Deixe estar

É impossível viver uma vida monocromática. Passagens repetitivas ou sem perspectivas de grandes reviravoltas tornam a vida assim, monotônica. Por mais que seja dura ou triste, ou alegre e intensa, vemos tudo o que passam por nossas memórias emotivas, seja de forma atuante ou testemunhal, sobre nossa própria métrica pessoal. Nosso caráter é o nosso parâmetro, nossa régua para medir a realidade que nos cerca. E por mais conhecimento que se possa ter na vida, essa métrica é única, pois as impressões que temos sobre nossas experiências também são únicas.

Viver sozinho ou acompanhado, pode ser irrelevante em um dado momento, mas não deve ser posto como regra. Ninguém é uma ilha e o isolamento é uma terrível armadilha que nos leva a loucura. Temos a volta pessoas, que interagem de formas diferentes, mas sempre com o intuito de efetuar trocas que lhe satisfaçam de alguma forma. Tudo isto forma um equilíbrio dinâmico, pois se adapta às instabilidades de um dado espaço-tempo e sob uma dada circunstância.

Se por um lado ninguém pode ser considerada uma ilha, por outro as pessoas acabam se tornando também reféns de uma vida social. Muitas delas se abdicam de suas próprias opiniões para atender aos anseios de um grupo, para que este indivíduo se identifique e passe a ser parte dele. Porém vê-se claramente que as pessoas dão uma importância muito grande à opinião alheia, fazendo com que esta suplante a opinião própria. Isto é um erro, se a opinião própria é totalmente desprezada em um julgamento pessoal de atos e comportamentos. Do contrário, uma pessoa que se atenta somente a seus conceitos se torta alienada e marginal. Deve-se portanto, estabelecer um equilíbrio de forças entre opinião própria e a influência da opinião alheia nas próprias decisões.

Evidente que surgirão conflitos, mas s prioridade deve ser a sua opinião e seu gosto pessoal, pois sua identidade de caráter deve ser preservada. Se não concordarem contigo, deixe estar. E siga em frente.

Visitando a Estação Pinheiros

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Ontem eu saí da faculdade, na região do metrô Tiradentes e fui a estação Pinheiros do Metrô de São Paulo e pude verificar a diferença frente as outras linhas. Ao embarcar na estação Paulista, o primeiro impacto foram as esteiras rolantes de acesso, porém a velocidade poderia causar acidentes aos incautos passageiros. De resto a aparência das estações é igual as outras inauguradas recentemente. Três detalhes me chamaram a atenção durante a viagem: a ausência de condutor, a livre circulação entre os vagões e o traçado sinuoso do percurso tanto em aclives e declives como em curvas para a esquerda e direita, mas a sinuosidade é suave e a viagem é agradável. O fato negativo é que nem nas estações, sequer nos túneis, há sinal ativo de telefone celular.

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Nota-se que as estações subterrâneas estão em profundidades elevadas, tendo nas estações uma grande quantidade de lances de escadas rolantes. Só a de Pinheiros tem cerca de 5 lances de escadas rolantes da plataforma a superfície. Como a integração com a CPTM ainda não estava pronta, tive que sair da estação e entrar na estação de trem para seguir viagem. Foi uma volta de cerca de 5 minutos caminhando até a plataforma da estação de trem. A previsão é que a integração com o trem esteja pronta em 2 de junho.

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Toda a viagem durou 1 hora e 10 minutos, sendo 20 minutos de trem e 50 minutos de metrô. Mas este tempo poderá ser de 10 a 15 minutos quando as estações Luz e República estiverem prontas. Também é preciso investir no Lead (intervalo entre trens) da linha da CPTM que ainda é muito alto, pois fiquei cerca de 10 minutos esperando o trem chegar.

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Com estas novidades e ajustes, é bem capaz de fazer o mesmo percurso, no futuro, em menos de 25 minutos.

O mérito dos grandes é reconhecer suas fraquezas e também seus superiores pares. Não há razão para tristeza com a derrota, pois tudo o que há de torto existe para ser endireitado. O futebol me inspira muito, e nesta final de paulistão, é muito inspirador reconhecer que a derrota veio por eles serem melhores que nós. Tivemos foco, falhamos, é verdade, mas chegamos e valorizamos a glória santista, que é digna de aplausos, pois está em um esforço heróico de ser o único guerreiro vivo na Taça Libertadores.

