Logoff

Hoje começa uma vida deslogada de redes sociais e de mensageiros instantâneos. A frugalidade e a insipiência destas ferramentas me inclinaram a tomar essa decisão. Vivi muito tempo imerso neste universo paralelo e percebi que o mundo virtual é muito mais superficial e perverso que a realidade que vemos em nossas vidas.

Pelo ambiente livre o qual a internet se insere, há pessoas que desejam viver o que não são. Isto cria um ambiente ilusório de alienação ao qual pelo aspecto viciante, nos arrasta para um estágio de paranóia e afastamento da realidade. Esta realidade pode causar demência social e nos induz a erros e ao isolamento social. Ter amigos virtuais sem um vínculo real é perigoso, pois não sabemos quem estamos nos relacionando. O mascaramento da real personalidade por meio de personagens ou avatares nos expõe ao risco de ter nossas vidas expostas a pessoas mal-intencionadas. Por outro lado, o caráter livre e anárquico da internet nos induz a ter uma atitude também livre, mas revelando intimidades por considerarmos a internet uma espécie de “oráculo”, que aparenta preencher nossas lacunas e satisfazer nossas necessidades, gerando assim, uma relação íntima.

O papel da internet hoje é, apesar dos inconvenientes, importante. Trata-se de uma nova mídia com peculiaridades bem dinâmicas, o qual requer conhecimento e discernimento para que não se transforme numa ferramenta de alienação. Assim, o uso adequado da internet e das redes sociais são necessárias para que haja um grau de conscientização das pessoas sobre seu uso.

As redes sociais permitiram que grupos com interesses comuns pudessem se reunir e se organizar. Movimentos de ajuda humanitária, de defesa de interesses de minorias, de lutas contra discriminação, e até movimentos de apoio a causas polêmicas como a legalização da Maconha e a favor do aborto ganharam espaço com a internet. Entretanto, abriu-se espaço também para grupos que defendem o preconceito, o moralismo, a incitação ao sexo, à violência e ao consumo de entorpecentes, e até mesmo grupos racistas e neonazistas, gerando conflitos freqüentes e também um questionamento se não seria necessário um controle sobre o conteúdo divulgado na internet.

Sabemos que tudo o que há na internet em conteúdo são criações de pessoas, de correntes de pensamento humano distintos. E são essas correntes que tornam a sociedade humana algo tão complexa, plural, paradoxal, e tudo isto nos opõe razão e emoção, ideologias primitivas e contemporâneas, impulso e calculismo, que são todas as características próprias do ser humano. Mas o nível de embate que a internet proporciona nos coloca a um estado de atrito constante e cada vez mais intenso, de modo que conflitos acabam por eclodir mais rapidamente.

Dada a esta complexidade, foi importante eu promover um hiato a este universo. Eu preciso entender novamente o mundo real ao qual estava perdendo contato devido às rotinas habituais e ao universo paralelo que a internet me propiciou. É preciso digerir novamente as informações que recebo, e também, realizar uma releitura de uma nova realidade, que está cada vez menos conceitual e mais dinâmica. Não podemos perder nossa personalidade e nossa essência, é preciso um tempo para que essa personalidade se consolide e deixe de ser suprimida por ideais tão conflitantes e consonantes.

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