelo Temer, sem contar que é prática usual em estados e municípios, o que poderia impor um risco jurídico enorme a diversas cidades e estados, se a coerência fosse a tônica na política brasileira, mas como não é…

A maioria dos deputados que disseram sim ao impedimento de Dilma tem nomes e partidos envolvidos na operação Lava Jato.

O alvo dos deputados é outro para forçar a queda da Dilma. É ela quem deu carta branca para a PF e a justiça federal para investigar livremente, e a bomba caiu no colo dos políticos. A maioria dos deputados que disseram sim ao impedimento de Dilma tem nomes e partidos envolvidos na operação Lava Jato. O juiz Sérgio Moro, não sabemos qual a dele, mas o que vejo agora é que ele se enveredou pela vaidade de ser um juiz que liderou a maior operação de investigação contra a corrupção da história do país. Imaginando ser igual a operação Mãos Limpas na Itália, optou por divulgar para a imprensa os resultados das investigações, para que a o Brasil fosse tomado de comoção popular e pressionasse as autoridades a punir e apurar com rigor a roubalheira. Mas a mídia brasileira é enviesada. A própria mídia fez filtragens para destacar os pontos que comprometessem o executivo e faria uma “cobertura soft*” de pontos que poderiam comprometer parlamentares e partidos de oposição. A explicação para isso é que a maioria das emissoras de rádio e televisão possuem controle direto ou indireto de políticos, muitos deles envolvidos nos escândalos.

A mídia mostrou uma cara deturpada do escândalo. Martelavam-se diuturnamente notícias da Lava Jato, relacionando ministros, estatais e deputados com pagamento de propina. A comoção para clamar a queda de Dilma logrou êxito por três fatores:

  • O trato da mídia em tratar a questão da corrupção como problema de governo, e não como um problema de Estado, visto que depois, revelou-se que os esquemas de propina já existiam desde 1986.
  • O preconceito que há sobre a corrupção, por entender que a revelação dos atos ilícitos recai a culpa sobre o governo que está aí, ou seja, que a população pensa que só existe a corrupção quando um escândalo aparece, o que não é verdade, pois falcatruas ocorrem em diversos cantos do país e são poucos os que acabam tornando-se públicos.
  • O anti-esquerdismo, manifestado pelo anti-petismo e o anti-lulismo, onde uma parte da população de classe média alta, passou a hostilizar os partidos de esquerda por conta de sua pauta social de busca de corrigir as desigualdades sociais e políticas do país. Por ser sempre tidos como privilegiados, ao perder o foco governamental, e assim o privilégio de outrora, passou a hostilizar os favoráveis à pauta de esquerda.

Basta observar o perfil dos manifestantes dos protestos pró-impeachment. Eu tive que olhar as pesquisas e fazer algumas especulações a respeito. Pra começar, a faixa etária, muitas pessoas de meia idade e com idade mais avançada. Passa pela classe social, muitos ganham acima de 4000 reais mensais, e passa pela escolaridade, muitos possuem ensino superior completo. Nas áreas de atuação, temos empresários, profissionais liberais e funcionários públicos.

Do outro lado temos os manifestantes contrários ao impeachment. Muitos de classe mais baixa, camponeses, com escolaridade variada entre analfabetos e também graduados. Temos muitos jovens, pessoas de raças negra ou parda, trabalhadores da indústria comércio e serviços, assalariados, com renda bastante variável também.

Isto levou a uma polarização política que pode resultar em um jogo perigoso, em que o congresso nacional com o impeachment, decidiu pagar pra ver.

Os primeiros, chamados de coxinhas, os segundos, de mortadelas (por achar que estão nas manifestações em troca de dinheiro e comida). Isto levou a uma polarização política que pode resultar em um jogo perigoso, em que o congresso nacional com o impeachment, decidiu pagar pra ver.

