A regra é clara

Prestenção, pois a regra é clara: não se pode colocar uma prova obtida sem autorização em um processo judicial, por mais evidente que seja. O pessoal do Fla (Lulistas, petistas em geral), está achando que é golpe. O pessoal do Flu (anti-petistas, direitistas em geral) estão achando que agora o governo da Dirma cai.

O que acho? Que não importa o que resulte, quem ganhar não vai levar.

Quanto a questão da camiseta CBF, eu boto na crítica não pelas relações escusas da CBF. Mas porque essa camisa é erroneamente tida como um sinal de patriotismo. O Brasil é um país que o patriotismo é visto como algo que se usa e se guarda de acordo com a conveniência. Quando é Copa do mundo, todo mundo é patriota. Quando se tem crise também (apesar de aparecer alguns nacionalistas também no meio dessas pessoas). Patriotismo não é conveniência, tem que estar dentro do âmago de identidade nacional, entende? Quando esse patriotismo o prejudica, é facilmente abdicado, tipo, que se foda o Brasil!

Patriotismo não é camiseta, é atitude!

Quando se cola na prova, deixamos de ser patriotas, pois a pátria nos espera que tenhamos conhecimento suficiente para sermos profissionais de excelência que ajudam-na a desenvolvê-la. Quando dirigimos embriagados, ou burlamos blitzes, ou avançamos o sinal, também deixamos de ser patriotas, pois desrespeitamos as regras que nossa pátria fez para todos. Quando furamos fila, estamos deixando de ser patriotas, pois estamos desrespeitando outros cidadãos de nossa pátria.

Sabemos que a situação está difícil e muito acontece por ingerência política. Isto é fato e temos acordo nisso! Mas não podemos agir com hipocrisia, colocando nossas atitudes em coletivo, e nos contradizendo, quando é em particular.

Acho que é isso! Chega de Fla-Flu político! Vamos empurrar esse país e pedir que essas investigações punam a todos, sem exceção!

Invertendo a lógica

Vamos inverter a lógica. Concordo que a Dirma pode ter usado um recurso desesperado pra salvar o governo chamando o Lula pra ser ministro.
Realmente é um ato que gera controvérsias de todos os lados. Só que no mesmo dia, veio o Moro e divulgou um grampo dela com o Lula. 

Não se faz gol chutando a cara do goleiro, gente! É falta!

Da mesma forma, não se pode vazar um telefonema confidencial do presidente da república. A não ser em clara conotação de crime, o que, pelo seu teor, nada é possível afirmar. 

Há semanas dizia que Dirma chamaria Lula pra ser ministro, isto é sabido de todos. O que Moro fez foi abuso de poder e pode até ser considerado crime o que ele fez. 

Agora está rolando no congresso o trâmite do impeachment, que o STF mandou voltar. É coincidência demais o Moro mandar soltar a gravação, para que haja agitação e pressão no congresso pra que o impeachment saia de qualquer jeito. 

Não estou aqui pra defender o governo! Estou aqui pra defender a legitimidade. Não importa de que lado esteja neste Fla-Flu político, mas não se pode fazer justiça sem ser justo. De nada adianta satisfazer o desejo de ver um governante destituído se esta destituição foi feita de forma ilegal. 

Pensem no amanhã. Se essa porra estoura, quem vai assumir? Os fascistas? A velha política bandida? Espero que não.

Rio de lama: a amarga tragédia em nome do lucro

Ao falar dos atentados ocorridos em Paris, muito se questionou da comoção ocorrida em contraste com o quase desprezo diante de um desastre ecológico e humanitário ocorrido em terras brasileiras, há cerca de uma semana.

Desde que foram publicadas as primeiras notícias do rompimento da barragem da mineradora Samarco, que é do grupo da Vale, eu pude acompanhar um drama, e também uma enorme distorção dos fatos.

A imprensa tida como oficial, sequer cita a Vale, como responsável pela tragédia. Também as autoridades preferem atribuir ao desastre a uma fatalidade. 

É notório e descarado a tentativa de encobrir a verdade por trás do mar de lama que soterrou distritos da cidade de Mariana, em Minas Gerais, e tal como um tsunami, vem aniquilando o Rio Doce, deixando sem água populações inteiras de Minas Gerais e do Espírito Santo, tornando-o vermelho de barro contaminado com chumbo e outros minerais nocivos à saúde.

Pra começar, a área da barragem e das comunidades inicialmente devastadas estão isoladas, e o acesso está restrito a boa parte da imprensa, fazendo com que se saiba muito pouco sobre as dimensões do desastre e o real número de vítimas fatais. A imprensa tida como oficial, está tratando de apasiguar os ânimos, dando um tratamento subestimado aos fatos e evitando ao máximo citar os responsáveis. Sequer a Vale, holding da qual a Samarco faz parte, foi mencionada em nenhuma das reportagens televisivas e da grande imprensa escrita.

As autoridades, pressionadas pela opinião pública, somente começaram a cobrar a Samarco responsabilidade e esboçaram punir a empresa só agora, mantendo a Vale incólume. A explicação é simples: a Vale doou cerca de 22 milhões de reais para partidos e candidatos nas últimas eleições. Num universo capitalista como o nosso do Brasil, doações são formas sutis e eufemistas de investir no poder público para garantir o retorno do estado sobre seus interesses.

A Vale é uma força onipresente no Brasil por ostentar uma imagem ilibada, por nada de falho constar na mídia. É o maior exportador mundial de minérios, e grande fonte de divisas para o país. Porém o desastre de Mariana evidencia claramente um processo de maquiagem da sua imagem pública.

O que a Vale, os políticos e a mídia não contavam é que a internet, as redes sociais e a imprensa independente trataram de desmascarar a farsa que está por trás da fatalidade.

Foi divulgado um vídeo denunciando essa fraude midiática. Uma repórter da Rede Globo de Minas Gerais, entrevistava um morador de Mariana, sobre o desastre. Quando o entrevistado começou a denunciar em seu relato o descaso da mineradora e da Vale, a repórter interrompeu a entrevista e o cinegrafista parou de gravar.

Relatos e mais relatos mostram a relação promíscua entre a mídia, a Vale e os políticos nessa história. E enquanto isso, cidades inteiras ao longo do Rio Doce, assistem atônitos e desesperados a agonia do rio que dava a vida e que agora morre, pela ganância de uma grande corporação.

