TV Globo inaugura transmissões jornalísticas no formato HD

Depois de RedeTV!, Band, Record, Gazeta e TV Cultura, a Rede Globo de Televisão, passou a transmitir os telejornais em HDTV desde segunda-feira, 02/12. A maior rede de TV do país passa a ter cerca de 80% de sua programação transmitida em HD.
Por ser a maior emissora do país e por ter dezenas de emissoras filiadas gerando conteúdo jornalístico, era esperado que a transição fosse lenta e que os telejornais da rede somente começassem a transmitir em Alta Definição agora. O resultado foi bem-feito. Praticamente toda a escalada do Jornal Nacional foi transmitida em HD, inclusive com entradas ao vivo e aereas no novo formato.
Todos os telejornais de transmissão nacional da rede estão no novo formato: Bom-Dia Brasil, Globo Notícia, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo. Mas a preparação começou antes. Os telejornais locais do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Brasília, Recife entre outras, já estavam em HD há cerca de duas semanas. E dois meses antes, os programas esportivos do Globo Esporte do Rio e São Paulo já estavam no ar com a máxima resolução.
Segundo a emissora, em reportagem veiculada no Jornal Nacional, foi necessária uma grande readequação ao novo formato, com a troca de equipamentos, cenários, softwares de edição, links de comunicação e servidores de armazenamento, além de recursos gráficos que tiveram de ser adaptados.
Para quem tem televisão digital é uma grande notícia, pois agora vemos que a boa parte da programação televisiva no país em todos os canais que transmitem o sinal digital são produzidos para os modelos de televisão novos, o que pode acelerar o processo de transição da TV analógica para a Digital.

Qual a padronização para o one-seg?

Muito me intriga uma observável ausência de padrões no formato de transmissão móvel one-seg. Tanto na questão do formato, quanto na do conteúdo, vemos claramente um ausência de padrão por parte de fabricantes de receptores móveis e emissoras de TV.
Os fabricantes de telefones celulares utilizam tela no formato wide e permitem modos de exibição de tela que distorcem a imagem. Diversos aparelhos de GPS e receptores de TV portáteis utilizam o formato standard, o mesmo das tevês convencionais. Essa discordância ocorre também na transmissão. Muitas emissoras utilizam o formato standard, com tamanho de imagem QVGA (320×240 pixels), enquanto outras utilizam o formato Widescreen, com tamanho WQVGA (320×180 pixels). O formato wide pode exibir mais informações, por ser a cópia reduzida do sinal HDTV, porém possui menos qualidade de imagem, por exibir informações em tamanho menor, tornando ilegíveis os caracteres impressos na tela. O sinal QVGA, oriundo da transmissão SDTV, exibe uma imagem menor, por perder as laterais do sinal HDTV, mas tem as informações mais legíveis, e melhor qualidade de imagem.
Assim, a escolha de um padrão de imagem deve recair sobre o formato QVGA para a transmissão one-seg, pois a qualidade da imagem deve estar garantida para o sinal robusto transmitido.
Por fim, os fabricantes podem se adequar a essa padronização pois os controles de renderização são fornecidos por software, bastando para solucionar a questão uma atualização de firmware.
A interatividade, com a implementação enxuta do Ginga, a programação, que pode ter conteúdo diferenciado para os intervalos comerciais, são outros diferenciais a ser explorados no sinal digital móvel, além do acesso à transmissão a locais onde o sinal não chega como o metrô, através de repetidores de sinal. Ainda são questões que ainda não foram plenamente resolvidas, pois ainda não chegaram à um nível de relevância no debate da TV Digital, porém é importante ressaltar o grau de assessibilidade que este modo de transmissão tem em potencial e com isso, uma padronização se fará necessária.

Rede Globo debuta no HDTV em jornalismo com as eleições

Em 7 de junho, publiquei um artigo criticando o conteúdo em alta definição da Rede Globo de Televisão. Parece que a Globo resolveu reagir em um evento importante do jornalismo nacional: as eleições municipais. Nos municípios onde houve debates no primeiro e segundo turnos e já possuiam emissoras com transmissão em HDTV, esta tecnologia foi utilizada, e ao vivo. O último debate entre José Serra e Fernando Haddad em São Paulo, transmitido no último dia 26 de outubro, foi em HDTV na íntegra.