O futuro

Após a aprovação na câmara, o julgamento do impeachment vai para o senado. Aprovado, a presidente Dilma é afastada por 180 dias e assume o Vice, Michel Temer. Eduardo Cunha assumiria o posto de Temer na linha sucessória. O problema é que Temer, Cunha, seus asseclas do PMDB, PP e outros partidos, estão envolvidos em escândalos de corrupção. E um alerta de um magistrado do Conselho Nacional de Justiça revela a verdade: nos últimos 14 anos, não sofremos nenhuma interferência governamental nas investigações que realizamos. Pode não ser crível, mas uma das consequências de um governo Temer é a interferência nas investigações para abreviar e inocentar os políticos corruptos. Seria igual a anistia de 1979, mas só os militares seriam liberados de todas as culpas. Já se cogita anistiar Cunha de sua cassação por fazer com que o Impeachment fosse aprovado. O que seria de fato, a desmoralização política do Brasil.

(…) empresa não doa, investe, para depois ver seus interesses políticos defendidos pelos políticos que ajudou a eleger.

O aparelhamento político de estatais e ministérios não é apenas moeda de troca para apoio político, mas sim importantes tentáculos de partidos e políticos sem escrúpulos para obtenção de dinheiro ilícito oriundo de propinas, para abastecer candidatos e campanhas eleitorais. A não mudança da forma de financiamento de partidos e campanhas não foi a toa, é pra permitir que empresas continuem investindo em seus candidatos, pois empresa não doa, investe, para depois ver seus interesses políticos defendidos pelos políticos que ajudou a eleger.

Por ter encontrado o bode expiatório, no caso a presidente Dilma, todo noticiário sobre corrupção magicamente cessaria, pois o objetivo dos políticos que controlam a mídia foi alcançado, de manter a corrupção praticada por eles longe dos holofotes da opinião pública.

E para o povo brasileiro, lamentavelmente, nada mudaria, a carga tributária elevada com retorno cada vez mais pífio na qualidade de serviços públicos e acesso a estes. A situação crítica, no entanto, é proposital. Nossa cultura cristã, fatalisticamente, vai querer rogar por heróis, e estes, os políticos, na maior cara de pau, vão se apresentar a nós como exemplos de moralidade e bem comum, prometendo como sempre, mas nunca cumprindo e enriquecendo às nossas custas.

É este o futuro que queremos?

Em tempo: há uma ação nos bastidores para que Dilma reduza seu próprio mandato e convoque eleições para presidente ainda este ano. Seria uma saída honrosa para uma presidente que foi queimada na fogueira política pela corrupta inquisição cristã de Cunha. Mas só considero de valia se deputados e senadores também pudessem ser novamente escolhidos.

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*Cobertura Soft: termo cunhado pelo então diretor de jornalismo da Rede Globo de Televisão, Armando Nogueira, para explicar como foi feita a cobertura jornalística das greves do ABC no final da década de 1970, onde se havia apenas a captura de imagens, sem som ambiente, e com a declaração de vozes patronais e não sindicais. Esta declaração está no documentário “Muito Além do Cidadão Kane (Beyond The Citizen Kane)”produzido pelo Channel 4 da Inglaterra, em 1993.

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Pra você entender o pato plagiado da FIE$P!

Gente burra é foda. Pergunto ao tiozinho do começo do debate como foram as aulas de OSPB que tiveram no segundo grau, porque ô burrice!

Crianças coxinhas, de inteligência limitada pela veja, globo, jovem pan e assemelhados: quando vão usar o cérebro de vocês e estudar política?

Vamos aos fatos:
Como é a composição da câmara e do Senado? Não do ponto de vista partidário, pois é ilusório, mas do sócio-econômico? A maioria são empresários, líderes do agronegócio, não são gente como a gente, são quase tudo elite!
Mesmo sendo membros da base aliada eles iriam votar a favor de uma lei que “prejudicaria seus parceiros”? Ou até eles mesmos, pois estes parlamentares recebem mais de 28 mil reais por mês, ou
seja, pagariam 30% de imposto! Se eles votam o aumento do próprio salário, eles vão votar pra diminuir o salário deles, e ainda por cima com impostos? 

Deixem de ser toupeiras! Todo mundo quer uma aplicação de impostos mais justa! Pois quem ganha pouco paga muito imposto, e quem ganha muito paga quase nada! A Europa descobriu essa lógica, por isso tem muito francês rico fazendo uso de offshore para fugir do fisco!

Esse foi um comentário que fiz no Facebook contra opiniões contrárias neste post que vou  colocar aqui abaixo, para leitura e entendimento. 