Pergunta-se: havia um plano de emergência? Sistemas de alerta? Formas de impedir que a lama contaminasse o Rio Doce? Pela dimensão do desastre a resposta é negativa para todos os questionamentos. Não se pensou no pior, pois isto gera custos. E para uma empresa que almeja o lucro, qualquer custo é algo dispensável.

Tão dispensável, que hoje vemos o mal da ganância. O maior desastre ambiental e humanitário da história do Brasil não é tratado como tal pela imprensa do próprio país, pois o verdadeiro responsável tratou de corromper estado e mídia de antemão.

Um verdadeiro atentado coletivo contra o país.

Crise é um momento oportuno

Muito se fala hoje em crise e a crise pode ser interpretada como uma pedra no meio do caminho, fazendo uma licença poética ao saudoso Carlos Drummond de Andrade. Porém a pedra é um elemento bastante versátil, pois pode ser usada para construir um castelo, atirar em alguém ou tropeçar e cair. Depende de como essa pedra é vista.

É necessário entender a crise como um momento bastante oportuno. Crise é uma situação em que uma determinada conjuntura se encontra saturada ou estagnada e demanda mudanças urgentes. Crise implica em mudanças de visões, de paradigmas; como se diz no jargão corporativo, é pensar fora da caixa. É em alguns casos abandonar o óbvio e buscar novas alternativas, novos caminhos.

E quem tem esse entendimento, essa visão, acaba saindo na frente. Lembra da crise de 2008? Ela gerou diversas oportunidades e proporcionou grandes mudanças nas finanças e na governança em geral. Viu-se que apenas o lucro sobre o lucro deixou de ser apenas dispensável, para se tornar nocivo às relações comerciais, empresariais e sociais. E dessa lógica surgiram novas alternativas econômicas. O Crowdfunding, a economia solidária, a economia colaborativa, as startups e as novas relações comerciais e financeiras estão surgindo e proliferando da crise. São possibilidades que as pessoas poderiam enxergar, mas não enxergam, e por quê?

Pois é da natureza humana o desejo de auto-preservação, e com isso, em momentos de indefinição, a postura que temos, é geralmente de defesa e retração. Esta postura costuma descartar, quase que automaticamente, todas as possibilidades que podem nos colocar em risco, ou as quais os riscos não conhecemos. Mas tirando um pouco da passionalidade, e sendo um pouco racionais, deixamos os nossos preconceitos de lado, passamos a conhecer essas alternativas de mudança, nossa visão em relação a essa indefinição muda e passamos a enveredar por alternativas, onde antes não víamos.

Essa visão empreendedora e desapegada de paradigmas é a visão que pode ser encontrada em muitos jovens e também por pessoas experientes e conhecedoras de momentos críticos. A crença que a crise é uma oportunidade única de empreender inovação, e também uma possibilidade de assumir uma posição de vanguarda frente a uma situação onde se impera o conservadorismo, devem ser os combustíveis necessários para quem almeja uma posição de liderança. Pois o líder é o primeiro que faz o caminho onde muitos irão trilhar.

Está na hora de ver a crise com outros olhos.

Artigo publicado originalmente em minha página no LinkedIn em https://www.linkedin.com/pulse/crise-%C3%A9-um-momento-oportuno-andre-arruda-dos-santos-silva 

Sou a favor

Imagine a seguinte situação.

Uma pessoa jovem e homossexual, que tem uma família muito conservadora. Acontece que esta família descobre sua sexualidade e, impiedosa, expulsa essa pessoa de casa. Com ajuda de amigos, vai a luta, estuda, se forma e conhece o amor de sua vida, que teve a mesma história: foi expulsa de casa pelos pais, que não aceitavam sua homossexualidade. Juntas estas duas pessoas, compartilham vidas, além de compartilhar um patrimônio juntas.

Porém um dos pares vem a falecer.

Como o patrimônio produzido pelo casal é relevante, a família da pessoa falecida vem, judicialmente requerer parte dos bens, pois infelizmente, o casal não estava amparado por um testamento, e as leis não ofereciam garantias de que essa união fosse legal. 

A família da pessoa falecida ganha a ação. Judicialmente a questão pode ser correta, mas justiça não se fez ali.

No Brasil, milhões de crianças estão à espera de adoção. E milhões de pais querem adotar. Porém a conta não bate, e por quê? Pois os pais que procuram adoção querem escolher os filhos que querem adotar.

O que houve nos Estados Unidos hoje foi um marco histórico. O reconhecimento em âmbito nacional do casamento gay é um divisor de águas na história da luta LGBT por respeito, dignidade e cidadania.

Porém, ao contrário dos EUA, o Brasil pode dar um passo para trás com o estatuto da família. Casais homoafetivos não teriam mais o direito de adotar, pois este estatuto propõe um modelo excludente de família, que é o liderado por um casal heterossexual.

Não concordo com esse tipo de lei, que marginaliza pessoas. A legislação que se propõe justa, deve ter caráter inclusivo.

Ao contrário do que se pensa, pois a tola alegação dos contrários ao direito de casamento e adoção aos casais homoafetivos, leva a crer que o comportamento sexual poderia “contaminar” a educação e à formação moral das crianças. A opinião é preconceituosa e sem nenhuma base teórica.

Estamos muito próximo de atestar que boa parte do comportamento sexual humano é algo inato. E que o comportamento sexual é restrito a sua afetividade, sem afetar suas atividades profissionais, intelectuais, culturais, familiares e sociais.

Por tudo isso, só resto dizer:

Tenho muito orgulho de ser a favor do casamento gay, pois o amor sempre há de vencer. 

O conto de 20 de abril

Já no ônibus, a caminho do trabalho faltando dez pras uma da tarde, dou de cara com um outdoor de uma academia, a qual já sou cliente e me fez lembrar que não fui malhar hoje, e nem ontem. Eu não consegui acordar hoje, estava num desânimo só.

Ontem foi a razão do desânimo da manhã seguinte: por um erro alheio e por um erro próprio. O erro alheio se deu a um time de futebol que assinou um sádico regulamento de um campeonato, em que se deveria jogar 5 partidas em um pouco mais de uma semana, e ainda assim, ter que decidir nos pênaltis mesmo tendo a melhor campanha. Endividado e cansado, pressionado por uma emissora de TV, com início de temporada precoce, maratona de jogos, enfim… Sempre gostei do esporte bretão, e inclusive durante a peleja que parou São Paulo pra ver, eu estava praticando em um parque quase vazio, mas com alguns praticantes honrando a tradição brasileira de pátria de chuteiras, embora a maioria deles jogassem descalços.