Direto do Rio de Janeiro, os jornalistas William Bonner, Alexandre Garcia e Marcio Gomes apresentavam a cobertura das eleições municipais com o resultado das apurações e pesquisas de boca de urna, em inserções durante o Domingão do Faustão, sendo que a maioria delas foi transmitida em HDTV. Entretanto, o Domingão do Faustão, por ter sido gerado em São Paulo, estava sendo transmitido na definição padrão, também ao vivo. Também não foi em HDTV a cobertura local. Em São Paulo, a cobertura local foi apresentada por Cesar Tralli, do estúdio do SPTV, porém em definição padrão.

A maldição do canal 9

Hoje vemos a agonia que enfrenta a Rede TV! com audiência em queda, perda de programas, salários atrasados, e aluguel de programas para igrejas evangélicas. Esta história parece reprise e de fato é. Há cerca de 15 anos a Rede Manchete atravessava o mesmo drama. A coincidência? Ambos podem ser sintonizados pelo canal 9 em São Paulo.

Em 1999, a Rede TV! foi inaugurada no lugar da TV Manchete, que havia sido comprada após uma crise financeira que a emissora enfrentava com atrasos salariais, baixa audiência e sucateamento.

A TV Manchete foi inaugurada em 1983, após a venda das concessões das TV’s Tupi e Excelsior, pelo grupo Bloch, de propriedade de Adolpho Bloch, e além de possuir rádios, era responsável pela revista Manchete, um importante semanal.

O canal 9 em São Paulo ficou por 13 anos fora do ar, antes da TV Manchete. Nela havia a TV Excelsior, que entre 1960 e 1970, era lider de audiência, até sofrer dificuldades, em virtude de se opor ao regime militar (algo similar ocorreu na Venezuela recentemente). Os donos da emissora tiveram seu principal empreendimento, a companhia aérea Panair, impedida de operar e imposta à falência, desmoronando a emissora.

Uma outra coincidência entre as três emissoras, além da crise financeira, é a inovação. A Excelsior invovou tecnologicamente por introduzir no país em 1962 a transmissão de TV em cores no padrão NTSC, sem contar que foi a primeira a intrroduzir a programação vertical (programas semanais em um mesmo horário) e horizontal (programas diários), com pontualidade nos horários. A TV Manchete buscou inicialmente uma programação de primeira classe, e foi a primeira a transmitir o desfile das escolas de samba do Rio de janeiro na Marquês de Sapucaí, além de produzir novelas com temática fora do eixo Rio-São Paulo-Nordeste, com Pantanal, o que garantiu a emissora uma grande audiência. Já a Rede TV! foi inovadora ao ter a transmissão 100% em digital HDTV, inclusive via satélite, e a ser a primeira TV do mundo a transmitir conteúdo em 3D em toda a programação.

Com essa nova crise, a Rede TV! poderá acabar como as outras que transmitiram no canal 9 de São Paulo? Seria o canal 9, a cova da TV brasileira? Aguardamos o desenrolar dos acontecimentos.

Londres 2012: exemplo de convergência digital

Os jogos olímpicos de Londres de 2012 será marcada como a primeira olimpíada em que a convergência digital ficou tão evidente aos brasileiros. Por TV aberta, através da Rede Record de Televisão, ou fechada, pelos canais SporTV, ou ainda pela Internet por meio do portal Terra, os brasileiros puderam ver os detalhes dos jogos olímpicos, com excelente qualidade de som e imagem, por Banda Larga ou por TV Digital, aberta ou fechada.

Quem tem TV digital móvel ou em casa pôde conferir pela Rede Record e pela Record News a transmissão dos jogos, com qualidade HDTV ao vivo. A transmissão da emissora foi bastante profissional, com poucos problemas. Além dos eventos ao vivo, todos os programas jornalísticos sob a temática dos jogos foram transmitidos ao vivo em HDTV, direto de Londres.

