Enchendo linguiça

Na última terça, dia 03/05, ocorreu, no anfiteatro da FATEC-SP, um debate sobre as mudanças organizacionais em que o CEETEPS (Centro de Educação Tecnológica Paula Souza) estão sofrendo. A explanação do dirigente do Centro Paula Souza não passam de enchição de linguiça. A única vantagem desta mudança seria uma maior autonomia da instituição para alterar cursos, vagas, cronogramas e unidades de ensino, sem no entanto, prover autonomia financeira.

O grande questionamento feito pelos alunos, professores e funcionários foi o motivo pelo qual estes não foram consultados antes das mudanças auferidas. Todas as alterações foram feitas pelo governo estadual através da Assembleia Legislativa com a chancela do Centro Paula Souza. Esta quebra de braço entre corpo acadêmico de FATEC’s e ETEC’s e o governo paulista já tem cerca de 12 anos, entre idas e vindas, greves, protestos e projetos de lei engavetados na assembleia. A vitória governamental é mais uma derrota da classe estudantil paulista, que sofre com o descaso e a depreciação da qualidade de ensino no estado de São Paulo.

Na época em que este embate começou, eu era aluno da ETE Getúlio Vargas e senti na pele a insensibilidade governamental em relação a educação. Quando a nova LDB (lei de diretrizes e bases da educação nacional) foi aprovada, o governo estadual paulista do então governador Mário Covas instituiu uma truculenta reforma nos ensinos fundamental e médio, separando ensino técnico do regular e implantando a famigerada progressão continuada. As reformas impostas pelo governo estadual foram feitas sem nenhuma preparação ou adaptação aos professores e alunos, que foram claramente prejudicados por uma postura ditatorial e abusiva.

Consequências desses atos foram as denúncias em meados da década de 2000, por parte de pais de alunos de escolas públicas estaduais de que seus filhos mesmo estando no sexto ano do ensino fundamental, ainda não sabiam ler nem escrever e as greves dos professores do CEETEPS em 1999 e da rede estadual de ensino, nos anos seguintes, tida como política pelo governo, para acobertar a grave denúncia de sucateamento da educação pública no estado. Até hoje sofro com as consequências de uma educação deficitária na faculdade, quando tenho minha capacidade de aprendizado prejudicada e desempenho abaixo da média, pois com as reformas feitas na educação técnica naquela época, fui por muitas vezes aprovado sem saber o mínimo necessário para cursar uma boa faculdade. E este não é um caso isolado, matérias fundamentais na FATEC como cálculo e física, apresentam altos índices de reprovação, enquanto matérias como inglês e português, precisam por parte dos professores ter sua disciplina simplificada para não passar pelo mesmo problema.

O quadro e as perspectivas são preocupantes. Não apenas para a FATEC, mas para a educação paulista e brasileira. Houve um dano gravíssimo à educação e hoje estamos carentes de profissionais capacitados e competentes para trazer prosperidade a economia brasileira. O futuro é sombrio e incerto e muito do que vemos de entraves econômicos e sociais se deram por uma incapacidade política, incompetência administrativa e elitismo egoísta e estúpido, pois é a elite econômica trabalhou por séculos na manutenção do status quo, e seus efeitos nefastos ainda repercutem negativamente em nossa sociedade.

A conscientização da juventude e da nova classe média poderiam amenizar o quadro exigindo políticas que permitam um desenvolvimento social através de um ensino de qualidade e transparência na condução de políticas públicas de educação.

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