O segundo erro foi meu. Embora o prejuízo financeiro foi pequeno, o prejuízo moral foi enorme, a ponto de me colar ao colchão a manhã inteira. Não foi algo que me levasse às lágrimas, mas a uma profunda reflexão. As epifanias deveriam ser eventos corriqueiros em vez de raros. O nosso ego e autoestima muitas vezes nos cegam e cerceiam o direito de aprender com nossos próprios erros. Concluí que apesar de ter tido algumas evoluções nestas últimas semanas, após períodos de reflexões e epifanias, ainda há um longínquo caminho a seguir. E ao descobrir meu calcanhar de Aquiles, vi que é preciso uma vigilância maior de modo a reforçar meus pontos fracos. Pensei em me afastar de tudo aquilo que poderia me por em risco, mas entendo que a melhor forma de vencer seus medos é em vez de fugir, conviver com eles, de modo que estes deixem de o afligir. Foi assim que parei de fumar.

Pois é. A sabedoria advém de todos os lugares. Basta ler.

Por que “Orgulho Hétero”?

Qual o oposto de orgulho? Vergonha.

Orgulho é um sentimento de quem sente satisfação por ser de uma determinada maneira, ou pertencer a uma determinada classe.
Vergonha, por sua vez é a insatisfação ou constrangimento de ser ou pertencer a uma classe.

Orgulho e vergonha estão relacionados, muitas vezes a condições naturais e permanentes, que tem uma origem natural, inata, em alguns casos tão profundos, que podem ser imutáveis.

Por que existe o orgulho gay, o orgulho negro, o orgulho feminino? Pois estas classes de pessoas eram discriminadas por sua condição, muitas vezes marginalizadas e impedidas de exercer sua cidadania e seus direitos por suas antíteses tidas como dominantes: homens, brancos e heterossexuais (esse não é o padrão na política, na cultura, desporto, mídia e propaganda?)

E este tipo de “norma” não é por acaso. Serve para manter um controle, uma situação de domínio de uma minoria (um grupo que exerce posição de liderança), contra uma maioria (dominada, obediente, subserviente). E essas normas são estabelecidas para, primeiro, gerar pontos de conflito internos, que desestruturem a maioria, mantendo uma condição estabelecida, e segundo, para gerar uma falsa sensação de hierarquia social, colocando aqueles que estão obedecendo a este padrão como privilegiados e os que estão fora dele, como marginalizados.

Quem está fora da “norma”, e observa atentamente a esse jogo percebe este panorama de Discriminar para controlar, e se tornam alvo dos defensores da norma. Algumas igrejas, partidos políticos e grupos como a Ku-klux-clan ou nazi-fascistas adotam a estratégia de eleger um “inimigo” para motivar e unir seus seguidores. Eles claramente reafirmam seu orgulho, em troca do constrangimento e aniquilação de seus alvos.

Será que o orgulho hétero é um contraponto de quem quer manter o ódio e o preconceito contra a comunidade LGBT?
Será que o orgulho hétero é um contraponto de quem quer manter o ódio e o preconceito contra a comunidade LGBT?

Taí o temor de assumir uma posição de orgulho de pertencer a uma situação dominante e de maioria, pois esta posição pode desencadear um sentimento de rivalidade, ódio e desejo de aniquilar um grupo que não esteja alinhada a esta posição dominante. Foi assim que o holocausto surgiu.

Somente deixará de fazer sentido a questão de ostentar um orgulho de pertencer a uma classe, quando diferenciar deixar de ser uma questão relevante, ou seja, quando todas as pessoas de grupos heterogêneos estejam sob um mesmo patamar de direitos e deveres, e determinada característica inerente a pessoa deixe de ser condição para conceder direito, ou outorgar dever.

Se há o orgulho gay, negro, ou feminino, é porque estes grupos querem reverter uma condição de desigualdade imposta a eles. Uma condição que muitas vezes os põem em condição de desvantagem.

Por que ainda há diferença de remuneração entre homens e mulheres, em trabalhos iguais? Por que pessoas negras, tem em média uma escolaridade pior do que brancos, e por que a maioria das vítimas da violência policial são negros e pardos? Por quê um casal homoafetivo não tem naturalmente direito a herança, pensão, adoção?

Agora entendeu porque não faz o menor sentido ter orgulho em ser privilegiado?

(adaptado de um comentário meu no facebook em resposta a um “amigo” que defende o dia do orgulho hetero, por considerar “igualdade de direitos”)

Um belo recado

Terminou agora há pouco a cerimônia de premiação do Oscar. E entre os premiados e indicados ao prêmio ficou um belo recado. Um recado a aqueles presos a paradigmas, que insistem em diferenciar as pessoas pela cor da pele, orientação sexual, nacionalidade ou por ser portador de deficiência.

O grande vencedor do Oscar, Birdman, é dirigido por pelo diretor mexicano Alejandro G. Iñarritu. Sabe-se que é corrente em toda a parte do mundo, estrangeiros serem subestimados em seus talentos, inclusive não tendo espaço para mostrar aos países que escolheram para viver, que vieram em missão de paz, para somar suas habilidades em prol de seus novos compatriotas.

A teoria de tudo é uma história que vem mostrar que o talento supera todas as adversidades. Todos os portadores de algum tipo de deficiência, ainda não tem direito a uma vida independente, sequer são reconhecidos no mercado de trabalho, como pessoas que podem contribuir e muito com a sociedade.

Selma mostra que a realidade do racismo, mesmo sendo um filme de época, ainda é um tema atual e uma realidade ainda não superada. O tema musical do filme e que foi premiado pelo Oscar – Glory – utiliza R&B, Hip-hop e faz um link entre realidade e a época de Martin Luther King, mostrando que sua luta ainda não foi completamente vencida.

Mas quero destacar o filme O jogo da imitação. A história de Alan Turing vem mostrar a tolice que é discriminar pessoas. De nada serviu as contribuições dele para a computação e por decifrar o código de comunicação nazista, poupando milhões de vidas na segunda guerra mundial. Naquela época, na Grã-Bretanha, ser homossexual era crime, e Alan foi condenado a castração química. Preconceito, desinformação e discriminação é uma realidade que a comunidade LGBT sofre diariamente, simplesmente por ser o que são, e assumir sua orientação e identidade sexual. A homofobia sofrida por Turing pelo estado ainda é sofrida por muitos Gays, Lésbicas, bissexuais e transgêneros, por omissão do próprio estado.

