Palavras A Dizer E Não Dizer

(artigo publicado no meu blog de causos como professor: http://professorandrearruda.wordpress.com/2010/08/14/palavras-a-dizer-e-nao-dizer/)

Bem, amigos, mais um causo para vocês. Aconteceu hoje na escola que durante uma conversa informal no intervalo das aulas, um colega emitiu uma infeliz afirmação sobre os alunos que faltaram hoje: disse que iria f*der com eles, pois iria aplicar prova. Uma das alunas, indignada, foi reclamar com a direção da escola. E com razão, pois isto não é coisa que se diga sobre seus alunos, que não podiam se defender dessas palavras, por estarem ausentes, fato semelhante ao artigo anterior, só que, desta vez, com papeis trocados.

A palavra é muito mais feroz que a ação. Pois é fácil de ser dita e torna pública a intenção, a opinião, o pensamento e a conduta de quem o diz. Mesmo em tom jocoso, a palavra revela, nas entrelinhas e no contexto, a personalidade de uma pessoa. Medir as palavras de acordo com o ambiente em que se encontra é um sinal de maturidade e de bom senso, pois muitos foram sumariamente punidos por palavras impróprias em lugares impróprios. É claro que um erro desta natureza, se cometido por ingenuidade, como foi o caso de nosso colega, não precisa mais do que uma séria reprimenda para que tenha a consciência do erro que cometeu.

É importante ter a idéia do que se diz. Palavras são palavras, mas ferem mais ferozmente do que qualquer arma. A caneta é mais forte do que a espada, disse Voltaire, e isto é uma grande verdade. Pois a verdade deve sempre ser dita, mas certas “verdades” não.

Neste episódio também vemos uma falta de compromisso e cumplicidade entre os corpos docente e discente. São freqüentes os atritos entre alunos e professores e, nas minhas aulas, convivo com isso freqüentemente. O fato de o curso ser pago não implica em que o aluno possa fazer o que quiser na aula e ainda assim, ser adulado pelo professor. O respeito deve existir e deve ser uma estrada de mão-dupla: deve ser mútuo e recíproco. Muitos jovens e alguns adultos consideram que o fator financeiro é motivo para uma relação de subserviência por parte do professor aos alunos, pois o confundem com respeito, o que é errado. Respeito não é submissão e sim compromisso.

Por fim, um conselho: guarde as palavras para si, reflite-as, e somente fale se estiver no local certo e no momento certo de dizer. Assim evita-se transtornos e constrangimentos com declarações infelizes.

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