O mesmo ocorreu para quem acompanhou os jogos pela TV fechada pelos canais Sportv. Até 4 eventos eram transmitidos simultaneamente ao vivo em alta definição.

Concorrendo com a TV, o portal Terra disponibilizou na web, pelo PC ou em aplicativos para celular nas plataformas IOS, Android e Windows Phone a transmissão dos Jogos Olímpicos.

Em comparação com as Olimpíadas de Pequim em 2008, os jogos olímpicos de Londres foram os mais digitais até então. Havia na olimpíada anterior a TV digital, porém restrita a poucas localidades, ao qual eu pude acompanhar também por transmissão digital aberta. Porém esta, teve a convergência digital mais presente por três motivos:

  1. Crescimento da TV Digital aberta, com praticamente todas as capitais e grandes cidades cobertas pela transmissão digital.
  2. Crescimento da TV fechada, com uma maciça adesão de assinaturas de TV Paga, além da concorrência ampliada pela entrada das teles no setor.
  3. Crescimento da Internet em Banda Larga, fixa e móvel em diversos locais do país.

Diante deste crescimento, vimos o seu reflexo nas redes sociais. Durante os Jogos Olímpicos, o aumento da audiência das redes sociais se tornou evidente, com a temática dos jogos em grande destaque. O Twitter e o Facebook foram grandes palcos de discussões, onde se comentava de tudo sobre os jogos.

Um diretor da Rede Record, entretanto, considerou nula relação da repercussão midiática dos jogos com nas redes sociais com a audiência da emissora, que não teve considerável aumento, chegando, inclusive a diminuir em alguns horários. Os três fatos ilustrados acima mostraram que hoje, a TV aberta não está sozinha na disputa pela audiência televisiva, concorrendo com a web e a TV fechada.

É a convergência digital o grande rival da TV aberta, agora Digital.

“Padrão Globo de Qualidade” some na TV Digital

Se você assiste a Rede Globo pela TV Digital vai se irritar um pouco. Apesar de ser a maior emissora de Televisão do País, com a maior audiência e a maior defensora do padrão nipo-brasileiro, existe uma grande variância de padrões de imagem em sua programação.

Um dos programas que mais exemplificam essa discrepância é o Domingão do Faustão. Se o programa é gravado no Rio de Janeiro, é transmitido em HDTV, mas se gravado em São Paulo, é transmitido em SDTV. E o que é mais intrigante, é o fato de a sede paulista da Rede Globo ser um prédio moderno e construído em 1999, o que permitiria a rápida instalação de equipamento moderno, e no entanto, QUASE NENHUM PROGRAMA DE ESTÚDIO GERADO EM SÃO PAULO É PRODUZIDO EM HDTV. E há programas de difusão nacional que são gerados na capital paulista como o Programa do Jô, Altas Horas e Bem Estar (único programa de estúdio gerado em São Paulo com transmissão em HDTV ao vivo). Além disso, muitos outros programas de estúdio gravados no Rio de Janeiro, como o Caldeirão do Huck, Vídeo Show, Esquenta e Mais Você, TV Xuxa, Big Brother Brasil entre outros que são ainda produzidos em SDTV.

QUASE NENHUM PROGRAMA DE ESTÚDIO GERADO EM SÃO PAULO É PRODUZIDO EM HDTV.

Em relação ao jornalismo, é perfeitamente compreensível manter o padrão SDTV para todos os telejornais devido à capilaridade da rede, mas um programa como o Fantástico ou Globo Repórter, em que a maioria das matérias são produzidas durante a semana, apenas eventualmente haver conteúdos em HDTV é no mínimo um desrespeito a quem investiu e acreditou na proposta da TV Digital, que a mesma Globo tanto defendeu. E o uso do novo padrão deve também ser um incentivo a produções próprias, como o elogiado pela crítica Profissão Repórter.

