A Nossa (falta De) Brasilidade

Após a derrota do Brasil para a França, vaguei pelas ruas do meu bairro, que antes do jogo estavam bonitas e enfeitadas para a Copa do Mundo, com pinturas no asfalto e cordões que pinduravam fitas verde-amarelas, bandeiras do Brasil, e até bolas de futebol. Onde quer que passava em dias de jogo, via orgulhosos brasileiros vestindo camisas azuis ou amarelas em alusão à nossa seleção. Em uma das ruas que eu passava antes do jogo fatídico em que o Brasil se despedia da copa, eu vi um trabalho de fitas penduradas muito bem-elaborado formando uma bela figura, em mosaico, com as fitas da bandeira do Brasil, que achei muito lindo.Mas naquele momento vi o tamanho do orgulho que sentimos pelo nosso país. Aqueles belos enfeites foram, em um rompante de revolta, destruídos. Cordões de fitas viraram lixo, amontoadas pelas ruas. Bandeiras do Brasil rasgadas, pessoas cabisbaixas, tristes, algumas com olhos marejados, pois choraram a derrota. Na quermece que houve naquela noite, você podia contar nos dedos as pessoas que usavam alguma roupa alusiva ao Brasil (eu estava incluído neste grupo).Logo cheguei a uma triste constatação. O povo brasileiro só sente orgulho pelo país quando sua seleção está jogando na copa do mundo. Quando o Brasil perde, esse orgulho, como num passe de mágica, desaparece.Triste é o povo que não ama nem respeita seus símbolos, sua identidade. A esse povo, não recebe o título de nação. É triste imaginar que o nosso país valoriza mais o futebol que a sí próprio. Como uma espécie de apego a falta de heroísmo de sua história. Muitos dizem que Ayrton Senna é um herói nacional. Eu não compartilho dessa opinião. Considero o Ayrton o maior ídolo brasileiro de todos os tempos, não herói. Ídolo é aquele que é um exemplo de vida, um exemplo de virtude para quem ama. Herói é aquele que muda os cursos da história, que faz mudar os rumos de um momento em si. Mas acredito que se o nosso povo tivesse o patriotismo, a garra, adeterminação e a vontade de mudar os rumos da história para vencer como o Ayrton, seriamos uma nação de heróis. E é da derrota do Brasil no sábado quelevo a reflexão de tudo o que somos e vivemos como brasileiros.

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