É a arte cinematográfica buscando levar às pessoas uma profunda reflexão. É importante acabar com a diferenciação: Todos somos humanos. Estes é um recado que muitos conservadores não querem ouvir e gritam aos quatro ventos para que esta mensagem não chegue aos ouvidos de gente de bem.

Cadê o cartão, professor?

Era o dia 12 de junho de 2014. A copa do mundo, enfim, se iniciava. Eu estava na Arena Corinthians, atuando como voluntário da Copa do Mundo, aguardando o retorno de um coordenador de Tecnologia, área que escolhi para voluntariar. Eram 16:50. Estava na zona mista, uma área do estádio que permite que os jornalistas entrevistem os atletas. Atletas perfilados, hinos em execução. Pude ouvir o hino brasileiro cantado pela torcida à capela, prova que a FIFA deveria abolir essa história de hino de 90 segundos. Mas o que se ouviu depois foi estarrecedor. Em coro ouviu-se a maior demonstração de desrespeito que um povo poderia fazer ao seu próprio representante. Mandaram a presidenta tomar naquele lugar.

Depois do trabalho, pude circular pelas áreas das torcidas. Não vi criança de pé no chão, não vi senhora de olhar sofrido, não vi senhor de mão calejada. Copa do mundo é um evento elitista, isto é fato. Mas o que tentou-se fazer aqui no Brasil, foi sim, um ato de bastante coragem. Imagine, você, senhor e senhora, empresário, profissional liberal, classe média, que pagou de 600 a 2000 reais para ver uma abertura de Copa do Mundo, ser “obrigado” a deixar a comodidade de usar o carro, para ir de trem ou metrô, para ir a um longínquo lugar da cidade de São Paulo, onde só tem gente pobre e miserável (reitero que essa é a opinião dessa gente, não a minha).

Perguntaria a estas pessoas porque xingaram a Dilma, mas não tive coragem. A pergunta é o mais eficaz instrumento de reflexão, não para quem pergunta, mas para quem responde. E imagino que uma reflexão provoca reações indesejáveis em pessoas ignorantes e sem consciência do que fazem, pois podem-nas levar a uma verdade intrigante, e auto-ofensiva, corrosiva ao próprio ego.

Foi uma grande demonstração de analfabetismo político, até porque estão usufruindo de um evento provido pelo atual governo que o insultaram. Depois nada adianta culpar a presidente se colocam no congresso canalhas e sanguessugas, que parasitam o estado com corrupção em troca de promessas de governabilidade. Terceiro que no próprio estado de São Paulo temos um exemplo grave de corrupção e cartel para o metrô e CPTM. De onde vem o rio de dinheiro que financia as campanhas bem-feitas do PSDB? Só da elite quatrocentona que o apoia não é suficiente.

Mas voltemos ao nível de educação das pessoas presentes. Eu já escrevi a respeito do modelo educacional aplicado no Brasil. É um choque de realidade pessoas que foram disciplinadas, em vez de educadas, ver um estádio de futebol sem grades, sem fossos, apenas com a proteção por Stewards, com banheiros fartos, sala vip, cadeiras numeradas em todo canto, visão plena do campo em qualquer lugar do estádio, estádio moderno. Não tinha o que reclamar, em relação ao que já tinha. Sobrou para a Dilma.

Se as pessoas que xingaram a presidenta, fossem só um pouco mais inteligentes, não conseguiriam xingar ninguém, pois apesar da culpa que a Dilma carrega, por ser a suprema mandatária da nação, ela não carrega essa responsabilidade sozinha. E a lista de pessoas responsáveis seria tão extensa, que uma copa e uma olimpíada, quiçá um século, não bastariam para xingar todo mundo que nos colocou nesta situação.

Em suma, xingar foi um ato tolo, e será hipócrita, se o povo que xingou Dilma, votar em outubro com a mesma inconsequência que teve ao xingar a presidenta. Cadê o cartão pra essa gente?

Os ‘Days After’