  
Não seja feito de pato pela FIESP. Ela só se interessa pelos interesses dos ricos

(Carlos Milhomem) Vou explicar o que é aquele Pato-com-cara-de-morto da Av. Paulista, pra ninguém passar vergonha:

Existe uma proposta para abaixar E aumentar os impostos, ao mesmo tempo, no Congresso.

Isso mesmo, abaixa o IRPF de quem ganha menos e aumenta o IRPF de quem ganha mais.

A FIESP, dona do Pato, chama isso de “aumento de imposto”, mesmo que o imposto abaixe (ou isente) para mais de 80% da população.

“Oras, chega de aumentar os impostos, povo!”

Mas o que eles não dizem é que só aumenta o imposto pra quem ganha ACIMA de R$27mil por mês.

Para quem ganha ABAIXO de 27mil, o “aumento” iria ABAIXAR o imposto.

Pra você visualizar:

HOJE, quem ganha

Até 1.903,98 – é isento

1.903,99 até 2.826,65 – paga 7,5% de IRPF

2.826,66 até 3751,05 – paga 15%

3.751,06 até 4.66,68 – 22,5%

A partir de 4.664,68 – 27,5%

Como ficaria com a proposta aceita:

Quem ganha até

Até 3.390,00 – é isento

3.390,01 até 6.780 – paga 5% de IRPF

6.780.01 até 10.170 – paga 10%

10.170,01 até 13.560 – 15%

13.560,01 até 27.120 -20%

27.120,01 até 108.480 – 30%

A partir de 108.480,01 – 40%

E é por isso que tem gente CONTRA o Pato morto. Não é questão de pagar mais imposto, é questão de não ser enganado, de novo, pelos milionários.

Porque eu quero é que os ricos paguem o Pato, como em toda nação desenvolvida.

Agora, se for entrar na discussão de que a gente já paga muito imposto em produtos e serviços (como na maioria dos países pobres ou em desenvolvimento) em vez de taxar a renda, isso é mais um motivo para defender essa proposta. Porque assim podemos desonerar os produtos e, quem sabe, abaixar os preços finais de tudo, deixando tudo mais justo.

“Ahhh, mas nos EUA a taxa de IRPF é por volta de 8%.”

É, mas lá a gente não tem o déficit social que temos aqui. Se a gente estivesse taxando de forma justa os ricos há 50 anos, provavelmente poderíamos ter taxas mais baixas aqui.

Se a reclamação é de que a CPMF é um aumento de imposto, se lembre que ele foi criado no governo FHC e praticamente só pesa em quem tem muita transferência bancária. Nem pra mim e nem pra você.

E a CPMF permite aos bancos repassarem informações ao fisco e aumenta assim a transparência, evitando remessas ilegais.

Ou seja, imposto que abaixa pra pobre e aumenta pra rico é bom, Pato morto é ruim.

http://www.revistaforum.com.br/2016/01/05/bancada-do-pt-na-camara-defende-isencao-de-ir-para-salarios-ate-r-3-390/

Não foi Deus o culpado

Noite sangrenta em Paris. Terroristas transformaram a cidade-luz em um território negro e sombrio. Corpos inocentes tombavam na noite parisiense para saciar a sede de ódio, travestida de vingança e desagravo a uma religião. Mentira! Não é a religião a culpada, é a estupidez.

Noites turbulentas no Brasil. Pseudo-líderes religiosos demonizam pessoas. Seus ‘crimes’? Aceitarem-se como tais, viverem sua diversidade sexual, e assumir sua identidade de gênero, pedindo ao estado “apenas” o que é de direito: dignidade. E motivados por essa demonização, pessoas que seguem esses “líderes” matam, estupram, desrespeitam, agridem e lutam para que os LGBT’s não tenham direito a nada.

Separemos o joio do trigo. As divindades foram concebidas como norte espiritual, como meio de as pessoas buscarem plenitude de vida. O que vemos quando um homem pratica o mal contra seu semelhante motivado pela crença doentia por uma divindade, é buscar na fé um álibi para sua perversidade.

Pois o mal advém de quem o atua, e retrata claramente como sua crença se distorceu e se desvirtuou da convivência pacífica e harmoniosa com seus pares.
Pois o que todas as crenças tem em comum são valores, e muitos desses valores podem ser cultivados até mesmo sem a crença.

Mas a fé busca trazer a nós uma motivação que nos põe além de nossos limites auto-conhecidos. E ao usarmos esta motivação como razão de dolo a outrem, simplesmente contradizemos a estes valores.