Ao ouvir a entrevista de Muricy, técnico vencedor, vimos claramente que o futebol é sim uma ciência exata, e requerem os parâmetros corretos, as circunstâncias dadas favoráveis para distinguir vencedores de vencidos. O fracasso corinthiano na Taça Libertadores e sua derrota no Paulista, o que é um mérito, pois demonstra uma recuperação psicológica extrema de uma derrota traumática contra o Tolima, aliada a derrotas de grandes clubes brasileiros na Copa do Brasil e Libertadores, mostram que é preciso tomar alguma atitude, pois vemos o futebol brasileiro em franco declínio.

Se a gerência de nosso esporte nacional continuar intransigente, capitalista selvagem e estúpida, amargaremos um grande vexame na Copa do Mundo de 2014, não apenas fora das quatro linhas, onde vemos uma grande desorganização na condução das obras para a Copa, como dentro de campo, com um futebol dependente de alguns craques (como vimos em 2006 e 2010 em que a seleção brasileira fracassou), frente a um abismo de jogadores mal-amadurecidos que são vendidos a clubes europeus a preço de banana.

O povo brasileiro já não anseia mais ser exportador de bens primários no futebol, assim como é na economia. Os clubes de futebol têm um potencial midiático enorme, mas somente enxergam nos direitos de televisão e patrocínios os quais pedem esmola, como fontes de renda para os clubes, fora a falha condução administrativa, com estatutos pouco democráticos, leis pouco severas, permitindo corrupção e lavagem de dinheiro.

Você, torcedor brasileiro, também é culpado. Enquanto se conformar em sua zona de conforto e deixar de ser hipócrita rindo da derrota alheia e em vez de ficar protestando contra as falhas de seu time de coração, nunca veremos europeus, americanos, japoneses e africanos ostentarem com orgulho o manto sagrado de seus clubes em seus países de origem. Enquanto ficar ligado na TV, vendo seus amigos sacrificando seu sono para acompanharem no estádio o seu clube do coração, vai ficar tudo do jeito que está, pois os seus gritos não chegam aos atletas em campo. Enquanto você pensar em dar um murro na cara de um amigo seu por causa de futebol, você não será digno de ser um torcedor de seu clube. Não podemos carregar o ódio e sim a vontade de vencer, competindo, pois esta nunca se transforma em ódio e sim em amizade e companheirismo.

Sejamos francos, é hora de reinventarmos o futebol brasileiro.

O mérito dos grandes

O mérito dos grandes é reconhecer suas fraquezas e também seus superiores pares. Não há razão para tristeza com a derrota, pois tudo o que há de torto existe para ser endireitado. O futebol me inspira muito, e nesta final de paulistão, é muito inspirador reconhecer que a derrota veio por eles serem melhores que nós. Tivemos foco, falhamos, é verdade, mas chegamos e valorizamos a glória santista, que é digna de aplausos, pois está em um esforço heroico de ser o único guerreiro brasileiro vivo na Taça Libertadores.

Ao ouvir a entrevista de Muricy, técnico vencedor, vimos claramente que o futebol é sim uma ciência exata, e requerem os parâmetros corretos, as circunstâncias dadas favoráveis para distinguir vencedores de vencidos. O fracasso corintiano na Taça Libertadores e sua derrota no Paulista, o que é um mérito, pois demonstra uma recuperação psicológica extrema de uma derrota traumática contra o Tolima, aliada a derrotas de grandes clubes brasileiros na Copa do Brasil e Libertadores, mostram que é preciso tomar alguma atitude, pois vemos o futebol brasileiro em franco declínio.

Se a gerência de nosso esporte nacional continuar intransigente, capitalista selvagem e estúpida, amargaremos um grande vexame na Copa do Mundo de 2014, não apenas fora das quatro linhas, onde vemos uma grande desorganização na condução das obras para a Copa, como dentro de campo, com um futebol dependente de alguns craques (como vimos em 2006 e 2010 em que a seleção brasileira fracassou), frente a um abismo de jogadores mal-amadurecidos que são vendidos a clubes europeus a preço de banana.

O povo brasileiro já não anseia mais ser exportador de bens primários no futebol, assim como é na economia. Os clubes de futebol têm um potencial midiático enorme, mas somente enxergam nos direitos de televisão e patrocínios os quais pedem esmola, as fontes de renda para os clubes, fora a falha condução administrativa, com estatutos pouco democráticos, leis pouco severas, permitindo a má gestão, endividamento elevado, calote fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro.