A última semana foi estranha. Reviravoltas de todas as formas, com uma inexplicável tristeza, um maldito karma que me corroeu, de modo a me afogar em uma profunda melancolia. A melancolia cega, leva nossas perspectivas a uma perversa escuridão, roubando aos poucos nosso entusiasmo, nossa força, e por fim, nosso futuro.
Há muito tempo não sonho. Minhas ilusões me atormentam o dia inteiro, me assola o tédio, o rancor, a inveja e por fim, a vida vai se esvaindo aos poucos, tal qual o sangue no asfalto escorrido de um cadáver. Sem inspiração, sem memória, sem conhecimento, sem vontade, estou perambulando pelas rotinas tal qual um zumbi, um morto ambulante pelas ruas, entorpecido pelo mal que me sucumbia ainda mais. Um pesadelo interminável. Um tenebroso purgatório, onde permanentemente pago por meus pecados. Uma delirante paranóia que me arrasta a um estágio de letargia. Um ciclo vicioso, destrutivo, arrebatador.
Desse pesadelo precisava acordar, do contrário, sucumbiria a um estágio vegetativo de melancolia profunda e insanidade. Era preciso um basta, e começou semana passada, ao conversar com a psicóloga. Falei de muitos dos meus ais. Minhas tristezas, frustrações e desatinos. Precisava entender o que me consumia, o que me impedia de seguir adiante, o porquê de meu desânimo. Aos poucos vi que meu coração estava preso. E meu corpo em fuga, impedia que as raízes de meus males fossem resolvidos. E abraçava novos ares, e buscava novos lugares, novas inspirações, para que minha máquina de sonhos ficasse abastecida, nutrida de ilusões. Mas de tantas ilusões, minha alma ficou obesa, ficou cheia, sem possibilidade de digerir todas as ideias, todos os sonhos que colhi nos verdejantes campos da vida. Era preciso me desfazer de algo, me desfazer de todo o peso que impedia de seguir adiante.
Na mesma noite da consulta com a psicóloga, eu saí a noite, caminhei por um longo tempo, pensando, pensando e conversando comigo mesmo. Precisava processar toda aquela nova e difícil realidade. Eu estava deprimido. Não aguentava mais aquela verdade que arremessou meus anseios contra o chão, despedaçando-os como frágeis cristais. Estava perdido, sem ter para onde ir, anônimo, solitário, indefeso. Era preciso agir de alguma forma, um dia de cada vez. Uma vida de cada vez. Um sonho de cada vez.
O primeiro ‘day after’, vi a rotina. Acordar tarde, me arrumar, me irritar com as coisas não dando certo, os atrasos, os desacertos, as cobranças. Incrível como o desânimo nos paralisa. Vê-se tudo com cara de paisagem, não se reage, aceita, não se indigna, capitula, não se nega, se curva.
O segundo ‘day after’ foi o do desatino. Novo atraso, nova cobrança, nova letargia, mas com um fio de esperança que se torna um álibi do tédio: fim de semana chegando, tempo de renovar as energias, tempo de quebrar os paradigmas aos quais fomos impostos. Uma doce ilusão, mais uma. Pois é tamanho o tédio, que a única imagem de lembrança de um fim de semana, é a das paredes do quarto. Insano, estúpido, cruel destino de 48 horas.
O terceiro ‘day after’ foi o do trabalho. Coloquei as tarefas que precisava colocar em dia. Consertei coisas, limpei a pauta. Vi que a palavra “ajuda” tem um sentido reflexivo. Você se ajuda ao ajudar pessoas, se sente útil. Se sente importante. Quando se compartilha aquilo que tem de valor com outras pessoas, um pouco de você fica gravada nas pessoas com quem compartilhou, e isto te engrandece, te eleva a um patamar superior, divino, que o torna forte, importante. Sua alma e seu ego se transformam, e você recebe de volta na satisfação alheia, um regozijo sem par. Os maiores nomes da humanidade são tido como tais por compartilharem seus dons com o mundo, e infelizmente, poucos aprenderam a lição.
O quarto ‘day after’ foi o do desapego. Saí de casa, andei muito, vi meus vícios e meus defeitos passarem perto, mas deixei-os em algum lugar pelo caminho. Nada de computadores, celulares, jogos, cigarros, pensamentos ruins, malícia, miséria. Enfrentei o tédio, chutei o marasmo e fiz um golaço. Ao jogar bola com desconhecidos, vi a necessidade de interagir e ver o quanto é importante exercermos nossa humanidade. Olhamos torto, desconfiamos, tratamos com indiferença, e isto nos desumaniza, impede de buscar em nós a essência que nos faz felizes, que é a inspiração. Ao olharmos com cumplicidade, demonstrarmos confiança, tratamos com empatia, nos aproximamos do próximo, e nosso intelecto evolui. Ah se fosse possível as pessoas entenderem que é preciso menos ‘EU’s’ e mais ‘NÓS’es’.
O quinto ‘day after’ foi o da percepção da qualidade frente ao status quo horripilante da quantidade. Fui destituído de uma tarefa à qual fui designado, a pretexto de que não eram mais necessários meus serviços. Fica claro a tratativa que, para o status quo é de maior valia 100 trabalhos medíocres ao dia, do que 10 trabalhos excelentes, o que revela uma triste inversão de valores. Fazer bem não é importante, fazer muito é que é, e fazendo isto com menos tempo e menos custo. Sei que meus atrasos e minha produção abaixo do que se espera o status quo, influíram na minha destituição, porém é observável o tratamento indiferente de descartar pessoas como se descarta lixo. Sabemos nossos valores, e só estes são vistos pelas outras pessoas, quando cultivamos nossos valores nas ações que praticamos. E a ausência destes valores geram falhas no processo, pois retiram o esmero necessário para que este logre êxito. Buscar nossos valores e empreendê-los em nossas ações é uma arma poderosa para fazer as coisas bem feito. E tudo deve ser realizado no tempo certo, pois algo empreendido rápido demais não matura, não se define, sequer se estabelece.
Foram cinco dias após um dia que poderia ser negro, mas que se revelou que existe uma luz ao fim do túnel, mas que precisamos correr em direção a ela para que deixe de se tornar distante.

Sejamos todos meios, e não fins

Política não é uma coisa que se faz de dentro para fora, é de fora para dentro. As ideias não são impostas, são expostas, discutidas e aprimoradas. Não se pode ser uma questão de mera transmissão de uma pessoa ou um grupo para uma coletividade, é uma criação coletiva, movida por desejos e sentimentos comuns, que exploram e ultrapassam as barreiras do ego.

Quem quer fazer política deve entender que não deve ser o fim e sim o meio, deve agir e pensar de fora altruísta, deve entender o mundo que o rodeia e trazer esse mundo como fonte de inspiração para seus atos e palavras. Ele não dita normas, teorias e conceitos, ele os sintetiza da realidade que o cerca.

Esta semana senti na pele a realidade de representar uma coletividade, e buscar traduzir os seus anseios. É uma tarefa árdua e conflitante, pois deve-se garimpar as necessidades próprias de cada indivíduo e consumá-las em um anseio comum, coletivo. E para isso, devemos sempre agir com desapego de ego, de vaidade, com vontade, senso crítico e fé, liberdade, humildade e empatia. Sem isto, nos tornamos falsos, sem valores, hipócritas, sem caráter. Devemos também filtrar aquilo que é fútil, aquilo que não representa anseios comuns, mas benefícios individuais. Em suma, abolir o ego.

Àqueles que pensam que política se faz de dentro para fora, um aviso. A surdez de suas convicções e a cegueira de suas vaidades os corrompem, e os levarão à ruína. Pois a verdade daquilo que se crê salta aos olhos, mas só é decifrada por quem vê a verdade sobre todos os olhos, sobre todas as formas de ver o mundo.

Aos hipócritas que desfilam seus venenos, com críticas infundadas, acusações falsas e ações injustificáveis, mas reagem de forma igual, quando se invertem os papeis, meu lamento, pois se entende que o fazem não é por benefício mútuo, mas benefício próprio. Ambição, poder e influência são os anseios menos importantes de líderes legítimos, pois sabem que as ações não se originam deles, apenas passam por eles. E são estes, os legítimos líderes, condutores da mudança e do triunfo.

Ao ler palavras infelizes de pessoas sem a visão apropriada para conduzir a mudança, tiro lições de que é verdadeira a afirmativa de que a mente é como um paraquedas: é útil em movimento, quando aberta. E da mesma forma que o paraquedas apara o ar para trazer a pessoa ao chão com segurança, a mente aberta apara as ideias para trazer a luz do entendimento. Não devemos nos permitir que nossas percepções sejam obstruídas pelo preconceito, pela vaidade e pelo egoísmo.

Sejamos todos meios e não fins.

