O Crítico

O assunto de hoje tem a ver com uma discussão que levantei no Twitter (http://twitter.com/#!/kazzttor/status/26485286837) em 05/10 e acabou se estendendo à minha página no Facebook (http://www.facebook.com/kazzttor) por conta de um comentário que fiz sobre a bancada religiosa no Congresso Nacional Brasileiro. O debate saltou de uma rede social para outra, pois há uma sincronização entre as duas redes. Fui duramente criticado por alguns amigos, frente ao meu comentário, pois estes seguem suas religiões e de fato, consideraram o que comentei uma injúria. Eu considero as críticas totalmente enriquecedoras, pois propiciam um debate franco, aberto e permite a todos compreender todos os pontos de vista abordados, os prós e os contras de bancadas que defendem interesses de grupos no Congresso. Criticaria da mesma forma, a bancada das armas, a ruralista, a evangélica, a da bola e tantas outras que tornam nosso congresso uma fogueira de vaidades em vez de promover um país justo, que respeite a todas as etnias, todas as crenças, todas as opções sexuais, em suma, todo o povo brasileiro.

Não devemos, entretanto, observar a situação somente com seu embasamento sócio-ideológico, marginalizando aqueles que não seguem sua doutrina ou sua filosofia de vida. Uma visão humanista e mais ampla se faz necessária. O enfoque a ser abordado não é o que essas bancadas agregaram ou desagregaram, mas sim, que um parlamentar foi eleito para governar e criar leis que atendam aos anseios de toda a população, sem distinção de raça, credo, classe social ou orientação sexual. Precisamos rever nossos conceitos (inclusive os meus) e ver a situação como um todo e não apenas sob um ponto de vista apenas.

Uma das questões que estão em discussão nesses dias é sobre o aborto. Sob o ponto de vista humanista, uma pessoa tem o direito de fazer o que bem entender, inclusive de interromper uma gravidez indesejada, desde que este ato não desrespeite os valores fundamentais como o respeito ao próximo e à vida. Isto se as circunstâncias dadas sobre o ocorrido fossem de fato, inevitáveis. Mas há uma incoerência neste livre arbítrio, se esta ação se decorrer de um ato anterior cometido de forma irresponsável. Sabemos que há uma corrente feminista que defende a legalização do aborto, mas não concordo com ela, pois além de radical, infringe ao direito universal da vida. O mundo é sexista o qual se opõe a uma sociedade, como a nossa, que é moralista e hipócrita, o qual vê um movimento mais liberal como uma ameaça “à moral e aos bons costumes”. A minha oposição ao aborto (eu já fui a favor) se dá porque há métodos contraceptivos muito eficientes e que uma gravidez indesejada ocorre mais por falha das pessoas envolvidas do que um simples equívoco ou acidente. Pois existe informação, existe incentivo à prevenção, mas o moralismo e o pudor existentes são entraves que tornam essa falha freqüente. Este é apenas um exemplo de uma opinião que poderia ser contestada, não com argumentos sólidos e abrangentes, mas com argumentos baseados em aspectos morais e religiosos.

Não critico a religião em si. Todos precisam crer para seguir adiante. Mas é preciso ver que foi o homem, e não as divindades, quem estabeleceram seus parâmetros, suas regras, e que estas foram criadas de acordo com um panorama social e histórico. Porém, estes panoramas mudam de acordo com os tempos de acordo com as necessidades que o Homem almeja, e os recursos que ele dispõe e obteve com a sua evolução tecnológica e social. Sabemos que os parâmetros elementares estão em seus livros fundamentais (Bíblia para os Cristãos, Cabala para os Judeus, Alcorão para os Muçulmanos, etc.) que não devem ser descartados, pois seus registros históricos denotam uma tradição que deve ser mantida. Mas a interpretação destas palavras não deve ser literal, pois alguns dos conceitos abordados naqueles tempos não são compatíveis com a atualidade e também com os princípios primordiais de conduta ética e respeito aos seus semelhantes. A interpretação destas palavras deve ser transposta aos novos tempos, mantendo a essência de seus ensinamentos.

É preciso conscientizar as pessoas sobre o mal de viver de forma irresponsável, assim como de defender radicalmente sua ideologia de forma a impor seus conceitos sobre opiniões dissonantes. Respeitar o pensamento alheio é também respeitar o próximo e viver em harmonia com ele.

Sou cristão e a história de Cristo é fascinante. Pois ele fez como muitos que hoje são massacrados por pensar diferente. Ele mostrou um novo caminho, mostrou que é sim, possível, respeitar as diferenças, que é possível ver o próximo como irmão, mesmo pensando e agindo de forma diferente do que ele pregava. E foi cativando a todos, pois acolheu os excluídos.

Assim, concluo este texto solicitando a todos que se desarmem do pudor, da indiferença, das doutrinas que nos impedem de debater temas polêmicos, para o prol de todos e não para impor uma doutrina que nem todos seguem.

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