Você, torcedor brasileiro, também é culpado. Enquanto se conformar em sua zona de conforto e deixar de ser hipócrita rindo da derrota alheia e em vez de ficar protestando contra as falhas de seu time de coração, nunca veremos europeus, americanos, japoneses e africanos ostentarem com orgulho o manto sagrado de seus clubes em seus países de origem. Enquanto ficar ligado na TV, vendo seus amigos sacrificando seu sono para acompanharem no estádio o seu clube do coração, vai ficar tudo do jeito que está, pois os seus gritos não chegam aos atletas em campo. Enquanto você pensar em dar um murro na cara de um amigo seu por causa de futebol, você não será digno de ser um torcedor de seu clube. Não podemos carregar o ódio e sim a vontade de vencer, competindo, pois esta nunca se transforma em ódio e sim em amizade e companheirismo.

Sejamos francos, é hora de reinventarmos o futebol brasileiro.

O apartheid social do Brasil

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Dois fatos ocorridos esta semana no Brasil me motivaram a escrever sobre um assunto que é considerado um tabu entre políticos e toda a sociedade: o apartheid social que ainda existe no país. De um lado vemos uma elite rica, dona do poder e controle político e do outro temos uma grande parcela da população sem acesso aos serviços básicos como educação, saúde e segurança, dependendo das decisões governamentais para usufruir de algum conforto. Os fatos ocorridos no país que inspiraram este artigo foram os protestos contra os protestos dos moradores do bairro de classe média-alta de Higienópolis, na capital paulista contra a construção de uma estação de metrô naquele bairro, aliada à polêmica de livros didáticos distribuídos nas escolas públicas brasileiras com erros graves de ortografia propositais nos livros de língua portuguesa e erros de cálculo nos livros de matemática.

Temos hoje uma educação básica de qualidade ruim, mais pela ausência de recursos do que pelo esforço dos profissionais de educação que heroicamente procuram manter uma educação de nível razoável, nas instituições públicas de ensino, pois amparo financeiro para a educação básica no Brasil resume-se à construção de escolas. A valorização do trabalho do professor e mecanismos que tornem o trabalho do professor melhor e mais digno são relegados a segundo plano, a não ser por cumprimento de metas quantitativas que não traduzem a qualidade do ensino ministrado nas escolas. E para piorar, não procuram oferecer qualidade ao material didático, seja pela obsolescência do material ou pela falta de controle de qualidade. Assim, vemos uma precarização da educação básica em nosso país e isto já traz reflexos na educação superior, pois já sentimos uma carência de mão de obra qualificada.

Já o caso da queda de braço entre o governo e os moradores de Higienópolis vemos claramente o conflituoso embate entre interesse público e interesse de classe social. Não pela atitude dos moradores em não querer a estação, mas pelos motivos os quais esses moradores tem em se opor à construção de uma estação de metrô no bairro. Entre as razões informadas pelos moradores, a principal queixa é que o local traria criminosos para a região. Uma justificativa descabida e apenas destinada a isola-los do restante da população, com ar de superioridade. O governo do estado cedeu e a estação será construída em outro local, o que provocou uma grande polêmica entre os moradores e os populares de outros pontos da cidade. Foi organizado inclusive um “churrascão da gente diferenciada”, um protesto organizado pela internet contra a mudança do local da estação. O protesto serviu para abrir os olhos de muita gente que julgava que a luta de classes já havia sido extinto.

Infelizmente vemos que há uma distância abismal entre ricos e pobres, os primeiros julgando ter o poder herdado dos tempos do início da era republicana e os segundos pelo descaso e falta de igualdade de oportunidades para obter de forma lícita a ascensão social. O estado pode equalizar e extinguir a luta de classes tratando a todos os cidadãos, não importando a classe social como iguais e oferecendo todo o aparato estatal para equalizar este abismo existente entre ricos e pobres, tornando a sociedade mais próspera e socialmente justa.

A dor de saber que é uma simples peça (com defeito)

Fiquei sabendo que sou uma peça de uma engrenagem selvagem e cruel. E estou gasta, defeituosa, não sirvo mais para os propósitos de um sistema que insiste em ser mecânico, triturador de almas, esmagador de corações. Vejo incrédulo todas as minhas verdades sendo rasgadas e jogadas ao vento, sob o retumbante sorriso de satisfação de quem me faz escárnio. Talvez se fosse Cristo, sentindo os golpes dos pregos prendendo pés e mãos contra a cruz, não sentiria a mais amarga das dores, o mais pungente dos suplícios. Pois a dor que sinto não mata o corpo, e sim, a alma. Sou um corpo desalmado encaixado em um sistema mecânico e feroz, destrutivo, maquiavélico.