Pau de bate em Chico, bate em Francisco

Uma reportagem do jornal Folha de São Paulo, no qual um reporter conseguiu emitir 9 identidades em estados diferentes, revela a estrutura falha do Estado em ter o controle sobre seus cidadãos. Eu já escrevi anteriormente sobre o assunto, porém é preciso debater novamente sobre isso.

Além dos problemas de ordem judiciária/criminal, esta prática impossibilita que haja melhores serviços públicos, como saúde, educação, além de gastos desnecessários do Estado com a emissão de documentos, com redundância de dados e permissão à fraudes.

Em 1994, o Plano Real instituiu uma simplificação da administração da política econômica por meio da desindexação econômica, ou seja, antes do plano haviam vários índices para determinar parâmetros de valores, tamto pelos orgãos públicos, como pelo próprio mercado. Assim, com vários índices, a moeda ficava em segundo plano, favorecendo a inflação. Quando desindexou, a moeda, o Real, passou a ser o principal parâmetro, recolocando-o como parâmetro valorado na economia.

Para a política civil, deveria acontecer a mesma coisa. Temos diversos “índices” de identidade, tais como: certidão de nascimento, RG, CPF, título de eleitor, carteira de trabalho, entre outros. Com tantos números de identificação, a estrutura de controle das pessoas por parte do estado fica descentralizada, impossibilitando seu controle.

Com uma base de dados unificada e disponível a todos os serviços públicos (educação, saúde, trabalho, justiça, fisco, previdência, etc.), o Estado fica mais eficiente, tanto para fornecer serviços de qualidade, quanto para aplicar a lei com um maior rigor.

Também pode-se usar essa base de dados para outras organizações, como faculdades, bancos, sindicatos, entidades de classe e partidos políticos, assim como toda a população, permitindo assim que informações públicas também estejam disponíveis à todos.

Um exemplo de um serviço benéfico que surgiria com um cadastro unificado, seria a de um prontuário médico público compartilhado, permitindo que SUS, convênios médicos, hospitais e profissionais de saúde possam escolher o melhor tratamento, com base em seus antecedentes médicos. Na educação, o processo de matrícula, formação e histórico escolar seria simplificado e desburocratizado.

Claro que não é de interesse de muitos políticos que se simplifique a estrutura de identificação brasileiro. Quanto mais burocrático e engessado o Esatado, mais vantajoso para eles. Além disso, muitos destes também praticam fraudes contra o fisco e a falsidade ideológica é um importante recurso, que seria bastante inibido, com uma unificação ideológica.

Pois se a lei é igual para todos, a burocaracia e as falhas também. Pau de bate em Chico, Bate em Francisco.

Há certos momentos em que

Há ocasiões em que temos que tomar decisões. Ou simplesmente postergá-las. Há momentos em que mentimos, que falamos a verdade, ou que simplesmente nos calamos, seja com a verdade que se revela ou com mentiras, embora injustas, não temos força ou argumentos necessários para desmascará-las. Há momentos que temos que fazer tudo, ou quase nada, há momentos para agir, ou esperar, para tudo há um momento oportuno e podemos agir certo na hora inoportuna, ou errada, no momento em que o erro não é admitido.

Mas a ação é necessária. Primeiro que ao agirmos, fazemos movimentar o universo que nos rodeia. Depois que outras pessoas ao verem o seu ato, reagem de alguma forma, gerando uma cadeia de ações, que de forma positiva ou negativa causam reflexos em você. O resultado do impacto sempre dependerá da ação executada. Então vemos que fica inverossímil a teoria de que somos incapazes de controlar os nossos destinos, pois por sempre darmos o primeiro passo, tudo se reverte conforme a causa. Colhemos o que plantamos.

Por isso, agir conscientemente e no momento certo, sempre observando os efeitos que seus atos causarão, será sempre considerada uma atitude sábia. Pois aquele que age desta forma, entende que toda ação humana jamais será uma ação pura e simplesmente individual, mas coletiva em maior ou menor grau.

Por isso é que há certos momentos como agora em que é preciso refletir suas atitudes, de modo a corrigir as possíveis falhas e buscar aprimorar seus atos de maneira a afetar positivamente as outras pessoas, sempre.

Meu Partido é um Coração Partido

Tem gente que pensa que os partidos políticos não servem para nada. Alguns os hostilizam pois esperam que eles nos representem, e no entanto acreditam que estes representam interesses privados e não públicos.

Se é ruim com eles, pior sem eles, e isso tem nome: DITADURA!

Para quem não estudou, nosso país é uma República Federativa, cuja política é organizada por meio de uma Democracia Representativa. Se o sistema não está funcionando, é porque quem está nos representando, não está agindo de acordo com as vontades do povo.

Por isso é importante entender e fortalecer a figura de partido político, mas que tenha compromisso com o povo, e não com seus próprios interesses.

Ano que vem, tem eleições gerais no Brasil. Vamos continuar os protestos nas ruas, mas também nas urnas não devemos esquecer. Devemos escolher grupos políticos que de fato nos representam, priorizando não as personalidades que se candidatam, mas todo o contexto que os envolvem.

Se o povo soubesse que votando no Tiririca, iria eleger o Mensaleiro Valdemar da Costa Neto, jamais o povo votaria no pobre palhaço, que por sinal, surpreende no congresso com atuação destacada.

O momento é de ir às ruas para que os políticos saibam que eles são nossos representantes e devem governar este país em consonância com nossos interesses, sem hostilizar os partidos, mas aqueles que não representam o povo.

Pois quem odeia partido, rejeita o modelo democrático, e é contra a mudança por vias legais e éticas. Precisamos conter o extremismo e a ignorância pela deturpação dos fatos.

Em tempo: há pessoas que não estão entendendo o que acontecem e confusas, acabam defendendo o fascismo. Armamentismo, redução da maioridade penal, militarismo, defesa da família tradicional são pautas fascistas. Tomem muito cuidado, pois podem estar parafraseando Mussolini sem perceber.

O pranto

Eu havia chegado ao meu trabalho aos prantos em abril. No dia anterior teve greve e eu parei, meus amigos e colegas de trabalho não me entenderam, muitos entraram com medo de ser assediados, mesmo eu pedindo para ficar do lado de fora. Teve confusão, polícia, e me senti um fraco, um inútil que queria lutar por todos os que queriam um trabalho melhor, uma empresa melhor que tratava as pessoas com mais respeito e consideração.

