A Deslealdade

“Sentir na pele a deslealdade humana é algo dolorosamente marcante como a perda de uma parte do corpo. Imaginar a convivência com pessoas desleais é temeroso, pois nos tornamos insociáveis para nos defendermos da deslealdade.”

A deslealdade é o sintoma mais grave da decadência de uma sociedade excessivamente competitiva. A competição implica a tentativa do sucesso a qualquer custo e por conseqüência disso, tomam-se atitudes desleais e quebra de confiança. Infelizmente, esse tipo de atitude é tolerada, e às vezes, incentivada em algumas organizações.

A prática da deslealdade é auto-destrutiva. Deprecia relações, impõe quebra de conduta, impede o desenvolvimento coletivo, e envenena o espírito de equipe, já que a base desse espírito, a confiança mútua é extirpada com o comportamento desleal.
A solução para a deslealdade é a coerência. Questões onde fica implícita a deslealdade devem ser interpretadas de forma transparente e imparcial, de forma que haja um consenso. Se esta deslealdade provém de uma pessoa ou de um grupo restrito de pessoas, este grupo ou pessoa deve ser banida, ou suas ações restritas, para não comprometer o avanço das atividades do grupo, combatendo fogo com fogo, antes que haja uma crise.

(-234) Livre para escolher um rumo novo

Um novo rumo a escolher. É essa a conclusão que chego, após 5 dias. Inclusive, escrever está servindo como terapia, pois está ajudando a entender esse novo momento. Inclusive estou conseguindo entender a mim mesmo. E percebo que há um leque de opções a escolher. Há coisas pouco prováveis, e também retorno imediato a atividades que já fazia. Posso aguardar para um recomeço, pois estou retornando à faculdade.

Mas há outras possibilidades também. Por exemplo, voltar ao teatro, desenvolver atividades políticas, entrar na área de comunicação que é um sonho meu, dar aulas de informática, ou ainda fazer coisas que nunca fiz antes, mas que tenham a ver com as aptidões profissionais que possuo. É muita coisa. Sinto-me como um vestibulando que não sabe qual profissão escolher. É um momento importante e requer reflexão e cautela. Uma decisão errada e me custará planos, metas e sonhos a médio e longo prazo.

(-237) A consideração dos amigos

Fiquei emocionado ao ler meu e-mail agora há pouco. Colegas e ex-colegas se solidarizaram com minha mensagem de despedida. Entendo agora o valor de cultivar a amizade no ambiente de trabalho e como a lealdade pode produzir bons frutos.
Estou esperançoso com as expectativas aos meus planos traçados. Estou certo de que estarei próximo de receber boas notícias nos próximos dias.

(-238) A carta de despedida

Caros amigos,
É com profundo pesar que anuncio o meu desligamento junto a esta empresa. Durante os sete anos, um mês e vinte dias os quais prestei meus serviços, encontrei amigos onde haviam colegas, desafios onde haviam problemas, oportunidades onde haviam crises, aprendizado onde havia experiência, coragem, vontade e visão de futuro, atributos os quais adquiri todo esse tempo.
Diante disso, quero agradecer, de coração, a todos que de forma direta ou indireta, sem citar nomes, contribuiram para o meu desenvolvimento profissional, tornando-me um homem mais responsável, capaz e seguro de si.
Mas os caminhos destinados a mim agora são outros e o ciclo que até então havia cede lugar a outro, com novas oportunidades e desafios, os quais enfrentarei, de forma destemida, graças à bagagem que venho trazendo desta experiência. Saio daqui com a cabeça erguida e com a certeza do cumprimento de minha missão, e ainda acredito que dei minha parcela de contribuição no crescimento desta empresa.
Aos que ficam eu levo a saudade e as boas lembranças, e deixo os meus mais sinceros desejos de sucesso, esperando, um dia, nos vermos em breve, com a certeza de estarmos locados em patamares mais elevados.
Até breve. Obrigado por tudo. Um forte abraço!

(-239) A morte da vaquinha

Ouvi sexta-feira passada uma divina, e talvez profética parábola, a qual me identifiquei bastante e vou contar a vocês. Falava da história de um caipira que morava em um humilde roçado com sua mulher, filhos e uma vaquinha que era o sustento da família. Certo dia, os amigos do caipira vieram lhe dar uma triste notícia: de que a vaquinha havia morrido. A princípio, o caipira se viu sem saída: como sustentar a família se a única fonte de sustento, a vaquinha, não existia mais? Então o caipira, com a ajuda da família, começou a plantar verduras e legumes para dar de comer aos filhos. E começou tambem a plantar algodão para dar de vestir a seus entes queridos, já que sua esposa sabia tecer e costurar. As plantações começaram a prosperar e o que era para ser uma produção de simples subsistência passou a se tornar um lucrativo negócio e o pobre caipira tornou-se um rico fazendeiro. E, ironicamente, ele agradece a Deus pela morte da vaquinha, pois se não fosse por isso, certamente nunca teria enriquecido.
Por muitas vezes em nossas vidas nos acomodamos em determinadas situações que nos colocam em uma espécie de ‘zona de conforto’, onde julgamos estarmos satisfeitos com a situação em que vivemos. Mas quando essa situação é radicalmente modificada, o conformismo cede lugar à perseverança, revertendo as situações mais adversas e difíceis. E digo isso por experiência própria, com a absoluta certeza de que a minha zona de conforto está se desfazendo e um ciclo está chegando ao fim. Minha vaquinha está na UTI e pode morrer a qualquer momento.