Não se importam com minhas necessidades, sentimentos, defeitos. Me encaixotam em uma função e me dizem o que fazer, e tudo o que digo é indiferente para eles, são surdos para minhas opiniões. Há algum tempo vi a engrenagem e hoje me vejo dentro dela, castigado por ser uma peça imperfeita. Dói demais ver outras peças se desgastando, se corroendo até caírem e ser trocadas por peças novas, como se as primeiras fossem descartáveis. Mas as peças velhas que são mais tortas que as próprias engrenagens continuam na máquina, ordenando as peças novas a executar sob desgaste as funções que são incapazes de desempenhar. Temos que nos adaptar a rotinas que destroem nossas personalidades reduzindo-nos a clones de humanoides, sem expressão, sem opinião, sem pensamento. E ao ver isto me desespero, com um sorriso de pânico, clamando a todos as peças a se voltar contra as velhas e defeituosas peças que os oprimem, para que se reordenem e passem a funcionar harmoniosamente como um coração apaixonado. E enfim, estas peças voltariam a se tornar pessoas, e minha missão se faz cumprir: tornar o mundo mais humano e mais justo, com amor, lealdade, respeito, verdade e sentimento.

Ao perceber que meu sonho era impossível, chorei em silêncio, com a resignação dos bravos, mas com o lamento dos derrotados. Busquei um refúgio para o meu pranto, pois uma fortaleza não pode tombar diante da batalha, e mesmo vencida e tomada pelos ímpios, precisa ficar de pé, como monumento de uma outrora grandeza.

E da dor do momento, dos sonhos de outrora e da incerteza do futuro, fico com vontade de tornar o impossível, possível; de armar-me de ideias, munir-se de certezas e defender com palavras meus ideais, para que mostrem a que vim: mostrar que mentes precisam pensar, corpos precisam agir, corações precisam pulsar apaixonadas por uma vida que valha a pena.

E um dia, eu possa lembrar de hoje e dizer: as lágrimas de meu rosto tombaram uma alma antiga, mas surgiu uma outra nova e audaciosa, que fez cada gota de pranto ter valido a dor de outrora, mostrando como a vida é valiosa.

Enchendo linguiça

Na última terça, dia 03/05, ocorreu, no anfiteatro da FATEC-SP, um debate sobre as mudanças organizacionais em que o CEETEPS (Centro de Educação Tecnológica Paula Souza) estão sofrendo. A explanação do dirigente do Centro Paula Souza não passam de enchição de linguiça. A única vantagem desta mudança seria uma maior autonomia da instituição para alterar cursos, vagas, cronogramas e unidades de ensino, sem no entanto, prover autonomia financeira.

O grande questionamento feito pelos alunos, professores e funcionários foi o motivo pelo qual estes não foram consultados antes das mudanças auferidas. Todas as alterações foram feitas pelo governo estadual através da Assembleia Legislativa com a chancela do Centro Paula Souza. Esta quebra de braço entre corpo acadêmico de FATEC’s e ETEC’s e o governo paulista já tem cerca de 12 anos, entre idas e vindas, greves, protestos e projetos de lei engavetados na assembleia. A vitória governamental é mais uma derrota da classe estudantil paulista, que sofre com o descaso e a depreciação da qualidade de ensino no estado de São Paulo.

Na época em que este embate começou, eu era aluno da ETE Getúlio Vargas e senti na pele a insensibilidade governamental em relação a educação. Quando a nova LDB (lei de diretrizes e bases da educação nacional) foi aprovada, o governo estadual paulista do então governador Mário Covas instituiu uma truculenta reforma nos ensinos fundamental e médio, separando ensino técnico do regular e implantando a famigerada progressão continuada. As reformas impostas pelo governo estadual foram feitas sem nenhuma preparação ou adaptação aos professores e alunos, que foram claramente prejudicados por uma postura ditatorial e abusiva.

