Todos Contra Um

Mesmo ao lamentar a perda do título brasileiro de 2010 para o Fluminense, consumado em 5/12, vejo uma situação que em escandaliza e me deixa em temor. Mesmo vendo um jogo de bastidores acusado por adversários para favorecer o Corinthians, ainda acredito que o clube paulista foi sim vítima de uma perseguição feita por clubes adversários e por uma parcela significativa da imprensa esportiva que não tem como mote o profissionalismo em sua cobertura. Uma perseguição que dá ao clube carioca o status de heroi e ao paulista o de vilão neste certame.

É temido por muitos a consolidação de um processo redentor, mesmo que contendo episódios questionáveis, após o rebaixamento em 2007. Um processo que faz cair por terra todas as estratégias até então adotadas por clubes brasileiros até então. Hoje o Corinthians, através de uma estratégia de marketing arrojada e voltada para o maior potencial de faturamento hoje no futebol, que é sua torcida, é hoje o clube brasileiro com o maior faturamento do país, ultrapassando o São Paulo Futebol Clube, e é a marca de clube mais valiosa do futebol brasileiro, ultrapassando o Flamengo. E esta forma de faturamento, similar a de clubes europeus, é o grande temor de seus adversários, pois isto exige um certo grau de transparência administrativa, e poderia tornar inviáveis mazelas que são conhecidas em muitos clubes, em que somente seus dirigentes se beneficiam delas. O grau de sucesso corinthiano somente não é maior devido às dividas herdadas de administrações anteriores.

A administração de Andrés Sanches promoveu uma redenção ao clube paulista. Mas sua ambição e gana pelo poder permitiu a ira de dirigentes de outras agremiações. É sabido de todos que é arquitetada a ida de Ricardo Teixeira para a presidência da FIFA e que Sanches almeja sucedê-lo. Há outros dirigentes peliteando o cargo, como Juvêncio, Koff, e o presidente do Inter. Notória que esta disputa entre clubes, que conta com o apoio de bastidores de pessoas ligadas a estes clubes, emissoras de TV, jornalistas, fez com que se criasse uma cortina de fumaça, institucionalizando a disputa. Quando houve o apoio da CBF ao estádio do Corinthians, e este foi o escolhido para a abertura da Copa de 2014, esta guerra se tornou um complô ideológico para tornar o Corinthians, o inimigo público número 1 do Futebol Brasileiro. Se havia uma motivação em jogar contra o Corinthians, era ampliada pelos cartolas. Se havia um lance polêmico que favoreceu o Corinthians, era visto como uma manobra de manipulação de resultados para ajudar o clube a ser campeão. Poucas foram as vezes em que enalteceu algum lance polêmico no qual o clube paulista fora prejudicado. Não podemos provar se erros da arbitragem foram intencionais ou não, mas havia uma inclinação forte da imprensa esportiva em tratar erros de arbitragem pró-Corinthians como sendo manipulações de resultados.

Conquistar um título importante no ano do Centenário seria a consolidação de um processo redentor que teve início em 2008, após a queda à série B. Desde então, houve uma reformulação do clube e uma mudança na estratégia mercadológica, tendo como foco o torcedor. Lojas temáticas foram abertas, houve um crescimento de produtos licenciados, a implantação de um sistema de sócio-torcedor, e uma negociação mais agressiva de patrocínio e direitos de imagem, inclusive tendo o maior contrato de patrocínio com a Medial Saúde em 2008, mesmo estando na série B. Pela primeira vez, jogos de um clube na série B, tiveram direitos de imagem iguais aos de clubes da série A, com jogos transmitidos em horário nobre e com recordes de audiência. As finais da Copa do Brasil mesmo com o revés para o Sport, e a partida contra o Avaí em 25/10/2008 foram as partidas de futebol com as maiores audiências em televisão naquele ano. Em 2009, com o patrocícnio da Hipermarcas e do Grupo Silvio Santos, juntamente com a contratação de Ronaldo, 2009 propiciou ao clube paulista o status de mais patrocinado do país. Com os títulos paulista e da copa do Brasil naquele ano, o clube alcançou seus objetivos para o ano seguinte, seu centenário, com 6 meses de antecedência. Em 2010, foi eliminado precocemente da Libertadores e lutou até a última rodada com chances de título, mas acabou em terceiro lugar e sem obter título algum.

Houve neste período momentos de conflito, como o ocorrido com a diretoria do São Paulo, na qual o Corinthians decidiu não mais mandar seus jogos no Morumbi. Desde 2008, que o Corinthians não manda seus jogos no estádio do São Paulo. Também houve conflitos com imprensa e o clube dos Treze. A posição antagônica de Andres, pos o Corinthians em rota de colisão com outros clubes.

Voltando no tempo, para 2005, quando o Corinthians venceu o Campeonato Brasileiro, o que muitos atribuíram ao escândalo da arbitragem revelado pela revista Veja, no qual Edilson Pereira de Carvalho foi condenado por manipular resultados de jogos, sendo que alguns jogos cruciais eram do Corinthians ou de seus concorrentes diretos, fez com que dirigentes de outros clubes, sobretudo do Internacional, questionassem o escândalo e seus desdobramentos como um golpe para favorecer o Corinthians. Em 2007, o Internacional entrou com o time reserva contra o Goiás para “entregar” o jogo, e prejudicar o Corinthians, culminando em sua queda para a série B. Foi a primeira grande “entrega” de um jogo para prejudicar um adversário na era dos pontos corridos. Em 2009, o Corinthians foi acusado de “entregar” o jogo contra o Flamengo, evidenciado pelo lance do pênalti em que seu goleiro nem pulou para defender a cobrança em que resultou em gol. Em 2010, Palmeiras e São Paulo foram acusados de entregar seus jogos contra o Fluminense para prejudicar o Corinthians.

Tudo isto desmoraliza o futebol. A briga de interesses por poder e dinheiro, além de jogo sujo, torna o esporte bretão um terreno de intrigas, dando a impressão de que vale tudo para atingir seus objetivos, até mesmo prejudicar seus adversários a todo custo. Este não é o exemplo a ser dado ao nosso povo e principalmente a nossa juventude. Estas mazelas, que se assemelham a histórias de um folhetim, não contribuem para moralizar o esporte e também o país.

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