Preconceito: O lado sujo do futebol

Hoje vi a repercussão de uma demonstração de afeto que abriu a caixa de pandora do futebol brasileiro, como já ocorrido outras vezes. O atacante Émerson, do Corinthians, publicou uma foto a qual ele beijava um amigo. Foi um selinho, mas suficiente para provocar reações de indignação e ira por parte de torcedores corintianos. Hostilidades, pedidos de saída e mensagens homofóbicas tomaram a timeline das redes sociais.

O assunto homofobia é tido como tabu: pouco se debate, exceto na comunidade LGBT, muito se evita ou combate a intolerância, até mesmo sendo incentivada em alguns locais, entre eles, o futebol.

Em um país onde a mulher era proibida de praticar o futebol até 1983, a presença do machismo e homofobia no futebol brasileiro tornou-se elemento da cultura futebolística e reforça a tese de que há muito o que ser feito no Brasil para que o preconceito seja extirpado de nossa sociedade.

Parte da culpa disso se dá na mídia, quando ela polemiza em vez de propor uma opinião mais adequada ao respeito e à inclusão. A imprensa marrom do futebol brasileiro, para vender jornais ou arrebanhar audiência para seus programas de rádio e TV buscam defeitos em clubes e atletas, pois ganham com o distúrbio, com o caos, com a confusão, atingindo assim a notoriedade.

O futebol é um esporte popular, mas suas raízes elitistas ainda são percebidas pela figura do moralismo e do machismo. Alguém se lembra, que no início do século XX, os futebolistas negros e pardos tinham que se maquiar com pó-de-arroz para entrar em campo? Isso acabou quando surgiram grandes futebolistas negros, como Leônidas da Silva e Pelé, que mostraram que habilidade não tem relação com a cor da pele. Será que haveremos de ver algum craque futebolista assumidamente gay, para desmistificar esse incômodo preconceito?

Aliás, qual a relação existente entre habilidades pessoais e homossexualidade? Não existe nenhuma tese que comprove tal fato. Portanto, considero que qualquer insinuação que indique que um homossexual seja inapto a desempenhar qualquer atividade seja descabida, preconceituosa, e acima disso, desrespeitosa. E digo mais: qualquer demonstração de afeto não pode ser vista como conotação sexual. Foi o que aconteceu em São Paulo, nos ataques homofóbicos na Paulista, ou no interior de São Paulo, quando pai e filho foram agredidos por andarem abraçados na rua.

Vejo que as manifestações homofóbicas muitas vezes tem origem em torcidas organizadas, como o ocorrido no Palmeiras, ano passado, e agora com a camisa 12 protestando na porta do CT. Esta mais que provado que é nas torcidas organizadas que vemos encubado nas torcidas sentimentos de ódio e preconceito. Que tal acabar com elas?

Faço minhas as palavras de Emerson ao comentar as reações negativas de seu corajoso ato contra a homofobia no futebol: “Preconceito babaca”. E aproveito para concluir: preconceito é coisa de babaca.

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