Todas as divindades carregam valores, e são valores aceitos por todos. Não devemos desvirtuar a crença para que esta crie monstros que destroem vidas em nome da fé.

A auditoria das dívidas soberanas

Uma das bandeiras que se levantam em diversos países é o da auditoria da dívida soberana. Ou seja, a realização de um balanço amplo para detectar e mensurar o tamanho da dívida pública de um país.

Depois das crises nacionais da Argentina, Grécia, Itália, Espanha e outros países, a necessidade de se auditar a dívida para que se limpe a dívida de agiotagem e capital especulativo se faz urgente.

Os países, assim como pessoas e empresas, captam recursos para financiar seus custos e prover melhorias. E também, de acordo com seu histórico de dívidas e pagamentos, apresentam uma reputação perante o mercado. Porém o capital especulativo pode corromper e manipular os mercados visando maiores lucros. Foi assim com o escândalo de manipulação cambial ocorrido em 2009 e no qual o Real foi envolvido, e a batalha nos tribunais que o governo argentino trava contra os credores que não aceitaram o acordo de parcelamento da dívida em 2001.

As dívidas soberanas precisam de regras claras para não serem alvo do capital especulativo. A especulação da dívida pode ser proporcionada pela manipulação de mercados onde os países atuam, ou ainda, pela especulação de papeis, forçando países a aceitar condições de crédito abusivas.

Mas antes de definir as regras, é preciso saber exatamente o tamanho da dívida. E é aí que a auditoria entra. A auditoria vai definir quais os papéis estão válidos, quais estão com credores sérios e quais estão no jugo da especulação financeira. Pois ainda há a possibilidade de países ter cobrança de dívidas já caducas, ou inválidas. A auditoria da dívida visa separar o joio do trigo e leva aos países uma maior segurança e responsabilidade sobre o déficit público, assim como busca dar maior credibilidade aos papéis públicos, protegendo-os do capital especulativo. 

Após a auditoria da dívida, a gestão da dívida fica mais simples e mais segura, podendo inclusive, criar mecanismos para que boa parte da dívida fique a salvo do capital especulativo. Por exemplo, tornar boa parte dos títulos nominais, de modo que apenas o credor que tem posse sobre o título, tenha direitos sobre ele. Assim, a dívida pública, manteria-se sob controle, e possibilitaria que países possam se proteger de juros agiotas, manipulação de papéis e evasão de divisas, sem contar no incentivo ao investimento direto, que é um portante gerador de riquezas.

A auditoria da dívida pode ser o primeiro passo para que países possam estar a salvo de crises, onde para honrar seus compromissos, acabam aumentando os ônus financeiros sobre o cidadão. Este é o que mais sofre com as crises financeiras, pois o dinheiro que paga em tributos, acaba no bolso do desonesto especulador. 

Nosso universo

Quando nascemos, temos um contato com um universo bastante restrito. Nossa família, nosso berço, nosso quarto, nossa casa. Mas aos poucos, enquanto crescemos vemos que o nosso universo conhecido aumenta de tamanho. Conhecemos outras pessoas, outros familiares, fazemos amizades e conhecemos pessoas de outros lugares, conhecemos as ruas, os condomínios, a escola, a praça. E sem perceber, vemos naturalmente esse universo conhecido se expandir mais e mais.

Através da educação escolar, leitura e meios de comunicação de massa nosso universo passa a ter conexões com o mundo a ponto que este faça se inclua, tornando-nos apenas uma parte bastante diminuta dele. Este contato com o conhecimento pode nos chocar, mas também pode nos impelir a conhecê-lo, dependendo da forma como este mundo é apresentado para nós.

O papel da escola neste processo é vital para prover as pessoas um entendimento desse universo, de modo que a pessoa se sinta parte dele e que possa assumir que também é seu agente de transformação.

Crescemos e boa parte de nossos conhecimentos são consolidados. Mas os filtros que recebemos nos geram distorções, todas elas calçadas no princípio fatalista do inevitável, do imponderável, do imutável, de um universo perene e estático. Muitas das teorias que vemos na sociedade, religião, administração e política advém desse princípio de estabilidade. E este é o grande erro. Esse geocentrismo social é a causa-mor da maioria dos conflitos humanos, pois na maioria das vezes, quer se substituir uma cultura estática por outra, em alguns casos antagônica, porém também estática. O homem teme a mudança, ainda mais quando esta é sutil. A lógica imposta ao homem é de um dualismo perverso: ou a estagnação plena, ou a mudança radical.