(-254) Um dia de expectativas

A expectativa é grande hoje. Sai o resultado do concurso público e estou no aguardo de uma resposta a uma proposta de emprego. É uma possibilidade enorme de uma possível reviravolta em meus planos, zerando todas as dívidas e retornando à faculdade. Agora é esperar e torcer.

(-288): Revolucione

Revolução é como chamamos a um dado processo no qual se há uma transformação radical, veloz e definitiva em um determinado panorama, motivado pela necessidade de evoluir rapidamente.
Mas muita gente superestima o termo relacionando-o sempre a um movimento de transformação coletiva, popular ou ainda nacional ou internacional. A verdade é que é possível revolucionarmos coisas menores, ao nosso alcance, de forma tão ou até mais importantes para nossas vidas do que as grandes revoluções que marcaram a história da humanidade e que influenciaram o modo de vida que temos hoje. Pois ao dar início a uma revolução pessoal, estará iniciando também um ciclo virtuoso de modelo e repetição ao qual impulsionaria uma reação em cadeia de novas revoluções pessoais, a ponto de essas novas atitudes alimentem um desejo coletivo de mudança.
Para revolucionar é preciso estabelecer novos paradigmas e seguí-los, e estes devem romper com os atuais, propondo algo novo e inovador, que seja melhor que as convenções correntes. Também é preciso uma linha de raciocínio coerente e opiniões firmes, mas não alheias à realidade, e sim, sincronizadas com elas, por meio do debate e da crítica. O confronto franco das ideias possibilita o seu entendimento e a correção de possíveis desvios, que poderiam culminar em má-interpretação ou na irrelevância de seus objetivos. Essas são as bases de um espírito revolucionário, e para fazê-lo crescer em nós, basta ter vontade de mudar e não temer os novos ventos da mudança.
Revolucionar-se pode ser feito por ações simples, a princípio, com pequenas mudanças de hábitos, que ganhariam significância nas etapas seguintes de sua mudança. Mas essa mudança deve vir de dentro para fora, começando pelo desejo de mudar, passando pela motivação e por fim, a ação. Os resultados virão naturalmente, sem pressa e sua auto-estima avançará de forma a incentivá-lo a atingir metas mais elevadas.
Revolucionar-se é um exercício de transformação, capaz de tornar as pessoas em exemplos de vitórias a serem seguidas pelas outras ao seu redor.

(-313): A transformação passa pela disciplina

Você já deve ter ouvido falar de alguma história parecida com essa: um homem que vivia uma vida marginal se converte em uma pessoa religiosa, deixando uma vida de vícios e crimes para trás. Não faltam exemplos de pessoas que mudaram de vida completamente ao nosso redor. Mas, por mais que se argumentem contra, o que faz a pessoa transformar completamente seu comportamento e sua vida é a auto-disciplina para a conquista de uma meta. É observável que o ponto de partida de uma vida auto-disciplinada é geralmente um fator externo, de impacto emocional muito forte, que faz a pessoa ter a consciência de que seu modo de viver esta moralmente errado e que precisa mudar radicalmente. Isto tem muito a ver com a auto-estima. Geralmente os fatores externos que nos impactam emocionalmente, são os que afetam profundamente nossa auto-estima. A perda de um ente querido, uma desilusão amorosa, um fracasso profissional, pressões e críticas, costumam mexer com os nossos brios e dependendo do domínio que temos de nosso caráter, afetam diretamente sobre nossa auto-estima. As pessoas naturalmente tendem a reagir a essas situações de diversas formas, mas isso depende, e muito, da formação familiar, social, moral, e sobretudo emocional do indivíduo. A mudança de comportamento e postura é uma das respostas a essas situações, que seja de forma consciente ou não, nos subentendem que as causas, ou a busca delas, estão em nós mesmos. É como se quiséssemos encontrar em nós mesmos as respostas para nossos problemas. Mas nem sempre as respostas estão lá, e corremos o risco de nos auto-flagelar, em vez de nos auto-disciplinar, nos responsabilizando por falhas que não são nossas. A auto-flagelação é o efeito negativo da auto-disciplona e indica uma auto-estima muito baixa, além de um auto-conceito deturpado, diferente da realidade e quase sempre em uma versão mais crítica e pessimista. Para evitar a auto-flagelação é preciso desenvolver o auto-conceito e a auto-crítica, sabendo distinguir as críticas construtivas e as destrutivas. É preciso criar um conceito real de você mesmo, considerando de forma crítica e realista suas virtudes e defeitos. Também é preciso acreditar nas suas possibilidades de superação. Num primiero momento, elas tendem a ser limitadas, mas de forma progressiva, com a prática e a persistência no foco em alcançar o objetivo planejado, tendem a se expandir juntamente com a auto-estima.