Hoje eu volto para minha estalagem aos prantos. Mas era prantos diferentes. Eu vi que haviam pessoas que pensavam como eu, que lutavam por um país melhor, que foram às ruas por lutar por seus interesses, que não tiveram medo de polícia, que gritaram palavras de ordem, que disseram não à tudo que renegavam.

Em abril eu fui um dos poucos grevistas da Verbo Divino.
Hoje sou um dos 100 mil manifestantes do Rio de Janeiro.

A BONDADE VALE A PENA, SIM. Lutar pelos outros vale a pena! E sou feliz por ser um guerreiro pelas causas de meus semelhantes.

Cada lágrima valeu muito a pena, é a emoção de ser brasileiro e ser ativista.

#OBrasilAcordou

A Primavera vem vindo!

Vocês são os culpados!

Polícia para quem precisa!? Polícia para quem precisa de polícia!?

Se você é fascista, burguês, aplauda o escárnio dos policiais agredindo gratuitamente os manifestantes que agiam de forma pacífica, quinta em São Paulo, Sábado em Brasília e ontem no Rio.

São vocês que querem a redução da maioridade penal!
São vocês que são contra o casamento igualitário!
São vocês que são a favor do absurdo da “cura gay”!
São vocês que querem a ditadura militar de volta!
São vocês que acham que manifestantes são vândalos, que mendigos são lixo humano e que bandido bom é bandido morto (mesmo que apenas pareçam bandidos)!
São vocês que odeiam o pobre, o negro, o índio e não querem que vençam na vida!
São vocês que são contra as cotas raciais e sociais nas faculdades públicas!
São vocês que são contra os 10% do PIB para a educação!
São vocês que fecham os olhos para a realidade, que querem apenas a solução dos efeitos e não das causas.
São vocês que botam a culpa no governo, numa hipocrisia absurda de fugir da responsabilidade!
São vocês que reclamam com os amigos que o Brasil está uma merda, que seu trabalho é uma merda, que seu patrão é um filho da puta, mas chamam de vagabundos aqueles que lutam por você, que vão às greves, que vão às ruas, que se manifestam, enquanto preguiçosamente preferem não fazer nada!
São vocês que falam mal dos sindicatos, mas que não foram em nenhuma assembleia, não fizeram piquete, não pararam um dia sequer com medo de descontar o salário!
São vocês que esperam por um messias, quando tem de fato a força!
São vocês que pensam em vocês mesmos, segundo à risca a Lei de Gerson, e esquecem que estamos todos no mesmo barco, e se cada um remar para o seu lado, o barco nunca sairá do lugar!

Façam o favor, olhem o redor, e vejam que o mundo que vocês viviam mudou, e ficaram estagnados no tempo. Olhem o sorriso amarelo, o pão e o circo, a rotina desgastante de notícias ruins e tentem acordar dessa letargia. Não me inquieta os gritos dos ímpios, mas o silêncio dos justos.

De que lado você está? Cada neutro é um oportunista! E cada oportunista é um Canalha! Vamos, levanta! Desperta! Esta é a hora de sair da zona de conforto, do medo da tragédia, para buscar uma glória maior! Pois a realidade já é trágica e nos envenenou aos poucos, entorpecendo lentamente.

ACORDA!!!!!!!!!

Homenagem ao amigo Nei

Cedo demais…

Como disseram outro dia, por que os bons morrem jovens? Há lógicas que não entendemos, nem queremos aceitar, pois a vida é ilógica, o mundo é ilógico, e nada nos faz sentido. É difícil crer na fragilidade da vida, mesmo com tanta coisa que o Homem fez para fortalecê-la. É difícil crer na força da morte, mesmo com tantos recursos que usamos para derrotá-la. E este fim precoce nos punge de tal forma que somos surpreendidos, agimos com descrença, revolta, dor e, por fim, tristeza.

A melhor forma de homenagear alguém que se foi é vivendo intensamente, pois ao lembrar aquela canção do Milton Nascimento, a Canção da America, que sempre choramos ao lembrar da dor da despedida, lembramos que qualquer dia a gente vai se encontrar, e quando se encontrar, certamente nosso amigo vai querer ouvir de nós muita coisa.

Quanto a você, amigo Nei, me dói saber só agora que você não está mais aqui. Mas que palavras devo dizer, se a tristeza dessa notícia não é possível descrever em palavras? Ficaria horas a fio tentando em vão dizer o que é isso que tira o nosso chão, nossa alegria, um pouco de nossa fé.

Que esteja em paz, onde quer que esteja. É o que é possível dizer.

Paranoia

A noite cai abruptamente, mas minha mente continua ativa, atordoada por pensamentos que me perturbam de diversas fontes. Essas pertubações me distraem, me assustam, me deixam acuado, indefeso, impotente, quase morbidamente paralisado.
Me debato com os travesseiros, brigo com meu leito, que me abate, me agride, confrontando minha impassividade com o acalanto de um desconfortavel conforto, mostrando a mim, tal qual a criança que não quer dormir por medo do sonho ruim, que aquele não é meu lugar.
Abro a jenela. Vejo a lua fria, quase oculta entre nuvens marrons, em um horizonte tão sombrio e nebuloso quanto meu destino. Me arrepio, pois temo o prematuro desfecho que sequer concluiu o primeiro capítulo, por muito esperar da inspiração do autor, que nunca vem.
Mensagens, tristezas, dúvidas, fracassos, decepções e derrotas me machucam e me atormentam ainda mais… Não consigo fechar os olhos por temer não conseguir mais abri-los. O abismo parece perto e estou inerte, em queda livre.
Olho para todas as coisas que tenho ao meu redor e me vejo tão inanimado quanto isso. Minha dor de ver um mundo girando e eu parado no tempo me desespera. O pavor é tamanho que não vejo alternativas a não ser viver de forma inerte, cinzenta, opaca.
Olho para a luz do meu quarto. Talvez não seja merecedor de nada disso, pois perdi o senso do valor, perdi a noção da verdade, perdi a ideia do carater. Não sou nada, nem ninguém. E isso me envergonha a ponto de fugir, mas para onde?
Estou em um labirinto, perdido. Em uma paranoica jornada rumo ao fim. Ninguém pode me ajudar. Por favor, me salvem. Estou à beira da loucura. Em uma paranoia delirante.