A sabedoria de entender a natureza, e entender que as mudanças não são pontuais, e sim constantes, é um dos mais duros ensinamentos que a humanidade precisa (e teme) aprender. Pois ao aceitar o dinamismo de seu universo, onde este continuamente se expande e muda, o homem, plenamente integrado à seu meio, passa a ter um comportamento mais inclusivo, admitindo com naturalidade a diferença e agindo de forma a incluir esta diferença em seu universo. 

O temor do Homem em admitir a mudança como um processo contínuo se dá por auto-defesa. Observe os grupos políticos e religiosos mais fervorosos. São aqueles em que seus conceitos são os mais rígidos e onde sua doutrina é embasada no imperativo de fidelidade e coerência a esses conceitos. Existe uma ligação íntima entre identidade e postura, como se a postura adotada pelas pessoas, indicassem a que grupo pertencem. O auto-conceito e a identidade agem como um catalisador, pois o anseio das pessoas em ter uma identidade pré-estreia seus pares, se ver incluso em uma coletividade induz as pessoas a fazer parte de grupos e agir de forma igual. E agindo igual, plenamente identificados em seus grupos, tendem a sentir-se fortes, pois não se sentem mais frágeis e sozinhos. E o isolamento social com a solidão são sinônimos de morte para o homem, já que seu legado biológico e social é marcado para descarte. E a cultura social que comemos tornou-se quase instintiva pela evolução das organizações coletivas humanas, dos bandos, para tribos, destes, para aldeias, cidades, concentrações urbanas, países até chegarmos a atual situação de aldeia global.

O que vemos hoje é o desgaste deste modelo geocêntrico. A ideia de que vivemos sob um universo estático e imutável coloca a humanidade em conflito com a própria natureza que o cerca e com ela mesma. Haverá um tempo que haveremos um Coppernico que possa mostrar a humanidade que não apenas a Terra, mas tudo o que há nela não são estáticos. Mas muitas pessoas ainda preferem a cômoda situação de se iludir e se defender da mudança a enfim, aceitá-lá, libertando-se de seus paradigmas. 

Panelas

Ontem ouvi panelas batendo. Era o pronunciamento do partido dos trabalhadores na televisão. Estava saindo do trabalho. Era uma região onde podiam se avistar condomínios de alto padrão. Comecei a pensar.

É na panela onde a comida que comemos é preparada.

Se batemos panelas, essas panelas estão vazias.

Panela vazia é um símbolo muito forte, pois representa a vontade de comer, frustrada pela ausência de alimento, que deveria ser preparada na panela.

Mas quem bateu panela ontem, na sua maioria, não eram pessoas em boas condições sociais, que de seus condomínios, produziam um barulhento protesto?

Então, qual a fome que eles sentiam?

Fome de quê?

Lembrei agora da música Comida, cantada pelos Titãs.

Pois fome, representa também uma necessidade profunda que demanda saciedade imediata.

Mas estes que batucavam panelas protestavam contra a Dilma e contra o PT. Não defendo o governo, mas também não dou o menor apoio a esse tipo de manifestação, que, por ser balizada em condenar um acusado pela identidade e não pelo crime, faz com que o Trensalão seja apenas um equivoco e o Petrolão um crime de lesa-pátria, mesmo que ambos sejam falhas gravíssimas.

A ausência de critério deslegitima e torna o panelaço um espetáculo dantesco de desinteligência, ignorância política e hipocrisia.

Seria menos hipócrita, se estes que batem panelas também protestassem contra as ações trogloditas no congresso, contra a ocultação por parte do congresso e da mídia do SwissLeaks, contra o massacre contra os professores do Paraná, e o descaso do governo de São Paulo em relação aos seus professores, contra a falta de água, os escândalos dos trens, operação Zelotes, e por aí vai…

Mas infelizmente, essas pessoas preferem acreditar somente nos fatos que são convenientes, então… Continuem batendo enlouquecidamente suas panelas até que alguém os ouça, ou os cale…