A auto-disciplina é uma faca de dois gumes e deve ser feita com absoluto controle e de forma moderada, pois um erro nas medidas podem impedir que os objetivos sejam alcançados, e que se comprometa ainda mais a sua auto-estima. Por isso, traçar metas e objetivos e se planejar para isso é o caminho para tornar a auto-disciplina um exercício de transformação progressiva e permanente, com a aquisição de bons hábitos  e o abandono de atos prejudiciais à sua vida. Para isso coloque no papel as metas que deseja atingir e o tempo que julga necessário para atingí-las. O tempo é algo importante, pois não pode ser curto demais, para não forçar uma auto-flagelação, nem longo demais para não parecer intangível. Agende ações para alcançar tais metas, por exemplo, se você pretende perder peso, marque um momento de caminhada, e aos poucos, vá agregando mais dificuldades aos exercícios que está executando até atingir a meta. Ou ainda, se possui dívidas, procure resolver com os credores um a um, de acordo com a urgência e a dificuldade em quitar a dívida. Nunca queire abraçar o mundo ou esperar resultados imediatos, eles naturalmente virão e você somente se dará conta deles quando os tiver alcançado. Também é preciso se policiar para não evitar retrocessos, no exemplo da perda de peso é preciso passar a se alimentar com maior controle e no exemplo das dívidas é preciso evitar contrair mais dívidas, cortar gastos e evitar despesas desnecessárias.

Assim sendo, a auto-disciplina provê a aquisição, de forma gradual e controlada de novos hábitos, que visam a mudança definitiva do modo de vida de um indivíduo. Essa é a base teórica de meu experimento.

(-318): O Primeiro Grande Revés

Hoje acordei sentindo dores insuportáveis no lado esquerdo do abdomen. Junto com ele, a boca seca, as ânsias de vômito, a febre alta, o suor frio. Nunca havia sentido nada igual. A dor era tão intensa que chamei a ambulância. Após 1 hora chegou o resgate. Fui encaminhado ao hospital. Lá, tive pela primeira vez, a experiência de tomar soro. Foram duas tentativas, uma no braço esquerdo, que falhou, e outra no direito. Nunca tinha sido medicado dessa forma, nunca tinha ido ao médico de ambulância. Após exames, foi detectado que a causa era uma cólica renal provocado por cálculos renais. Agora estou em casa e passando bem. Mas era hora de pensar e de replanejar minhas atitudes com relação à minha saúde.

Fiquei investigando meus atos passados e talvez o exercício tenha provocado esse mal. Isto porque, no meu entender, tenho uma certa tendência a me desidratar com facilidade e isto sobrecarrega o sistema renal. E ultimamente tinha me exercitado demais. Essa é uma de minhas suspeitas.

Outra suspeita é quanto a minha alimentação. Apesar de ter mudado meus hábitos, como parar de fumar e fazer exercícios regularmente, minha alimentação continua ruim. Ainda não abandonei os lanches e pior, não passei a ter uma alimentação mais saudável.

(adendo em 02/05/2008) Recentemente descobri uma outra possibilidade ainda mais grave para a minha crise: os remédios que tomei na semana anterior. Ao ler as bulas dos remédios que me receitararam, por conta de uma suspeita de gripe e inflamação na garganta, vi que num deles havia como reações adversas crises renais. Ao ler a bula descontinuei o tratamento anteriormente recomendado e procurei o médico novamente em que outro tratamento, mais ameno, foi feito e que teve resultados.

Bem, o que me resta agora é procurar me cuidar. Estou me medicando e espero que as próximas crises (sim, haverão outras, pois ainda existem calculos a serem eliminados no organismo), sejam menos preocupantes que esta.

(-365): Primeiras palavras

Hoje se inicia um novo desafio. Talvez o maior desde quem nasci, há 26 anos atrás. A tarefa mais herculínea que pode ser dada a um indivíduo: mudar a si mesmo. A mais difícil e a mais extraordinária também, pois quando as mudanças trazem benefícios, fica evidente o bem maior que se atrai diante de si. Por meio de planejamento e dedicação, será possível fazer qualquer coisa, até mudar de vida. E isto vou provar. Tenho exatos 365 dias a partir de hoje para me dedicar ao máximo a um trabalho de mudanças que se refletirão pelo resto de minha vida e também para as pessoas que me rodeiam. O desafio está lançado. Hoje é o dia em que podemos dizer que é o marco zero de uma contagem regressiva até 12 de março de 2009, o dia de número 10000 de minha vida. Até lá devo refazer e mudar rotas, planejar estratégias, definir metas e com isso chegar ao dia 10000 com uma vida nova. Parte das ações já se encontram em andamento, outras ocorrer à medida do possível. Talvez não consiga cumprir todas as metas, mas prometo empenhar-me a atingí-las.
Estas são apenas minhas primeiras palavras, sempre que puder estarei escrevendo sobre essa jornada rumo aos meus 10.000 dias de vida.