Consequências desses atos foram as denúncias em meados da década de 2000, por parte de pais de alunos de escolas públicas estaduais de que seus filhos mesmo estando no sexto ano do ensino fundamental, ainda não sabiam ler nem escrever e as greves dos professores do CEETEPS em 1999 e da rede estadual de ensino, nos anos seguintes, tida como política pelo governo, para acobertar a grave denúncia de sucateamento da educação pública no estado. Até hoje sofro com as consequências de uma educação deficitária na faculdade, quando tenho minha capacidade de aprendizado prejudicada e desempenho abaixo da média, pois com as reformas feitas na educação técnica naquela época, fui por muitas vezes aprovado sem saber o mínimo necessário para cursar uma boa faculdade. E este não é um caso isolado, matérias fundamentais na FATEC como cálculo e física, apresentam altos índices de reprovação, enquanto matérias como inglês e português, precisam por parte dos professores ter sua disciplina simplificada para não passar pelo mesmo problema.

O quadro e as perspectivas são preocupantes. Não apenas para a FATEC, mas para a educação paulista e brasileira. Houve um dano gravíssimo à educação e hoje estamos carentes de profissionais capacitados e competentes para trazer prosperidade a economia brasileira. O futuro é sombrio e incerto e muito do que vemos de entraves econômicos e sociais se deram por uma incapacidade política, incompetência administrativa e elitismo egoísta e estúpido, pois é a elite econômica trabalhou por séculos na manutenção do status quo, e seus efeitos nefastos ainda repercutem negativamente em nossa sociedade.

A conscientização da juventude e da nova classe média poderiam amenizar o quadro exigindo políticas que permitam um desenvolvimento social através de um ensino de qualidade e transparência na condução de políticas públicas de educação.

Semeadores de ódio

Ontem ocorreram diversos eventos que marcaram a semana. Entre o futebol e a morte de Osama Bin Laden, fico com a intersecção dos temas falando sobre o ódio. Sempre digo que o ódio é um sentimento de auto-defesa contra algo que acreditamos ser uma ameaça, e que na maioria dos casos, esse ódio é injustificável, pois se utilizam de argumentos falsos ou procuram não conhecer aquilo que odeiam, para que possam entender o seu sentimento e até mesmo mudar sua percepção.

Neste cenário temos os semeadores de ódio, sua figura mais nefasta. Sua função é disseminar o ódio contra algo mesmo com argumentos falsos ou insipientes. E a internet se tornou uma das ferramentas de disseminação de ódio mais utilizadas. Ontem tivemos dois exemplos disso. Um perfil falso no Twitter publicou mensagens de cunho racista e homofóbico contra a torcida do Flamengo durante e após o jogo em que se sagrou campeão carioca ao bater o Vasco nos pênaltis. Os jogadores do Palmeiras, sobretudo Kleber, insultaram os torcedores do Corinthians após a derrota nos pênaltis.

Esse tipo de comportamento é intolerável e é mais grave quando o ódio provém de formadores de opinião e ídolos. Quem possui fã deve ser responsável por seus atos e palavras, pois estes tem o poder de ser formadores de opinião. E estes atos se tornam sementes de ódio e hostilidades que precisam ser contidos para que não motivem atos de violência.

O caso do perfil falso no Twitter hostilizando flamenguistas, é de um comportamento insano e covarde. Nota-se que se usa do expediente do anonimato para espalhar mensagens de ódio com o intuito claro de transgredir normas de respeito mútuo e de convivência social, num ato claro de covardia. Os atores de atos como esses, similares aos praticados por vândalos e pichadores dá ao transgressor a pseudo-sensação de poder pelo feito que obteve, mas trata-se de pessoas doentes e emocionalmente desequilibradas pela sensação permanente de fracasso pessoal e necessidade permanentemente frustrada de auto-afirmação.

O caso de Osama Bin Laden é similar a de outras figuras históricas que procuraram manipular pessoas para atender seus interesses ideológicos. Ao deturpar as palavras do alcorão para instituir uma intifada islâmica, e citando fatos historicamente superados como as cruzadas e a expulsão dos árabes da península ibérica, via-se claramente um processo de alienação ideológica com propósitos de disseminar o ódio contra o ocidente. A cultura islâmica deturpada pelo regime teocrático e ditatorial e a imensa desigualdade social nestes países contribuíram para agravar esse quadro. Assim, jovens árabes são seduzidos a aderir à causa terrorista de modo a ter sua família recompensada por seu “ato heroico”.

O ódio é um sentimento que se enfraqueceria se não houvessem os semeadores de ódio. Devemos ter a plena consciência de que alimentando estes sentimentos, podemos causar mal a nós mesmos. E para que estes sentimentos não surjam é preciso sabedoria para entender e serenidade para compreender os fatos, agindo de forma racional e coesa.