A falta de consciência política: um convite à corrupção

Quase sempre, ao falarmos de política, a temática da corrupção vem à tona. Ainda mais em uma das maiores democracias do mundo, a brasileira, e em uma época singular: uma disputa eleitoral ocorrendo simultaneamente ao julgamento de um dos maiores escândalos de corrupção da história recente do país, o mensalão.

Mas observe que o mensalão existiu, e esquemas de propinas e favorecimentos ainda existem para representantes legislativos em nosso país (senadores, deputados federais e estaduais e vereadores), por conta de um sistema eleitoral e político em que o eleitor é induzido ao erro.

Comecemos pela obrigatoriedade do voto.

O voto é um direito e o cidadão também deve ter o direito de abdicar dele.

A obrigatoriedade de votar reduz as possibilidades de uma pessoa de escolha, sendo que as demais seriam o voto branco ou nulo. Com efeito, do caminho à sua residência ao local de votação, este é assediado por cabos eleitorais em propaganda de boca de urna (mesmo que proibida), e acabam votando em qualquer um. Pergunte a qualquer um daqui a um mês em quem votou para vereador, que poucos saberão a resposta. Seriam estes os que realmente votam por querer mudar alguma coisa, e com os demais, que não tem a plena consciência do voto, que os políticos sem escrúplulos podem contar.

O quociente eleitoral é uma questão extremamente polêmica, e uma das maiores distorções do processo eleitoral proporcional.

Para permitir o voto de legenda, que costuma favorecer partidos que tenham bom apelo popular, como o PT, a soma do voto dos representantes eleitos nas eleições proporcionais, com os votos de legenda definem os eleitos. Divide-se o total de votos válidos (excluindo brancos, nulos e abstenções) pelo total de cadeiras e se obtem um índice (o quociente eleitotal). Suponhamos que temos uma câmara municipal com 10 vagas e o total de votos válidos seja 25000. Assim, o quociente eleitroral seria de 2500 votos. Porém esse valor é dividido entre os partidos nos votos nominais e de legenda. Assim, um partido de apelo popular sempre consegue grande quantidade de eleitos, assim como um candidato muito bem votado, consegue atrair alguém menos votado do seu partido e elegê-lo. Não à toa que, em 2010, o palhaço Tiririca foi a estratégia do PR nas eleições paulistas para deputado federal. Vendendo a ideia de voto de protesto (“Vote Tiririca, pior que está, não fica!” – foi o mote de sua campanha), o candidato obteve votação expressiva e conseguiu eleger outros políticos do mesmo partido. O que se viu, foi uma estratégia para que Valdemar da Costa Neto, acusado no escãndalo do mensalão, pudesse ser eleito deputado. O grande problema desse sistema, é que a quantidade de votos de legenda é pequeno e poucos partidos se beneficiam dele. Além disso, uma pessoa que esteja votando em um candidato pode estar ajudando a eleger outro, que não queira ou não gostaria que fosse eleito. Este modelo acaba por enfraquecer os partidos e fortalece o fisiologismo, pois o candidato vale muito mais que o partido que o representa.

O modelo de eleição em dois turnos é uma grande armadilha. Nestas eleições temos dois exemplos de como esse processo eleitoral pode travar um governo ou motivar esquemas de corrupção. Na segunda perna do pleito, apenas os candidatos do poder executivo são escolhidos. E os do poder legislativo, que podem ajudar ou atrapalhar o governo desse representante são escolhidos apenas uma vez. Assim, se for eleito um candidato que não tenha uma quantidade de respresentantes no legislativo suficientes para governar, este terá problemas, pois precisará formar uma coalizão ou ainda usar de subterfúgios ilícitos para conseguir aprovar seus projetos. Isto deverá ocorrer em Diadema-SP e na capital paulista a partir de 2013.

O ideal seria que as vagas conquistadas no legislativos pelas coligações em disputa no segundo turno fossem redistribuídas por meio de nova votação.

Isto impedfiria essa armadilha eleitoral do segundo turno. Talvez se voltássemos no tempo, observamos que o mensalão não foi fruto apenas da falta de escrúpulos de políticos, mas também por um sistema eleitoral que catalisou esta falta de escrupulos e inibiu a honestidade no poder.

Por conta dessas questões, uma alterantiva de protesto seria o voto em branco ou nulo, porém seu efeito é inóquo. Ao contrário do que dizem, mesmo que a maioria dos votantes anulassem o voto, a votação só seria anulada em caso de fraude ou crime eleitoral.

A votação nula espontânea não invalida uma eleição.

A lei da ficha limpa pode ser considerada um alento à democracia brasileira. Pois somente a ação popular de propor leis será capaz de mudar a realidade política. Incluir novas regras para a escolha de candidatos ou até mesmo acabar com a obrigatoriedade do voto poderão garantir um processo democrático mais transparente no Brasil.

A partir disso, uma postura consciente do cidadão em relação à política, com o voto consciente, a fiscalização permanente e a manifestação livre, poderão reverter o quadro político nefasto, inibir a corrupção e gerir os recursos públicos de forma responsável, tornando melhor e mais prósperos municípios, estados e o país onde vivemos.

Um novo ciclo

Ontem eu completei 31 anos de idade. Sempre nesta época em que renascemos, temos que refletir o que passou e o que temos pela frente. Claro que por não termos o completo conhecimento sobre nosso futuro, mergulhamos em um mar de incertezas e isto, inevitavelmente nos impõe a um sentimento de angústia, quando não somos capazes de entender nossas próprias vidas. A reflexão, porém, pode nos fazer entender isto, fazendo com que um novo ciclo deva dar início, pois, como as esperanças se renovam a cada nova primavera pessoal que se inicia, esta fé seria uma força motriz para dar início à uma busca por novos caminhos.

Às vezes, esta reflexão nos faz concluir se devemos ou não imprimir uma mudança em nossas vidas. E este dilema é resolvido de acordo com o estado de espírito no momento em que a escolha é feita. A autoestima somado a um caráter otimista/pessimista/cético/realista, nos influem fortemente em nossas opções. Por conta do estado de espírito, podemos estar susceptíveis a erros, tanto por efetuar a escolha errada, quanto por deixar de passar uma oportunidade. Contudo, tudo isso pode ser revertido aprendendo com os erros e não deixando passar as oportunidades que são oferecidas.

Cada aniversário de vida é um momento de mudança, pois passamos a olhar a nós mesmos com um maior enfoque. Devemos aproveitar este momento para fazer um balanço: o que está certo e o que está errado e assim, agir para melhorar o que está bem e corrigir o que está mal.