A mesma crítica se aplica à dramaturgia. Diversas produções em andamento na emissora, ainda são produzidos em SDTV, sobretudo humorísticos, como A Turma do Didi, Os Caras de Pau e Zorra Total. As novelas estão todas em HDTV, mas houve uma demora para que todas as produções sejam feitas usando o novo padrão. Primeiro foi o horário nobre, ainda em 2007, depois o horário das 18 horas em 2009, seguida do folhetim Malhação em 2010 e por fim, o horário das 19 horas em 2011. Cinco anos para todas as novelas da Globo estejam produzidas sob o novo padrão de imagem.

Enquanto isso, nas outras emissoras, o conteúdo em HDTV já é produzido em larga escala, sendo que boa parte da programação da concorrência já é produzida assim.

A explicação lógica é que, pelo tamanho da emissora, a transição para o HDTV seja feita de forma lenta e gradual, acompanhando a evolução da audiência digital. Mas já se passaram mais de 5 anos da TV Digital e os avanços foram até então tímidos e a concorrência anda produzindo muito mais conteúdo voltado para a TV Digital. A Globo vai ter de correr atrás do atraso, pois daqui a pouco será 2017 e a audiência total da TV será digital.

As novelas estão mudando

Este ano, vemos na Rede Globo um aperfeiçoamento técnico em sua teledramaturgia de novelas. Atualmente as três novelas em exibição na emissora são transmitidos em HDTV. A diferença é que agora estão usando a tecnologia cinematográfica para a produção. Usando de recursos de fotografia e os mesmos modelos de câmeras usadas no cinema, a Rede Globo deu a suas novelas, que é uma das paixões televisivas do brasileiro, um padrão de exportação a suas produções.

Se observar atentamente para as cenas de Amor, eterno amor, Cheias de charme e Avenida Brasil vemos alterações na iluminação das cenas, alguns traços característicos e uma maior riqueza de detalhes, além, é claro, do aspecto de telecine imposto pelo aparelho cinematográfico utilizado no registo das cenas. Interessante observar que este recurso melhora significativamente a qualidade da produção, dando a ele uma aparência mais plástica, mais artística.

O uso de recursos cinematográficos em produções televisivas deixou de ser custoso, graças a própria tecnologia digital. Antes, nas décadas de 1960 e 1970, utilizava-se o filme em tudo, até mesmo nas produções jornalísticas, onde as reportagens usavam filmes de cinema. Com a utilização do videoteipe na TV brasileira, a situação mudou. O custo de produção teve uma significativa queda, permitindo ao diretor da produção um ganho de desempenho em função do tempo e dos trabalhos de pós-produção. Foi aí que a novela brasileira explodiu.

Muito se questionou a respeito da diferença qualitativa de imagem das produções brasileiras e as similares europeias e estadunidenses. Mas a razão pela escolha do videoteipe nas produções brasileiras de teledramaturgia pode ser resumido em duas palavras: custo e escala. Pela quantidade de produções simultâneas (três novelas diárias, seriados, minisséries, programas humorísticos semanais, etc.), uma tecnologia que tenha uma boa relação de custo-benefício, seria vital para a sobrevivência da teledramaturgia no país.

Mas com a chegada da TV Digital no país, em 2007, foi exigida uma mudança nos padrões de produção empregados. As imagens em alta definição exigiram um aperfeiçoamento técnico tanto da parte de cenografia quanto da parte de maquiagem, figurino e até mesmo a caracterização dos atores teve que ser revista.

Desde o ano passado, todas as novelas da emissora são filmadas em HDTV. Mas desde 2010, com a novela Araguaia, que as novelas são filmadas com tecnologia cinematográfica.

A própria tecnologia do cinema contribuiu para que este modo de filmar fosse utilizado na TV. Hoje, as filmagens não utilizam mais os filmes para registrar as cenas, e sim sensores digitais (a Kodak não teria ido à falência por isso?). Assim, as cenas são gravadas no formato digital, mas mantidas as características de filmagem do cinema convencional (com o filme). Isto reduziu sensivelmente o custo de produção do cinema, e permitiu que a televisão usasse esse recurso.

Não apenas nas novelas, como nas minisseries e seriados a tecnologia do cinema está sendo usada.
Que tal assistirmos a novela, esta noite?