Já que o Brasil perdeu…

Mais uma derrota da seleção canarinho, desta vez nos pênaltis, de forma bizarra, sem converter nenhum tento. A Copa América vem expor as feridas do futebol sul-americano que se vê em um declínio franco e melancólico, às vésperas de sediar a copa do mundo no continente em 2014 após 32 anos do último mundial, justamente na mesma Argentina, onde ocorre esta edição da Copa América.

A primeira constatação é que a organização deste certame foi horrorosa. Como é possível organizar um torneio com gramados cheios de terra e em estado deplorável? Equipes mais técnicas, como Brasil e Argentina sofreram para exibir um futebol vistoso e foram precocemente eliminadas do torneio.

Outra constatação é que houve uma desnacionalização do futebol sul-americano. Nossos melhores jogadores estavam cansados de uma extenuante temporada europeia. No Brasil, havia Neymar, Ganso, Elano e Fred que estão atuando aqui, mas em um campeonato pegando fogo como o brasileiro este ano, certamente eles poderiam estar jogando com o “freio de mão puxado”, e passaram a contar somente com seus talentos, tendo assim uma atuação discreta e aquém do esperado. E este não é um caso particular da seleção canarinho. A atuação de Leonel Messi na Argentina além de outros jogadores de lá, também deixou a desejar, pois estavam cansados. Os clubes europeus estão sufocando a FIFA e as seleções nacionais. Já não tem mais graça ou prazer ver jogadores ostentando uniformes de seleções defendendo e representando o futebol de um país. Tudo isso porque um uniforme de clube não defende o orgulho nacional ou patriotismo e sim os interesses publicitários dos patrocinadores. Há clubes em que o manto sagrado parece uma página de classificados de tanto espaço para anunciantes. Assim, o futebol se torna capitalista e selvagem em que as cifras valem muito mais que o prazer e o bem-estar que o desporto vem trazer ao ser humano.

Não temos uma equipe pronta para a copa. O futebol brasileiro ainda não tem um grupo formado e ainda está longe disso. Claro que ainda é cedo para especular, pois ainda temos safras de bons jogadores chegando. Mas é preciso calma e paciência para que o grupo surja e se torne um selecionado de respeito. Temos bons jogadores, mas um time ainda não.

Não é preciso ser futurólogo para ver que as tendências do futebol são cada vez mais sombrias. Daqui a três anos, quando nos gramados brasileiros, a copa do mundo passar por aqui, esperamos que aconteça o ideal, mas é longe do possível. Mas sabemos que é preciso instituir mudanças sérias no desporto, não apenas no futebol, pois o atual modelo de gestão do desporto é falho, gasto, corrupto, intransigente e não serve mais para hoje, nem para o futuro.

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